A esposa de Sansão em Timna
Quem foi a mulher filisteia de Timna que casou com Sansão?
Ficha do personagem
Período dos juízes; Timna, fronteira entre Dã e os filisteus
Aparece em
Resposta curta
A esposa de Sansão em Timna é uma mulher filisteia, sem nome no texto, com quem o juiz se casou contra a vontade dos pais, mas com a observação de que "isto vinha do Senhor", que buscava ocasião contra os filisteus (). Durante os sete dias da festa de casamento, Sansão propôs um enigma aos trinta convidados. Pressionada por eles com a ameaça de queimarem a ela e a casa de seu pai, a mulher chorou até conseguir a resposta e a revelou aos seus. Sansão, furioso, saiu da festa, e ela foi dada a outro homem. Quando ele voltou, o pai dela recusou recebê-lo. Em seguida, os filisteus mataram a mulher e o pai queimando-os, como ela temia.
Onde ele aparece
Em palavras simples
A esposa de Sansão era uma mulher filisteia da cidade de Timna. A Bíblia não diz o nome dela. Na festa de casamento, Sansão propôs um enigma aos convidados, e eles ameaçaram queimar a mulher e a família dela se não descobrissem a resposta. Ela chorou até Sansão contar o segredo, e contou aos convidados. Irritado, Sansão foi embora, e o pai dela entregou a filha a outro homem. Mais tarde, os filisteus queimaram a mulher e o pai, justamente como ela temia. O texto diz que o casamento fazia parte de um plano de Deus contra os filisteus.
O mundo dele
O episódio ocorre no período dos juízes, quando Israel, segundo , estava sob domínio filisteu havia quarenta anos. Sansão foi anunciado como alguém que "começaria a livrar Israel" (), e o relato de seu casamento mostra como esse começo se dá: não por uma campanha militar, mas por incidentes pessoais que acabam em confronto. Timna ficava em região de fronteira entre o território de Dã e o dos filisteus, de modo que esse contato era corriqueiro, embora tenso. A cidade aparece em listas de fronteira em e 19:43, ligada a Judá e a Dã, e sua localização exata é discutida.
A reação dos pais de Sansão () ecoa a preocupação, comum em Israel, de manter o casamento dentro do povo. O texto os faz perguntar se não havia mulher entre suas famílias e acentua que os filisteus eram "incircuncisos". Vale observar que os filisteus não estão na lista das sete nações cananeias com que proíbe casamento; a objeção dos pais é principalmente cultural e religiosa. A resposta de Sansão usa uma fórmula marcante: "Toma-a para mim, porque ela é reta aos meus olhos". A expressão é a mesma que o livro de Juízes usa no refrão sobre o tempo em que "cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos" (; 21:25), o que muitos leitores entendem como sinal do tom crítico da narrativa.
Os costumes matrimoniais descritos também importam. A festa de sete dias (mishteh) em casa da noiva, o grupo de trinta "companheiros" e a visita posterior do marido à casa do sogro, em 15:1, sugerem um casamento em que a mulher continuava morando com a família. É por isso que, passado algum tempo, o pai dela pôde entregá-la a outro homem. O jogo do enigma, com apostas de roupas, era uma forma de competição verbal que o texto apresenta como um passatempo dos convidados.
A história
A história se divide em duas partes. Em , a festa e o enigma: Sansão propõe a adivinhação "Do que come saiu comida, e do forte saiu doçura", referência ao mel que havia encontrado na carcaça de um leão que ele matara (14:5-9). Os convidados não conseguem resolvê-la, e no sétimo dia (alguns manuscritos antigos trazem o quarto) procuram a esposa e a ameaçam: "Persuade teu marido... para que não queimemos a ti e a casa de teu pai" (14:15). Ela chora diante de Sansão, acusa-o de não amá-la e insiste até que ele revele a solução, porque "ela o importunava". Em seguida, revela o enigma aos seus.
O texto não descreve os pensamentos da mulher, e isso importa. Ela é pressionada por dois lados: por seu povo, que a ameaça de morte, e pelo marido, que guarda segredo mesmo depois de uma aposta que a envolve. Sansão responde dizendo que, se não tivessem "lavrado com a minha novilha", não teriam descoberto o enigma (14:18), e a metáfora atinge a esposa. Em seguida desce a Ascalom, mata trinta homens para pagar a aposta e volta "com ira" à casa do pai. O versículo 20 diz que a mulher foi dada ao companheiro que fora seu amigo.
Em , Sansão volta com um cabrito para visitar a esposa e o pai a recusa, dizendo que pensou que ele a aborrecia. Oferece-lhe a irmã mais nova, descrita como mais bela. Sansão incendeia as plantações filisteias com trezentas raposas. Os filisteus, ao descobrirem o motivo, não vão atrás dele: sobem e queimam a mulher e o pai dela (15:6), cumprindo exatamente a ameaça de 14:15. A cena evidencia o preço pago por ela, que não tem voz no desfecho, que acaba morrendo pelo mesmo motivo que a levou a trair o segredo. Sansão se declara, a seguir, em direito de vingança (15:7), e o ciclo de violência entre ele e os filisteus se amplia a partir daí. Chama atenção que a mulher de Timna nunca é nomeada, ao contrário de Dalila em , e que o texto também não registra o nome do pai dela, nem o do companheiro que a recebeu.
A frase de é central para a leitura. O hebraico não deixa totalmente claro quem "buscava ocasião contra os filisteus": a maioria das traduções entende que é o Senhor, outras permitem entender Sansão. Ela vincula o casamento a um propósito de Deus, mas não declara que cada ato de Sansão foi aprovado. O livro apresenta um herói imperfeito, por meio de quem Deus age, e a esposa sem nome permanece no centro de uma tragédia familiar e política que o texto não comenta nem julga.
O que costumam dizer errado3
Dizem que:A mulher de Timna era Dalila.
São duas mulheres diferentes. A de Timna aparece em e 15 e é filisteia, sem nome. Dalila aparece em , vive no vale de Soreque e o texto não diz a que povo pertencia. A confusão vem de ambas terem relação com Sansão e com segredos.
Dizem que:O texto diz que Sansão pecou ao se casar com uma filisteia e que Deus não teve parte nisso.
afirma que seus pais não sabiam que a iniciativa "vinha do Senhor", que buscava ocasião contra os filisteus. O livro não aprova tudo o que Sansão faz, mas liga o casamento a um propósito de Deus, e as duas ideias aparecem lado a lado.
Dizem que:Ela traiu Sansão por maldade, sem motivo.
O texto indica que os trinta convidados a ameaçaram de morte, a ela e à casa de seu pai (), e que ela só revelou o enigma depois de sete dias de choro. A ameaça se cumpre em 15:6. Os motivos dela são narrados como coação, e não como malícia.
Como diferentes tradições cristãs leem4
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Judaica rabínica
O Talmude (tratado Sotá 9b) vê em Sansão alguém que se deixou guiar pelos olhos, a partir da frase "ela é reta aos meus olhos", e associa essa fraqueza à perda da visão em . O casamento com a filisteia é lido como início do desvio que o levaria à queda.
Protestante clássica e evangélica
Muitos comentaristas insistem em duas verdades ao mesmo tempo: a escolha de Sansão contraria o desejo dos pais e a separação esperada do povo de Deus, mas mostra Deus conduzindo as circunstâncias para seu propósito. Ressaltam a soberania divina sem tornar bom o que não é.
Cristã alegórica antiga e medieval
Alguns autores cristãos antigos e medievais leram o leão morto e o mel como figura da morte e da ressurreição de Cristo, e viram no casamento com uma estrangeira uma imagem da Igreja formada entre as nações. São leituras simbólicas, separadas do sentido histórico do relato.
Crítica literária e feminista contemporânea
Leituras desse tipo, como as de Mieke Bal e Cheryl Exum, chamam atenção para o fato de que a mulher é pressionada pelos dois lados e acaba morta sem que o texto lhe dê nome ou voz própria além do choro. Para elas, a narrativa mostra o custo humano do conflito entre Sansão e os filisteus e convida a ler a história do ponto de vista dela.
O que fazer com isso
A história mostra como pessoas comuns podem ficar presas entre forças maiores do que elas. A mulher de Timna não é descrita como heroína nem como vilã: é alguém pressionado por duas lealdades. O texto convida a ler com cuidado antes de julgar, a perceber o preço que os conflitos cobram de quem está no meio e a reconhecer que o desígnio de Deus pode se cumprir por meio de pessoas e circunstâncias falhas.
Passagens relacionadas7
Fontes consultadas4
- Daniel I. Block. Judges, Ruth (New American Commentary), 1999.
- J. Cheryl Exum. Tragedy and Biblical Narrative: Arrows of the Almighty, 1992.
- Mieke Bal. Death and Dissymmetry: The Politics of Coherence in the Book of Judges, 1988.
- Susan Niditch. Judges: A Commentary (Old Testament Library), 2008.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Como se chamava a esposa de Sansão?
O texto não dá o nome dela. Aparece apenas como "a mulher" de Timna, filha dos filisteus, e como "a mulher de Sansão". Seu pai também não é nomeado.
Por que ela revelou o enigma?
Os trinta convidados a ameaçaram de queimar a ela e a casa de seu pai se não obtivesse a resposta (). Ela chorou durante sete dias até Sansão ceder. O texto apresenta a atitude como resultado de pressão, não como traição planejada.
O que aconteceu com ela no final?
Depois de Sansão partir irritado, o pai a entregou ao companheiro de Sansão. Quando Sansão queimou as plantações dos filisteus, eles queimaram a mulher e o pai dela (), cumprindo a ameaça feita na festa.
Deus aprovou o casamento de Sansão?
O texto diz que o casamento vinha do Senhor, que procurava ocasião contra os filisteus (). Isso mostra um propósito divino, mas o livro não afirma que cada atitude de Sansão fosse correta. Os comentaristas distinguem o plano de Deus da conduta do juiz.