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Significado Bíblico
Dicionário bíblicohebraicointermediária

Zamar

o que significa zamar na bíblia

A palavra no original

זָמַר

zamar · Strong H2167

Tocar um instrumento de cordas; cantar louvores a Deus com acompanhamento musical.

Tudo isto ao mesmo tempo

  • tocar um instrumento de cordas
  • cantar com acompanhamento musical
  • celebrar em canção e música
  • louvar a Deus musicalmente

Resposta curta

Zamar (זָמַר) é o verbo hebraico que descreve louvar a Deus cantando com acompanhamento de instrumento musical — dedilhar cordas, tocar harpa ou lira enquanto se entoa a voz. É a raiz de mizmor, palavra que abre o título de dezenas de salmos e que a tradição grega verteu por "salmo". O verbo volta com frequência no livro de Salmos, sempre ligado à melodia produzida por instrumento, não apenas por voz solta.

Diferente de halal, termo mais amplo para "louvar" ou "gabar-se em", que originou "aleluia" e cobre qualquer forma de exaltação, zamar aponta de modo específico para o louvor musicado. Léxicos hebraicos clássicos, como o de Brown, Driver e Briggs, descrevem zamar como "tocar um instrumento de cordas" e, por extensão, "cantar com acompanhamento". A palavra revela quanto a música instrumental ocupava lugar central no culto de Israel.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Trajetória do texto

O tema do louvor musicado que zamar expressa atravessa toda a Escritura e desemboca em Cristo. O Salmo 22, escrito com vocabulário de louvor musical, é citado em como profecia da voz do próprio Cristo: 'no meio da congregação, te louvarei' — o Filho encarnado assumindo o papel de quem conduz o louvor de seu povo, como os levitas conduziam antes diante da arca. O arco continua no livro de Apocalipse, onde os redimidos entoam um 'cântico novo' (; 14:3) diante do Cordeiro, com harpas em mãos (; 15:2) — a mesma cena de louvor musicado que os salmos de zamar descreviam no templo, agora centrada explicitamente em Cristo. A trajetória vai do templo terreno, com seus instrumentos e cânticos, ao louvor eterno diante do trono do Cordeiro.

Respaldo no Novo Testamento: ;

Em palavras simples

Zamar é uma palavra hebraica que aparece muitas vezes nos Salmos e significa "louvar cantando enquanto um instrumento toca junto" — harpa, lira, címbalos. Não é só levantar a voz: é fazer música para Deus. Dessa palavra vem "mizmor", que quer dizer "salmo" e aparece no título de muitos salmos. Zamar é diferente de outra palavra hebraica, halal, que significa louvar de um jeito mais geral e deu origem à palavra "aleluia". Zamar, então, é o louvor que soa como canção acompanhada de instrumento musical.

De onde vem a palavra

No Antigo Testamento, o culto israelita não era silencioso: envolvia canto, dança e uma orquestra de instrumentos — harpas, liras, trombetas, címbalos, tamborins. É nesse ambiente que a palavra zamar ganha sentido pleno. O verbo aparece principalmente no livro de Salmos, na forma intensiva (piel) da conjugação hebraica, o que sugere uma ação repetida e vigorosa: não apenas tocar uma vez, mas dedilhar continuamente enquanto se canta.

A tradição associa a organização musical do templo ao rei Davi, descrito em e 16 como quem designou levitas para tocar instrumentos e cantar diante da arca. É nesse contexto de adoração musicada e organizada que muitos salmos trazem no cabeçalho a palavra mizmor — derivada diretamente de zamar — geralmente seguida de "de Davi" (mizmor le-David). Quando a Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento, verteu essas superscrições, usou o termo psalmos, de onde vem "salmo" em português, e psallo para o verbo — termo que o Novo Testamento retoma em e .

O campo semântico de zamar inclui tanto o ato de tocar um instrumento de cordas quanto o de cantar acompanhado por ele, sem separar nitidamente as duas ações — para o hebraico bíblico, cantar louvor a Deus e fazer música instrumental formavam uma só atividade de adoração. Isso contrasta com a separação mais recente entre "louvor vocal" e "música instrumental" como categorias distintas de culto. Salmos como o 33, o 92, o 98 e o 149 usam zamar lado a lado com convocações a tocar harpa, lira e trombeta, mostrando que a palavra nunca foi pensada como um louvor puramente falado ou silencioso — ela nasce ligada ao som de um instrumento sendo dedilhado ou percutido diante de Deus. Por isso muitos tradutores brasileiros vertem zamar ora por "cantar louvores", ora por "tocar", conforme o instrumento citado no versículo em questão.

Aprofundamento

A raiz זמר (z-m-r) aparece no hebraico bíblico e em línguas semíticas aparentadas com o sentido básico de "cortar" ou "podar" — daí zamir, "poda das vinhas" (Cântico dos ) — mas no uso musical desenvolveu o sentido de "tanger", "dedilhar", possivelmente pela imagem de dedos que se movem sobre as cordas como quem apara ou belisca. O léxico de Brown, Driver e Briggs (BDB) registra zamar como "fazer música, celebrar em canção e música", geralmente com objeto divino: sempre que a Bíblia hebraica usa esse verbo, é Deus quem recebe o louvor musicado — nunca aparece dirigido a um ser humano ou ídolo de forma elogiosa. Já o Strong's Concordance descreve a raiz como "tocar as cordas ou partes de um instrumento musical", estendendo-se para "fazer música acompanhada pela voz".

O verbo ocorre quase exclusivamente na conjugação piel, forma verbal hebraica que costuma indicar ação intensiva ou repetida — reforçando a ideia de um louvor contínuo, não de um gesto isolado. Essa observação gramatical aparece em comentaristas como Keil e Delitzsch, que notam a recorrência de zamar nos salmos de louvor coletivo, muitas vezes emparelhado com shir ("cantar") e halal ("louvar"), formando pares como em ("cantarei louvores ao teu nome") ou 21:13 ("cantaremos e louvaremos o teu poder").

É importante não confundir zamar com halal (a raiz de "aleluia", ), que é o termo genérico hebraico para elogiar, gabar-se ou celebrar publicamente — halal pode descrever até o elogio a uma pessoa () ou a uma cidade (), enquanto zamar é reservado à esfera do louvor musicado a Deus. Também se distingue de yadah ("louvar, agradecer, confessar", raiz de "Judá") e de todah ("ação de graças"), que carregam a ideia de reconhecimento verbal e gratidão, não necessariamente cantado ao som de instrumento.

A derivação mais visível de zamar é mizmor, substantivo que introduz boa parte dos salmos no texto massorético, sempre no sentido técnico de "composição para ser cantada com acompanhamento musical" — o equivalente hebraico mais próximo do que hoje chamamos "salmo" ou "hino musicado". Entender zamar, portanto, ajuda a explicar por que o livro de Salmos foi, desde a origem, um hinário pensado para ser executado com instrumentos, e não apenas recitado ou falado em voz corrente.

Vine's Complete Expository Dictionary of Old and New Testament Words, ao tratar da família de mizmor, reforça esse elo entre o substantivo e o verbo zamar, notando que a raiz aponta consistentemente para música tocada, e não para discurso ou declamação. Essa nuance importa para quem lê os salmos em português: onde a tradução traz apenas "cantai" ou "louvai", o hebraico por trás do verbo zamar já pressupõe, quase sempre, um instrumento soando junto.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Zamar significa apenas 'cantar', sem qualquer relação com instrumentos musicais.

    Os léxicos hebraicos clássicos (BDB, Strong's) definem a raiz primariamente como 'tocar' ou 'tanger' cordas de um instrumento, estendendo-se depois para o canto que acompanha esse toque. O sentido instrumental não é secundário — é a base da palavra.

  • Dizem que:Zamar e halal são apenas sinônimos, duas palavras hebraicas diferentes para dizer a mesma coisa.

    Embora ambos apareçam juntos em muitos salmos, os léxicos os tratam como termos de campos semânticos distintos: halal é o termo genérico para elogiar ou exaltar (podendo até se referir a pessoas, ), enquanto zamar é especificamente o louvor musicado a Deus.

Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Restauracionismo (Igrejas de Cristo e correntes afins)

    Reconhece que zamar descreve o uso de instrumentos musicais no culto do templo do Antigo Testamento, mas entende que o Novo Testamento, ao instruir a igreja a 'cantar e salmear no coração' (), aponta para um louvor vocal a cappella como padrão da adoração cristã, com os instrumentos vistos como parte do sistema cerimonial cumprido em Cristo.

  • Catolicismo Romano e Ortodoxia Oriental

    Vê continuidade histórica entre o louvor musicado descrito por zamar e o uso litúrgico de música na Igreja, incluindo o canto (como o canto gregoriano) e, no Ocidente, o órgão como instrumento privilegiado — a música instrumental é recebida como auxílio legítimo e antigo à adoração, não como algo superado.

  • Protestantismo evangélico e movimentos carismáticos

    Lê zamar como confirmação de que Deus não apenas permite, mas convoca ativamente o uso de instrumentos musicais diversos no louvor, sustentando a prática comum de bandas e conjuntos instrumentais nos cultos contemporâneos como expressão legítima e desejável de adoração.

  • Reforma calvinista clássica (correntes regidas pelo princípio regulativo do culto)

    Algumas correntes reformadas históricas, notadamente puritanas e presbiterianas mais estritas, entenderam os instrumentos musicais de zamar como parte do mobiliário cerimonial do templo israelita, não repetido nas instruções do culto do Novo Testamento, favorecendo por isso o canto sem acompanhamento instrumental.

O que fazer com isso

Zamar lembra que, na Bíblia, louvar a Deus tinha dimensão sensorial e comunitária: envolvia som, ritmo e instrumento, não só palavras. Isso ajuda a entender por que o livro de Salmos combina tanto poesia quanto indicações musicais em seus títulos. Conhecer essa palavra também evita reduzir "louvor" a um único formato — a Bíblia hebraica reconhece tanto o louvor cantado com música quanto outras formas de reconhecimento a Deus, cada uma com um verbo próprio.

Passagens relacionadas8

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Fontes consultadas4 obras
  • Francis Brown, S. R. Driver e Charles A. Briggs. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1906.
  • James Strong. The Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
  • Carl Friedrich Keil e Franz Delitzsch. Commentary on the Old Testament: Psalms, 1871.
  • Merrill F. Unger e William White Jr. (eds.). Vine's Complete Expository Dictionary of Old and New Testament Words, 1985.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Zamar é a mesma coisa que aleluia?

Não. Aleluia vem de halal (louvar) mais Yah (forma abreviada do nome de Deus), um termo mais genérico para exaltar. Zamar é uma palavra diferente, específica para o louvor cantado com acompanhamento de instrumento musical.

De onde vem a palavra 'salmo' em português?

Vem do grego psalmos, usado pela Septuaginta para traduzir o hebraico mizmor — substantivo derivado diretamente do verbo zamar, que aparece no título de muitos salmos no sentido de 'composição para ser cantada com música'.

A palavra zamar aparece só nos Salmos?

Ocorre com mais frequência no livro de Salmos, mas também aparece em outros lugares do Antigo Testamento, como em e , sempre no sentido de louvar a Deus cantando com música.

Zamar prova que a Bíblia manda usar instrumentos musicais no culto?

A palavra mostra que instrumentos musicais faziam parte central do culto israelita no Antigo Testamento. Se isso é normativo para a adoração cristã hoje é uma questão sobre a qual tradições cristãs divergem, não algo que o significado da palavra por si só resolve.

Palavras próximas

Temas

  • No hebraico
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  • #dicionario-biblico

Publicado em 05/09/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • זָמַר (zamar) em hebraico, Strong H2167
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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O Salmo 117 é o capítulo mais curto de toda a Bíblia: apenas dois versos, sem introdução, sem lamento, sem pedido. Ainda assim, seu alcance é o maior possível — convoca "todas as nações" e "todos os povos" a louvar o SENHOR, não apenas Israel. Essa desproporção entre extensão mínima e escopo máximo não é acidente: o salmo tem a forma clássica de um hino de louvor, com um chamado no primeiro verso e o motivo para louvar no segundo.

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