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Significado Bíblico
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Tiglate-Pileser III, rei da Assíria

Quem foi Tiglate-Pileser, o rei da Assíria que levou Israel cativo?

Ficha do personagem

Séc. VIII a.C. (cerca de 745-727); Assíria, Israel e Judá

Relações

  • chamado em socorro por Acaz
  • tomou território de Peca
  • recebeu tributo de Menaém
  • enfrentou Rasim, rei de Damasco

Resposta curta

Tiglate-Pileser III reinou sobre a Assíria entre cerca de 745 e 727 a.C. e foi quem deu início à deportação sistemática de israelitas do reino do norte. Segundo 2 Reis, Menaém lhe pagou mil talentos de prata para conservar o trono, e depois, no reinado de Peca, ele tomou cidades da Galileia e de Gileade e levou o povo para a Assíria. O rei Acaz de Judá também o chamou em seu socorro contra Rasim, de Damasco, e Peca, e pagou-lhe com a prata e o ouro do templo. A Bíblia o chama também de Pul, nome sob o qual era conhecido na Babilônia. Sua política abriu o caminho para a queda de Samaria, poucos anos depois da sua morte.

Onde ele aparece

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

Em , Acaz, ameaçado por Rasim e Peca, busca socorro na Assíria. O mesmo contexto () traz o sinal que o profeta oferecera ao rei, o do filho chamado Emanuel, que Mateus relaciona com o nascimento de Jesus. O texto de 2 Reis, porém, não menciona esse sinal nem faz tipologia; a ligação com Cristo vem de Isaías e do uso que o Novo Testamento faz dessa profecia.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Tiglate-Pileser III foi um poderoso rei da Assíria no século VIII a.C. Ele também é chamado de Pul na Bíblia. Cobrou tributo de Menaém, rei de Israel, e depois conquistou cidades do norte de Israel, levando muita gente para viver na Assíria. O rei Acaz, de Judá, pediu a ajuda dele contra os reis Rasim e Peca e pagou com a prata e o ouro do templo. Essa política dos assírios preparou o caminho para a queda de Samaria, a capital do reino do norte.

O mundo dele

No século VIII a.C., a Assíria passou de potência regional a império expansionista sob Tiglate-Pileser III, que subiu ao trono por volta de 745 a.C. e reorganizou o Estado, o exército e a administração das províncias. Uma das características do seu governo foi o uso sistemático da deportação: populações inteiras eram transferidas de uma região para outra, a fim de desfazer laços locais e consolidar o controle. As inscrições reais assírias registram essa prática e a lista de reis que lhe pagaram tributo, entre eles Menaém de Samaria e Rasim de Damasco.

O nome aparece na Bíblia com variações. Em , o rei é chamado Pul; em 15:29 e 16:7, Tiglate-Pileser; em , o texto cita “o espírito de Pul, rei da Assíria, e o espírito de Tilgate-Pilneser”, o que se pode ler como duas pessoas ou como duas formas do nome de um mesmo rei. A identificação mais aceita é que Pul fosse o nome com que o rei era conhecido na Babilônia, onde as fontes babilônicas o chamam Pulu; a hipótese de dois reis distintos tem poucos defensores.

O pano de fundo político é o declínio do reino do norte depois de Jeroboão II. Menaém, que assumiu o trono por violência, aceitou a vassalagem e pagou tributo, cobrado em 50 siclos de prata de cada homem rico (). Depois de Menaém e de Pecaías, o general Peca assumiu o poder e, aliado a Rasim de Aram-Damasco, tentou formar uma frente contra a Assíria. Judá, governada por Acaz, não aderiu e foi atacada pelos dois reis, o que forneceu o contexto imediato do apelo que Acaz faria à Assíria (; ). A cronologia desses reinados é difícil, e as datas variam conforme o sistema adotado pelos estudiosos. Por isso, as datas aqui são aproximadas.

A história

A primeira intervenção assíria registrada nos livros dos Reis é a de Menaém. Diante da ameaça de Pul, o rei de Israel reuniu mil talentos de prata, tributo recolhido entre os homens ricos do reino, e o rei assírio retirou-se (). Pela leitura do texto, o pagamento garantiu a Menaém o trono “em suas mãos”. É um quadro de vassalagem forçada que se repetirá em Judá, e as inscrições de Tiglate-Pileser também citam Menaém entre os tributários.

A segunda intervenção está ligada a Peca. Em , o rei assírio toma Ijom, Abel-Bete-Maaca, Janoa, Quedes, Hazor, Gileade e a Galileia, toda a terra de Naftali, e leva os habitantes para a Assíria. Esse é o início da deportação de israelitas do reino do norte; acrescenta que rubenitas, gaditas e a meia tribo de Manassés foram levados a Halá, Habor, Hara e ao rio Gozã. Logo depois, Oseias conspira contra Peca e o mata (15:30), e os registros assírios afirmam que o rei colocou Oseias no trono, o que mostra a Assíria como árbitra da política israelita.

O terceiro episódio envolve Acaz. Em , o rei de Judá envia mensageiros ao rei da Assíria, dizendo “sou teu servo e teu filho”, e pede ajuda contra Rasim e Peca, enviando-lhe a prata e o ouro do templo e do palácio. Tiglate-Pileser sobe, toma Damasco, deporta seus habitantes para Quir e mata Rasim. A pergunta teológica que o texto deixa implícita é se Acaz fez bem em confiar nas armas da Assíria. mostra o profeta oferecendo a Acaz um sinal e pedindo que ele confie no Senhor, o que Acaz recusa, e acrescenta que o rei assírio “o angustiou, em vez de o fortalecer”. Em Damasco, Acaz vê um altar que o impressiona e manda o sacerdote Urias fazer um modelo para Jerusalém (), episódio frequentemente lido como sinal de adesão cultural ao senhor assírio, embora o texto não deixe claro o quanto havia de imposição e o quanto de iniciativa de Acaz.

Tiglate-Pileser morreu em 727 a.C., e a queda definitiva de Samaria ocorreu poucos anos depois, no reinado de seu sucessor Salmaneser V e de Sargão II. O texto de não a atribui ao primeiro, mas descreve a longa cadeia de eventos, e a história de Tiglate-Pileser mostra como se formou o cenário que levou a ela.

O que costumam dizer errado2
  • Dizem que:Tiglate-Pileser destruiu Samaria e levou todas as tribos do norte de uma vez.

    A deportação foi gradual. Tiglate-Pileser tomou a Galileia, Gileade e outras regiões por volta de 733-732 a.C., e a queda de Samaria ocorreu poucos anos depois da sua morte, no tempo de Salmaneser V e Sargão II. Os textos descrevem várias etapas, e não um único golpe.

  • Dizem que:Pul e Tiglate-Pileser eram dois reis assírios diferentes.

    A identificação mais aceita pelos estudiosos é que Pul era o nome sob o qual Tiglate-Pileser III reinou na Babilônia, e as fontes babilônicas o chamam Pulu. Em , os dois nomes podem ser lidos como referência à mesma pessoa, embora o texto admita outra leitura.

Como diferentes tradições cristãs leem4

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Reformada

    Destaca que o rei assírio age como instrumento do juízo de Deus sobre um povo infiel, mantendo a responsabilidade moral do próprio rei, e critica a confiança de Acaz na ajuda assíria em lugar da fé no Senhor.

  • Judaica

    A tradição dá relevo ao exílio das tribos do norte como início de uma dispersão cujo destino se tornou tema de longa reflexão; o episódio é lembrado como parte da história de perda e de esperança de restauração, sem apagar a responsabilidade de Acaz.

  • Católica

    Lê o episódio dentro da pedagogia divina sobre a história: a infidelidade traz consequências, mas Deus preserva um resto e mantém a promessa messiânica. O sinal de é visto como resposta à crise de Acaz e como anúncio que se realiza em Cristo.

  • Histórico-crítica

    Usa os anais assírios para comparar e datar os eventos, e discute as diferenças entre os relatos de Reis, Crônicas e as inscrições reais. Observa que o texto assírio e o bíblico têm propósitos diferentes e que as cronologias do período são ajustadas com dificuldade.

O que fazer com isso

O apelo de Acaz mostra o risco de buscar proteção em um poder maior que cobra caro pela ajuda. Salvar-se de dois reis vizinhos ao preço de se tornar servo de um império foi uma troca que o texto não trata como vitória. A passagem convida a perguntar, sem moralismo, em que se apoia a confiança de alguém em momentos de pressão, e quanto custa aquilo que parece o caminho mais rápido.

Passagens relacionadas8
Fontes consultadas3
  • Hayim Tadmor e Shigeo Yamada. The Royal Inscriptions of Tiglath-pileser III and Shalmaneser V (Kings of Assyria), 2011.
  • Mordechai Cogan e Hayim Tadmor. II Kings (Anchor Bible), 1988.
  • Brevard S. Childs. Isaiah and the Assyrian Crisis, 1967.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Por que a Bíblia o chama de Pul?

Pul parece ter sido o nome com que o rei era conhecido na Babilônia, onde fontes babilônicas o chamam Pulu. A Bíblia usa os dois nomes: Pul em e Tiglate-Pileser em 15:29 e 16:7.

O que Acaz deu a Tiglate-Pileser?

Segundo , Acaz tomou a prata e o ouro que se achavam na casa do Senhor e nos tesouros do palácio e os enviou ao rei da Assíria como presente, em troca de socorro contra Rasim e Peca.

Tiglate-Pileser conquistou Samaria?

Não. Ele tomou grande parte do território do reino do norte e provocou a queda de Peca, mas Samaria caiu por volta de 722 a.C., no tempo de Salmaneser V e Sargão II, depois da morte de Tiglate-Pileser.

Para onde foram levados os israelitas deportados?

Segundo , rubenitas, gaditas e parte de Manassés foram levados a Halá, Habor, Hara e ao rio Gozã, regiões da Mesopotâmia setentrional, e afirma que os habitantes da Galileia e de Gileade foram deportados para a Assíria.

Outros personagens

Publicado em 05/11/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 3 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

Uma explicação nova por semana

Sem devocional, sem corrente e sem promoção. Só o verbete da semana, com o contexto que normalmente fica de fora. Todo e-mail leva um link para sair, e sair é imediato.

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