Por que Deus matou Nadabe e Abiú?
O texto dá o motivo em cinco palavras: "fogo estranho, que ele nunca lhes mandou". O problema não é o que foi feito — é que não havia sido ordenado.
Antigo Testamento · livro 3 de 66
21 passagens difíceis explicadas em Levítico, espalhadas por 15 capítulos.
O texto dá o motivo em cinco palavras: "fogo estranho, que ele nunca lhes mandou". O problema não é o que foi feito — é que não havia sido ordenado.
As regras alimentares de Levítico 11 não são apresentadas como orientação de saúde. O texto nunca diz que esses animais fazem mal; diz que são "imundos" — categoria ritual, não sanitária.
Levítico 12 fixa o período de impureza ritual da mulher depois do parto, ligado ao sangramento pós-parto e comparado à impureza da menstruação (Levítico 15). Se nasce um menino, ela fica impura sete dias — o filho é circuncidado no oitavo — e segue mais trinta e três dias em purificação de sangue, sem tocar coisas santas nem entrar no santuário: quarenta dias ao todo. Se nasce uma menina, os dois períodos dobram: catorze dias de impureza e sessenta e seis de purificação, oitenta dias no total.
Levítico 13:45-46 descreve o protocolo que Israel seguia com quem recebia o diagnóstico de tzaraat, uma doença de pele grave avaliada pelos sacerdotes: rasgar as próprias vestes, deixar a cabeça descoberta, cobrir o lábio superior e gritar "Imundo! Imundo!" sempre que alguém se aproximasse. Depois disso, a pessoa passava a morar sozinha, fora do acampamento de Israel, enquanto a chaga persistisse.
Levítico 15:19-24 faz parte de um bloco maior de leis (Levítico 15) sobre impureza ritual ligada a fluxos corporais, tanto femininos quanto masculinos. O texto trata do período menstrual: durante sete dias a mulher entrava num estado ritual chamado, em hebraico, de niddah, e qualquer pessoa que a tocasse, ou tocasse sua cama ou o assento onde ela se sentara, também ficava impura até a tarde, precisando lavar as roupas e banhar-se.
A expressão "bode expiatório" veio daqui, e o rito é mais estranho do que a expressão sugere: dois bodes, sorteados, com destinos opostos. Um é sacrificado; o outro sai vivo para o deserto carregando as culpas do povo.
Em Levítico 17:10-11, Deus proíbe qualquer israelita ou estrangeiro residente de comer sangue, sob pena de ser "eliminado" do povo. A ordem faz parte das leis sobre sacrifícios dadas a Moisés no deserto, num tempo em que povos vizinhos às vezes bebiam ou usavam sangue em rituais para absorver força vital ou consultar espíritos.
Levítico 18:21 ordena que nenhum israelita entregue o filho ou a filha "para fazê-la passar pelo fogo a Moloque", nem profane o nome de Deus. O mandamento aparece numa lista de leis sexuais, o que confunde o leitor moderno, mas a lógica do Antigo Oriente Próximo era direta: o culto a Moloque tocava o mesmo território das práticas condenadas ao redor — o uso do corpo e da vida humana como moeda religiosa a um deus estrangeiro.
O versículo é o texto mais citado do Antigo Testamento nesta discussão, e a maior parte do debate público sobre ele mistura duas perguntas que precisam ser separadas.
Em Levítico 19:18, o mandamento "amarás a teu próximo como a ti mesmo" aparece cercado de instruções contra vingança e rancor "aos filhos de teu povo" — expressão que designava os israelitas ligados pela aliança do Sinai. Por isso, no sentido gramatical original, "próximo" (hebraico rea) apontava primeiro para o compatriota, o membro da mesma comunidade de fé e sangue, não para qualquer ser humano em qualquer lugar.
É o versículo mais usado para ridicularizar a Lei — e o menos compreendido. As três proibições têm a mesma forma: não combinar coisas que pertencem a categorias distintas.
O versículo é uma frase só, e ela tem um complemento que quase sempre é cortado na citação: "por um morto". A proibição está ligada a um rito funerário específico — cortar a própria pele e marcar o corpo como parte do luto e do culto aos mortos praticado pelos povos vizinhos.
A lei é curta e categórica: quem adultera com a mulher do próximo, "certamente se condenará à morte o adúltero e a adúltera" — os dois, sem distinção de gênero na pena, o que já contraria a suposição comum de que a lei antiga punia só a mulher.
Levítico 21:17-23 registra uma instrução dada a Arão sobre quais de seus descendentes, sacerdotes por herança de família, podiam se aproximar do altar para oferecer o pão de Deus. A lista de impedimentos é toda física: cegueira, coxeadura, rosto mutilado, membro deformado, fratura de pé ou mão, corcunda, nanismo, problema de visão, doença de pele, testículo mutilado. Quem tivesse qualquer dessas condições ficava impedido de exercer essa função ritual específica no santuário.
Em meio às leis levíticas, o texto interrompe a sequência de rituais para narrar um caso real. Um homem, filho de uma mãe israelita chamada Selomite e de pai egípcio, brigou com um israelita dentro do acampamento. Na discussão, ele "pronunciou o Nome, e amaldiçoou" — usou o nome do Deus de Israel para praguejar. Como não havia precedente claro para esse crime, ele foi preso enquanto Moisés consultava o SENHOR sobre a sentença.
A fórmula é conhecida como *lex talionis*, e o efeito dela na prática era o oposto do que o senso comum imagina: ela limitava a resposta, em vez de autorizá-la.
A cada sete anos, toda a terra de Israel deveria descansar: sem semear, sem podar videiras, sem colheita organizada — apenas o que crescesse espontaneamente, disponível para todos comerem, incluindo servos, estrangeiros e até os animais. É a lei do shemitah, o ano sabático da terra, distinta do jubileu (que ocorria a cada cinquenta anos e envolvia devolução de terras e libertação de escravos, já tratado em outro verbete deste acervo).
A cada cinquenta anos, segundo a lei, as dívidas se anulavam, os escravos por dívida eram libertados e cada família voltava à terra que havia perdido. Uma reinicialização econômica inteira, marcada por som de trombeta no Dia da Expiação.
Levítico 25 estabelece as leis do ano do jubileu. Nos versículos anteriores (39-43), a lei já havia determinado que um israelita empobrecido, vendido por dívida a um parente mais próspero, não deveria ser tratado como escravo, e sim como trabalhador contratado, sendo libertado no jubileu. Os versículos 44 a 46 tratam de um caso diferente: servos comprados entre as nações vizinhas ou entre os filhos de estrangeiros que já viviam em Israel. Esses podiam ser adquiridos como propriedade permanente, transmitida como herança aos filhos, sem direito à libertação automática do jubileu.
Levítico 26:29 está no meio da lista de maldições do pacto que Moisés apresenta a Israel, a consequência de abandonar a aliança com o SENHOR. Depois de anunciar fome, pragas e cerco de guerra (v.25-26), o texto chega ao ponto mais extremo: "E comereis as carnes de vossos filhos, e comereis as carnes de vossas filhas." É a descrição do que um cerco prolongado, sem comida, sem saída e sem esperança, pode levar pessoas desesperadas a fazer.
Levítico 27 fecha o livro tratando de votos: uma pessoa podia consagrar ao Senhor um animal, uma casa, um campo ou até a si mesma, e depois resgatar essa promessa pagando o valor estabelecido pelo sacerdote, mais um quinto. Os versículos 28 e 29, porém, descrevem algo diferente: o herem, aquilo formalmente banido e entregue ao Senhor sem volta. Isso não podia ser vendido nem resgatado; era coisa santíssima. Quando o herem recaía sobre uma pessoa, a lei era direta: ela não seria resgatada, mas morta.