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Significado Bíblico
Adversáriointermediária

Zeres, esposa de Hamã

Quem foi Zeres, a mulher que aconselhou Hamã?

Ficha do personagem

Cerca de 474 a.C.; Susã, Pérsia

Aparece em

Relações

Resposta curta

Zeres foi a esposa de Hamã, o alto oficial persa que planejou exterminar os judeus no reino de Assuero. Ela aparece em poucas passagens do livro de Ester. Primeiro, ao lado dos amigos de Hamã, ouve o desabafo do marido contra Mardoqueu e propõe uma forca de cinquenta côvados para ele (). Depois, quando Hamã volta humilhado por ter sido obrigado a honrar Mardoqueu, ela e os sábios da casa preveem a queda dele, dizendo que, sendo Mardoqueu de origem judaica, Hamã não prevaleceria (6:13). Em seguida os eunucos o levam ao banquete de Ester. Zeres não reaparece depois, e o texto nada diz sobre o seu destino.

Onde ele aparece

Em palavras simples

Zeres era a esposa de Hamã, o oficial persa que queria destruir os judeus. Ela aparece em duas cenas importantes no livro de Ester. Na primeira, ouve o marido reclamar de Mardoqueu e sugere construir uma forca bem alta para enforcá-lo, ideia que Hamã aceita. Na segunda, depois que Hamã é obrigado a homenagear Mardoqueu, ela e os conselheiros dizem que, se Mardoqueu é judeu, Hamã não vencerá e vai cair. A Bíblia não conta o que aconteceu com ela depois. Sua história mostra como a queda de Hamã já era prevista dentro da própria casa dele.

O mundo dele

Zeres aparece no livro de Ester, ambientado em Susã durante o reinado de Assuero, geralmente identificado com Xerxes I (486 a 465 a.C.). Seu marido, Hamã, filho de Hamedata, o agagita, foi promovido pelo rei acima de todos os outros príncipes e passou a exigir que todos se prostrassem diante dele (). Mardoqueu, judeu e primo de Ester, recusou-se, e Hamã, em vez de se contentar em puni-lo, decidiu destruir todo o povo dele (3:5-6). Nesse quadro, Zeres surge no capítulo 5, quando Hamã sai de um banquete da rainha Ester, feliz por ter sido convidado, mas irritado ao ver Mardoqueu sentado à porta do rei sem se levantar.

O texto não dá a Zeres nenhuma informação além do nome e do parentesco. Não se sabe sua origem, seus filhos individualmente, sua religião ou idade. Seus dez filhos com Hamã são citados em e 9:7-10, mas o texto não os liga explicitamente a ela, embora seja a leitura mais natural. O nome Zeres, em hebraico Zeresh, tem etimologia incerta, e alguns estudiosos propõem uma origem persa, sem consenso.

A função dela é típica de um recurso comum em narrativas bíblicas, o do conselheiro que dá um conselho de efeito irônico. Zeres é apresentada em companhia dos amigos e, em 6:13, dos sábios, e o conjunto representa o círculo íntimo do poder: pessoas que dizem ao governante o que ele quer ouvir ou que reagem rápido à sua raiva. A forca de cinquenta côvados tem cerca de 22 metros se o côvado for contado em 45 centímetros, e muitos estudiosos entendem o instrumento como uma estaca de empalamento, prática atestada entre os persas. O hebraico usa a palavra para madeira, de modo que a tradução forca é interpretativa. A cena segue o padrão do livro, em que o excesso de Hamã prepara a sua queda.

A história

A primeira intervenção de Zeres está em . Hamã, mesmo honrado pelo convite da rainha, não consegue aproveitar nada enquanto vir Mardoqueu sentado à porta do rei. Em casa, reúne os amigos e a esposa, enumera as suas riquezas, os muitos filhos e as honras que o rei lhe deu, e conclui que tudo isso não lhe aproveita (5:11-13). Zeres e os amigos respondem com uma sugestão: fazer uma forca de cinquenta côvados e, de manhã, pedir ao rei que Mardoqueu seja nela pendurado. O conselho agrada a Hamã, que manda preparar a forca. O conselho é dado à queima-roupa, sem juízo moral. O texto também não indica que Zeres tomasse a iniciativa sozinha, pois o verbo está no plural e ela aparece ao lado dos amigos.

A segunda intervenção é em 6:13. Na mesma noite, o rei, sem sono, soube que Mardoqueu nunca havia sido recompensado por ter denunciado uma conspiração, e mandou Hamã honrá-lo em público. Hamã volta para casa de cabeça coberta, aflito, e conta tudo a Zeres e aos amigos. Os sábios e Zeres respondem: se Mardoqueu pertence à descendência dos judeus, diante de quem Hamã começou a cair, não prevalecerá contra ele, mas certamente cairá. A mudança de tom é notável. O que antes era um conselho de eliminação passa a ser uma previsão de derrota, e o verbo cair é repetido na construção hebraica, que reforça a ênfase. O texto não explica o que Zeres sabia sobre os judeus nem por que a origem de Mardoqueu pesava tanto. Pode ser um conhecimento popular sobre a história do povo, um pressentimento ou a percepção política de que o favor do rei havia mudado.

A fala de Zeres funciona como virada literária. Ela é a primeira voz, dentro da casa de Hamã, a anunciar o desfecho que os leitores esperam. Os estudiosos observam que o livro de Ester usa a inversão como motivo central: a forca preparada para Mardoqueu serve a Hamã (7:9-10). Há ainda um detalhe estrutural: o conselho de 5:14 e a previsão de 6:13 vêm do mesmo círculo, os amigos e a esposa, e tanto um quanto o outro são dados em casa, longe do rei. Isso faz da casa de Hamã um espelho do palácio, onde o poder também se cerca de vozes que reagem ao humor do chefe. A mudança de Zeres entre as duas cenas, de cúmplice a profetisa da queda, é rápida, e o texto a deixa sem explicação. Quanto ao destino dela, o relato silencia. Tradições posteriores preencheram essa lacuna de várias maneiras, mas essas informações não vêm do texto bíblico e devem ser tratadas apenas como tradição.

O que costumam dizer errado2
  • Dizem que:Zeres foi quem convenceu Hamã a querer destruir os judeus.

    O plano de extermínio nasce de Hamã e é anterior à primeira aparição de Zeres (). O conselho dela é mais restrito: a forca de cinquenta côvados para Mardoqueu (5:14). O texto não lhe atribui o decreto contra o povo.

  • Dizem que:Zeres foi enforcada junto com os filhos ou ao lado de Hamã.

    O livro não registra o destino dela. Fala do enforcamento de Hamã (7:10) e, depois, dos dez filhos (9:6-14), mas Zeres não é mencionada nessas cenas. Qualquer relato sobre sua morte vem de tradição posterior.

Como diferentes tradições cristãs leem4

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Judaica

    A tradição rabínica, que lê Ester na festa de Purim, vê nas palavras de Zeres e dos sábios um reconhecimento involuntário da proteção sobre o povo judeu. Comentaristas posteriores acrescentam detalhes biográficos sobre ela que não constam do texto, e que se distinguem do relato bíblico.

  • Protestante

    Comentaristas costumam ler o discurso de 6:13 como um exemplo de que até pagãos reconhecem, sem o dizer abertamente, que há um poder maior em favor dos judeus, e destacam o tema da providência. Alguns notam o contraste entre a expectativa de Hamã e a realidade que vem em seguida.

  • Católica e ortodoxa

    Recebem o livro com os acréscimos gregos, em que a oração de Ester e a menção explícita a Deus tornam a inversão mais claramente obra divina. Nessa forma do texto, as palavras dos conselheiros de Hamã seguem como previsão humana que se confirma, sem alterar o papel de Zeres.

  • Crítica literária

    Estudiosos como Michael Fox e Adele Berlin enfatizam o recurso da ironia e da inversão em Ester. Zeres é um dos instrumentos dessa técnica, ao produzir um conselho que depois se volta contra o marido, e não um retrato psicológico completo.

O que fazer com isso

Zeres lembra que o conselho que se dá a alguém irritado tem peso moral e pode amplificar o pior impulso, e que o mesmo conselheiro, ao ver o vento mudar, pode passar da bajulação à constatação do fracasso. O texto não a moraliza nem a absolve. Convida a notar quem está por perto nas decisões graves e o que cada voz acrescenta.

Passagens relacionadas7
Fontes consultadas4
  • Karen H. Jobes. Esther (NIV Application Commentary), 1999.
  • Michael V. Fox. Character and Ideology in the Book of Esther, 1991.
  • Adele Berlin. Esther (JPS Bible Commentary), 2001.
  • Carey A. Moore. Esther (Anchor Bible), 1971.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O que Zeres aconselhou Hamã a fazer?

Em , ela e os amigos sugerem levantar uma forca de cinquenta côvados e, na manhã seguinte, pedir ao rei que Mardoqueu fosse enforcado nela, para que Hamã pudesse ir ao banquete alegre.

Zeres sabia que Mardoqueu era parente de Ester?

O texto não diz. Em 6:13 ela só afirma que Mardoqueu é de descendência judaica e que Hamã cairia diante dele. A relação entre Mardoqueu e Ester só é revelada ao rei mais adiante ().

O que aconteceu com Zeres no fim do livro?

A Bíblia não conta. Ela desaparece depois de , e o texto só registra a morte de Hamã (7:10) e a dos dez filhos (9:6-14).

Zeres é uma vilã?

O texto não a rotula assim. Ela dá um conselho cruel (5:14) e depois uma previsão acertada (6:13). Como personagem, ocupa um papel secundário, sem narração de seus motivos.

Outros personagens

Publicado em 11/11/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

Uma explicação nova por semana

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As passagens dele, explicadas

Costumes da épocaEster 8:8-11

Por que um segundo decreto, e não a simples revogação do primeiro

No capítulo 8 de Ester, Assuero já enforcou Hamã e deu o anel real a Mardoqueu, mas o perigo sobre os judeus continua: o primeiro decreto, selado com o anel do rei, ordenando sua destruição na Pérsia, segue juridicamente em vigor. Ester 8:8 explica: a escritura selada com o anel do rei não pode ser revogada. A frase reflete um traço real do direito persa, também citado em Daniel 6, segundo o qual um édito selado pelo rei tinha força permanente, mesmo contra a vontade posterior do próprio soberano.

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Teologia densaEster 6:1-3

A insônia do rei que mudou tudo em Ester

A cena chega no momento mais tenso do livro de Ester: Hamã já ergueu uma forca para Mardoqueu e planeja, na manhã seguinte, pedir sua execução. Nessa mesma noite "o rei perdeu o sono" (v.1) e manda ler o registro oficial das crônicas do reino. Por puro acaso, a leitura cai justamente na página que conta como Mardoqueu, anos antes, denunciou a conspiração de Bigtã e Teres contra a vida do rei (v.2) — um serviço nunca recompensado.

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Zeres, a esposa de Hamã que sugeriu a forca de 50 côvados

Zeres aparece apenas duas vezes no livro de Ester, mas sua primeira fala muda o rumo da trama. Em Ester 5:14, depois de ver Mardoqueu recusar-se novamente a se prostrar diante dele, Hamã desabafa com a esposa e os amigos. Zeres sugere construir uma forca de cinquenta côvados — algo em torno de vinte e dois metros de altura — e pedir ao rei que Mardoqueu seja executado nela antes mesmo do banquete.

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Os 10 mil talentos de prata que Hamã ofereceu para financiar um genocídio

Em Ester 3:9, Hamã oferece dez mil talentos de prata ao rei Assuero para financiar o extermínio dos judeus do império persa. É uma soma descomunal: historiadores estimam que a receita anual total do império persa, segundo Heródoto, girava perto de catorze mil talentos. Hamã propõe pagar, do próprio patrimônio, um valor equivalente a boa parte do orçamento imperial só para eliminar um povo que ele considera uma ameaça pessoal.

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Teologia densaEster 7:9-10

Por que Hamã foi enforcado na forca que ele mesmo construiu?

No banquete em que Ester revela a trama de Hamã contra seu povo, o rei ordena que ele seja executado. É então que Harbona, um dos eunucos da corte, lembra ao rei que Hamã havia construído, dias antes, uma forca de cinquenta côvados para matar Mardoqueu — o mesmo homem que salvara a vida do rei. Assuero manda enforcar Hamã ali mesmo, na estrutura que ele próprio erguera para seu inimigo.

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O lançamento do 'pur': como um sorteio deu nome à festa de Purim

Depois de decidir exterminar os judeus do imperio, Hama nao escolhe a data por conta propria: manda lancar o pur, uma especie de sorteio adivinhatorio, diante dele, mes a mes e dia a dia, para determinar quando o massacre aconteceria. Ester 3:7 registra esse detalhe curioso: o pur cai no mes de Adar, o ultimo mes do calendario, quase um ano depois da decisao inicial de Hama. A pratica reflete uma visao de mundo persa que atribuia a sorteios sagrados o poder de revelar momentos favoraveis ou desfavoraveis para grandes decisoes. O detalhe e ironico porque a palavra pur, de origem estrangeira e pagao, acaba dando nome exatamente a festa judaica que celebra a reviravolta e a salvacao do povo contra aquele mesmo plano de exterminio determinado por sorteio adivinhatorio.

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