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Significado Bíblico
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Lisânias

Quem foi Lisânias na Bíblia?

Ficha do personagem

Cerca de 28 d.C.; Abilene

Aparece em

Relações

Resposta curta

Lisânias é citado uma única vez na Bíblia, em , como "tetrarca de Abilene", uma das autoridades que o evangelista usa para datar o início do ministério de João Batista. Lucas enumera o imperador Tibério, o governador Pôncio Pilatos, os tetrarcas Herodes, Filipe e Lisânias, e os sumos sacerdotes Anás e Caifás. Lisânias governava Abilene, região em torno de Abila, ao norte do monte Hermom, perto de Damasco, na Síria.

Durante muito tempo, críticos suspeitaram de erro de Lucas, pois Josefo fala de um Lisânias morto em 36 a.C. Uma inscrição encontrada em Abila, porém, menciona um "Lisânias, o tetrarca" na época de Tibério, e a maioria dos estudiosos hoje aceita a existência de um segundo governante com esse nome. A datação exata do ministério de João continua com algumas incertezas.

Onde ele aparece

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

Lisânias não é figura de Cristo, e seria forçado tratá-lo assim. A relevância cristológica é indireta: a lista de situa a chegada da palavra de Deus a João Batista, o precursor de Jesus, dentro do quadro político real do Império. Lucas apresenta o evangelho como fato situado na história, e não como mito atemporal. O prefácio do evangelho () já anuncia esse propósito de narrar com ordem e investigação os acontecimentos conhecidos.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Lisânias foi tetrarca de Abilene, uma pequena região ao norte, perto de Damasco. Ele só aparece em , numa lista de autoridades que Lucas usa para dizer quando João Batista começou a pregar: no décimo quinto ano do imperador Tibério, com Pilatos, Herodes, Filipe, Anás e Caifás no poder. Antigamente alguns achavam que Lucas tinha errado, porque Josefo cita um Lisânias de muito antes. Uma inscrição encontrada em Abila fala de um "Lisânias, o tetrarca" no tempo de Tibério, e por isso a maioria dos estudiosos aceita que houve dois governantes com esse nome.

O mundo dele

abre a narrativa do ministério de João Batista com uma datação solene: "No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Ituréia e Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene, sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra de Deus a João". O padrão se aproxima da forma como historiadores antigos e profetas do Antigo Testamento datavam eventos (compare ; ), mas aqui o autor liga a história de Jesus ao quadro político do Império Romano, algo que também aparece em .

A lista segue uma ordem de importância e geografia, do centro do poder romano até as regiões periféricas. Lisânias aparece no extremo norte, em Abilene, território cujo nome deriva da cidade de Abila, a cerca de 30 quilômetros a noroeste de Damasco, no vale do rio Barada, na cordilheira do Antilíbano. Tecnicamente, o título de tetrarca vem de "governante de uma quarta parte", mas na época romana designava um príncipe de região menor, submetido a Roma e com menos prestígio que um rei.

A região tem uma história política complicada. No século I a.C., houve um governante chamado Lisânias, filho de Ptolomeu, que governou Cálcis e territórios vizinhos e foi executado em 36 a.C. por Marco Antônio, a pedido de Cleópatra, segundo Josefo. Depois disso, parte do território passou por outros governantes, entre eles Zenodoro, e foi incorporada à esfera herodiana pela política de Augusto. A memória do nome Lisânias permaneceu ligada à região, de modo que Josefo ainda fala de "Abila de Lisânias" em referências posteriores.

Quando Lucas escreve, portanto, a região de Abilene já tinha uma longa tradição de nome ligado a Lisânias. O desafio histórico é saber se Lucas se refere ao governante antigo ou a outro de mesmo nome, ativo no tempo de Tibério.

A história

A dificuldade tradicional é simples de enunciar. Josefo menciona o Lisânias de Cálcis morto em 36 a.C., mais de sessenta anos antes do décimo quinto ano de Tibério. Se Lucas fala desse homem, a data não combina com o início do ministério de João. Alguns críticos do século XIX e início do XX concluíram que Lucas havia cometido um erro, confundindo o território antigo de Lisânias com um governante contemporâneo.

O quadro mudou com os testemunhos de Josefo e com uma inscrição. Josefo registra que, em 37 d.C., o imperador Calígula deu a Herodes Agripa I a tetrarquia de Filipe e a "tetrarquia de Lisânias" (Antiguidades 18.237), e que Cláudio confirmou a doação em 41 d.C. (Antiguidades 19.275). A expressão sugere que a região ainda era reconhecida como "de Lisânias", mas não esclarece se isso se refere a um homem do tempo de Tibério ou à lembrança do antigo governante.

A inscrição, achada perto de Abila, registra uma dedicação feita por Nymphaios, liberto de "Lisânias, o tetrarca", em favor da salvação dos "Augustos", expressão que, para muitos estudiosos, designa Tibério e sua mãe Lívia, entre 14 e 29 d.C. Se a leitura é correta, houve um tetrarca Lisânias naquele período, e Lucas estaria certo ao mencioná-lo. Alguns pesquisadores observam que o argumento depende da interpretação do texto da inscrição e do uso do plural "Augustos", e que a questão não está encerrada. Ainda assim, a maioria dos comentaristas aceita um segundo Lisânias.

Outra incerteza é a datação do "décimo quinto ano de Tibério". Tibério tornou-se imperador em agosto de 14 d.C., o que levaria o décimo quinto ano a 28-29 d.C. Se a contagem partir da co-regência com Augusto, em 11-12 d.C., a data seria um ou dois anos antes. Pilatos governou a Judeia de 26 a 36 d.C. e Caifás foi sumo sacerdote de cerca de 18 a 36 d.C., o que é compatível com ambas as hipóteses. Lucas não diz em que parte do ano nem como contava os anos reais, e por isso não se pode afirmar uma data exata, apenas uma faixa aproximada.

Isso é relevante para Lisânias porque ele ajuda a mostrar o interesse de Lucas pela história pública. Seu nome não é central, mas a lista serve para dizer ao leitor do século I que o que será narrado aconteceu em tempo e lugar identificáveis, e não em um passado mítico. Que o nome de um governante secundário apareça é sinal do cuidado do autor em situar a pregação de João Batista em seu contexto. Mesmo assim, o relato de Lucas não depende de que cada detalhe seja confirmado por fonte externa para ter sentido teológico.

O que costumam dizer errado2
  • Dizem que:Lucas errou ao chamar Lisânias de tetrarca de Abilene, porque ele já tinha morrido em 36 a.C.

    A objeção se baseia no Lisânias de Cálcis morto por Marco Antônio, mas uma inscrição de Abila menciona um "Lisânias, o tetrarca" no período de Tibério, e Josefo fala da "tetrarquia de Lisânias" no tempo de Calígula. Por isso, a maioria dos estudiosos aceita a existência de um segundo governante com o mesmo nome. A questão não é unânime, mas a acusação de erro certo não se sustenta.

  • Dizem que:Lisânias era um dos filhos de Herodes, o Grande.

    apresenta Herodes (Antipas) e Filipe como tetrarcas de outras regiões, mas Lisânias não é descrito como membro da família herodiana. O texto não informa sua ascendência, e as fontes históricas o ligam à região de Abila e ao nome de um governante anterior, não aos filhos de Herodes.

Como diferentes tradições cristãs leem3

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Protestante evangélica

    Comentaristas evangélicos, entre eles Darrell Bock e I. Howard Marshall, costumam ver na inscrição de Abila uma confirmação da exatidão de Lucas e tomam a lista de governantes como prova de seu cuidado histórico. Defendem que a existência de dois Lisânias é a explicação mais simples, ainda que não prove todos os detalhes.

  • Católica

    Joseph A. Fitzmyer, em seu comentário a Lucas, trata a lista como parte do esforço do evangelista de situar a história de Jesus na história universal, destacando seu valor teológico e narrativo, e discute com cautela os problemas de datação sem tratar o sentido religioso do texto como dependente de cada detalhe.

  • Crítica histórica

    Muitos estudiosos acadêmicos aceitam que a inscrição e Josefo tornam plausível um segundo Lisânias, mas lembram que a datação de depende do modo de contar os anos de Tibério e que Lucas pode ter usado a lista também com função literária, para dar solenidade ao início do ministério de João.

O que fazer com isso

Lisânias lembra que a fé bíblica se apresenta ligada a tempos, lugares e governos reais, e não a um passado vago. Um nome secundário numa lista de autoridades mostra que a palavra de Deus que chega a João acontece em um mundo de impérios, tetrarcas e templos. Vale também aprender com o caso a humildade diante de uma suspeita antiga de erro: o tempo e novas descobertas podem esclarecer questões que pareciam resolvidas, e conclusões apressadas pedem cautela.

Passagens relacionadas8
Fontes consultadas5
  • Flávio Josefo. Antiguidades Judaicas.
  • Flávio Josefo. Guerra dos Judeus.
  • Joseph A. Fitzmyer. The Gospel According to Luke I-IX (Anchor Bible), 1981.
  • Darrell L. Bock. Luke 1:1-9:50 (Baker Exegetical Commentary on the New Testament), 1994.
  • I. Howard Marshall. The Gospel of Luke (New International Greek Testament Commentary), 1978.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Onde ficava Abilene?

Abilene era uma região da Síria, ao redor da cidade de Abila, no vale do rio Barada, na cordilheira do Antilíbano, a noroeste de Damasco. Ficava ao norte dos territórios de Herodes Antipas e de Filipe.

Por que Lucas cita Lisânias?

Lucas lista imperador, governador, tetrarcas e sumos sacerdotes para datar a chegada da palavra de Deus a João Batista. Lisânias é um dos nomes dessa lista, que situa o ministério de João em um tempo e lugar reais.

Qual é a data do ministério de João Batista segundo essa passagem?

O décimo quinto ano de Tibério cai por volta de 28-29 d.C., se contado a partir da sua ascensão em 14 d.C. Se for contado de uma co-regência anterior, a data seria um pouco antes. Lucas não dá mais precisão do que isso.

Lisânias aparece em outras passagens da Bíblia?

Não. O nome dele ocorre apenas em . Todo o resto do que se sabe sobre a região e seus governantes vem de fontes externas, como Josefo e inscrições.

Outros personagens

Publicado em 11/11/2026

Construído sobre fontes em domínio público. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 5 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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