sábado, 25 de julho de 2026
"O mundo não poderia conter os livros": o exagero que fecha o quarto evangelho
João 21:24-25
Este é o discípulo que testemunha destas coisas, e estas coisas escreveu; e sabemos que seu testemunho é verdadeiro. Ainda há, porém, muitas outras coisas que Jesus fez, que se sobre cada uma delas se escrevessem, penso que nem mesmo o mundo poderia caber os livros escritos. Amém.
O último versículo do quarto evangelho é uma frase de encerramento deliberadamente exagerada: se cada obra de Jesus fosse registrada por escrito, "nem mesmo o mundo poderia caber os livros escritos". É hipérbole reconhecida como tal por quase todo comentarista sério, e não é peculiaridade cristã: encerrar um relato biográfico ou histórico com uma afirmação de que muito mais ficou de fora era recurso retórico conhecido no mundo antigo, usado por historiadores judeus e greco-romanos. O ponto do versículo não é uma estimativa de volume literário. É uma assinatura: este relato é seletivo por necessidade, não porque Jesus fez pouco, e a seleção feita — como o próprio evangelho já havia dito em 20:31 — foi feita com propósito.
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