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Significado Bíblico
Dicionário bíblicoaramaicointermediária

Saltério (Pesanterin)

O que significa Saltério na Bíblia?

A palavra no original

פְּסַנְטֵרִין

pesanterin (pᵉsantērîn)

Instrumento musical de cordas dedilhadas, empréstimo do grego psalterion.

Tudo isto ao mesmo tempo

  • instrumento de cordas dedilhadas
  • orquestra da corte babilônica
  • sinal sonoro de adoração imposta
  • empréstimo grego no aramaico
  • música e poder político

Resposta curta

Saltério, no português de hoje, é o nome de um antigo instrumento de cordas dedilhadas e também, por associação, de uma coletânea de salmos. Na Bíblia, a palavra traduz o aramaico pesanterin (פְּסַנְטֵרִין), um dos instrumentos da orquestra de e 15, cujo som era o sinal para o povo se prostrar diante da estátua de Nabucodonosor. Trata-se de um empréstimo do grego psalterion, derivado do verbo que indica dedilhar cordas. Aqui, portanto, o saltério é um instrumento musical da corte babilônica, não o livro dos Salmos. A descrição exata do instrumento é incerta, e as traduções variam entre harpa, saltério e outros nomes, justamente porque o texto bíblico não o descreve.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

O vocabulário do saltério vem do verbo grego psallo, o mesmo que o Novo Testamento usa quando pede aos cristãos que cantem e louvem ao Senhor de coração. Em , a orquestra conduz à adoração de uma imagem feita por mãos humanas; no Novo Testamento, o canto dirigido a Cristo expressa a lealdade de quem recusa esse tipo de adoração. A relação é de contraste de uso, não de profecia: o texto de Daniel não aponta diretamente para Cristo, e sim oferece, pelo vocabulário comum, um contraponto entre o louvor imposto e o louvor de coração.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Saltério é o nome de um antigo instrumento de cordas dedilhadas. Em , a palavra traduz o aramaico pesanterin, um dos instrumentos da orquestra que tocava para sinalizar ao povo que era hora de se prostrar diante da estátua de Nabucodonosor. Aqui não se trata do livro dos Salmos, embora o nome venha da mesma raiz grega, ligada a dedilhar cordas. A Bíblia não descreve o formato exato do instrumento, por isso as traduções variam.

De onde vem a palavra

narra o dia em que Nabucodonosor ergue uma estátua de ouro na planície de Dura e convoca toda a elite do império para a dedicação. O ponto central da cena é um sinal sonoro: quando a orquestra tocar, todos devem se prostrar e adorar a imagem, sob pena de serem lançados na fornalha ardente. A música, aqui, não é pano de fundo. É o instrumento de coordenação de uma lealdade política e religiosa imposta, e o relato lista os instrumentos com cuidado quase litúrgico.

A lista aparece em e é repetida, quase palavra por palavra, em 3:7, 3:10 e 3:15. Os instrumentos citados são a corneta (qarna), a flauta (mashrokita), a cítara (qatros), a sambuca (sabbeka), o saltério (pesanterin) e a gaita ou harpa (sumponyah), mais, conforme as traduções, uma referência a "toda espécie de música". Os nomes de alguns deles não são aramaicos de origem, e o leitor percebe que o texto reproduz o vocabulário de uma orquestra cosmopolita, que reunia instrumentos de sopro, de corda e de percussão de diferentes tradições.

A repetição da lista é um recurso narrativo conhecido em . O texto repete as fórmulas inteiras a cada vez que a ordem é anunciada, obedecida ou lembrada, e o efeito é o de um ritual mecânico e opressor, que contrasta com a recusa de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Repetir os nomes dos instrumentos reforça que todo o aparato do império, inclusive sua cultura e sua música, se alinhava para produzir uma adoração sob comando.

Para o leitor de língua portuguesa, há uma armadilha particular. Em muitas traduções antigas, a palavra "saltério" é usada também em passagens dos Salmos e do Antigo Testamento para traduzir o hebraico nevel, e o livro dos Salmos é chamado, na tradição cristã, de Saltério. O leitor tende a ligar automaticamente "saltério" ao louvor a Deus. Em , porém, o instrumento é o mesmo gênero de objeto, mas está a serviço de uma estátua. O vocabulário é compartilhado, o culto não é.

Aprofundamento

A palavra aramaica פְּסַנְטֵרִין (pesanterin, também grafada pesantrin) é, quase unanimemente, considerada um empréstimo do grego ψαλτήριον (psalterion), formado a partir do verbo ψάλλω (psallo), cujo sentido básico é "tocar, dedilhar, fazer vibrar uma corda". Os léxicos de referência, como o Koehler-Baumgartner (HALOT) e o Brown-Driver-Briggs (BDB), registram esse vínculo. Por isso o português "saltério" e o título "Salmos" derivam da mesma família grega, que depois deu em latim o psalterium.

O ponto polêmico é o que esse empréstimo implica. Palavras de origem grega para instrumentos aparecem em (pesanterin, e possivelmente sumponyah, geralmente ligada ao grego symphonia, embora a identificação seja discutida). Parte da crítica as toma como indício de que o livro foi escrito em época helenística. Outra parte lembra que gregos e povos do Levante mantinham contato comercial e militar já no século VI a.C., que mercenários e artesãos gregos circulavam pelo Oriente Próximo e que nomes de instrumentos viajam com os próprios instrumentos. O texto bíblico não resolve essa discussão, e cabe ao leitor saber que a presença das palavras gregas é um dado, não uma sentença.

Outro ponto é o que o instrumento era de fato. Os autores antigos gregos usam psalterion para um instrumento de cordas dedilhadas com a caixa de ressonância na parte superior, em oposição à lira, mas as descrições variam, e a identificação com uma harpa angular, uma cítara ou outro modelo é discutida entre especialistas em organologia antiga. Daniel não oferece formato, número de cordas ou afinação. Por isso a escolha da tradução é, em parte, convenção: "saltério" funciona como transliteração aportuguesada do nome, mais do que como descrição do objeto.

A comparação com o hebraico ajuda. O Antigo Testamento hebraico usa nevel para um instrumento de cordas associado ao culto (por exemplo, Salmo 33:2 e 150:3), traduzido em muitas versões antigas em português como "saltério". Mas pesanterin é um termo aramaico de empréstimo grego, e nevel é termo hebraico. A equivalência entre os dois é uma aproximação de tradutores, não uma identidade comprovada. Em a palavra marca, em suma, um instrumento estrangeiro tocado na corte do império.

Por fim, convém não carregar a cena com detalhes que o texto não traz. não diz quantos músicos havia, onde ficavam em relação à estátua nem que melodia tocavam; diz apenas que, ao ouvir o conjunto dos sons, todos deviam se prostrar. O que o relato destaca é a função do som, e não o timbre de cada instrumento. Quem tenta reconstituir a orquestra com precisão vai além do que as fontes permitem, e o melhor caminho é ler os nomes como marcas de um cerimonial amplo e multiétnico.

O que costumam dizer errado3 afirmações
  • Dizem que:O saltério de Daniel 3 é o livro dos Salmos.

    Em a palavra designa um instrumento musical (pesanterin) da orquestra babilônica. A coincidência com o nome do livro dos Salmos vem da raiz grega comum, ligada a dedilhar cordas, não de uma relação de conteúdo.

  • Dizem que:O instrumento tinha dez cordas e formato de harpa, como em algumas imagens populares.

    Daniel não descreve o formato nem o número de cordas. A associação com dez cordas vem de passagens hebraicas sobre o nevel (Salmo 33:2) e não pode ser transferida automaticamente ao pesanterin aramaico.

  • Dizem que:As palavras gregas de Daniel 3 provam, por si só, que o livro é tardio.

    É um argumento usado por parte da crítica, mas há quem lembre que o contato entre gregos e o Oriente Próximo já existia no século VI a.C. A datação do livro segue em debate e não depende só desse dado.

Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Crítico-histórica

    Interpreta a presença de nomes gregos de instrumentos em como sinal de redação em ambiente helenístico, e a lista repetida como recurso literário para retratar o cerimonial imperial.

  • Conservadora / evangélica tradicional

    Aceita o relato como obra do exílio e vê nos nomes de origem grega a prova de contatos culturais antigos entre Grécia e Oriente Próximo, anteriores ao período helenístico.

  • Patrística e católica

    Lê a idolatria musical de como advertência sobre o uso do culto para servir ao poder, e em outros textos retoma o saltério como figura do louvor corporal e espiritual oferecido a Deus.

O que fazer com isso

A cena de mostra que a música pode conduzir tanto à adoração verdadeira quanto à obediência cega. O instrumento, em si, é neutro: o que o torna idólatra é aquilo a que serve. Ler o saltério da corte babilônica ao lado dos saltérios do louvor em Israel convida a perguntar, com calma, a quem a música de cada ambiente está conduzindo o coração.

Passagens relacionadas6

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas5 obras
  • Brown, F.; Driver, S.; Briggs, C.. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1907.
  • Koehler, L.; Baumgartner, W.. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.
  • Collins, J. J.. Daniel: A Commentary on the Book of Daniel (Hermeneia), 1993.
  • Lucas, E. C.. Daniel (Apollos Old Testament Commentary), 2002.
  • Strong, J.. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Saltério é o mesmo que o livro dos Salmos?

Na tradição cristã, Saltério também é um nome do livro dos Salmos. Em , porém, a palavra traduz pesanterin, um instrumento musical da orquestra de Nabucodonosor. O mesmo termo grego deu origem aos dois usos.

Que instrumento era o pesanterin?

Era um instrumento de cordas dedilhadas, derivado do nome grego psalterion. A Bíblia não descreve seu formato, e os estudiosos discutem se se parecia com uma harpa, uma cítara ou outro modelo.

Por que Daniel 3 repete a lista de instrumentos?

A repetição é um recurso do relato: a lista é dita no anúncio da ordem (3:5), na obediência do povo (3:7), na denúncia dos caldeus (3:10) e na ameaça do rei (3:15). O efeito é o de um ritual mecânico imposto pelo poder.

A palavra grega em Daniel prova que o livro foi escrito tarde?

Não por si só. Parte da crítica a usa como indício de época helenística, mas outros lembram que havia contato entre gregos e o Oriente Próximo desde antes. O debate sobre a data do livro segue aberto.

Palavras próximas

Temas

  • #salterio
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  • #aramaico
  • #daniel-3
  • #instrumento-musical
  • #orquestra-babilonica
  • #psalterion

Publicado em 11/11/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • פְּסַנְטֵרִין (pesanterin (pᵉsantērîn)) em aramaico
  • 5 obras citadas, com autor e ano
  • 3 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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