terça-feira, 25 de agosto de 2026
Lançar sortes: como a igreja escolheu Matias, e por que parou de fazer isso
Atos 1:23-26
E apresentaram dois: a José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome o Justo; e a Matias. E orando, disseram: Tu, Senhor, conhecedor dos corações de todos, mostra a qual destes dois tu tens escolhido. Para que ele tome parte deste ministério e apostolado, do qual Judas se desviou para ir a seu próprio lugar. E lançaram-lhes as sortes; e caiu a sorte sobre Matias. E ele passou a ser contado junto com os onze apóstolos.
Entre a ascensão e Pentecostes, a igreja precisa substituir Judas entre os doze. Depois de reunir critérios claros e apresentar dois candidatos qualificados — não um sorteio às cegas entre qualquer pessoa —, os apóstolos oram e lançam sortes, e a sorte cai sobre Matias. O método era reconhecido em todo o mundo antigo, e no Antigo Testamento carregava peso teológico específico: não acaso, mas instrumento pelo qual Deus revelava sua escolha em situações que exigiam decisão final além do discernimento humano ordinário — o Urim e Tumim do sumo sacerdote, a divisão da terra entre as tribos, o bode expiatório escolhido no Dia da Expiação. O detalhe mais discutido deste episódio, porém, não é o método em si — é o que acontece depois dele. Depois de Atos 1, o lançamento de sortes nunca mais aparece no Novo Testamento como meio de decisão da igreja. Este verbete examina por que essa ausência é significativa, e onde a inferência é mais forte e onde é mais frágil do que costuma ser apresentada.
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