Maria, mãe de Jesus
Quem foi Maria, a mãe de Jesus?
Ficha do personagem
séc. I a.C.-I d.C., Nazaré, Belém e Jerusalém
Relações
- mãe de Jesus
- esposa de José, pai de Jesus
- parente de Isabel
- confiada aos cuidados de o discípulo amado (tradicionalmente João, o apóstolo)
Resposta curta
Maria foi a mulher de Nazaré, noiva de José, a quem o anjo Gabriel anunciou que daria à luz Jesus (). Os evangelhos a mostram em momentos espaçados: na visita a Isabel, onde canta o Magnificat; no nascimento em Belém; na apresentação no templo e na busca do menino de doze anos; nas bodas de Caná, onde diz aos serventes que façam tudo o que Jesus mandar; ao pé da cruz, quando Jesus a confia ao discípulo amado; e no cenáculo, em oração com os apóstolos (), última vez em que o Novo Testamento a nomeia.
O que a Bíblia afirma sobre ela é mais sóbrio do que o que as tradições cristãs desenvolveram depois, e esses desenvolvimentos variam entre católicos, ortodoxos e protestantes.
Onde ele aparece
Como isso aponta para Jesus
Cumprimento diretoMateus liga a concepção virginal de Maria a : "a virgem conceberá e dará à luz um filho", o Emanuel, "Deus conosco" (). A palavra hebraica de Isaías (almah) significa jovem mulher, e a tradução grega antiga usou parthenos, "virgem", escolha que Mateus segue; por isso o debate entre intérpretes é antigo. Para o evangelista, o papel de Maria no nascimento de Jesus faz parte do cumprimento da promessa. Em , o anúncio a ela também ecoa a promessa feita a Davi sobre um trono eterno ().
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Maria era uma jovem de Nazaré, noiva de José, que ouviu do anjo Gabriel que daria à luz Jesus. Ela aceitou, visitou sua parente Isabel, deu à luz em Belém e criou o menino em Nazaré. Aparece de novo no casamento em Caná, quando avisa Jesus que o vinho acabou, e na cruz, onde Jesus pede ao discípulo amado que cuide dela. Depois, ela é vista orando com os apóstolos em Jerusalém. As igrejas históricas a honram de formas diferentes, mas todas a reconhecem como a mãe de Jesus.
O mundo dele
Maria, em hebraico Miriam, o mesmo nome da irmã de Moisés (), viveu em Nazaré, aldeia da Galileia, no tempo de Herodes, o Grande, e nos primeiros anos do domínio romano direto sobre a Judeia. Lucas a apresenta como "virgem desposada com um homem chamado José, da casa de Davi" (). Sua idade não aparece em nenhum texto; a ideia de que era muito jovem se apoia em costumes de casamento de épocas posteriores e é uma estimativa. Os evangelhos também não informam o nome dos pais dela: Joaquim e Ana vêm do Protoevangelho de Tiago, escrito no século II, e não do Novo Testamento.
diz que Isabel, mulher do sacerdote Zacarias, era "parente" de Maria, sem especificar o grau; a tradução "prima" é tradicional, mas o grego é mais amplo. O Magnificat () mostra uma mulher familiarizada com as Escrituras de Israel: dialoga com o cântico de Ana em e com vários salmos, e fala de um Deus que derruba os poderosos e eleva os humildes. A oferta de duas aves na apresentação no templo () segue a regra para famílias de poucos recursos em .
Há ainda o contexto social do noivado. Uma jovem noiva grávida antes de coabitar com o noivo estava exposta à desonra pública, o que ajuda a medir o que o anúncio do anjo significava para ela. Mateus conta o episódio a partir de José (), enquanto Lucas o conta a partir de Maria, e os dois relatos concordam no essencial: Jesus nasceu de Maria, virgem, por obra do Espírito Santo (; ). Fora esses relatos, Maria aparece em poucos momentos: nas cenas da infância, em Caná, em , na cruz e em . Paulo a menciona sem dar o nome, ao dizer que o Filho nasceu "de mulher" ().
A história
Em , o anjo Gabriel a saúda como "agraciada" (em grego, kecharitomene) e anuncia que ela dará à luz um filho que será chamado Filho do Altíssimo e receberá o trono de Davi. Maria pergunta como isso será possível, pois "não conhece homem", e recebe a resposta de que o Espírito Santo virá sobre ela. O anjo trata a pergunta com seriedade e oferece como sinal a gravidez de Isabel (). Sua resposta é: "Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra". Lucas mostra uma Maria que reflete: ela "guardava todas estas coisas, meditando-as no coração" (), e Simeão lhe diz que uma espada traspassará a sua alma ().
No ministério, a relação entre Maria e Jesus é retratada com delicadeza e com tensão. Em Caná, ela avisa que o vinho acabou, Jesus responde "Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não chegou a minha hora", e mesmo assim ela diz aos serventes: "Fazei tudo o que ele vos disser" (). O vocativo "mulher" era respeitoso na época e Jesus o usa também na cruz. Em , quando sua mãe e seus irmãos o procuram do lado de fora, Jesus afirma que sua família são os que fazem a vontade de Deus; o texto não diz que ela se afastou, e a mostra entre os discípulos. traz algo parecido: uma mulher da multidão bendiz a mãe de Jesus, e ele responde que são bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam.
O último quadro de Maria nos evangelhos está em . Junto à cruz, Jesus diz a ela: "Mulher, eis aí teu filho", e ao discípulo amado: "Eis aí tua mãe". O evangelista acrescenta que, desde aquela hora, o discípulo a levou para a sua casa. Em , ela está em Jerusalém com os apóstolos, as outras mulheres e os irmãos de Jesus, em oração, antes do Pentecostes. não a nomeia, e a partir daí o Novo Testamento deixa de falar dela.
É nesse ponto que se separam texto e tradição. O Novo Testamento afirma a concepção virginal, a maternidade de Jesus e a presença dela na cruz e no cenáculo. Ele não narra sua morte nem seu destino final, não formula a doutrina da Imaculada Conceição ou da Assunção, e não contém ensino explícito sobre dirigir orações a ela. Esses temas pertencem ao desenvolvimento posterior das igrejas, com apoio em leituras de passagens como e , e é por isso que católicos, ortodoxos e protestantes divergem sobre eles.
O que costumam dizer errado3
Dizem que:Os evangelhos dizem claramente que Maria teve outros filhos depois de Jesus.
Os textos citam irmãos de Jesus (), mas a palavra grega adelphos tem sentido amplo, e a leitura varia: filhos de Maria e José, filhos de um casamento anterior de José ou parentes próximos, como defendia Jerônimo. O texto não resolve a questão, e por isso as confissões divergem.
Dizem que:Maria desaparece da Bíblia depois da cruz.
a nomeia entre os que oravam em Jerusalém depois da ascensão. Isso não prova que estivesse no Pentecostes, pois não cita nomes, mas mostra que ela fazia parte do grupo dos primeiros discípulos.
Dizem que:Quando Jesus a chama de "mulher" em Caná e na cruz, ele a trata com desprezo ou frieza.
Em grego, gyne era um vocativo respeitoso e comum, usado por Jesus também com outras mulheres (; 20:15). Em , o contexto é de cuidado, pois ele a confia a um discípulo.
Como diferentes tradições cristãs leem3
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Católica
Ensina a maternidade divina (Theotokos, definida no Concílio de Éfeso, em 431), a virgindade perpétua, a Imaculada Conceição (dogma de 1854) e a Assunção (dogma de 1950). Distingue veneração de adoração e vê em , no sinal de Caná e em indícios dessa posição singular dentro do plano de Deus.
Ortodoxa
Honra Maria como Theotokos e sempre-virgem, e celebra sua Dormição, a passagem dela da vida terrena. Pede sua intercessão na liturgia e a chama de Panagia, a toda santa, mas não adota o dogma católico da Imaculada Conceição, formulado em categorias latinas sobre o pecado original.
Protestante
Reconhece Maria como bem-aventurada () e como exemplo de fé e de disposição para ouvir. Os reformadores aceitaram a maternidade divina de Maria, e alguns, como Lutero, mantiveram a virgindade perpétua; hoje muitos protestantes não adotam essa doutrina e rejeitam a invocação e os dogmas marianos por falta de base explícita nas Escrituras.
O que fazer com isso
Nos evangelhos, Maria é alguém que ouve, pergunta, guarda as coisas no coração e permanece presente, inclusive nos momentos mais dolorosos. O texto não faz dela uma figura distante: ela se espanta, procura o filho aflita e o acompanha até a cruz. A narrativa convida o leitor a refletir sobre o que significa responder a Deus com disponibilidade sem ter todas as respostas, e sobre como as diferentes tradições cristãs honram essa resposta de modos distintos.
Passagens relacionadas8
Fontes consultadas4
- Raymond E. Brown, Karl P. Donfried, Joseph A. Fitzmyer e John Reumann (orgs.). Mary in the New Testament, 1978.
- Raymond E. Brown. The Birth of the Messiah, 1977.
- Scot McKnight. The Real Mary: Why Evangelical Christians Can Embrace the Mother of Jesus, 2006.
- Concílio de Éfeso. Definição da maternidade divina de Maria (Theotokos), 431.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Maria teve outros filhos além de Jesus?
Os evangelhos mencionam irmãos e irmãs de Jesus (), mas não dizem se eram filhos de Maria. Católicos e ortodoxos defendem a virgindade perpétua, entendendo os irmãos como filhos de José ou parentes; muitos protestantes os veem como filhos de Maria e José.
O que a Bíblia diz sobre a morte de Maria?
Nada. A última vez em que o Novo Testamento a nomeia é em . A Dormição, para os ortodoxos, e a Assunção, para os católicos, são tradições posteriores, e as tradições protestantes não as adotam.
Maria estava presente no Pentecostes?
a coloca em Jerusalém, orando com os discípulos, pouco antes. , que narra o Pentecostes, não cita nomes; por isso a presença dela ali é provável, mas é inferência.
A Bíblia ensina a orar a Maria?
O Novo Testamento não traz ensino nem exemplo explícito de oração dirigida a ela. As igrejas católica e ortodoxa pedem sua intercessão com base na tradição e em leituras como a de Caná; a maioria dos protestantes não adota a prática.