Adonias
Quem foi Adonias, filho de Davi, e por que disputou o trono?
Ficha do personagem
c. 970 a.C., Jerusalém
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Resposta curta
Adonias foi o quarto filho de Davi, nascido em Hebrom de uma mulher chamada Hagite. Com Amnom e Absalão já mortos, tornou-se o filho mais velho de que o texto ainda fala e, quando Davi envelheceu, passou a agir como herdeiro: reuniu carros, cavaleiros e o apoio do general Joabe e do sacerdote Abiatar, e promoveu um banquete em En-Rogel. Por iniciativa do profeta Natã e de Bate-Seba, Davi confirmou Salomão, que foi ungido em Giom antes de a festa terminar. Adonias foi poupado sob condição, mas, depois da morte de Davi, pediu Abisague por esposa; Salomão leu o pedido como nova pretensão ao trono e mandou Benaia executá-lo.
Onde ele aparece
Como isso aponta para Jesus
ContrasteAdonias é apresentado como alguém que se exalta ("Eu reinarei") e toma como devido o que ainda não lhe fora dado: carros, cavaleiros, banquete e aliados. A narrativa o contrapõe a Salomão, que recebe o trono por escolha e juramento do rei. O Novo Testamento apresenta Jesus como herdeiro do trono de Davi () e descreve o seu caminho em sentido inverso ao de Adonias: ele não se apegou à igualdade com Deus, esvaziou-se, e por isso foi exaltado (). Não há aqui tipologia formal; o contraste está na maneira de chegar ao trono, tomado por conta própria ou recebido do Pai.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Adonias era um dos filhos do rei Davi. Quando o pai já estava velho e doente, ele se declarou o próximo rei, fez uma grande festa e contou com o apoio do general Joabe e do sacerdote Abiatar. Davi, porém, tinha escolhido Salomão, e o profeta Natã e Bate-Seba agiram depressa para que Salomão fosse coroado. Adonias foi perdoado no início. Depois da morte de Davi, pediu para casar com Abisague, e Salomão entendeu isso como nova tentativa de tomar o trono e mandou executá-lo.
O mundo dele
Adonias pertence ao último período do reinado de Davi, por volta de 970 a.C., em Jerusalém. Nasceu em Hebrom, nos anos em que Davi reinou ali sobre Judá, e é o quarto da lista de seis filhos registrada em , depois de Amnom, Quileabe e Absalão; repete a ordem. O texto conta a morte de Amnom, assassinado por ordem de Absalão (), e a de Absalão, morto na guerra contra o pai (). Sobre Quileabe, o texto é silencioso depois da lista, e por isso não se sabe se ainda vivia. Adonias aparece, assim, como o mais velho dos filhos de que a narrativa fala quando Davi está idoso.
O narrador o descreve como muito formoso e nascido depois de Absalão, e observa que o pai nunca o contrariara, nem sequer perguntando por que agia assim (). O pano de fundo é uma sucessão sem regra legal explícita: a lei do rei em trata do caráter do rei, mas não fixa quem herda o trono, e o relato mostra que a decisão dependia da vontade do rei e do apoio das facções da corte. De um lado estavam Joabe, comandante desde os tempos de Hebrom, e Abiatar, sacerdote que acompanhava Davi desde o massacre de Nobe (). De outro, o sacerdote Sadoque, o profeta Natã, o capitão Benaia e a guarda pessoal do rei, os queretitas e peletitas.
Os capítulos 1 e 2 de 1 Reis encerram o que os estudiosos chamam de Narrativa da Sucessão (–20 e –2), cujo tema é como Salomão chegou ao trono. O juramento de Davi a Bate-Seba, que fundamenta a escolha de Salomão, é citado por ela e por Natã e confirmado pelo próprio rei (), mas os livros de Samuel não registram a cena em que ele foi feito.
A história
O movimento de Adonias começa com uma frase do narrador: "Adonias, filho de Hagite, se exaltava, dizendo: Eu reinarei" (). Ele providenciou carros, cavaleiros e cinquenta homens que corressem à sua frente, um aparato de realeza que lembra o de Absalão (). Consultou Joabe e Abiatar, que o apoiaram, e fez um sacrifício junto à pedra de Zoelete, perto de En-Rogel, convidando seus irmãos e os homens de Judá a serviço do rei, mas não Natã, Benaia, os valentes nem Salomão. O texto não afirma que Davi tivesse anunciado outro herdeiro em público; a lista de convidados é o modo como o narrador indica de que lado cada um estava.
A reação do outro grupo é rápida. Natã orienta Bate-Seba a lembrar Davi do juramento de que Salomão reinaria e, em seguida, entra para confirmar a informação (). Davi jura que Salomão será rei e manda ungi-lo em Giom, montado na mula real, com Sadoque, Natã e Benaia. A trombeta e o grito "viva o rei Salomão" chegam a En-Rogel quando Adonias ainda estava à mesa; Jônatas, filho de Abiatar, traz a notícia, e os convidados se dispersam (1:41-49).
Adonias corre ao altar e segura suas pontas, pedindo que Salomão jure não matá-lo. A resposta é condicional: se for homem de bem, nem um de seus cabelos cairá em terra, mas se nele se achar maldade, morrerá (1:52). Depois da morte de Davi, ele vai a Bate-Seba e diz que o reino era seu, mas que passou ao irmão "porque do Senhor era" (2:15). Pede, por intermédio dela, Abisague, a sunamita que cuidara de Davi na velhice (1:1-4). Salomão reage: "Pede também o reino, pois é meu irmão mais velho" e tem a seu lado Abiatar e Joabe (2:22). Jura e envia Benaia, que o mata.
O texto é conciso, e é aí que surgem as perguntas. O narrador não diz qual era a intenção de Adonias; registra a leitura de Salomão. Em Israel e no Antigo Oriente Próximo, tomar as mulheres de um rei anterior podia funcionar como reivindicação do trono (; 16:21-22), e é nessa chave que Salomão interpreta o pedido, ligando-o a Joabe e Abiatar. Ao mesmo tempo, diz que o rei "não a conheceu", o que deixa incerta a condição de Abisague, e há comentaristas que veem em Adonias um pretendente ingênuo, outros um conspirador discreto. Em seguida, o relato mostra Abiatar exilado em Anatote (2:26-27), Joabe morto (2:28-34) e o reino firmado na mão de Salomão (2:46).
O que costumam dizer errado2
Dizem que:Adonias era o primogênito de Davi.
O primeiro filho de Davi foi Amnom, nascido em Hebrom de Ainoã de Jezreel (). Adonias é o quarto da lista (). Ele só se tornou o mais velho dos filhos de que a narrativa fala depois da morte de Amnom e de Absalão, e o texto não diz o que houve com Quileabe.
Dizem que:Salomão mandou matar o irmão apenas porque ele pediu uma mulher em casamento.
O texto apresenta a execução dentro de um contexto político: Adonias já havia tentado reinar, recebera perdão condicional () e tinha o apoio de Joabe e Abiatar. Salomão lê o pedido como reivindicação do trono (). Pode-se discutir se essa leitura foi justa, já que o narrador não revela a intenção de Adonias, mas reduzir tudo a um simples pedido de casamento omite esse contexto.
Como diferentes tradições cristãs leem3
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Histórico-crítica
Estudiosos como Leonhard Rost leram –2, junto com –20, como uma narrativa da sucessão que justifica a subida de Salomão, escrita do ponto de vista do vencedor. Outros, como R. N. Whybray, discutiram a natureza e a data desse bloco e o aproximaram da reflexão sapiencial. Em ambos os casos, o ponto é que o texto é concebido para explicar por que Adonias perdeu.
Reformada e evangélica
Tende a destacar a providência: a confissão de Adonias de que o reino foi para o irmão porque era do Senhor () indica que a sucessão não se explica apenas pela política da corte. A leitura mantém, ao mesmo tempo, a responsabilidade humana, pois o texto mostra Adonias agindo por conta própria e sem o aval de Deus mencionado em lugar algum.
Católica e patrística
Lê a sucessão salomônica como etapa da linhagem davídica que, no Novo Testamento, desemboca em Cristo (). Nessa perspectiva, Adonias não é figura central; o interesse está na continuidade da promessa feita a Davi, e não na biografia do pretendente derrotado.
O que fazer com isso
O relato mostra como a ambição cresce onde ninguém a contraria: o texto nota que Davi nunca repreendeu Adonias, e o próprio Adonias reconhece, no fim, que o reino passou ao irmão "porque do Senhor era". A história não pede que se condene todo desejo de crescer, mas que se examine a quem se pretende servir ao avançar, e se há disposição para aceitar um desfecho diferente do planejado.
Passagens relacionadas8
Fontes consultadas3
- Mordechai Cogan. 1 Kings: A New Translation with Introduction and Commentary (Anchor Bible 10), 2001.
- Iain W. Provan. 1 and 2 Kings (New International Biblical Commentary), 1995.
- R. N. Whybray. The Succession Narrative: A Study of II Sam. 9–20; I Kings 1 and 2, 1968.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Quem foi a mãe de Adonias?
Hagite, uma das esposas de Davi em Hebrom (; ). O texto não dá mais informações sobre ela nem sobre sua família.
Quem era Abisague, a mulher que Adonias pediu?
Uma jovem sunamita escolhida para cuidar de Davi na velhice e aquecê-lo; o texto afirma que o rei não a conheceu (). Depois da morte de Davi, ela volta à narrativa apenas como objeto do pedido de Adonias.
Por que Joabe e Abiatar apoiaram Adonias?
O texto não explica os motivos. Sobre Joabe, diz que ele se inclinara a favor de Adonias, embora não tivesse seguido Absalão. Quanto a Abiatar, o relato é silencioso, e qualquer motivação além de alianças de corte é conjetura.
O que aconteceu com Abiatar e Joabe depois que Salomão assumiu?
Abiatar foi afastado do sacerdócio e mandado para Anatote (). Joabe fugiu para o altar, foi morto por Benaia por ordem de Salomão () e teve o cargo ocupado por Benaia.