Filemom
Quem foi Filemom na Bíblia?
Ficha do personagem
Meados do séc. I d.C.; Colossos, Ásia Menor
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Resposta curta
Filemom foi o destinatário da carta mais curta de Paulo, escrita da prisão em favor de Onésimo, um escravo que estava com o apóstolo. Paulo o chama de amado cooperador e menciona uma igreja que se reunia em sua casa, ao lado de Áfia e Arquipo. Dono de escravos, Filemom é convidado a receber Onésimo não mais como escravo, mas como alguém acima de escravo, um irmão amado, e Paulo se oferece para cobrir qualquer prejuízo de sua própria conta. A carta não diz com todas as letras que ele deva libertar Onésimo, e o texto bíblico não registra a resposta. sugere que Filemom vivia em Colossos, e a tradição posterior o venera como mártir.
Onde ele aparece
Como isso aponta para Jesus
Ligação indiretaFilemom não é um tipo de Cristo, e o texto não faz essa leitura. O elo com Cristo é indireto: o pedido de Paulo para que Filemom veja em Onésimo um irmão ecoa o que afirma sobre a comunidade em Cristo, em que não há diferença entre escravo e livre porque "Cristo é tudo em todos". Alguns leitores, como Lutero, enxergaram na oferta de Paulo de assumir a dívida de Onésimo (vv. 18-19) um reflexo do que Cristo faz pelos pecadores, mas é uma analogia posterior.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Filemom era um cristão que tinha escravos e abria sua casa para a igreja se reunir. Paulo lhe escreveu uma carta curta, a mais breve de todas as suas cartas, pedindo que recebesse de volta um escravo chamado Onésimo, que estava com ele na prisão e se tornara cristão. Paulo pede que Filemom o trate como irmão e promete pagar qualquer prejuízo. A carta não diz o que Filemom decidiu. Os estudiosos discutem se Paulo pedia a libertação de Onésimo ou apenas um recebimento fraterno.
O mundo dele
A carta a Filemom traz como remetentes Paulo, "prisioneiro de Cristo Jesus", e Timóteo. Os destinatários são Filemom, "amado e cooperador", Áfia, "a irmã", Arquipo, "companheiro de lutas", e a igreja que se reunia na casa de Filemom (). O texto não explica as relações entre eles. Muitos leitores imaginam que Áfia fosse esposa de Filemom e Arquipo, um filho ou um líder da comunidade, mas isso é dedução.
O lugar provável de Filemom é Colossos, no vale do Lico, na Ásia Menor. diz que Onésimo "é dos vossos" e que viajaria com Tíquico, e 4:17 envia uma mensagem a Arquipo. A carta parece, portanto, ter sido enviada à mesma região. Há quem sugira Laodiceia, vizinha, mas Colossos é a hipótese mais comum. As igrejas dos primeiros cristãos se reuniam em casas de pessoas com recursos, e a mencionada "igreja em tua casa" indica que Filemom tinha casa grande.
Paulo escreve preso, mas o lugar da prisão é discutido: Roma é a tradição mais forte, e há quem proponha Éfeso ou Cesareia. A escolha muda a distância entre Paulo e Filemom e o tempo necessário para a viagem de Onésimo, mas não altera o conteúdo do pedido. Em , Paulo espera ser solto e pede a Filemom que lhe prepare hospedagem.
O pano de fundo é a escravidão romana. O senhor tinha poder legal quase total sobre seus escravos, e o escravo que se afastava do dono, se pego, podia ser castigado com severidade. A carta não usa palavras como "fugitivo" ou "libertar". Fala em um afastamento temporário (v. 15) e em um possível prejuízo (v. 18). Por isso as hipóteses sobre o que aconteceu entre Filemom e Onésimo variam, e o texto deixa os fatos em aberto. O tema volta adiante, com as principais propostas dos estudiosos.
A história
A carta é um apelo cuidadosamente construído. Depois de agradecer pelo amor e pela fé de Filemom (vv. 4-7), Paulo diz que poderia ordenar, mas prefere apelar "por amor" (vv. 8-9). Só então apresenta o pedido: Onésimo, a quem chama de filho gerado na prisão (v. 10). Há um jogo de palavras: o nome Onésimo remete a "útil", e Paulo diz que ele fora "inútil" para Filemom e agora é "útil" para ambos (v. 11). Paulo o devolve, mas afirma que gostaria de tê-lo consigo e que nada faria sem o consentimento do dono (vv. 12-14).
O centro está nos versículos 15 a 17: talvez Onésimo tenha sido afastado por pouco tempo para que Filemom o receba para sempre, não mais como escravo, mas como alguém acima de escravo, um irmão amado. Paulo pede que Filemom o receba como receberia a ele mesmo. Nos versículos 18-19, oferece-se para pagar qualquer dívida e lembra que o próprio Filemom lhe deve a si mesmo (v. 19). No versículo 21, diz confiar que ele fará mais do que está sendo pedido, frase que alguns leem como sugestão de libertação e outros como pedido de que Onésimo volte a servir a Paulo.
O que levou Onésimo até Paulo é incerto. A hipótese clássica é que fugira e encontrara o apóstolo na prisão. Peter Lampe sugeriu, em 1985, que ele teria procurado um amigo do dono para interceder, prática conhecida no direito romano. Há ainda quem pense que Filemom o enviara para ajudar o apóstolo. O texto não escolhe.
O desfecho também é silencioso. John Knox propôs em 1935 que Arquipo fosse o dono e que o ministério de fosse a libertação de Onésimo para servir a Paulo, e ligou Onésimo ao bispo de Éfeso de mesmo nome em Inácio (), mas essas identificações são conjecturas. O que sabemos é que a carta foi preservada e incluída no cânone, o que muitos tomam como sinal de que Filemom a acolheu, sem que nenhum texto afirme isso.
Nos versículos 23 e 24, Paulo transmite saudações de Epafras, "companheiro de prisão", e de Marcos, Aristarco, Demas e Lucas. Esses nomes coincidem em boa parte com os de , o que sugere que as duas cartas saíram do mesmo ambiente e foram levadas na mesma viagem. A carta também ficou marcada pelo uso posterior: foi citada no século XIX tanto por defensores quanto por críticos da escravidão.
O que costumam dizer errado3
Dizem que:Paulo ordenou a Filemom que libertasse Onésimo.
O texto diz o contrário: Paulo afirma que poderia ordenar, mas prefere apelar (vv. 8-9). Pede que Filemom receba Onésimo como irmão e dá a entender que espera que ele faça mais do que está sendo pedido (v. 21), sem citar libertação. O que Filemom fez não é narrado.
Dizem que:A carta prova que Onésimo era um escravo fugitivo e que Paulo o devolveu como a lei exigia.
A palavra "fugitivo" não aparece. O texto fala de um afastamento temporário (v. 15) e de possível prejuízo (v. 18). Fuga é a hipótese mais antiga, mas há alternativas, e os estudiosos não chegaram a consenso.
Dizem que:Como Paulo devolveu Onésimo, a Bíblia aprova a escravidão.
A carta não discute a instituição em termos gerais, nem a aprova nem a condena de forma explícita. Ela redefine a relação entre os dois dentro da igreja (v. 16). Cristãos de épocas diferentes leram isso em direções opostas, e por isso a carta pede leitura atenta.
Como diferentes tradições cristãs leem3
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Protestante
Lutero, no prefácio à carta, viu no gesto de Paulo uma imagem do que Cristo faz por nós diante do Pai, ao se colocar no lugar do devedor. A leitura protestante clássica enfatiza a graça e o perdão entre irmãos, e discute se Paulo sugere implicitamente a alforria.
Católica e Ortodoxa
As tradições católica e ortodoxa preservam a memória litúrgica de Filemom e Áfia, e, na ortodoxa, também de Arquipo e Onésimo, em 22 de novembro, ligando-os a Colossos e ao martírio. É tradição tardia. João Crisóstomo, em suas homilias sobre Filemom, destaca o cuidado de Paulo com um escravo e a dignidade que a fé lhe dá.
Histórico-crítica
Estudiosos como Peter Lampe, John Knox e Allen Callahan reconstruíram a situação por caminhos diferentes (intercessão por um amigo do dono, libertação para servir a Paulo, laço de parentesco no v. 16). Nenhuma é unânime, e a carta é lida também por seu papel retórico e sua recepção no debate sobre escravidão.
O que fazer com isso
A carta mostra um líder com autoridade que escolhe apelar em vez de ordenar, e um dono de escravos convidado a ver, em quem estava sob seu poder, um irmão. O texto não resolve todas as questões sociais de seu tempo, mas deixa claro que a fé alterava a forma de se relacionar com quem não tinha poder algum. Convida a olhar quem está sob nossa autoridade com a dignidade que o evangelho confere.
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Fontes consultadas6
- Joseph A. Fitzmyer. The Letter to Philemon (Anchor Bible), 2000.
- Scot McKnight. The Letter to Philemon (New International Commentary on the New Testament), 2017.
- N. T. Wright. Colossians and Philemon (Tyndale New Testament Commentaries), 1986.
- John Knox. Philemon among the Letters of Paul, 1935.
- Peter Lampe. Keine Sklavenflucht des Onesimus (Zeitschrift für die neutestamentliche Wissenschaft 76), 1985.
- João Crisóstomo. Homilias sobre Filemom.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Quem foi Filemom?
Um cristão, dono de escravos e anfitrião de uma igreja em sua casa, a quem Paulo escreveu a carta que leva seu nome, a mais curta do apóstolo. Provavelmente vivia em Colossos, mas o texto não afirma a cidade.
O que Paulo pediu a Filemom?
Que recebesse Onésimo de volta como irmão amado, sem castigo, e que lançasse na conta de Paulo qualquer prejuízo. Disse confiar que Filemom faria mais do que lhe pedia, sem explicar do que se tratava.
Filemom libertou Onésimo?
A Bíblia não diz. A carta não traz a resposta, e nada nos outros textos do Novo Testamento a registra. Qualquer afirmação sobre o desfecho é conjectura.
Filemom e Arquipo eram parentes?
O texto não diz. Arquipo aparece em como "companheiro de lutas" e em , mas as relações entre ele, Filemom e Áfia são dedução.