Qual foi o pecado de Onã?
Não foi masturbação — o texto descreve coito interrompido, e o motivo está escrito na mesma frase: "sabendo Onã que a descendência não havia de ser sua".

Tecidos misturados, alimentos proibidos, marcas no corpo. Entender por que essas regras existiam é o único caminho honesto para discutir se, e como, elas alcançam o leitor cristão hoje.
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Não foi masturbação — o texto descreve coito interrompido, e o motivo está escrito na mesma frase: "sabendo Onã que a descendência não havia de ser sua".
Depois da décima praga do Egito — a morte dos primogênitos egípcios, da qual Israel escapou pelo sangue do cordeiro pascal — a lei ordena que todo primogênito de Israel, humano ou animal, pertença ao SENHOR. O primogênito de animal impuro (o exemplo dado é o jumento) devia ser resgatado com um cordeiro, ou ter o pescoço quebrado; todo filho primogênito humano devia ser resgatado.
As regras alimentares de Levítico 11 não são apresentadas como orientação de saúde. O texto nunca diz que esses animais fazem mal; diz que são "imundos" — categoria ritual, não sanitária.
Levítico 13:45-46 descreve o protocolo que Israel seguia com quem recebia o diagnóstico de tzaraat, uma doença de pele grave avaliada pelos sacerdotes: rasgar as próprias vestes, deixar a cabeça descoberta, cobrir o lábio superior e gritar "Imundo! Imundo!" sempre que alguém se aproximasse. Depois disso, a pessoa passava a morar sozinha, fora do acampamento de Israel, enquanto a chaga persistisse.
Levítico 15:19-24 faz parte de um bloco maior de leis (Levítico 15) sobre impureza ritual ligada a fluxos corporais, tanto femininos quanto masculinos. O texto trata do período menstrual: durante sete dias a mulher entrava num estado ritual chamado, em hebraico, de niddah, e qualquer pessoa que a tocasse, ou tocasse sua cama ou o assento onde ela se sentara, também ficava impura até a tarde, precisando lavar as roupas e banhar-se.
É o versículo mais usado para ridicularizar a Lei — e o menos compreendido. As três proibições têm a mesma forma: não combinar coisas que pertencem a categorias distintas.
O versículo é uma frase só, e ela tem um complemento que quase sempre é cortado na citação: "por um morto". A proibição está ligada a um rito funerário específico — cortar a própria pele e marcar o corpo como parte do luto e do culto aos mortos praticado pelos povos vizinhos.
A cada sete anos, toda a terra de Israel deveria descansar: sem semear, sem podar videiras, sem colheita organizada — apenas o que crescesse espontaneamente, disponível para todos comerem, incluindo servos, estrangeiros e até os animais. É a lei do shemitah, o ano sabático da terra, distinta do jubileu (que ocorria a cada cinquenta anos e envolvia devolução de terras e libertação de escravos, já tratado em outro verbete deste acervo).
A cada cinquenta anos, segundo a lei, as dívidas se anulavam, os escravos por dívida eram libertados e cada família voltava à terra que havia perdido. Uma reinicialização econômica inteira, marcada por som de trombeta no Dia da Expiação.
Era. Uma mulher suspeita de adultério, sem testemunha e sem prova, era levada ao sacerdote e bebia água misturada com pó do chão do tabernáculo e a tinta das maldições escritas.
Qualquer israelita, homem ou mulher, podia fazer voluntariamente um voto de nazireu por um período determinado — dias, semanas ou meses, à escolha da própria pessoa — assumindo três restrições enquanto durasse: nada de vinho, bebida forte ou qualquer produto da videira, nem mesmo uva ou passa; não cortar o cabelo; e não tocar em cadáver, nem mesmo de parentes próximos.
Israel deveria separar seis cidades, três de cada lado do Jordão, para onde pudesse fugir quem matasse alguém "por acidente" — sem intenção, sem premeditação. Enquanto lá dentro, protegido, o homicida escapava do "vingador do sangue", o parente próximo da vítima que tinha, pelo costume do antigo Oriente Próximo, o direito e a expectativa social de vingar a morte com as próprias mãos.