
Que "mundo" cristãos não devem amar?
Como conciliar 1 João 2:15 com "Deus amou o mundo"?
Não ameis o mundo, nem as coisas que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
Resposta curta
A mesma palavra grega, *kosmos*, aparece nos dois textos — e o mesmo autor escreve os dois. diz que Deus amou o mundo; diz para não amá-lo.
A resposta está no que a palavra cobre. *Kosmos* designa o universo criado, a humanidade, e o sistema humano organizado em oposição a Deus.
O versículo seguinte define qual sentido está em uso: "a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida". A definição é dada pelo próprio texto.
Como isso aponta para Jesus
ContrasteO mesmo autor escreve "Deus amou o mundo, de tal maneira que deu o seu Filho unigênito" e "não ameis o mundo". A diferença é o sentido da palavra — e a oração de Jesus em resolve a tensão prática: "não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal". Estar no mundo é comissão; pertencer a ele é outra coisa.
Respaldo no Novo Testamento: ; ;
Em palavras simples
O mesmo autor que escreve 'não amem o mundo' também escreveu a frase mais famosa sobre amor: 'Deus amou o mundo, de tal maneira que deu o seu Filho'. A palavra 'mundo', na língua original, tinha mais de um sentido — o planeta, as pessoas, ou um sistema de vida organizado contra Deus. Esse último é o sentido usado aqui, e o texto explica em seguida o que quer dizer: desejo descontrolado, cobiça pelos olhos, vontade de se exibir. São atitudes internas, não lugares de fora.
Esse versículo já foi usado para justificar isolamento total da cultura, mas isso não bate com o resto da Bíblia: Jesus ora pedindo que seus seguidores não sejam tirados do mundo, só protegidos do mal dentro dele. A diferença é entre estar nele e pertencer a ele.
Contexto histórico
A carta alterna entre afirmações sobre luz, amor e verdade, e advertências contra o que se opõe a elas.
O trecho vem depois de uma seção dirigida a três grupos — filhinhos, pais e jovens —, cada um com uma razão para a exortação.
A estrutura do versículo é de exclusão mútua: "se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele". Não há meio-termo formulado.
O versículo 16 dá a definição em três itens, e o 17 dá a razão: "e o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre".
O argumento é sobre durabilidade. O motivo dado para não amar não é que o mundo seja mau em si, e sim que ele passa.
Aprofundamento
A palavra *kosmos* aparece cerca de cento e oitenta vezes no Novo Testamento, e mais de cem delas nos escritos de João.
Os sentidos principais são três. O universo criado — "o mundo foi feito por ele", em . A humanidade — "Deus amou o mundo", em . E o sistema organizado em oposição a Deus — "o príncipe deste mundo", em .
O terceiro sentido é o de , e o versículo seguinte o define com precisão.
Os três itens da definição são frequentemente comparados a três cenas bíblicas. descreve a árvore como boa para comer, agradável aos olhos e desejável para dar entendimento. E a tentação de Jesus em tem pedras em pães, o pináculo do templo e os reinos do mundo.
A correspondência é notada por comentaristas há séculos, e é sugestiva mais do que demonstrável.
Sobre a aplicação, o versículo foi usado historicamente para justificar isolamento — retirada da cultura, da arte, da política. É uma leitura que enfrenta o restante do Novo Testamento: Jesus ora explicitamente "não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal", e Paulo esclarece em que não se referia a sair do convívio, "porque então vos seria necessário sair do mundo".
A distinção que os textos fazem é entre estar no mundo e pertencer a ele.
usa a formulação mais dura da mesma ideia: "a amizade do mundo é inimizade contra Deus". E o contexto ali é de conflitos internos motivados por desejo — o mesmo diagnóstico de .
O que costumam dizer errado3 afirmações
Dizem que:O versículo contradiz João 3:16.
A palavra grega *kosmos* cobre o universo, a humanidade e o sistema em oposição a Deus. O versículo 16 define qual sentido está em uso, e o mesmo autor escreve os dois textos.
Dizem que:A instrução exige isolamento da cultura.
Jesus ora "não peço que os tires do mundo", e Paulo diz em que evitar o convívio exigiria "sair do mundo". A distinção é entre estar e pertencer.
Dizem que:O "mundo" são coisas e lugares específicos.
A definição do versículo 16 lista três disposições — desejo, cobiça e soberba —, e nenhuma delas está localizada fora da pessoa.
Como diferentes tradições cristãs leem2 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Sistema em oposição a Deus
*Kosmos* no sentido de ordem organizada contra Deus, definida pelos três itens do versículo 16. É a leitura consensual entre comentaristas.
Ênfase na durabilidade
O motivo dado é que "o mundo passa" — o problema é organizar a vida em torno do que termina. Sustentada pelo versículo 17.
No original3 termos
κόσμοςkosmos
"Mundo, ordem, universo". Cerca de cento e oitenta ocorrências no Novo Testamento, com pelo menos três sentidos distintos.
ἐπιθυμίαepithymia
"Desejo intenso, cobiça". A palavra dos dois primeiros itens da definição. Não é negativa em si — usa a raiz para o desejo de Jesus de comer a Páscoa.
ἀλαζονείαalazoneia
"Ostentação, jactância". O terceiro item — "a soberba da vida". Descreve exibição do que se tem ou do que se pretende ter.
O que fazer com isso
A definição do versículo 16 é o que torna a instrução aplicável, e ela não fala de objetos.
Concupiscência da carne, concupiscência dos olhos, soberba da vida. São três disposições, e nenhuma delas está localizada fora da pessoa.
Isso desloca a discussão. A pergunta não é quais atividades ou lugares pertencem ao "mundo", e sim o que organiza os desejos de alguém.
É possível estar isolado de tudo e carregar os três itens; é possível estar no meio de tudo e não carregá-los.
E o motivo dado é de durabilidade: "o mundo passa". O argumento não é que essas coisas sejam sujas, e sim que elas terminam — e organizar a vida em torno do que termina é o problema.
Passagens relacionadas6
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Fontes consultadas3 obras
- Matthew Henry. Commentary on the Whole Bible, 1710.
- Henry Alford. The Greek Testament, 1863.
- Albert Barnes. Notes on the Bible, 1834.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Como saber se estou "amando o mundo"?
O versículo 16 dá três marcadores: o que se deseja, o que se cobiça ao ver, e o que se ostenta. São disposições, e a pergunta é sobre o que organiza os desejos, não sobre onde a pessoa está.
A correspondência com Gênesis 3 e Mateus 4 é real?
É notada por comentaristas há séculos — boa para comer, agradável aos olhos, desejável para dar entendimento; e pães, pináculo, reinos. É sugestiva e não é afirmada pelos textos.
Cristãos devem se afastar da cultura?
é o texto decisivo: enviados ao mundo, sem serem tirados dele. As tradições cristãs divergem sobre o grau de engajamento, e nenhuma sustenta isolamento total com base neste versículo.
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