
Em que hora Jesus foi crucificado? A hora terceira de Marcos e a hora sexta de João
Marcos diz que Jesus foi crucificado na hora terceira e João diz que foi na sexta: qual está certo?
Era a hora terceira, e o crucificaram. E a descrição de sua acusação estava acima escrita: O REI DOS JUDEUS. E crucificaram com ele dois ladrões, um à sua direita, e outro à esquerda. E cumpriu-se a Escritura que diz: E foi contado com os malfeitores. E os que passavam blasfemavam dele, balançando suas cabeças, e dizendo: Ah! tu que derrubas o templo, e em três dias o edificas, salva a ti mesmo, e desce da cruz! E da mesma maneira também os chefes dos sacerdotes, com os escribas, diziam aos outros, escarnecendo: Ele salvou a outros, a si mesmo não pode salvar! Que o Cristo, o Rei de Israel, desça agora da cruz, para que o vejamos, e creiamos! Os que estavam crucificados com ele também o insultavam.
Resposta curta
afirma que era a “hora terceira” (cerca de nove da manhã) quando Jesus foi crucificado. , ao narrar a sentença de Pilatos, diz que era “cerca da hora sexta” (por volta do meio-dia). A diferença é uma das mais debatidas dos evangelhos. As principais hipóteses são: João usaria a contagem romana, a partir da meia-noite, o que dá seis da manhã; um copista teria confundido o numeral grego três com o seis; as horas seriam aproximadas, em blocos de três horas; e a “preparação” de seria a sexta-feira da Páscoa, e não o horário. Nenhuma hipótese é decisiva, e o texto pede cuidado antes de concluir por uma única harmonização.
Como isso aponta para Jesus
Cumprimento diretoMesmo com a dúvida sobre a hora, o conteúdo central está claro: Jesus é crucificado entre dois malfeitores, como o próprio Jesus anunciou ao citar , e suas vestes são repartidas, o que ecoa o Salmo 22:18. A cruz realiza o que a Escritura dizia do Servo sofredor.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Marcos diz que Jesus foi crucificado na hora terceira, por volta das nove da manhã. João diz que Pilatos o sentenciou perto da hora sexta, por volta do meio-dia. Há várias explicações possíveis: contagem de horas diferente, erro de cópia, horas aproximadas ou outro sentido para “preparação”. Nenhuma resolve tudo, por isso é melhor não concluir por uma única harmonização.
Contexto histórico
narra o momento da crucificação: “Era a hora terceira quando o crucificaram”; a inscrição da acusação diz “O Rei dos Judeus”; dois assaltantes são crucificados, um à direita e outro à esquerda; os que passavam o insultavam, e os principais sacerdotes e escribas zombavam, dizendo que descesse da cruz. Até os que estavam crucificados com ele o insultavam. Marcos organiza a sequência em torno de três marcos de tempo: a hora terceira, quando Jesus é crucificado (15:25); a hora sexta, quando cai escuridão sobre toda a terra (15:33); e a hora nona, quando Jesus grita “Eloí, Eloí, lamá sabactâni” e depois morre (15:34-37). Mateus (27:45) e Lucas (23:44) confirmam a escuridão entre a sexta e a nona hora. João, porém, conta uma sequência diferente: no pretório, Pilatos senta-se no tribunal e entrega Jesus para ser crucificado quando “era a preparação da Páscoa, cerca da hora sexta” (19:14). Se Jesus foi sentenciado perto do meio-dia, como Marcos pode dizer que já estava na cruz às nove? A pergunta nasce de um detalhe técnico: no mundo antigo, o dia civil judaico contava as horas do nascer do sol, de modo que a primeira hora era por volta das seis da manhã, a terceira por volta das nove, a sexta por volta do meio-dia e a nona por volta das três da tarde. As pessoas não tinham relógios, e as horas eram aproximadas: três horas separavam um marco do seguinte. Isso explica por que o texto de Marcos organiza a Paixão em blocos de três em três horas. O problema, então, é saber se João usa outra contagem, se há um erro de transmissão, ou se as expressões são aproximações que não pretendem um horário exato. Marcos, aliás, diz em 15:1 que a decisão de levar Jesus a Pilatos foi tomada logo pela manhã, o que deixa um intervalo apertado até a hora terceira. Antes de comparar as hipóteses, é útil ver a sequência geral da sexta-feira.
Aprofundamento
A linha do tempo da sexta-feira, segundo os quatro evangelhos, pode ser resumida assim: na madrugada, Jesus é levado perante o Sinédrio, que o condena ao amanhecer (; ; ); em seguida vai a Pilatos, “cedo” (), e passa por Herodes (); a sentença de Pilatos é situada por João por volta da hora sexta (19:13-16), enquanto a crucificação é situada por Marcos na hora terceira (15:25); a escuridão vai da sexta à nona hora; Jesus morre na nona hora (cerca das três da tarde); o sepultamento ocorre antes do anoitecer, porque era véspera de sábado (). Há quatro hipóteses principais para a diferença. A primeira, defendida no século XIX por B. F. Westcott, diz que João usa o horário civil romano, que contava a partir da meia-noite; a hora sexta seria seis da manhã, e a crucificação teria ocorrido mais tarde. A objeção é que não há provas claras de que esse sistema fosse usado na Ásia Menor, e as outras indicações de hora em João (1:39; 4:6; 4:52) não deixam claro qual sistema ele usa, o que impede confirmar a hipótese. A segunda hipótese é a de erro de copista: em manuscritos gregos, o numeral três é a letra gama (Γ), e o seis é um sinal parecido com digama (Ϝ). Alguns manuscritos antigos de trazem “terceira” em vez de “sexta”, o que mostra que a confusão existiu, mas a maioria dos manuscritos lê “sexta”. A terceira hipótese entende que as horas eram aproximadas: João diz “cerca de” (hōsei), e Marcos pode indicar o fim de um bloco da manhã. Assim, a crucificação ocorreria entre as nove e o meio-dia, e João fixaria o fim de um período. A quarta lê “preparação da Páscoa” como a sexta-feira da semana da festa, e não como o horário; a palavra paraskeuē era termo comum para a sexta-feira, o dia anterior ao sábado, como mostram e . Isso muda o sentido de “preparação”, mas não resolve a hora. Alguns estudiosos propõem leituras simbólicas ligadas ao sacrifício dos cordeiros da Páscoa, mas isso é especulação e não responde à questão histórica. Vale notar ainda que a hora terceira era também hora de oração () e que os blocos de três horas de Marcos têm valor organizador, o que reforça que ele pode estar marcando etapas, e não medindo minutos. Por isso é prudente reconhecer que a questão continua aberta e não depender de uma harmonização única.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:Marcos e João se contradizem de forma irreconciliável, então os evangelhos são pouco confiáveis.
Existem hipóteses razoáveis para a diferença, como horas aproximadas, variação de contagem ou erro de cópia. A tensão é real, mas não prova que os autores inventaram os fatos, e coincide em tudo o que é central: crucificação sob Pilatos, na sexta, e morte à tarde.
Dizem que:A explicação correta é com certeza a contagem romana das horas em João.
A hipótese é antiga e popular, mas enfrenta objeções sérias: faltam provas claras de que fosse usada nessa região e nesse contexto. Muitos comentaristas modernos a consideram possível, mas não conclusiva.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Leitura harmonizadora (contagem romana)
João conta as horas a partir da meia-noite; a sexta hora seria seis da manhã e a crucificação ocorreria depois, na hora terceira de Marcos.
Leitura textual
A diferença nasce de uma confusão entre numerais gregos (Γ e Ϝ) na transmissão do texto de .
Leitura de aproximação
As horas eram marcadas em blocos de três e com “cerca de”; a crucificação ocorreu numa janela entre a manhã e o meio-dia, e os autores destacam marcos diferentes.
No original3 termos
ὥραhṓraG5610
“hora, momento”; na época, a hora do dia era contada a partir do nascer do sol e tinha duração variável, o que reforça o caráter aproximado das indicações.
παρασκευήparaskeuḗG3904
“preparação”; designava a sexta-feira, véspera do sábado (; ). Em , “preparação da Páscoa” pode indicar a sexta-feira da semana da festa.
ὡσείhōseí
“cerca de, mais ou menos”; em indica horário aproximado.
O que fazer com isso
A diferença de horários lembra que os evangelistas não eram cronistas com relógio na mão, e sim testemunhas e intérpretes. Reconhecer isso evita dois erros: o de fingir que não há tensão no texto e o de tirar dela conclusões radicais. A fé não depende de resolver cada detalhe, mas se beneficia de ler com paciência, aceitando que algumas perguntas ficam em aberto.
Passagens relacionadas5
Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.
Fontes consultadas4 obras
- Raymond E. Brown. The Death of the Messiah, 1994.
- D. A. Carson. The Gospel according to John (Pillar), 1991.
- Harold W. Hoehner. Chronological Aspects of the Life of Christ, 1977.
- Bruce M. Metzger. A Textual Commentary on the Greek New Testament, 1971.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
A que horas Jesus morreu?
Os três sinóticos concordam: na hora nona, cerca das três da tarde, depois de três horas de escuridão (; ; ).
Qual é a explicação mais aceita para a diferença?
Não há consenso. As hipóteses incluem contagem romana, erro de copista, horas aproximadas e leitura de “preparação” como sexta-feira. Muitos estudiosos preferem manter a questão em aberto.
Temas
- Genealogias e datas
- #crucificacao
- #marcos-15
- #joao-19
- #hora-terceira
- #hora-sexta
- #preparacao
- #paixao
- #cronologia