Onoma (Nome)
O que significa Onoma na Bíblia?
A palavra no original
ὄνομα
onoma (ónoma) · Strong G3686
Nome: designação de uma pessoa que expressa sua identidade, reputação e autoridade.
Tudo isto ao mesmo tempo
- nome próprio de uma pessoa
- reputação e fama
- identidade e caráter
- autoridade e representação
- pertença e relação
Resposta curta
Onoma (ὄνομα) é a palavra grega para "nome", e no Novo Testamento ela vai muito além de um rótulo. O nome representa a pessoa inteira: sua identidade, seu caráter, sua reputação e sua autoridade. Por isso manda batizar "em nome" do Pai, do Filho e do Espírito Santo, diz que não há outro nome pelo qual devamos ser salvos, e fala do nome acima de todo nome. A expressão "em nome de Jesus" significa agir sob a autoridade e em referência à identidade dele, em comunhão com quem ele é. Não é uma senha que, repetida, produz resultados automáticos. O Novo Testamento trata o nome como relação, não como fórmula.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
Trajetória do textoNo Antigo Testamento, o nome do Senhor é revelado a Moisés e confiado a Israel (; 34:5-6), e é invocado para salvar (). No Novo Testamento, esse mesmo vocabulário se concentra em Jesus: seu nome significa "o Senhor salva" (), é o único nome dado entre os homens pelo qual há salvação () e recebe a honra do nome acima de todo nome (). Paulo cita sobre invocar o nome do Senhor e o aplica a Jesus (). A linha vai do nome de Deus revelado em Israel ao nome do Senhor Jesus, sem apagar a unidade de Deus.
Respaldo no Novo Testamento: ;
Em palavras simples
Onoma é a palavra grega para "nome". Na Bíblia, o nome não é só uma etiqueta: ele representa a pessoa inteira, o caráter dela e a autoridade que ela tem. Por isso "em nome de Jesus" quer dizer agir ligado a Jesus, sob a autoridade dele, e não repetir uma frase mágica. , e mostram o nome de Jesus como lugar de salvação e de honra. A palavra convida a ver o nome como relação com alguém.
De onde vem a palavra
No mundo bíblico, nome raramente era só um modo de chamar alguém. O hebraico shem, que onoma traduz na versão grega do Antigo Testamento, está ligado à pessoa, ao seu caráter e à sua memória. Dar um nome é reconhecer algo sobre quem o recebe, e mudar o nome pode marcar uma nova missão, como em Abrão e Abraão ou em Simão e Pedro. Do mesmo modo, o nome de Deus é tratado com extremo cuidado: revela o nome como memorial, proíbe tomá-lo em vão, e mostra Deus proclamando o nome ao descrever seu caráter.
No Novo Testamento, essa mentalidade continua. Na oração do Pai Nosso, "santificado seja o teu nome" () pede que o próprio Deus seja reconhecido como santo. Em , crer "no seu nome" é crer nele. Em , Jesus diz que manifestou o nome do Pai aos discípulos, o que significa que revelou quem Deus é. Quando explica que o menino se chamará Jesus porque salvará o povo dos pecados, o nome carrega a missão, pois remete ao hebraico Yehoshua, "o Senhor salva".
As frases "em nome de" aparecem em vários contextos: batismo (; ), cura (), oração (), reunião da comunidade () e perseguição (). Em todos eles há a ideia de representação: alguém fala ou age em referência a outro, autorizado por ele. Por isso o texto também mostra o limite do uso sem relação. Em , exorcistas itinerantes tentam invocar o nome de Jesus sem conhecê-lo e são derrotados. Em , há quem profetize e expulse demônios "em teu nome" e seja rejeitado por Jesus. O nome não funciona como encantamento; ele pressupõe relação com quem o carrega. O mesmo vale para o nome do próprio crente: em e , ter o nome registrado nos céus significa pertencer a Deus.
Aprofundamento
A palavra ὄνομα (onoma, Strong G3686) é um substantivo neutro comum no grego antigo, do qual vêm termos portugueses como "onomástica" e "sinônimo". Os léxicos, como o BDAG, registram vários sentidos. O primeiro é o simples nome próprio. O segundo, derivado dele, é "reputação" ou "fama", como em : "tens nome de que vives". O terceiro, muito importante no Novo Testamento, é o nome como representação da pessoa e de sua autoridade, em construções com preposições como en, epi e eis.
A construção eis to onoma, a de , é a que mais chama atenção. Muitos estudiosos notam que, em papiros comerciais do mundo grego, ela aparece com a ideia de pôr algo "na conta de" alguém ou "em referência a" alguém. Se essa leitura vale também para o batismo, batizar "em nome" do Pai, do Filho e do Espírito é entrar em relação de pertença com os três. Os léxicos tratam o paralelo como útil, mas não decisivo, e lembram que o uso bíblico também está moldado pelo hebraico be-shem.
Outro ponto é o número do substantivo em . O texto diz "no nome" (singular), seguido de três pessoas. Tradições trinitárias costumam ler o singular como indicação da unidade do ser divino. Já grupos pentecostais que se identificam como "unicistas" (oneness) leem o singular como indicação de um único nome, que seria Jesus, e batizam apenas "em nome de Jesus", seguindo expressões como a de . As duas leituras partem do mesmo versículo e chegam a conclusões diferentes, e a discussão envolve também o fato de que Atos descreve o batismo "em nome de Jesus" sem citar uma fórmula litúrgica fixa.
diz que Deus concedeu a Jesus "o nome que está acima de todo nome". O texto não diz qual é esse nome. Muitos comentaristas entendem que se trata de "Senhor" (kyrios), título que aparece no versículo 11 e que na tradução grega do Antigo Testamento ocupava o lugar do nome divino. Outros preferem ver no "nome" a dignidade e o posto conferidos a Jesus. O fato de a passagem ecoar , que fala do juramento devido ao Deus de Israel, torna a primeira leitura bastante discutida.
Por fim, vale lembrar a diferença entre onoma e as palavras para "chamar" ou "invocar". Em e , "invocar o nome do Senhor" combina onoma com o verbo epikaleo, e o ato de invocar pressupõe confiança em quem tem o nome, o que reforça que o nome se dirige a uma pessoa viva e não funciona como objeto de poder.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:"Em nome de Jesus" é uma fórmula que, ao terminar uma oração, faz o pedido ser atendido.
No Novo Testamento a expressão remete a agir em referência a Jesus e sob sua autoridade, não a uma senha. mostra exorcistas que usam o nome sem relação com Jesus e fracassam, e mostra que invocá-lo não substitui conhecê-lo.
Dizem que:A palavra onoma significa somente o nome próprio, sem nenhuma outra ideia.
Os léxicos registram também os sentidos de reputação, fama e autoridade. Em construções como eis to onoma (), o termo expressa pertença e representação, ideia herdada do hebraico shem.
Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Trinitária (católica, ortodoxa e protestante)
Lê o singular "no nome" de como afirmação da unidade de Deus em três pessoas, e entende o batismo como pertença à vida do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Pentecostal unicista (oneness)
Entende que o único "nome" de é Jesus, e por isso batiza apenas "em nome de Jesus", a partir de passagens como . As tradições trinitárias rejeitam essa conclusão, por entender que o texto aponta para três pessoas distintas.
Reformada / evangélica
Enfatiza o nome como revelação do caráter e da autoridade de Deus, e lê "em nome de Jesus" na oração como pedir de acordo com a vontade dele e por meio de sua mediação (; ).
Católica / ortodoxa (devoção ao Nome)
Dá grande valor devocional ao nome de Jesus, a partir de , e o integra à liturgia e à oração, como na Oração de Jesus da tradição ortodoxa.
O que fazer com isso
Onoma lembra que o nome, na Bíblia, aponta para uma pessoa e não para um truque. Orar, agir ou falar "em nome de Jesus" é fazê-lo sob a autoridade dele e em coerência com o que ele ensinou e é, e não acrescentar uma fórmula final para que o pedido funcione. Vale cuidar também do próprio nome e do que ele representa: palavra dada, reputação e caráter.
Passagens relacionadas8
Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.
Fontes consultadas5 obras
- Bauer, W.; Danker, F.W.; Arndt, W.F.; Gingrich, F.W.. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 2000.
- Kittel, G.; Friedrich, G. (eds.). Theological Dictionary of the New Testament, 1964.
- Strong, J.. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
- Hagner, D.A.. Matthew 14-28 (Word Biblical Commentary), 1995.
- Hawthorne, G.F.. Philippians (Word Biblical Commentary), 1983.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
O que quer dizer orar "em nome de Jesus"?
Quer dizer orar com base na pessoa e na mediação de Jesus e em coerência com quem ele é. Em há uma promessa ligada a pedir em seu nome, mas o Novo Testamento não a descreve como fórmula automática.
Qual é o nome acima de todo nome em Filipenses 2:9?
O texto não o declara de forma explícita. Muitos comentaristas entendem que é "Senhor" (kyrios), citado no versículo 11, enquanto outros veem no "nome" a dignidade e a autoridade conferidas a Jesus.
Por que Mateus 28:19 usa "nome" no singular?
Tradições trinitárias leem o singular como unidade do ser divino; grupos unicistas leem como um único nome, Jesus. O texto em si não explica a escolha, e a discussão continua entre as tradições.
Onoma tem relação com o hebraico shem?
Sim. Na tradução grega do Antigo Testamento, onoma costuma traduzir shem, e muito do uso do Novo Testamento herda a ideia hebraica de que o nome representa a pessoa, o caráter e a reputação.
Palavras próximas
Temas
- No grego
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