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Significado Bíblico
Ilustração da categoria Costumes da época

Quem é Azazel, o do bode expiatório?

O que era o bode enviado a Azazel no Dia da Expiação?

E lançará sortes Arão sobre os dois machos de bode; uma sorte pelo SENHOR, e a outra sorte por Azazel.

· Bíblia Livre (Textus Receptus)

Resposta curta

A expressão "bode expiatório" veio daqui, e o rito é mais estranho do que a expressão sugere: dois bodes, sorteados, com destinos opostos. Um é sacrificado; o outro sai vivo para o deserto carregando as culpas do povo.

O nome do destino do segundo é *azazel*, e o que essa palavra significa é discutido há dois mil anos. Pode ser um lugar, um ser, ou uma expressão que quer dizer "remoção completa".

Como isso aponta para Jesus

Tipologia

Hebreus dedica capítulos inteiros a comparar o Dia da Expiação com a obra de Cristo: um sumo sacerdote, um sangue, um santuário, "uma vez por todas". A tipologia dos dois bodes é antiga na leitura cristã — um mostra o preço pago, o outro mostra o pecado levado para onde não volta. É a mesma imagem de , "quanto está longe o oriente do ocidente".

Respaldo no Novo Testamento: ; ;

Em palavras simples

A expressão "bode expiatório" vem daqui, mas o rito original é mais estranho do que a expressão sugere. Eram dois bodes, sorteados: um era sacrificado, com o sangue levado para dentro do lugar mais sagrado do santuário. O outro não morria — o sacerdote confessava em voz alta, sobre a cabeça dele, os erros do povo, e o animal era solto vivo no deserto.

O nome do destino desse segundo bode é discutido há séculos: pode ser um lugar, o nome de um ser, ou uma expressão que quer dizer "removido para sempre". Mesmo que seja o nome de algum ser, o bode não é oferecido como sacrifício — não é morto, e nenhum sangue vai para lá.

Curiosamente, o sentido da expressão hoje é quase o oposto do rito original: hoje significa alguém culpado injustamente. No texto, não há engano: é confissão real de uma culpa real, antes de ser transferida.

Contexto histórico

descreve o Yom Kippur, o Dia da Expiação — o único dia do ano em que o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos, e apenas com sangue.

O rito tem duas metades que precisam ser lidas juntas. O primeiro bode é morto, e o sangue dele é levado para dentro do véu, aspergido sobre o propiciatório. É o sacrifício que trata da ofensa contra Deus.

O segundo bode não morre. Arão põe as duas mãos sobre a cabeça dele, confessa em voz alta todas as iniquidades de Israel, e o animal é levado por um homem designado até uma terra deserta, onde é solto.

Os dois juntos formam uma coisa só. O texto chama os dois de "oferta pela expiação", no singular, e a lógica é visível: um cobre o pecado, o outro o carrega para longe. Israel via, num dia, o perdão acontecendo em duas direções.

Aprofundamento

A palavra *azazel* ocorre quatro vezes, todas neste capítulo, e nenhuma vez fora dele. As três leituras principais são antigas.

A primeira decompõe a palavra em *ez azal*, "bode que vai embora". É a leitura da Septuaginta e da Vulgata, e é dela que vem "bode emissário" e, por caminhos ingleses, "scapegoat" e "bode expiatório". Explica o rito com naturalidade; a decomposição gramatical é frágil.

A segunda toma *azazel* como nome próprio de um ser demoníaco do deserto. Apoia-se no paralelismo do versículo 8 — "uma sorte pelo SENHOR, e a outra sorte por Azazel" —, onde o segundo termo ocupa a posição de um nome, como o primeiro. O livro de Enoque, do período do Segundo Templo, traz Azazel como anjo caído, e essa leitura era corrente no judaísmo antigo.

A terceira lê como topônimo ou como expressão para "precipício", "lugar áspero". O Talmude descreve o bode sendo empurrado de um penhasco, e a Mishná dá o nome do lugar.

A segunda leitura assusta alguns leitores, e vale desarmar o susto: mesmo que *azazel* seja um ser, o rito não é oferta a ele. O texto não diz que o bode é sacrificado — ele é solto vivo, e o destino é a terra deserta, o não-lugar. A imagem é de expulsão do pecado para fora do território habitado, não de tributo. Nenhum sangue vai para lá.

Há um detalhe ritual que sublinha isso: quem conduz o bode e quem queima os restos do primeiro precisam lavar as roupas e o corpo antes de voltar ao acampamento. O pecado removido continua sendo tratado como contaminante até o fim.

O que costumam dizer errado3 afirmações
  • Dizem que:O bode expiatório era oferecido a um demônio.

    O animal não é morto nem oferecido — é solto vivo no deserto. Nenhum sangue vai para lá, e o texto o descreve levando as iniquidades para "terra inabitada". A gramática admite que *azazel* seja um ser; o rito não é sacrifício a ninguém.

  • Dizem que:Os dois bodes representam Cristo e Satanás.

    Levítico chama os dois, em conjunto, de oferta pela expiação, e a confissão do povo é feita sobre o segundo. Ler o segundo como o adversário exige que o pecado seja depositado sobre ele, o que inverte a lógica de todo o capítulo.

  • Dizem que:"Bode expiatório" significa alguém injustamente culpado.

    É o sentido moderno da expressão, e é quase o inverso do rito. No Levítico há confissão explícita da culpa real por quem a cometeu, antes de qualquer transferência.

Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • "Bode que vai embora"

    Decompõe *azazel* em "bode" mais "ir embora". Leitura da Septuaginta e da Vulgata, origem de "bode expiatório". Descreve bem a função; a etimologia é considerada frágil pela maioria dos hebraístas.

  • Nome próprio

    *Azazel* é um ser do deserto, e o paralelismo do versículo 8 o coloca em posição equivalente a "o SENHOR". Corrente no judaísmo do Segundo Templo. Gramaticalmente forte; exige explicar por que um ser assim aparece num rito de Israel — e a resposta é que o deserto é para onde o pecado é expulso.

  • Lugar ou "remoção total"

    Topônimo, penhasco ou expressão idiomática para destruição completa. Apoiada na Mishná e no Talmude, que descrevem o local. Evita o problema teológico; é a mais difícil de sustentar na frase do versículo 8.

No original3 termos
  • עֲזָאזֵלazazel

    Palavra que ocorre quatro vezes, todas em . Lida como "bode que vai embora", como nome próprio, ou como lugar/expressão de remoção. Sem paralelo que resolva.

  • כִּפֶּרkipper

    "Expiar, cobrir". Raiz de *Yom Kippur*. O mesmo verbo descreve o que os dois bodes fazem juntos, no singular.

  • אֶרֶץ גְּזֵרָהerets gezerah

    "Terra separada, inabitada". O destino do segundo bode — o lugar de onde não se volta, que é o ponto da imagem.

O que fazer com isso

A expressão "bode expiatório", hoje, significa quase o contrário do rito. Chamamos assim quem é injustamente culpado pelo erro dos outros.

No Levítico, o animal não é enganado nem acusado de nada. Ele é o veículo de uma confissão feita em voz alta, com nome e detalhe, por quem de fato errou. O rito exige que a culpa seja dita antes de ser transferida.

Essa é a diferença que a linguagem popular apagou. Procurar um culpado externo é o oposto de confessar sobre a cabeça de um substituto — e o segundo é o que o texto descreve.

Passagens relacionadas6

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas3 obras
  • Adam Clarke. Commentary on the Bible, 1810.
  • John Gill. Exposition of the Entire Bible, 1748.
  • Carl Friedrich Keil e Franz Delitzsch. Biblical Commentary on the Old Testament, 1866.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O rito ainda é praticado?

Não. Ele dependia do templo e do sumo sacerdote, e cessou com a destruição do templo em 70 d.C. O Yom Kippur continua sendo o dia mais solene do calendário judaico, celebrado com jejum e oração.

Por que dois bodes, e não um?

Porque o texto mostra duas coisas distintas sobre o mesmo perdão: o preço, no sangue levado para dentro do véu, e a remoção, no animal que some no deserto. Um só animal não poderia estar morto e vivo ao mesmo tempo.

A tradição judaica diz o que era Azazel?

Divide-se. A Mishná trata como lugar e descreve o penhasco; o livro de Enoque trata como anjo caído; comentaristas medievais como Ibn Ezra apontam para o sentido de "remoção". A divergência é antiga e continua.

Temas

  • A cruz
  • #levitico
  • #expiacao
  • #ritual
  • #azazel
  • #antigo-testamento

Faz parte de

Publicado em 14/08/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 3 obras citadas, com autor e ano
  • 3 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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Levítico 2:11-13 estabelece duas regras opostas para a oferta de cereais (minchah): nunca fermento nem mel, mas sempre sal. A proibição do fermento aparece em outros textos ligados à Páscoa e aos pães ázimos, associando-o a um símbolo recorrente de corrupção ou deterioração que se espalha; o mel, doce e também sujeito a fermentação e mudança com o tempo, entra na mesma categoria proibida especificamente nas ofertas queimadas. O sal, ao contrário, é chamado explicitamente de "sal da aliança do teu Deus", exigido em toda oferta de cereais sem exceção alguma. A combinação revela um vocabulário simbólico coerente: fermento e mel representam processos de transformação e decomposição ao longo do tempo, enquanto o sal, usado desde a Antiguidade como conservante, simboliza durabilidade e permanência.

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Costumes da épocaLevítico 21:1-6

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