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Significado Bíblico
Ilustração da categoria Expressões hebraicas

O que significa a criação gemer com dores de parto?

O que Paulo quer dizer ao afirmar que toda a criação geme como mulher em dores de parto?

Pois sabemos que toda a criação geme e sofre dores como as de parto até agora. E não somente isso, mas também nós, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos em nós mesmos, esperando a adoção, isto é, a redenção do nosso corpo. Pois fomos salvos na esperança. Ora, a esperança que se vê não é esperança; afinal, por que alguém ainda espera o que já vê? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência esperamos.

· Bíblia Livre (Textus Receptus)

Resposta curta

Em , Paulo diz que toda a criação geme e sofre dores de parto até agora, esperando a revelação dos filhos de Deus. A imagem do parto é a chave: a dor não é um fim em si, pois aponta para algo que vai nascer. O mundo que sofre com a degradação, a morte e a frustração aguarda a libertação que virá junto com a redenção dos corpos dos cristãos. Os próprios crentes, que já têm as primícias do Espírito, também gemem enquanto esperam a adoção plena. Paulo termina o trecho dizendo que a esperança é aquilo que ainda não se vê, e por isso se espera com perseverança. O texto não nega o sofrimento presente, mas o coloca sob uma promessa.

Como isso aponta para Jesus

Trajetória do texto

A libertação da criação está ligada à ressurreição de Cristo, o primogênito dentre os mortos. Paulo ensina em outros textos que a ressurreição dele é a primeira parte da colheita e que o corpo glorioso dos cristãos virá dele, o que dá ao parto de um ponto de chegada.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Paulo diz que o mundo todo geme como uma mulher prestes a dar à luz. A dor tem um sentido: algo novo está por vir. A criação espera ser libertada da corrupção quando os filhos de Deus forem plenamente revelados, e os cristãos, que já têm as primícias do Espírito, esperam com ela. A esperança é a base dessa espera.

Contexto histórico

abre com 'nenhuma condenação' para os que estão em Cristo e descreve a vida no Espírito. Perto do meio do capítulo, Paulo trata do tema do sofrimento e da glória futura: os sofrimentos do tempo presente não se comparam com a glória que será revelada (8:18). É a partir daí que ele introduz a criação. A palavra grega ktisis, traduzida por 'criação', aparece nos versículos 19 a 22, e Paulo diz que ela aguarda com ansiedade a revelação dos filhos de Deus, foi sujeita à vaidade, ou frustração, e espera ser libertada da escravidão da corrupção. O pano de fundo é , quando a terra é amaldiçoada por causa do pecado de Adão e produz espinhos e cardos. A reflexão judaica sobre o fim dos tempos tinha uma imagem para a transição entre esta era e a era futura: as 'dores de parto', ligadas às angústias que precederiam o Messias. Jesus usa o mesmo vocabulário em , quando fala de guerras, fomes e terremotos como 'princípio das dores'. Paulo escreve a cristãos de Roma que viviam sob a pressão de uma sociedade hostil, e a ideia de que o sofrimento presente não é a última palavra servia a essa realidade. Os versículos 22 a 25 concluem o argumento com a imagem do parto e com a afirmação de que os crentes também gemem à espera da redenção do corpo. Esse pano de fundo ajuda a perceber o tom do trecho. Paulo não escreve um tratado sobre ecologia nem sobre a física do cosmos. Ele escreve uma carta pastoral que ensina a esperar. A criação entra na carta como companheira de sofrimento e de expectativa, e não como assunto separado, e é por isso que o parto, em vez de um quadro de desespero, aparece como imagem de uma dor que acompanha uma promessa.

Aprofundamento

O versículo 22 afirma: 'Sabemos que toda a criação geme e suporta angústias de parto até agora'. Paulo usa dois verbos compostos em grego, systenazei e synodinei, com o prefixo syn-, que dá a ideia de gemer e sofrer dores 'juntamente'. A criação não sofre isolada: o sofrimento é partilhado, e a imagem sugere uma solidariedade entre o mundo e a humanidade. O parto serve bem à imagem porque combina dor real e expectativa positiva. O Antigo Testamento já conhecia o uso: compara Israel a uma mulher grávida que se contorce sem dar à luz, e usa o parto como imagem de renovação. Quem é a 'criação' em é uma pergunta debatida. A leitura mais comum entre os comentaristas entende o mundo não humano, a natureza, em linha com a sujeição ao ciclo de corrupção e com a promessa de novos céus e nova terra (; ). Outras leituras propõem que o termo inclua a humanidade não cristã, ou mesmo os anjos, mas o contraste com os 'filhos de Deus' e com 'nós mesmos' no versículo 23 favorece a leitura do mundo criado. O versículo 23 põe os próprios cristãos no mesmo processo: 'nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nós mesmos'. O Espírito é a antecipação, uma parte da colheita que garante o restante. A 'adoção' já foi recebida (8:15), mas a plena manifestação, a redenção do corpo, ainda é futura. É a tensão do já e do ainda não. No versículo 24, Paulo diz: 'Porque, na esperança, fomos salvos'. Esperança, na Bíblia, não é palavra de dúvida, e sim de confiança no que ainda não se vê. O trecho não afirma que a natureza tem consciência nem ensina uma teoria sobre o cosmos. Ele usa linguagem figurada de maneira consciente. A relação entre o destino do mundo e o dos cristãos recebe um significado concreto: a redenção não é fuga do mundo material, mas sua transformação. Isso dá ao cuidado com a criação uma base discreta, sem tornar o texto um manual de política ambiental. Também importa a cena paralela do versículo 26. Logo depois do trecho, Paulo diz que o próprio Espírito geme por nós com gemidos inexprimíveis. Assim, há três gemidos em sequência: o da criação, o dos cristãos e o do Espírito. O mundo não geme sozinho, e a dor presente é acompanhada, de dentro, pela presença de Deus.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Paulo está dizendo que a natureza tem sentimentos e sofre como uma pessoa.

    Gemer e sentir dores de parto são imagens poéticas. Paulo personifica a criação, como fazem os Salmos, para mostrar que o mundo está sujeito à corrupção e aguarda libertação, sem ensinar que árvores ou rios sintam dor.

  • Dizem que:O texto prova que a Terra será destruída e descartada no fim, e que só as almas serão salvas.

    Paulo fala de libertação da criação, e não de descarte. A redenção do corpo no versículo 23 e a promessa de que a criação 'será libertada' sugerem transformação do mundo material, e não abandono.

Como diferentes tradições cristãs leem2 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Leitura da criação não humana

    A maioria dos comentaristas entende ktisis como o mundo natural sujeito à corrupção por causa do pecado e destinado a participar da glória futura dos filhos de Deus.

  • Leitura apocalíptica judaica

    As dores de parto são o vocabulário das angústias que precedem a nova era. Paulo coloca o sofrimento presente dentro dessa expectativa e a ancora na ressurreição de Cristo.

No original2 termos
  • συστενάζει καὶ συνωδίνειsystenazei kai synodinei

    'Geme e sofre dores de parto juntamente'. Os dois verbos têm o prefixo syn- ('com'), que sublinha o sofrimento partilhado entre a criação e os crentes.

  • κτίσιςktisisG2937

    'Criação'. Pode designar o ato de criar ou o conjunto do que foi criado; em é usado, em geral, para o mundo criado não humano.

O que fazer com isso

A passagem permite reconhecer a dor do mundo sem pressa em explicá-la ou apagá-la. O gemido, em Paulo, é compartilhado: criação, cristãos e o próprio Espírito (v. 26) gemem juntos. Isso convida à paciência e à esperança ativa, que cuida do que Deus fez enquanto espera aquilo que ele prometeu. A esperança, aqui, é uma forma de trabalho, não de passividade.

Passagens relacionadas5

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas3 obras
  • Douglas J. Moo. The Epistle to the Romans (NICNT), 1996.
  • James D. G. Dunn. Romans 1-8 (Word Biblical Commentary), 1988.
  • Joseph A. Fitzmyer. Romans (Anchor Bible), 1993.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O que são as primícias do Espírito?

A imagem vem da colheita: as primícias são o primeiro fruto, que garante a colheita completa. O Espírito dado hoje é a antecipação e a garantia da plena redenção que virá.

Por que Paulo diz que a criação foi sujeita à vaidade?

'Vaidade' traduz uma palavra que significa vazio, futilidade ou frustração. Paulo diz que o mundo foi submetido a essa condição por vontade de Deus, com esperança de libertação (8:20-21), em eco ao que ocorreu depois da queda.

Temas

Publicado em 09/11/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 3 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 2 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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