Quem é o servo sofredor de Isaías 53?
É o texto mais discutido entre judeus e cristãos, e a discussão é séria dos dois lados.
4 passagens difíceis neste capítulo, explicadas com contexto histórico, línguas originais e as leituras cristãs que disputam o sentido.
É o texto mais discutido entre judeus e cristãos, e a discussão é séria dos dois lados.
O versículo é usado como base de "cura na expiação", e a questão é legítima — mas quem quiser resolvê-la precisa lidar com os dois textos do Novo Testamento que o citam, porque eles vão em direções diferentes.
Isaías 53:7 descreve o Servo sofredor oprimido e afligido, mas sem abrir a boca: ele é comparado a um cordeiro levado ao matadouro e a uma ovelha muda diante de quem a tosquia. A imagem não é de fraqueza, mas de submissão deliberada — o silêncio é escolha, não incapacidade, e o texto hebraico marca isso duas vezes seguidas. Atos 8:32-35 registra o etíope lendo exatamente este versículo, e Filipe respondendo, sem rodeios, que ele fala de Jesus: um dos raros momentos em que o Novo Testamento narra, em cena, a leitura messiânica de uma profecia sendo explicada a alguém que não a entendia.
Isaías 53:9 fecha a morte do Servo sofredor com um detalhe estranho: "puseram sua sepultura com perversos, e com um rico em sua morte". À primeira vista soa contraditório — como alguém é sepultado com perversos e com um rico ao mesmo tempo? Na poesia hebraica, é uma construção de contraste: os inimigos do Servo planejaram para ele o fim reservado a criminosos, mas ele terminou sepultado com honra, ao lado de um rico. O versículo fecha explicando o motivo: ele nunca cometeu injustiça nem houve engano em sua boca.