Asenate
Quem foi Asenate, a esposa egípcia de José?
Ficha do personagem
Cerca do século XVIII a.C. ou depois (data debatida); Egito, cidade de On
Aparece em
Relações
- esposa de José do Egito
- mãe de Efraim
- mãe de Manassés, filho de José
- filha de Potífera, sacerdote de On
Resposta curta
Asenate foi a esposa egípcia de José, dada a ele pelo faraó quando José foi elevado a governador do Egito (). O texto a identifica como filha de Potífera, sacerdote de On, cidade ligada ao culto do sol. Antes dos anos de fome, ela deu a José dois filhos, Manassés e Efraim, cujos nomes hebraicos José explicou como gratidão a Deus pelo esquecimento das aflições e pela fecundidade em terra de sofrimento (). Esses dois meninos se tornaram, mais tarde, ancestrais de tribos de Israel. O livro de Gênesis não fala de sua fé nem de seu caráter. Tradições judaicas posteriores preencheram essa lacuna com histórias sobre sua origem e conversão, que devem ser lidas como tradição, não como relato bíblico.
Onde ele aparece
Em palavras simples
Asenate foi a esposa egípcia de José, o filho de Jacó que se tornou governador do Egito. Ela era filha de Potífera, um sacerdote da cidade de On, e foi dada a José pelo faraó. Os dois tiveram dois filhos, Manassés e Efraim, que mais tarde deram origem a duas tribos de Israel. A Bíblia fala pouco sobre ela e não diz nada sobre o que ela pensava ou acreditava. Algumas histórias judaicas antigas, escritas séculos depois, contam mais detalhes, mas são tradições e não fazem parte do texto bíblico.
O mundo dele
Asenate aparece no momento em que José, depois de interpretar os sonhos do faraó, é nomeado para administrar o Egito. reúne três gestos do rei: dá a José um nome egípcio (Zafenate-Paneia, de significado debatido), entrega-lhe uma esposa e José passa a percorrer toda a terra do Egito com autoridade. José tinha trinta anos nesse momento (), tendo passado da prisão ao cargo mais alto depois do faraó. O casamento funciona como parte da integração dele à elite egípcia. A data da cena depende da cronologia dos patriarcas, que é discutida; uma estimativa comum fala no início do segundo milênio a.C., mas há propostas posteriores.
On é o nome hebraico da cidade que os gregos chamaram de Heliópolis, um dos centros religiosos mais antigos do Egito, ligado ao deus-sol Rá. O pai de Asenate, Potífera, era sacerdote ali, o que o situa entre as famílias de maior prestígio religioso do país. Os dois nomes, Asenate e Potífera, parecem egípcios. Costuma-se propor que Potífera signifique algo como "aquele que Rá deu" e que Asenate remeta à deusa Neit, mas essas explicações são hipóteses de especialistas, e não afirmações do texto. Potífera é grafado de modo parecido com Potifar, o oficial que comprou José em e 39:1, e há quem veja o mesmo nome em duas formas, enquanto outros veem pessoas diferentes.
O casamento de um filho de Jacó com uma egípcia, filha de sacerdote de outra religião, chama atenção porque a família patriarcal costumava buscar esposas entre parentes (; 28:1-2). A lei de Moisés viria a proibir uniões com povos de Canaã (), mas o Egito não está nessa lista, e até prevê a entrada de descendentes de egípcios na assembleia. O texto de Gênesis não comenta o fato nem emite juízo: registra o casamento e destaca os filhos. Também não diz se Asenate acompanhou depois a família de José, nem quando ela morreu, e nenhuma outra passagem a menciona.
A história
Dentro de Gênesis, Asenate ocupa três versículos principais. informa o casamento. diz que, antes de chegarem os anos de fome, nasceram dois filhos a José, "que lhe deu Asenate, filha de Potífera". , na lista dos descendentes de Jacó que desceram ao Egito, repete a informação. Em nenhum desses textos ela fala ou age, e o relato se concentra em José.
O que o livro destaca são os nomes dos filhos. José chama o primeiro de Manassés, porque Deus o fez "esquecer" todo o seu trabalho e a casa de seu pai, e o segundo de Efraim, porque Deus o fez "frutificar" na terra da sua aflição. Os dois nomes são hebraicos, não egípcios, e traduzem uma teologia: José atribui a Deus a vida nova que recebeu no Egito. Mais tarde, em , Jacó adota os dois meninos como seus, e cada um passa a ser contado como uma tribo, de modo que a mulher egípcia está, sem alarde, na origem de duas das tribos do norte. Na bênção, Jacó coloca o mais novo, Efraim, à frente do primogênito Manassés, e o texto não atribui essa inversão à origem materna dos meninos. Ao longo de todo o relato, a identidade deles é definida pela promessa feita aos patriarcas, e não pela família de Asenate.
A ausência de detalhes estimulou tradições posteriores. Um livro judaico helenístico chamado José e Asenate, de data e origem debatidas (em geral situado entre o século I a.C. e o século II d.C.), conta que ela, filha de sacerdote, rejeitou os ídolos, arrependeu-se, foi visitada por uma figura angelical e depois se casou com José. Esse escrito foi preservado sobretudo em cópias cristãs, em várias línguas. A tradição rabínica, por sua vez, tem outras respostas: o Targum Pseudo-Jonathan e o Pirkê de-Rabi Eliezer afirmam que Asenate era na verdade filha de Diná e Siquém, criada por Potífera, o que resolveria a questão do casamento de José com uma estrangeira. Essas histórias respondem a uma dificuldade real do texto, mas não aparecem em Gênesis.
Leituras críticas modernas costumam ver em Asenate um sinal de que a história de José é narrada com interesse em mostrar como um israelita pôde viver na corte estrangeira sem perder a identidade. Outros destacam que o texto trata sem alarme um casamento que, em outros livros, seria problemático. Não há, na Bíblia hebraica, nenhuma crítica a Asenate, e o silêncio do texto sobre sua religião impede qualquer afirmação segura sobre ela.
O que costumam dizer errado3
Dizem que:Gênesis afirma que Asenate era filha de Diná e Siquém.
Essa origem aparece em tradições rabínicas posteriores, como o Targum Pseudo-Jonathan e o Pirkê de-Rabi Eliezer. diz apenas que ela era filha de Potífera, sacerdote de On, e não menciona Diná em relação a ela.
Dizem que:A Bíblia conta que Asenate abandonou os deuses egípcios e se converteu.
Gênesis não fala da religião de Asenate. A história da conversão vem do livro José e Asenate, escrito séculos depois, e funciona como narrativa exemplar, não como relato bíblico.
Dizem que:Potífera, o sogro de José, é o mesmo Potifar que o comprou como escravo.
Alguns leitores antigos e modernos propõem a identidade, mas o texto de Gênesis não diz isso. Os nomes têm grafias diferentes em hebraico e os cargos são distintos: Potifar é oficial e chefe da guarda do faraó (), enquanto Potífera é sacerdote em On.
Como diferentes tradições cristãs leem3
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Judaica rabínica
O Targum Pseudo-Jonathan e o Pirkê de-Rabi Eliezer explicam o casamento afirmando que Asenate era filha de Diná e Siquém, deixada no Egito e adotada por Potífera. A leitura procura mostrar que José se casou, de fato, dentro da família de Jacó, e é tratada como tradição, não como dado de Gênesis.
Judaísmo helenístico e transmissão cristã oriental
O livro José e Asenate a apresenta como convertida ao Deus de Israel antes do casamento. O escrito foi copiado e traduzido em ambientes cristãos (grego, siríaco, armênio e outros), onde o enredo foi lido como modelo de arrependimento e de acolhimento de quem vem de fora.
Protestante e acadêmica
Em geral atenta ao silêncio do texto: Asenate é mencionada como esposa e mãe, sem juízo moral. Os comentaristas destacam o contexto egípcio do casamento, a função política da união e a importância dos nomes dos filhos para a teologia de José, e tratam as lendas posteriores como material de interesse histórico, não como base para doutrina.
O que fazer com isso
A breve presença de Asenate lembra que o texto bíblico nem sempre conta a história inteira de quem está em suas páginas, e que o leitor responsável distingue o que está escrito do que foi acrescentado depois. Ela também mostra que a ação de Deus na história de José inclui famílias formadas fora do círculo esperado, sem que Gênesis a trate como um problema a ser resolvido.
Passagens relacionadas7
Fontes consultadas4
- Gordon J. Wenham. Genesis 16-50 (Word Biblical Commentary), 1994.
- Nahum M. Sarna. Genesis (JPS Torah Commentary), 1989.
- Kenneth A. Kitchen. On the Reliability of the Old Testament, 2003.
- Randall D. Chesnutt. From Death to Life: Conversion in Joseph and Aseneth, 1995.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Quem era o pai de Asenate?
Potífera, sacerdote de On, cidade que os gregos chamaram de Heliópolis (). O texto não acrescenta outros dados sobre ele além do cargo religioso.
Quais foram os filhos de Asenate e José?
Manassés e Efraim, nascidos antes dos anos de fome (). Jacó os adotou em , e cada um deu nome a uma tribo de Israel.
Asenate adorava deuses egípcios?
A Bíblia não afirma nem nega. Sendo filha de um sacerdote de On, é provável que tenha crescido nesse ambiente, mas o texto não fala de sua religião. A ideia de uma conversão vem de tradições posteriores.
O casamento de José com uma egípcia foi errado?
Gênesis não o julga. A proibição de casar com povos de Canaã () veio depois e não cita o Egito. Os leitores antigos, porém, perceberam a dificuldade e criaram explicações, como a origem familiar de Asenate.