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Significado Bíblico
Líderintermediária

Abner

Quem foi Abner na Bíblia e por que ele foi morto?

Ficha do personagem

reinado de Saul e início do reinado de Davi, séc. XI-X a.C.

Relações

  • primo de Saul
  • comandante do exército de Saul
  • sustentou o reinado de Is-Bosete
  • exigiu de volta como condição de aliança Mical
  • morto por Joabe
  • matou em combate Asael

Resposta curta

Abner era primo de Saul e comandou o exército de Israel no reinado do primeiro rei, tendo apresentado Davi à corte após a vitória sobre Golias (; 17:55-57). Quando Saul e três filhos morreram no monte Gilboa, Abner levou o filho sobrevivente, Is-Bosete, a Maanaim e o proclamou rei sobre as tribos do norte, enquanto Judá já seguia Davi em Hebrom ().

A divisão abriu anos de guerra entre as duas casas. Abner só rompeu com Is-Bosete depois de uma acusação pessoal sobre uma concubina de Saul, e passou a negociar a entrega de Israel a Davi (). Antes que o acordo se cumprisse, Joabe, general de Davi, o matou em Hebrom para vingar a morte do próprio irmão — crime que Davi lamentou publicamente e do qual se distanciou ().

Onde ele aparece

O nome

Abnermeu pai é uma lâmpada (de ab, "pai", e ner, "lâmpada")

Significado, origem e variantes →
Em palavras simples

Abner era primo de Saul e o comandante do exército dele. Depois que Saul morreu em batalha, Abner colocou o filho de Saul, Is-Bosete, no trono e lutou contra Davi por vários anos, tentando manter viva a família do rei antigo. Só mudou de lado depois de brigar com o próprio Is-Bosete. Quando estava prestes a entregar o reino a Davi, foi morto por Joabe, general de Davi, que queria vingança por um parente morto em batalha. Davi chorou a morte de Abner em público e disse que não teve parte nela.

O mundo dele

Abner aparece pela primeira vez em , que o identifica como filho de Ner e explica o parentesco: Ner e Quis, pai de Saul, eram irmãos, filhos de Abiel — o que faz de Abner primo de Saul, não seu irmão. Ele ocupa o cargo de comandante do exército desde o início do reinado, uma posição de imenso poder político em uma monarquia recém-formada, na qual o rei ainda dependia fortemente do clã que o cercava. É Abner quem introduz o jovem Davi na corte após a vitória sobre Golias e quem, mais tarde, senta ao lado de Saul nos banquetes reais (; 20:25).

O momento decisivo da carreira de Abner vem depois da morte de Saul e de três filhos seus na batalha do monte Gilboa, contra os filisteus (). Com o exército derrotado e o território ao norte do vale de Jezreel vulnerável, Abner toma a iniciativa de preservar a dinastia saulita: leva Is-Bosete, o único filho sobrevivente de Saul, para Maanaim, do outro lado do Jordão, e o proclama rei sobre Israel — as tribos do norte —, enquanto as tribos de Judá, ao sul, já haviam ungido Davi rei em Hebrom (). O texto bíblico marca essa divisão como o início de uma guerra prolongada entre a casa de Saul e a casa de Davi (), da qual Abner é o principal estrategista do lado saulita.

Esse pano de fundo é essencial para entender a segunda metade da história de Abner: ele não é um soldado qualquer, mas o homem que decide, sozinho, arriscar a continuidade da linhagem de Saul — e que, mais tarde, decide desfazer essa mesma aposta. A narrativa de e 3 é lida por historiadores como um relato relativamente detalhado das negociações políticas que consolidaram a monarquia unificada sob Davi.

A história

O ângulo mais revelador da história de Abner está na tensão entre lealdade política e conveniência pessoal. Durante anos ele sustenta Is-Bosete no trono de Israel, mesmo com Davi crescendo em força e favor (). Essa lealdade não parece movida por afeto: diz que Abner "se fortalecia na casa de Saul", sugerindo que sua fidelidade também servia a seus próprios interesses de poder por trás de um rei fraco e ainda jovem.

A ruptura vem por um motivo pessoal, não por convicção repentina. Is-Bosete acusa Abner de ter se deitado com Rispa, concubina de Saul — gesto que, no antigo Oriente Próximo, podia soar como reivindicação do trono. Ofendido por uma acusação vinda do rei que ele próprio havia colocado no poder, Abner reage com indignação e decide, ali mesmo, negociar com Davi a entrega de todo o Israel (). O texto não disfarça essa motivação humana e irritada por trás de uma decisão que muda o rumo da história de Israel.

As negociações avançam rápido: Abner exige de volta Mical, filha de Saul e primeira esposa de Davi, como condição, e depois reúne os anciãos de Israel para convencê-los a aceitar Davi como rei (). Tudo caminha para uma transição pacífica da monarquia — até Joabe entrar em cena.

Joabe, general do exército de Davi, tinha uma conta pessoal em aberto com Abner: em um confronto anterior, perto de Gibeom, Abner havia matado Asael, irmão de Joabe, durante uma perseguição, em circunstâncias que o próprio texto apresenta como legítima defesa (). Quando Abner deixa Hebrom depois de fechar o acordo com Davi, Joabe o manda chamar de volta sob pretexto de conversa e o mata à traição, no portão da cidade, invocando o direito tribal de vingança de sangue ().

O texto bíblico separa Davi desse crime de forma enfática: ele amaldiçoa a casa de Joabe, ordena luto público, jejua e caminha atrás do féretro cantando um lamento — "Devia Abner morrer como morre o insensato?" () — e declara diante do povo que é inocente do sangue derramado. Anos depois, já perto da morte, Davi ainda lembraria a Salomão essa dívida de sangue não resolvida (). A narrativa deixa claro que a violência que encerra a vida de Abner foi vingança pessoal disfarçada de justiça tribal, e que o rei que mais se beneficiou politicamente dessa morte recusou-se a validá-la como ato de Estado.

O que costumam dizer errado2
  • Dizem que:Davi mandou Joabe matar Abner para eliminar um rival político.

    O texto bíblico afirma o oposto de forma explícita: Davi amaldiçoa a casa de Joabe, faz luto público por Abner e declara sua inocência diante de todo o povo (). A motivação registrada para o assassinato é a vingança pessoal de Joabe pela morte do irmão Asael, não uma ordem real.

  • Dizem que:Abner era irmão de Saul.

    diz que Ner, pai de Abner, e Quis, pai de Saul, eram irmãos — o que faz de Abner primo de Saul, uma geração mais distante do que 'irmão'.

Como diferentes tradições cristãs leem4

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Tradição reformada

    Comentaristas como Matthew Henry leem o lamento público de Davi por Abner () como expressão sincera de um caráter que honra até o adversário derrotado, e não apenas um gesto político calculado para se distanciar do crime de Joabe.

  • Tradição católica

    A ênfase recai sobre a tensão entre a lei costumeira de vingança de sangue, que Joabe invoca, e a justiça devida a um rei ungido; a passagem é lida como retrato da fragilidade humana presente tanto no vingador quanto no governante que não consegue conter seus próprios comandantes.

  • Tradição ortodoxa

    O episódio é situado dentro da trajetória mais ampla da realeza davídica: mesmo um rei escolhido por Deus não controla plenamente a violência ao seu redor, o que aponta para a necessidade de uma realeza mais perfeita, mas sem que o texto em si estabeleça essa ligação de modo explícito.

  • Tradição evangélica contemporânea

    Muitos pregadores evangélicos usam Abner e Joabe como estudo de caso sobre vingança disfarçada de justiça, destacando o discernimento de Davi em nomear o crime publicamente em vez de silenciar-se diante de um benefício político.

O que fazer com isso

A história de Abner mostra como lealdade e interesse próprio costumam andar juntos, e como uma ruptura pessoal pode mudar decisões que pareciam definitivas. Ela também registra, sem retocar, que a vingança pode se vestir de justiça — e que reconhecer publicamente um erro cometido por alguém do próprio lado, como Davi fez, é diferente de simplesmente lucrar com ele em silêncio.

Passagens relacionadas5
Fontes consultadas4
  • Carl Friedrich Keil e Franz Delitzsch. Commentary on the Old Testament: Samuel, 1866.
  • Matthew Henry. Commentary on the Whole Bible: 2 Samuel, 1710.
  • P. Kyle McCarter Jr.. II Samuel (Anchor Bible), 1984.
  • John Bright. A History of Israel, 1959.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Abner traiu Saul ou traiu Davi?

Nenhum dos dois, tecnicamente. Abner permaneceu leal à casa de Saul por anos depois da morte do rei, sustentando seu filho Is-Bosete no trono do norte. Só depois de uma briga pessoal com Is-Bosete ele decidiu negociar a entrega do reino a Davi — uma mudança de lado, mas não uma traição no sentido de abandonar um juramento em segredo.

Quem matou Abner e por quê?

Joabe, general do exército de Davi, matou Abner em Hebrom. O motivo declarado era vingança de sangue: Abner havia matado Asael, irmão de Joabe, em um confronto militar anterior perto de Gibeom (; 3:27).

Davi mandou matar Abner?

Não. O texto bíblico é explícito em afastar Davi do crime: ele amaldiçoa a casa de Joabe, faz luto público e declara diante do povo que é inocente do sangue de Abner ().

Por que Abner e Joabe já eram inimigos?

Durante a guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi, houve um confronto militar em Gibeom no qual Abner, perseguido por Asael (irmão mais novo de Joabe), acabou matando-o, aparentemente em legítima defesa (). Joabe guardou rancor por esse episódio até vingá-lo anos depois.

O que aconteceu com Is-Bosete depois da morte de Abner?

Sem o apoio militar de Abner, o reinado de Is-Bosete desmoronou rapidamente. Pouco depois ele foi assassinado por dois de seus próprios oficiais, e as tribos do norte acabaram se unindo a Judá sob o reinado de Davi ().

Outros personagens

Publicado em 01/09/2026

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O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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