domingo, 16 de agosto de 2026
A lei bíblica distinguia estupro de adultério apenas pelo local do crime?
Deuteronômio 22:23-27
Quando for moça virgem desposada com alguém, e alguém a achar na cidade, e se deixar com ela; Então os tirareis a ambos à porta daquela cidade, e os apedrejareis com pedras, e morrerão; a moça porque não gritou na cidade, e o homem porque humilhou à mulher de seu próximo: assim tirarás o mal do meio de ti. Mas se o homem achou uma moça desposada no campo, e ele a agarrar, e se deitar com ela, morrerá somente o homem que com ela se houver deitado; E à moça não farás nada; não tem a moça culpa de morte: porque como quando alguém se levanta contra seu próximo, e lhe tira a vida, assim é isto: Por
Deuteronômio 22:23-27 trata do caso de uma "moça virgem desposada" — uma mulher legalmente noiva, cujo noivado (erusin) já tinha peso de contrato de casamento em Israel antigo. A lei apresenta dois cenários: se o encontro sexual acontece "na cidade" e a moça não grita por socorro, ambos são punidos, como em caso de adultério; se acontece "no campo", onde ninguém ouviria seus gritos, só o homem é punido, e ela é declarada explicitamente inocente. O critério do local não é um teste de caráter da mulher, mas uma regra jurídica de evidência: onde havia possibilidade real de socorro e ele não foi buscado, presumia-se cumplicidade; onde essa possibilidade não existia, presumia-se força. O texto chega a comparar a vítima no campo a alguém assassinado — uma afirmação forte de sua inocência total, incomum para códigos legais da época.
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