Abaddon (Destruição, Abadom)
O que significa Abaddon na Bíblia?
A palavra no original
אֲבַדּוֹן
abaddon (ʾăbaddôn) · Strong H11
Destruição, ruína; lugar de perdição, e em Apocalipse 9:11, nome do anjo do abismo.
Tudo isto ao mesmo tempo
- destruição e ruína
- domínio dos mortos
- perdição
- personificação poética da morte
- anjo do abismo (Apocalipse)
Resposta curta
Abaddon (אֲבַדּוֹן) é um substantivo hebraico que vem do verbo avad, “perecer”, e significa “destruição” ou “lugar de ruína”. Na Bíblia hebraica aparece seis vezes, quase sempre em poesia, ao lado do Seol e da morte: ; 28:22; 31:12, Salmo 88:11 e ; 27:20. Nesses textos nomeia o domínio dos mortos, aberto diante de Deus.
Em , a palavra muda de natureza: é o nome, “em hebraico”, do anjo do abismo, chamado em grego Apoliom, o “destruidor”. A tradução “destruição” esconde que o termo é, ao mesmo tempo, lugar e personagem, e que o texto não explica como se passa de um uso ao outro.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
ContrasteEm Apocalipse, Abaddon (Apoliom) aparece como rei de uma força destrutiva que sai do abismo, mas o mesmo livro mostra Cristo com autoridade superior: “tenho as chaves da morte e do Hades” (). A relação é de contraste, não de tipologia. O Destruidor age sob limites que lhe são dados (9:1, 3, 5), e o Cristo ressurreto detém as chaves do domínio dos mortos que, no Antigo Testamento, tinha por nomes o Seol e o Abadom. A palavra hebraica em si não prediz Cristo; o Novo Testamento a coloca sob a autoridade dele.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Abaddon é uma palavra hebraica que significa “destruição” ou “ruína”. No Antigo Testamento, aparece em poemas ao lado do Seol, o lugar dos mortos, para dizer que nem o fundo mais escuro está escondido de Deus. No livro de Apocalipse, a palavra volta como nome de um anjo do abismo, chamado em grego Apoliom, o “destruidor”. Por isso Abaddon pode ser lugar ou personagem, dependendo do texto. Não é sinônimo de inferno, nem a Bíblia hebraica o apresenta como um ser.
De onde vem a palavra
Para entender Abaddon, é preciso lembrar como os israelitas falavam dos mortos. O Antigo Testamento não tem um vocabulário único: usa Seol (o mundo dos mortos), sepultura, cova e “poço”. Abaddon é mais uma dessas palavras e quase sempre aparece em poemas, em paralelo com outro termo do mesmo campo, como um sinônimo em eco.
Em , “o Seol está nu perante ele, e o Abadom não tem coberta”: nem o lugar mais fundo escapa ao olhar de Deus. repete a ideia: “o Seol e o Abadom estão perante o Senhor; quanto mais os corações dos filhos dos homens”. diz que o Seol e o Abadom nunca se fartam, imagem de um destino que nunca se completa. No Salmo 88:11, o salmista pergunta se a bondade do Senhor será contada na sepultura e a fidelidade dele em Abadom, e a pergunta mostra o clima de silêncio e esquecimento que o lugar evoca, num salmo marcado pela angústia.
faz algo diferente: “o Abadom e a morte dizem: com os nossos ouvidos ouvimos a sua fama”. Aqui o lugar fala, numa personificação poética, para dizer que nem a morte conhece o caminho da sabedoria. , por sua vez, compara o adultério a um fogo que consome “até o Abadom”, imagem de um dano que chega ao fundo.
Esses textos pertencem à poesia hebraica, em que as palavras do mundo dos mortos recebem faces e vozes sem que isso signifique que haja uma figura com nome próprio. Só em , escrito em grego e provavelmente no fim do século I, o termo é aplicado a um ser: o rei dos gafanhotos que saem do poço do abismo (). O autor faz questão de dizer que o nome é “em hebraico”, e com isso indica que reaproveita uma palavra já carregada de significado.
Aprofundamento
O substantivo אֲבַדּוֹן (Abaddon, Strong H11) deriva do verbo אָבַד (avad), que significa “perecer”, “perder-se” e, no sentido causativo, “destruir”. A terminação -on forma um substantivo abstrato, de modo que o sentido básico é “ruína” ou “perdição”. Os léxicos (BDB e HALOT) consideram que ele designa, nos usos poéticos, o lugar ou o estado dos mortos, e o tratam como termo próximo do Seol, não como um terceiro lugar com características próprias. A Septuaginta traduz a palavra por apôleia (“perdição”), de apollymi, e isso prepara a forma grega Apoliom de .
A pergunta mais importante é se Abaddon é lugar, personagem ou as duas coisas. Nos textos hebraicos, a resposta mais segura é: lugar, ou melhor, domínio. Os versos de Jó e Provérbios põem Abadom em paralelismo com Seol, morte e sepultura, como termos de um mesmo campo. A personificação de é recurso de estilo, como a de outros poemas em que a morte e o Seol “falam” ou “devoram”. Em , ao contrário, o texto diz que os gafanhotos “têm sobre si, como rei, o anjo do abismo”, cujo nome é Abadom e Apoliom: nesse caso há personagem, com nome duplo em duas línguas.
A relação entre os dois usos não é dada pelo texto e por isso é debatida. Uma hipótese vê no Apocalipse um desenvolvimento natural: o domínio da ruína ganha um senhor. Outra lembra que o autor chama o nome de “hebraico” e o traduz em grego, o que sugere um jogo deliberado com a tradição. Alguns estudiosos, como David Aune, propõem ainda uma alusão polêmica ao deus Apolo, cujo nome soa parecido com Apoliom e que algumas tradições gregas ligavam ao controle de gafanhotos; é hipótese, não afirmação do texto.
Quem é o anjo do abismo? usa verbos passivos: foi dada a chave do poço (9:1), foi dado poder aos gafanhotos (9:3). Isso sugere que a ação acontece sob permissão, mas o texto não identifica o anjo com Satanás, que é nomeado à parte em . A tradução também pesa: a Almeida Revista e Corrigida, por exemplo, verte Seol por “inferno” e Abadom por “perdição” em , e quem lê só o português perde o paralelismo entre dois nomes do mundo dos mortos. Também convém não confundir Abaddon com Geena, o vale de Hinom, nem com o “lago de fogo”: são imagens diferentes que as traduções e a pregação costumam misturar.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:Abaddon é sempre um nome de Satanás ou de um demônio.
Nas seis ocorrências da Bíblia hebraica, a palavra nomeia um lugar ou um estado de ruína; em ela “fala”, mas como personificação poética, não como ser. Em é o nome de um anjo do abismo, e o texto não o identifica com Satanás, que aparece com outros nomes em .
Dizem que:Abaddon é outro nome para o inferno de fogo.
No Antigo Testamento, Abaddon é sinônimo poético do Seol, o domínio dos mortos. A imagem do fogo vem de outro vocabulário, como Geena e o lago de fogo, e não é atribuída a Abaddon em nenhum texto.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Judaica rabínica
O Talmude (Eruvin 19a) inclui Abadom entre os nomes ou regiões do lugar de castigo (Gehinnom), movimento que amplia o campo do termo para além do uso poético da Bíblia hebraica.
Cristã tradicional (leitura demoníaca)
Entende o anjo do abismo de como um ser maligno, às vezes identificado com Satanás ou com um poder demoníaco principal, e lê Abaddon e Apoliom como seus títulos de destruição.
Cristã (leitura da soberania divina)
Destaca os verbos passivos de , em que a chave e o poder são “dados”, e lê o anjo como figura que age dentro de limites estabelecidos por Deus, em imagem do juízo que não escapa ao controle divino.
O que fazer com isso
Abaddon ensina a distinguir o que o texto afirma do que a tradição acrescentou. Nos poemas de Jó e Provérbios, o ponto é que nem o lugar da perda está fora do olhar de Deus. No Apocalipse, o nome pertence a um personagem que age dentro de limites. Ao ler essas passagens, vale ouvir cada uma em seu gênero, sem somar imagens num único quadro.
Passagens relacionadas8
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Fontes consultadas5 obras
- Brown, F.; Driver, S.; Briggs, C.. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1907.
- Koehler, L.; Baumgartner, W.. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.
- Tromp, Nicholas J.. Primitive Conceptions of Death and the Nether World in the Old Testament, 1969.
- Aune, David E.. Revelation 6–16 (Word Biblical Commentary), 1998.
- Beale, G. K.. The Book of Revelation (New International Greek Testament Commentary), 1999.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Abaddon é um lugar ou uma pessoa?
Depende do texto. Em Jó, Salmos e Provérbios é um lugar ou domínio, tratado como sinônimo poético do Seol. Em é o nome de um anjo do abismo.
Qual a relação entre Abaddon e Apoliom?
Apoliom é a forma grega do nome, dada em . Significa “destruidor” e vem do verbo apollymi, da mesma família da palavra grega apôleia, que a Septuaginta usa para traduzir Abaddon.
Quantas vezes Abaddon aparece na Bíblia?
Seis vezes na Bíblia hebraica (; 28:22; 31:12; Salmo 88:11 [88:12 no hebraico]; ; 27:20) e uma vez no Novo Testamento ().
Abaddon é a mesma coisa que Seol?
Não são idênticos, mas os textos poéticos os põem lado a lado e tratam ambos como o domínio dos mortos. Abaddon acrescenta a ideia de ruína e perdição ao quadro.
Palavras próximas
Temas
- No hebraico
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