Paulo
quem foi o apóstolo paulo
Ficha do personagem
Século I, primeira geração da igreja
Relações
- repreendeu Pedro
- companheiro Barnabé
- discípulo Timóteo
Resposta curta
Paulo escreveu, ou teve atribuídas a si, treze das vinte e sete obras do Novo Testamento, e é o protagonista de mais da metade de Atos. Nenhuma outra figura do cristianismo primitivo é tão documentada.
Ele entra na narrativa do lado oposto: o registra consentindo na morte de Estêvão, e o capítulo 9 o mostra a caminho de Damasco com cartas para prender cristãos. traz a designação que define o resto da vida dele — vaso escolhido para levar o nome diante dos gentios.
Onde ele aparece
Como isso aponta para Jesus
Trajetória do textodesigna Paulo como instrumento para levar o nome de Cristo diante dos gentios, e o restante do livro narra o cumprimento disso. A promessa de , sobre bênção para todas as famílias, é citada por ele em .
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Paulo começou perseguindo cristãos e passou a ser o principal missionário entre os não judeus, depois do episódio a caminho de Damasco. Escreveu, ou teve atribuídas a si, treze cartas do Novo Testamento — todas endereçadas a comunidades concretas, com problemas concretos.
O mundo dele
A biografia reúne elementos incomuns. Judeu da diáspora, nascido em Tarso, na Cilícia, com cidadania romana, formado em Jerusalém segundo , e fariseu por convicção. Essa combinação — formação judaica rigorosa, língua grega, direitos romanos — é o que torna sua trajetória possível.
As viagens ocupam a 21 e cobrem a Ásia Menor, a Macedônia e a Grécia. O padrão se repete: chega a uma cidade, procura a sinagoga, prega, forma um grupo, enfrenta oposição, segue adiante e depois escreve. As cartas nascem desse método — são correspondência de acompanhamento, escritas a comunidades específicas com problemas específicos.
Isso importa para a leitura. Romanos não é um tratado sistemático escrito no vácuo, e 1 Coríntios responde a perguntas que a comunidade enviou. Ler as cartas como manuais atemporais produz distorções que a atenção ao destinatário evita.
registra o concílio de Jerusalém, em que a questão sobre exigir a lei mosaica dos convertidos gentios é discutida. É provavelmente o episódio mais decisivo da narrativa, e Paulo está no centro dele.
O fim é aberto. Atos termina com ele em Roma, em prisão domiciliar, pregando sem impedimento. A morte não é narrada, e o que se diz sobre ela vem de fontes posteriores.
A história
Três pontos costumam gerar confusão.
O primeiro é o nome. É comum ouvir que Saulo virou Paulo na conversão. O texto não diz isso: introduz a mudança muito depois, e a formulação sugere que ele tinha os dois nomes, o que era normal para um judeu da diáspora com cidadania romana. Não há cena de troca de nome.
O segundo é a relação com a lei. Paulo argumenta extensamente que a justificação não vem das obras da lei, e ao mesmo tempo circuncida Timóteo em e faz um voto em . Leituras que o apresentam como simplesmente contrário à lei têm dificuldade com esses episódios. As tradições divergem sobre como articular isso, e a discussão acadêmica sobre o assunto é vasta e ativa.
O terceiro é a autoria das cartas. Sete delas são aceitas praticamente sem discussão; as demais são debatidas entre estudiosos em graus variados, por razões de vocabulário, estilo e circunstância. Tradições diferem sobre o peso desses argumentos, e o assunto é técnico.
Vale registrar o que ele diz de si mesmo. Em se chama o menor dos apóstolos, indigno desse nome por ter perseguido a igreja. Em lista suas credenciais judaicas para em seguida declará-las perda. O retrato que ele constrói de si é o de alguém que mudou de lado, e não de alguém que sempre esteve certo.
O que costumam dizer errado2
Dizem que:Saulo mudou de nome para Paulo na conversão.
O texto não registra troca de nome. introduz "Paulo" muito depois do episódio de Damasco, com formulação que sugere que ele tinha os dois nomes — o que era comum para judeus da diáspora com cidadania romana.
Dizem que:Paulo era contra a lei judaica.
Ele argumenta que a justificação não vem das obras da lei, e ao mesmo tempo circuncida Timóteo em e cumpre um voto em . A articulação entre essas coisas é objeto de discussão extensa.
Como diferentes tradições cristãs leem3
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Leitura protestante clássica
Enfatiza a justificação pela fé como centro do pensamento paulino, lendo Romanos e Gálatas como chave para o restante.
Leituras recentes sobre Paulo e o judaísmo
Enfatizam a permanência dele dentro do judaísmo e leem os argumentos sobre a lei como tratando principalmente da inclusão de gentios, e não de mérito individual.
Leitura católica
Articula a justificação com a transformação efetiva do crente, integrando fé e obras num mesmo processo.
O que fazer com isso
Ao ler uma carta de Paulo, comece perguntando a quem ela foi escrita e o que estava acontecendo lá. As cartas são correspondência de acompanhamento, não tratados, e a diferença muda o que se pode concluir de cada frase.
Passagens relacionadas6
Fontes consultadas2
- Joseph Henry Thayer. A Greek-English Lexicon of the New Testament, 1889.
- James Strong. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Quantas cartas Paulo escreveu?
Treze levam seu nome no Novo Testamento. Sete são aceitas praticamente sem discussão; as demais são debatidas entre estudiosos por razões de estilo e circunstância.
Como Paulo morreu?
O Novo Testamento não narra. Atos termina com ele em prisão domiciliar em Roma, pregando sem impedimento. O que se diz sobre o martírio vem de fontes posteriores ao cânon.
Ele conheceu Jesus antes da crucificação?
Os textos não afirmam isso. Sua relação com Jesus, tal como ele a descreve, começa no episódio a caminho de Damasco, e é sobre ele que baseia sua reivindicação de apostolado.