Pular para o conteúdo
Significado Bíblico

No grego

Um tempo verbal, um artigo, uma palavra com dois sentidos simultâneos. São diferenças invisíveis em português que mudam o que a frase afirma — e várias delas estão no centro de debates que duram séculos.

33 explicações neste tema.

Teologia densaÊxodo 25:8-9

'Farão um santuário para que eu habite no meio deles'

Em Êxodo 25:8-9, Deus ordena a construção de um santuário com um propósito explícito: "habitar no meio" do povo. O verbo hebraico shakan, de onde vem depois a palavra shekinah, descreve uma presença que se instala, que fica, não uma visita passageira. Séculos mais tarde, João 1:14 usa uma expressão grega que os tradutores costumam verter como "habitou entre nós", mas que literalmente significa "armou tenda" ou "tabernaculizou". O paralelo é real e deliberado: o evangelho descreve Jesus como o novo lugar de encontro entre Deus e o povo, superando a tenda de couro e madeira do deserto.

Ler explicação →
Teologia densaÊxodo 25:17-22

O propiciatório: a tampa de ouro onde o sangue era aspergido

O propiciatório (hebraico kapporet) era a tampa de ouro puro sobre a arca da aliança, ladeada por dois querubins, onde o sumo sacerdote aspergia sangue uma vez por ano no Dia da Expiação (Levítico 16:14-15). Era ali, entre os querubins, que Deus prometia se encontrar com Israel (Êxodo 25:22). Em Romanos 3:25, Paulo usa a palavra grega hilastērion — a mesma que a Septuaginta usa para "propiciatório" — para dizer que Deus apresentou Cristo publicamente como esse lugar de encontro e perdão.

Ler explicação →

'Onde estão, ó morte, os teus males?': a citação de Paulo que inverte o tom original

Paulo cita Oseias 13:14 em 1 Coríntios 15:55 como celebração triunfante: "onde está, ó morte, o teu aguilhão?", aplicando o texto à ressurreição e à derrota final da morte por Cristo. No hebraico original, porém, o mesmo versículo funciona de modo diferente, dentro de um oráculo de julgamento contra Israel: pode ser lido não como negação da morte, mas como convocação irônica das próprias pragas da morte contra um povo impenitente. A ambiguidade nasce de uma palavra hebraica que pode significar "onde" (pergunta de vitória, seguida pela Septuaginta e por Paulo) ou "eu serei" (Deus trazendo as pragas como juízo). Essa dupla leitura não desautoriza Paulo; mostra o Novo Testamento revelando sentido novo num texto cujo tom original era de ameaça.

Ler explicação →

O que são "os pobres de espírito"?

A palavra grega é *ptochos*, e ela não significa "de poucos recursos". Significa mendigo — quem se agacha, quem depende de esmola para o dia. O grego tinha outra palavra para o pobre que trabalha e ganha pouco: *penes*. Jesus não usou essa.

Ler explicação →

"Sede perfeitos" é uma exigência impossível?

A palavra grega é *teleios*, e ela não significa "sem defeito". Significa completo, inteiro, que atingiu o fim a que se destinava. Um adulto é *teleios* em relação a uma criança; um animal sem mutilação é *teleios* para o sacrifício.

Ler explicação →

Dívidas, pecados ou ofensas? Por que o Pai Nosso muda de palavra

O Pai Nosso que Jesus ensina em Mateus 6 pede perdão para ὀφειλήματα, opheilēmata — palavra grega comum do vocabulário comercial, que significa literalmente "dívidas". A versão paralela da mesma oração, em Lucas 11:4, usa outra palavra: ἁμαρτίας, hamartias, "pecados" — o termo moral direto, sem metáfora financeira.

Ler explicação →

Deus conduz alguém à tentação?

A frase que a maioria decorou é "não nos deixes cair em tentação". A que está no grego é mais dura: "não nos conduzas à tentação" — e a Bíblia Livre, a tradução usada aqui, traz exatamente essa.

Ler explicação →

Jesus foi rude com a mãe em Caná?

Em português a frase soa como repreensão. Em grego, ela é uma expressão idiomática — *ti emoi kai soi* —, decalque de um hebraísmo que significa algo como "o que isso tem a ver conosco?" ou "em que nossos assuntos se cruzam?".

Ler explicação →

Agapas-me ou phileis-me? O jogo de palavras que o português apaga

O grego tem, no Novo Testamento, mais de uma palavra corrente para "amar", e este trecho usa duas delas alternadamente: ἀγαπάω, agapaō, e φιλέω, phileō. O português quase sempre traduz as duas pela mesma palavra — "amar" —, e o jogo verbal que estrutura a cena inteira desaparece por completo na leitura em tradução.

Ler explicação →

Fé em Cristo, ou a fidelidade de Cristo? O genitivo que divide os tradutores

A expressão grega πίστις Χριστοῦ, pistis Christou, aparece três vezes neste trecho, e a gramática grega, por si só, não decide o que ela significa. É possível traduzi-la, como quase toda versão em português faz, por "fé em Cristo" — a fé que o crente deposita nele. E é possível traduzi-la, como parte da exegese acadêmica das últimas décadas defende, por "a fidelidade de Cristo" — a fidelidade que o próprio Cristo exerceu, sobretudo ao ir até a cruz.

Ler explicação →
Teologia densaFilipenses 4:12-13

"Todas as coisas" são quais coisas?

É o versículo de camiseta de atleta, de véspera de prova e de campanha de prosperidade. E a resposta para o que são "todas as coisas" está na frase imediatamente anterior, que quase nunca é lida junto.

Ler explicação →
Expressões hebraicas1 Pedro 1:13-14

"Cingir os lombos do entendimento" — o gesto por trás da metáfora

A tradução Bíblia Livre, que é o texto âncora deste verbete, verte a abertura de 1 Pedro 1:13 como "preparai as vossas mentes" — uma escolha dinâmica e legítima. Mas o grego por trás dessa frase diz outra coisa, mais concreta: ἀναζωσάμενοι τὰς ὀσφύας τῆς διανοίας ὑμῶν, literalmente "tendo cingido os lombos do vosso entendimento". É a formulação que a tradição (ARC, ARA) traduz ao pé da letra, e que deu nome a este verbete.

Ler explicação →

Por tipo de dificuldade

O mesmo tema, cortado pelo motivo de a passagem ser difícil. Saber que uma frase é hipérbole, e não ordem literal, costuma resolver a dúvida antes da explicação.

Outros temas