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Significado Bíblico
Discípulointermediária

Jesus, chamado Justo

Quem foi Jesus, chamado Justo na Bíblia?

Ficha do personagem

Século I d.C.; Roma

Aparece em

Relações

Resposta curta

Jesus, chamado Justo, aparece uma única vez no Novo Testamento, em , na lista de saudações que encerra a carta. Paulo, que escreve preso, informa que ele envia saudações aos cristãos de Colossos, junto com Aristarco e Marcos. Em seguida, diz que esses três são os únicos "da circuncisão", isto é, judeus de nascimento, que cooperam com ele pelo reino de Deus, e que foram para ele motivo de consolo. O texto não diz onde Jesus Justo nasceu, o que fazia nem o que aconteceu com ele depois. Seu nome, Jesus, é a forma grega de Josué, nome comum entre os judeus do século I, e "Justo" é um sobrenome também comum no mundo greco-romano.

Onde ele aparece

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

O texto não apresenta Jesus Justo como figura de Cristo e não há tipologia nele. A única relação é o nome: Jesus é a forma grega de Yeshua, em geral interpretado como "o Senhor salva", o mesmo nome que o anjo manda dar ao filho de Maria (). O fato de um colaborador de Paulo tê-lo mostra apenas que o nome era comum entre judeus da época.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Jesus, chamado Justo, é citado uma só vez na Bíblia, em . Paulo, que estava preso, manda saudações dele aos cristãos de Colossos, junto com Aristarco e Marcos. Paulo diz que eles eram os únicos judeus que estavam trabalhando com ele pelo reino de Deus e que lhe deram consolo. É só isso que o texto afirma sobre ele. O nome Jesus era comum entre os judeus da época e é a forma grega de Josué. Por isso, não se deve confundi-lo com Jesus Cristo, e a Bíblia não conta mais nada sobre a vida dele.

O mundo dele

A carta aos Colossenses foi dirigida à igreja de Colossos, cidade do vale do Lico, na Frígia, na região hoje ocupada pela Turquia. Paulo a escreve da prisão (). A tradição aponta Roma, por volta de 60-62 d.C., mas alguns estudiosos defendem Éfeso ou Cesareia como lugar de origem. Parte dos especialistas questiona que a carta seja de Paulo, e outros a defendem como autêntica; a discussão não altera o que o texto diz sobre Jesus Justo.

Quase no fim da carta, em , Paulo manda notícias e saudações. Tíquico, acompanhado de Onésimo, levará as notícias de Paulo (4:7-9). Em seguida vêm os que enviam saudações: Aristarco, "meu companheiro de prisão", Marcos, primo de Barnabé, e Jesus, chamado Justo (4:10-11). Depois aparecem Epafras, natural de Colossos (4:12-13), e Lucas e Demas (4:14). O trecho é uma das listas de colaboradores mais ricas do epistolário paulino. Uma lista parecida está na carta a Filemom (), enviada na mesma ocasião, segundo a maioria dos estudiosos, mas ali Jesus Justo não é citado.

A expressão "os da circuncisão" designa, no contexto, cristãos de origem judaica, em oposição aos cristãos de origem gentia. Aristarco, de Tessalônica, e Marcos são conhecidos por outras passagens de Atos e das cartas (; 27:2; ). Já Epafras, Lucas e Demas são citados depois da frase e, portanto, parecem estar fora desse grupo, o que combina com o fato de Epafras ser de Colossos.

O nome Jesus é a forma grega do hebraico Yeshua, versão tardia de Yehoshua, isto é, Josué. Era comum entre judeus do século I, e o próprio Novo Testamento usa "Jesus" para se referir a Josué em e , em algumas traduções. Quando alguém tinha dois nomes, como Saulo-Paulo ou José-Barnabé, o segundo era frequentemente um nome grego ou latino. "Justo" corresponde ao latim Iustus.

A história

O texto de diz: "Aristarco, meu companheiro de prisão, vos saúda, e Marcos, primo de Barnabé, [...] e Jesus, chamado Justo; os quais são da circuncisão; estes somente são cooperadores no reino de Deus, e para mim têm sido consolação". Tudo o que se sabe com segurança de Jesus Justo está nessa frase. Ele é judeu de nascimento, está com Paulo no momento da escrita e é descrito com palavras de apreço.

Dois detalhes chamam atenção. O primeiro é a palavra traduzida por "consolação" (grego paregoria), que aparece só aqui no Novo Testamento. Indica alívio ou conforto, e dá a ideia de que a presença desses três foi um apoio pessoal a Paulo durante a prisão. O segundo é o "somente": entre os cristãos de origem judaica que estavam com Paulo, apenas esses três colaboravam diretamente com ele. A frase não afirma que todos os outros judeus cristãos eram contrários a Paulo, pois o contexto é o grupo de companheiros próximos, e Paulo fala bem de Tiago, Pedro e outros em suas cartas. Em , ele também menciona, em Roma, pessoas que pregavam por rivalidade, o que sugere que nem sempre o ambiente era favorável.

Tudo o mais sobre Jesus Justo é conjectura. Alguns leitores tentaram identificá-lo com outros "Justos" do Novo Testamento, como José Barsabás, chamado Justo (), ou Tício Justo, de Corinto (). O texto não autoriza essas identificações: os prenomes são diferentes, as cidades são diferentes e Colossenses não faz nenhuma referência cruzada. Tradições posteriores que atribuem a ele funções específicas não encontram apoio no Novo Testamento.

Costuma-se supor que, mais tarde, o nome Jesus deixou de ser dado a cristãos por reverência ao Senhor, o que explicaria a estranheza do leitor moderno. Essa explicação aparece em comentários, mas é conjectura, sem prova no texto. O mesmo nome aparece como Jesus Barrabás em alguns manuscritos de , o que confirma que o nome era comum entre judeus da época.

Convém notar ainda que a carta não diz se Jesus Justo se converteu por meio de Paulo, se pertencia à igreja de Jerusalém ou de outra cidade, nem se visitou Colossos depois. Essas perguntas ficam sem resposta.

Por fim, o silêncio da carta a Filemom sobre Jesus Justo não prova que ele estivesse ausente: as duas listas são diferentes por escolha de Paulo e dos remetentes, e nada obriga a repetir os mesmos nomes. O fato de a sua presença ter sido registrada apenas uma vez mostra a natureza das cartas, que citam pessoas de passagem, em vez de apresentá-las.

O que costumam dizer errado2
  • Dizem que:Jesus Justo é o mesmo Jesus de Nazaré, ou um parente dele, citado por Paulo.

    o apresenta como colaborador de Paulo, vivo e presente quando a carta foi escrita, e nada o liga à família de Jesus de Nazaré. O nome Jesus era comum entre os judeus do século I, e o complemento Justo serve justamente para distingui-lo.

  • Dizem que:Jesus Justo é o mesmo José Barsabás, chamado Justo, de Atos 1:23, ou Tício Justo, de Atos 18:7.

    Os textos não os identificam. Os nomes pessoais são diferentes e os contextos também. "Justo" era um sobrenome frequente, e não há base no Novo Testamento para fundir essas figuras.

Como diferentes tradições cristãs leem3

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Protestante

    Comentaristas protestantes costumam usar a passagem para ilustrar o caráter de equipe do ministério de Paulo e a diversidade de origens dos colaboradores, sem atribuir a Jesus Justo mais do que o texto diz. A expressão "da circuncisão" é lida como descrição de origem étnica e não de posição doutrinária.

  • Católica

    A tradição católica vê em um retrato da comunhão eclesial entre judeus e gentios na Igreja nascente, em que colaboradores de origens distintas servem ao mesmo evangelho. Jesus Justo é lembrado entre os companheiros de Paulo sem que se atribuam a ele dados que o texto não fornece.

  • Judaica

    Estudos judaicos sobre onomástica usam o caso para ilustrar a convivência de nomes hebraicos e gregos ou latinos entre judeus do século I. Nesse enfoque, Jesus Justo é exemplo de judeu do mundo helenizado, sem que isso envolva avaliação de sua fé cristã.

O que fazer com isso

Há pessoas cuja contribuição ficou registrada em uma única linha, mas que o texto considera digna de menção. Jesus Justo é apresentado apenas como colaborador e motivo de conforto para Paulo, sem feitos narrados. O verbete lembra que o trabalho de apoio, a presença e o consolo têm valor reconhecido no texto bíblico, mesmo quando a história completa não chegou até nós.

Passagens relacionadas8
Fontes consultadas3
  • Douglas J. Moo. The Letters to the Colossians and to Philemon (Pillar New Testament Commentary), 2008.
  • F. F. Bruce. The Epistles to the Colossians, to Philemon, and to the Ephesians (New International Commentary on the New Testament), 1984.
  • Tal Ilan. Lexicon of Jewish Names in Late Antiquity, 2002.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Quem foi Jesus, chamado Justo?

Um cristão de origem judaica que estava com Paulo quando ele escreveu aos colossenses, e que enviou saudações com Aristarco e Marcos (). A Bíblia não diz mais nada sobre ele.

Por que ele tinha o nome de Jesus?

Jesus é a forma grega de Yeshua, variante de Josué, e era um nome comum entre judeus do século I. O sobrenome Justo, de origem latina, ajudava a distingui-lo de outros que tinham o mesmo nome.

O que significa "os da circuncisão" em Colossenses 4:11?

Designa judeus de nascimento, em contraste com os cristãos de origem gentia. No texto, Paulo diz que, entre os companheiros que estavam com ele, apenas Aristarco, Marcos e Jesus Justo eram desse grupo e colaboravam com ele.

Jesus Justo aparece em outras cartas de Paulo?

Não. Ele é citado só em . A lista de saudações de traz Epafras, Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, mas não menciona Jesus Justo.

Outros personagens

Publicado em 11/11/2026

Construído sobre fontes em domínio público. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 3 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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Em Romanos 4:9-12, Paulo monta um argumento sobre cronologia bíblica: Gênesis 15:6 diz que Deus considerou a fé de Abraão como justiça, e isso acontece capítulos antes de a circuncisão ser instituída, em Gênesis 17. Para Paulo, essa ordem no tempo não é um detalhe qualquer, é a prova de que a aprovação de Deus a Abraão não dependeu do ritual. A circuncisão vem depois, como selo de algo que já existia. Com essa sequência, Paulo separa duas coisas que muitos judeus do primeiro século tratavam como inseparáveis: confiar em Deus e pertencer ao povo da aliança pelo sinal físico. O texto serve de base para incluir gentios incircuncisos entre os herdeiros da promessa feita a Abraão, sem exigir deles o rito que definia a identidade judaica.

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