Cinamomo (Qinamon)
O que significa cinamomo na Bíblia?
A palavra no original
קִנָּמוֹן
qinnamon (qinnāmôn) · Strong H7076
Casca aromática importada, da família da canela, usada como especiaria e ingrediente de perfumes.
Tudo isto ao mesmo tempo
- especiaria aromática importada
- casca de árvore do gênero Cinnamomum
- ingrediente do óleo da santa unção
- perfume de leito e de jardim
- mercadoria de luxo
Resposta curta
Cinamomo é o nome tradicional, em português, da casca aromática de árvores do gênero Cinnamomum, parente da canela, usada como especiaria e perfume. Convém não confundir com o cinamomo que no Brasil dá sombra em calçadas e quintais, uma árvore ornamental (Melia azedarach) sem relação com a especiaria. A palavra hebraica é qinnamon (קִנָּמוֹן, Strong H7076) e ocorre pouquíssimas vezes. Entra no óleo da santa unção em , perfuma o leito da mulher sedutora em e cresce no jardim de Cântico dos . O grego kinnamomon reaparece em , na lista de mercadorias da Babilônia. Era produto importado, caro e prestigioso.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
Ligação indiretaO cinamomo é apenas um dos ingredientes do óleo da santa unção; o texto não lhe atribui significado próprio. A relação com Cristo vem da unção em si: o título Cristo (christos) significa ungido, e o Novo Testamento afirma que Deus ungiu Jesus com o Espírito Santo (; ). Essa unção, porém, não é feita com óleo aromático, e o Novo Testamento não menciona a receita de . A ligação é temática e distante, e convém registrá-la com essa cautela.
Respaldo no Novo Testamento: ;
Em palavras simples
Cinamomo, na Bíblia, é a casca perfumada de uma árvore asiática, aparentada da canela, que os antigos usavam como especiaria e perfume. O nome hebraico é qinnamon. Vinha de longe e custava caro. Entra na receita do óleo santo de , usado para ungir a tenda e os sacerdotes, e aparece também em , no perfume da cama de uma mulher sedutora, e em Cântico dos , no jardim da amada. No Brasil, o nome cinamomo também é dado a uma árvore de sombra que não tem relação nenhuma com a especiaria bíblica.
De onde vem a palavra
A especiaria que o hebraico chama de qinnamon vinha de longe. A canela verdadeira (Cinnamomum verum) é originária do Ceilão e da costa do sul da Índia, e a cássia chinesa (Cinnamomum cassia) do sul da China; ambas chegavam ao Mediterrâneo por rotas de comércio que passavam pela Arábia e pelos portos fenícios. O historiador grego Heródoto, no século V a.C., já comentava que os gregos haviam aprendido a palavra kinnamomon com os fenícios e contava histórias fantasiosas sobre a origem do produto, o que mostra o quanto essas rotas escondiam a procedência real. Para o israelita, o qinnamon era, portanto, um luxo de importação.
A passagem mais importante é , que descreve a receita do óleo da santa unção. O texto manda tomar mirra líquida (quinhentos siclos), cinamomo aromático (duzentos e cinquenta), cálamo aromático (duzentos e cinquenta) e cássia (quinhentos), todos pelo siclo do santuário, com um him de azeite de oliva, e preparar tudo como obra de perfumista. O resultado era um óleo exclusivo: proíbe usá-lo em pessoas comuns ou reproduzir a fórmula. Esse óleo ungia a tenda, a arca, o altar e os sacerdotes. Note-se que menciona a cássia (qiddah) em separado, o que indica que o autor distinguia as duas especiarias.
Fora do santuário, o qinnamon aparece em contextos de sensualidade e de beleza. Em a mulher que seduz um jovem inexperiente diz que perfumou o seu leito com mirra, aloés e cinamomo. Em Cântico dos , o jardim da amada reúne nardo, açafrão, cálamo, cinamomo, árvores de incenso, mirra e aloés. Em , o grego kinnamomon figura entre os produtos de luxo cujo comércio colapsa com a queda da Babilônia. O Sirácida 24:15, livro deuterocanônico, também compara a sabedoria ao perfume do cinamomo. A especiaria, portanto, serve de imagem para consagração, para sedução e para riqueza, conforme o contexto.
Aprofundamento
A palavra hebraica קִנָּמוֹן (qinnamon, Strong H7076) tem origem discutida. A forma grega kinnamomon e a latina cinnamomum parecem vir de um termo semítico, como indica o testemunho de Heródoto, mas a origem última da palavra permanece em aberto. Uma proposta frequente a liga ao malaio-indonésio kayu manis, que significa madeira doce, o que sugeriria uma cadeia de empréstimos entre o sudeste asiático e o Mediterrâneo. Os léxicos, porém, tratam essa hipótese como possibilidade, não como fato, e é prudente fazer o mesmo.
Outra dificuldade é a identificação botânica. O que os antigos chamavam de qinnamon pode ter sido a canela verdadeira, a cássia chinesa ou uma mistura de cascas de espécies aparentadas, porque o comércio antigo raramente distinguia com rigor o que hoje a botânica separa. O próprio texto de separa qinnamon de qiddah, a cássia, e a Septuaginta usa kinnamomon para o primeiro, o que mostra que, na prática, havia diferença reconhecida entre os produtos. Mas o que o hebraico exatamente designava, em termos de espécie, o texto não diz.
Uma confusão mais recente é de vocabulário em português. No Brasil, cinamomo é também o nome popular da Melia azedarach, árvore ornamental conhecida como santa-bárbara ou paraíso, que não é aromática no sentido da especiaria e tem frutos tóxicos. Quem busca cinamomo na Bíblia procura a casca perfumada de uma árvore asiática, e não a árvore de sombra das ruas. O português bíblico reservou a palavra para a especiaria, e é por esse uso que ela aparece nas versões tradicionais.
O uso de merece atenção. A mulher sedutora lista os perfumes do seu leito para convencer o jovem de que o ambiente é acolhedor. O texto não condena o cinamomo, que é a mesma especiaria que perfuma o óleo santo de ; o que ele condena é a trama de sedução em que o perfume é usado. O mesmo produto pode aparecer no santuário, no jardim dos amantes de Cântico dos Cânticos e na armadilha de , e a diferença está sempre no uso e no contexto, não na substância.
Por fim, o óleo de estabelece um padrão: a Escritura trata o perfume como matéria cara, preparada com precisão e reservada a fins determinados. A tradição rabínica, em Keritot 6a, lista o cinamomo entre as onze especiarias do incenso do templo, embora não o inclua nessa mistura, o que mostra que a tradição posterior desenvolveu o rito para além do que a letra da Torá declara.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:O cinamomo da Bíblia é a árvore de sombra que se vê nas ruas do Brasil.
O cinamomo bíblico é a casca aromática de árvores do gênero Cinnamomum, como a canela. A árvore ornamental brasileira de mesmo nome popular, a Melia azedarach, é outra planta, sem relação com a especiaria e de frutos tóxicos.
Dizem que:Provérbios 7:17 mostra que o cinamomo era um perfume ligado ao pecado.
A mesma especiaria compõe o óleo santo de e o jardim de Cântico dos . Em o texto condena a sedução e o adultério, não o perfume; o cinamomo é só um dos recursos de que a mulher se serve.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Judaica rabínica
Inclui o cinamomo (kinamon) entre as onze especiarias do incenso do templo, segundo a baraita de Keritot 6a, embora não o liste, e tem discussão detalhada sobre as medidas de cada ingrediente.
Protestante clássica
Comentaristas como Keil e Delitzsch leem o óleo da unção de como imagem do Espírito Santo, que consagra para Deus, e veem na composição precisa e exclusiva um sinal de que a consagração é obra divina, não humana.
Sapiencial e moral
Lê como advertência a quem é inexperiente, na qual os perfumes do leito são parte da armadilha. O texto ensina a desconfiar da sedução, não a temer a especiaria.
O que fazer com isso
O cinamomo mostra que uma mesma coisa pode servir ao santuário, ao amor ou à sedução, e que o que a Bíblia avalia é o uso. Ler os textos sobre perfumes e especiarias sem moralizar o objeto, mas prestando atenção a quem o usa e para quê, evita tanto o pudor exagerado quanto a leitura ingênua. Também lembra que o culto bíblico era material, caro e cuidadoso.
Passagens relacionadas5
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Fontes consultadas5 obras
- Brown, F.; Driver, S.; Briggs, C.. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1907.
- Koehler, L.; Baumgartner, W.. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.
- Keil, C.F.; Delitzsch, F.. Commentary on the Old Testament (Pentateuco), 1866.
- Heródoto. Histórias, livro 3.
- Zohary, M.. Plants of the Bible, 1982.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Cinamomo é a mesma coisa que canela?
São muito próximos. O qinnamon bíblico é a casca aromática de árvores do gênero Cinnamomum, o mesmo grupo da canela. A espécie exata não é conhecida: pode ter sido a canela verdadeira, a cássia chinesa ou uma mistura de cascas parecidas.
Onde o cinamomo aparece na Bíblia?
No óleo da santa unção de , no perfume do leito da mulher sedutora em , no jardim de Cântico dos e, em grego, na lista de mercadorias de .
O cinamomo bíblico é a árvore que dá sombra nas ruas?
Não. A árvore brasileira conhecida como cinamomo, ou santa-bárbara, é a Melia azedarach, planta diferente. O cinamomo bíblico é uma especiaria de casca aromática, vinda de regiões distantes do Oriente.
Por que o cinamomo entrava no óleo sagrado?
O texto de dá a receita, mas não explica a escolha de cada ingrediente. Era uma matéria cara e perfumada, adequada ao caráter exclusivo do óleo. Os simbolismos atribuídos depois são interpretações.
Palavras próximas
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