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Significado Bíblico
Dicionário bíblicohebraicoavançada

Azazel (Bode Expiatório)

O que significa Azazel na Bíblia?

A palavra no original

עֲזָאזֵל

azazel (ʿăzāʾzēl) · Strong H5799

Palavra de sentido incerto no ritual de Levítico 16: "bode que se vai", nome de um lugar no deserto ou nome de um ser do deserto.

Tudo isto ao mesmo tempo

  • bode enviado ao deserto
  • remoção da culpa confessada
  • lugar ermo e rochoso
  • ser do deserto (hipótese)
  • ritual do Dia da Expiação

Resposta curta

Azazel (עֲזָאזֵל) é uma palavra que ocorre apenas em , no ritual do Dia da Expiação (Yom Kipur). Dois bodes eram sorteados: um "para o Senhor", sacrificado, e outro "para Azazel", enviado vivo ao deserto levando sobre si as culpas confessadas do povo. O sentido da palavra é incerto. As traduções e os estudiosos a entendem como "bode que se vai" (daí o "bode expiatório"), como nome de um lugar de rochedo no deserto ou como nome de um ser que habita o deserto. Conhecer o debate esclarece tanto a origem da expressão popular como o que o ritual quer dizer.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Tipologia

O Novo Testamento nunca menciona Azazel nem diz que o bode enviado ao deserto representa Jesus. A ligação com Cristo é com o Dia da Expiação como um todo: apresenta Cristo como o sumo sacerdote que entra no santuário verdadeiro "com o seu próprio sangue", e compara seu sofrimento "fora da porta" aos corpos dos animais queimados "fora do acampamento" (). Alguns autores cristãos antigos, como a Epístola de Barnabé, viram nos dois bodes uma imagem de Cristo, mas essa leitura não é do Novo Testamento. A ideia de levar a culpa, que o bode vivo ilustra, ecoa em , lido por autores do Novo Testamento a respeito de Jesus ().

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Azazel é uma palavra que só aparece em , no ritual do Dia da Expiação. Dois bodes eram sorteados: um era sacrificado a Deus, e o outro, "para Azazel", era levado vivo ao deserto levando os pecados confessados do povo. Ninguém sabe ao certo o que Azazel significa: pode ser "bode que vai embora", o nome de um lugar no deserto ou o nome de um ser. Daí vem a expressão "bode expiatório", usada hoje para quem leva a culpa dos outros.

De onde vem a palavra

descreve o ritual mais solene do calendário de Israel, o Dia da Expiação. Primeiro, Arão oferece sacrifícios por si e por sua casa. Depois, recebe da comunidade dois bodes e lança sortes sobre eles: "uma sorte para o Senhor e outra sorte para Azazel" (v. 8). O bode do Senhor é sacrificado como oferta pelo pecado, e seu sangue é levado ao santuário para purificá-lo (vv. 9, 15-19). O outro "será posto vivo diante do Senhor, para fazer expiação sobre ele e enviá-lo para Azazel no deserto" (v. 10).

O gesto central vem em seguida: Arão põe as duas mãos sobre a cabeça do bode vivo, confessa sobre ele "todas as iniquidades dos filhos de Israel, todas as suas transgressões, todos os seus pecados" e o envia ao deserto pela mão de um homem preparado para isso (vv. 21-22). O bode leva as culpas para "uma terra desabitada". O homem que o conduz deve lavar as roupas e o corpo antes de voltar ao acampamento (v. 26).

O ritual combina dois movimentos: o sangue do primeiro bode purifica o santuário, e o segundo bode remove do meio do povo a culpa já confessada. É um texto de contraste entre a proximidade do santuário e o afastamento do deserto, lugar associado em Israel ao caos, ao perigo e, em algumas tradições, a seres sobrenaturais hostis (cf. ; :14). O nome Azazel, que aparece só aqui, é justamente o ponto em que o texto não explica mais do que mostra: o próprio livro assume que o leitor sabe a quem ou a quê o termo se refere, e nós não temos essa informação. O rito, portanto, é ao mesmo tempo sacrificial e de eliminação, e por isso o texto o apresenta em duas partes que se complementam, sem fundi-las numa só.

Aprofundamento

O hebraico לַעֲזָאזֵל (la-azazel) é escrito como uma única palavra, e as hipóteses de leitura são antigas. A primeira divide-a em ez ozel, "bode que vai embora". É a leitura da Septuaginta, que traduz por apopompaios, "o que afasta", e da Vulgata, que fala em caper emissarius (bode emissário). William Tyndale, em 1530, criou a partir daí a palavra inglesa scapegoat, de onde vem a expressão "bode expiatório" no sentido popular de quem carrega a culpa dos outros.

A segunda hipótese entende Azazel como nome de lugar. A Mishná (Yoma 6:6) relata que o bode era levado a um penhasco e empurrado do alto, e o Talmude (Yoma 67b) explica o nome como "lugar duro e áspero" (az, "forte", e el, "rocha" ou "poder"). A frase "uma terra desabitada" de sustenta, em parte, essa leitura.

A terceira o toma como nome de um ser. Nos textos judaicos do Segundo Templo, especialmente em 1 Enoque 8-10, Azazel (ou Asael) é um anjo caído, chefe dos Vigilantes, preso no deserto até o juízo final. Orígenes (Homilias sobre Levítico) o identifica com o diabo, e comentaristas medievais como Nahmânides o ligam a uma força que habita o deserto. O contraste com o primeiro bode, que é "para o Senhor", favorece que o segundo seja também "para" alguém. Estudiosos como Jacob Milgrom, no comentário de (1991), propõem que Azazel era originalmente um demônio do deserto, mas que o ritual de o reduz a um destino simbólico, sem lhe dar culto ou poder: o bode vai para lá, e não é oferecido a ele.

Dois aspectos merecem atenção. Primeiro, o bode de Azazel não é sacrificado no altar; é apenas um meio de remover a culpa. Segundo, o texto bíblico é silencioso sobre a identidade de Azazel, e toda identificação vem de fora dele. Quem afirma uma certeza vai além do que a fonte primária diz.

Há ainda um paralelo ritual que ajuda a ler o gesto. Em , na purificação de quem tinha tzaraat, uma de duas aves é morta e a outra, solta viva em campo aberto, depois de molhada no sangue da primeira. O padrão de dois animais, um morto e outro enviado vivo, mostra que Israel conhecia ritos de eliminação em que o animal solto carrega consigo a impureza para longe. Tabuinhas de rituais hititas e mesopotâmicos conservam práticas de enviar um animal ao deserto com a impureza de uma comunidade, e estudiosos as usam como termo de comparação. Isso não explica o nome Azazel, mas situa o gesto num repertório ritual mais amplo do antigo Oriente Próximo, adaptado em Israel ao culto do Senhor.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Azazel é o nome do diabo ou de um demônio, e a Bíblia diz isso claramente.

    não explica quem ou o que é Azazel. A identificação com um demônio vem de textos posteriores, como 1 Enoque, e de comentaristas antigos e medievais. É uma hipótese entre outras, não uma afirmação do texto.

  • Dizem que:O bode enviado ao deserto era sacrificado a Azazel.

    O texto diz que o bode era enviado vivo (). O sacrifício ocorria com o outro bode, "para o Senhor". O bode de Azazel não é oferta no altar, mas portador da culpa confessada.

Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Judaísmo rabínico

    A Mishná (Yoma 6:6) descreve o bode empurrado de um penhasco, e o Talmude (Yoma 67b) lê o nome como um lugar rochoso e áspero. O rito é tratado como estatuto de Deus, a ser cumprido mesmo sem explicação completa.

  • Judaísmo do Segundo Templo e tradição enóquica

    Em 1 Enoque 8-10, Azazel é um anjo caído, preso no deserto, a quem se atribuem os pecados da humanidade, o que reflete uma leitura do ritual em chave demonológica.

  • Cristã patrística

    Orígenes identifica Azazel com o diabo, enquanto outros autores, como a Epístola de Barnabé, veem nos dois bodes uma imagem de Cristo; ambas as leituras vão além do texto de Levítico.

  • Estudos histórico-críticos

    Milgrom propõe que Azazel era uma figura demoníaca do deserto reduzida a destino simbólico: o rito afasta a impureza e o pecado do santuário sem dar poder ou culto ao ser.

O que fazer com isso

O ritual de Azazel mostra que a Bíblia trata a culpa como algo real, que precisa ser nomeado, confessado e removido do convívio. O texto não resolve todas as dúvidas sobre a palavra, e isso é parte do estudo honesto. A expressão "bode expiatório", hoje, costuma ser usada para quem paga por erros alheios, e é uma boa pergunta se o ritual bíblico apoia ou contradiz esse uso.

Passagens relacionadas6

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas5 obras
  • Brown, F.; Driver, S.; Briggs, C.. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1907.
  • Koehler, L.; Baumgartner, W.. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.
  • Milgrom, Jacob. Leviticus 1-16 (Anchor Bible), 1991.
  • Wenham, Gordon J.. The Book of Leviticus (New International Commentary on the Old Testament), 1979.
  • Nickelsburg, George W.E.. 1 Enoch 1 (Hermeneia), 2001.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Azazel aparece quantas vezes na Bíblia?

Somente em , nos versículos 8, 10 e 26. Fora da Bíblia hebraica, o nome aparece em textos judaicos do Segundo Templo, como 1 Enoque.

De onde vem a expressão "bode expiatório"?

Vem do bode enviado ao deserto no Dia da Expiação, que levava a culpa confessada do povo. A tradução latina o chamou de caper emissarius, e Tyndale criou scapegoat em 1530. O sentido popular, de quem paga por erro alheio, vem dessa tradição de tradução.

Azazel é um demônio?

O texto de Levítico não diz. Alguns textos judaicos antigos e autores cristãos o identificaram com um anjo caído ou com o diabo, mas outras leituras o entendem como um lugar ou como a expressão "bode que vai embora".

Palavras próximas

Temas

  • No hebraico
  • #azazel
  • #bode-expiatorio
  • #levitico-16
  • #yom-kipur
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  • #deserto

Publicado em 10/10/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • עֲזָאזֵל (azazel (ʿăzāʾzēl)) em hebraico, Strong H5799
  • 5 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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Esta palavra nas passagens explicadas

Teologia densaLevítico 16:20-22

O outro bode: enviado ao deserto carregando os pecados do povo

Em Levítico 16:20-22, depois do sacrifício do primeiro bode, o sumo sacerdote impõe as mãos sobre um segundo bode, confessa sobre ele todas as transgressões do povo, e o envia vivo ao deserto, carregado das iniquidades de Israel, para uma região chamada Azazel. Diferente do primeiro bode, este não morre no altar: é solto, levando simbolicamente o pecado confessado para longe do acampamento.

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A Bíblia menciona Lilith?

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O propiciatório: a tampa de ouro onde o sangue era aspergido

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