
"Por suas feridas fomos curados" promete cura física?
Isaías 53:5 garante cura de doenças?
Porém ele foi ferido por nossas transgressões, e esmagado por nossas perversidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e por suas feridas fomos curados.
Resposta curta
O versículo é usado como base de "cura na expiação", e a questão é legítima — mas quem quiser resolvê-la precisa lidar com os dois textos do Novo Testamento que o citam, porque eles vão em direções diferentes.
cita o versículo anterior ao narrar curas físicas. cita este versículo e o aplica ao pecado: "para que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por cujas feridas fostes sarados".
As duas citações estão no cânon, e qualquer resposta honesta precisa das duas.
Como isso aponta para Jesus
Cumprimento diretoMateus cita ao narrar as curas de Cafarnaum, e Pedro cita 53:5 aplicando-o ao pecado — os dois usos estão no cânon e apontam para a mesma obra. Paulo mantém a tensão: "nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos, esperando a redenção do nosso corpo". O que já foi feito e o que ainda não apareceu convivem.
Respaldo no Novo Testamento: ; ;
Em palavras simples
Esse versículo é usado como base para dizer que a cura física está garantida a quem tem fé suficiente. A pergunta é legítima, mas exige olhar os dois textos do Novo Testamento que o citam — e eles vão em direções diferentes: um aplica a passagem a curas físicas, o outro aplica a mesma ideia ao perdão do pecado.
A palavra usada aqui para "curar" serve, no original, tanto para doenças do corpo quanto para a restauração de um povo ou de uma alma ferida.
O cuidado mais importante aqui é pastoral: tratar a cura como garantida faz sofrer duas vezes quem não é curado — a doença, e a suspeita de não ter fé suficiente. O próprio Novo Testamento mostra pessoas fiéis que continuaram doentes. O que o versículo garante é outra coisa: alguém carregou, no lugar de todos, o que deveria ser nosso.
Contexto histórico
O trecho está no quarto cântico do Servo, o poema de a 53:12.
A estrutura do versículo é de troca, e ela é explícita em cada linha: ele foi ferido por nossas transgressões, esmagado por nossas perversidades, o castigo que nos traz paz estava sobre ele, e por suas feridas fomos curados.
Quatro afirmações, e três delas nomeiam o problema em termos morais — transgressões, perversidades, castigo. A quarta usa vocabulário de cura.
O versículo anterior é o que Mateus cita, e ele usa vocabulário físico: "ele tomou sobre si nossas enfermidades, e nossas dores levou sobre si". As palavras hebraicas ali — *choli* e *makov* — significam doença e dor.
O poema, portanto, mistura os dois campos, e é isso que produz a discussão.
Aprofundamento
A palavra hebraica *rafa*, "curar", é usada na Bíblia tanto para o corpo quanto para outras coisas. Jeremias fala de curar a apostasia; fala de curar a terra; pede "sara a minha alma, porque pequei contra ti".
O contexto imediato de é moral: as três primeiras linhas do versículo tratam de transgressão, perversidade e castigo. Isso puxa a quarta para o mesmo campo, e é essa leitura que assume ao aplicar a frase ao pecado.
, porém, cita o versículo 4 depois de narrar curas em Cafarnaum, e diz que assim se cumpriu o que fora dito por Isaías. A ligação entre a obra do Servo e a cura física é feita pelo próprio evangelista.
As posições cristãs sobre isso se organizam assim.
A primeira sustenta que a cura física está incluída na expiação e disponível agora pela fé. Apoia-se em e no vocabulário do versículo 4.
A segunda sustenta que a cura está garantida pela expiação, mas plenamente apenas na ressurreição — o corpo é redimido, e o "ainda não" explica por que cristãos fiéis adoecem e morrem. Apoia-se em , que fala de esperar "a redenção do nosso corpo".
A terceira entende que o versículo 5 trata de pecado e que Mateus aplica o versículo 4, distinto, às curas do ministério terreno.
O dado que a segunda e a terceira posições invocam é o registro do próprio Novo Testamento: Paulo deixa Trófimo doente em Mileto, recomenda vinho para os males estomacais de Timóteo, e descreve Epafrodito "doente, quase à morte". Nenhum desses casos é tratado como falha de fé.
O que costumam dizer errado3 afirmações
Dizem que:O versículo garante cura física imediata a quem tem fé.
O Novo Testamento registra Trófimo deixado doente, Timóteo com males estomacais e Epafrodito quase morto — nenhum tratado como falta de fé. Uma promessa incondicional teria de explicar esses três casos.
Dizem que:O versículo não tem nada a ver com cura física.
cita o versículo anterior ao narrar curas, e as palavras hebraicas ali significam doença e dor. Descartar a dimensão física exige ignorar uma citação explícita do evangelho.
Dizem que:Quem não é curado não creu o suficiente.
Nenhuma passagem bíblica diz isso, e Paulo — que curou outros — não foi curado do próprio espinho. A doutrina que produz essa conclusão precisa responder por .
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Cura na expiação, disponível agora
A cura física está incluída na obra do Servo e acessível pela fé. Apoia-se em . Precisa lidar com os casos de doença não curada no próprio Novo Testamento.
Cura garantida, plenitude futura
O corpo é redimido, mas plenamente na ressurreição. Apoia-se em . É a posição de boa parte das tradições, e explica o "já e ainda não".
Foco em pecado no versículo 5
As três primeiras linhas tratam de transgressão, e 1 Pedro aplica a frase ao pecado. Mateus cita o versículo 4, que é distinto. Leitura mais restritiva, e a mais comum em círculos reformados.
No original3 termos
רָפָאrafa
"Curar, sarar". Usado na Bíblia para corpo, terra, água, alma e apostasia. O objeto é definido pelo contexto.
חֳלִיcholi
"Doença, enfermidade". A palavra do versículo 4, de sentido físico claro, e a que Mateus cita.
חַבּוּרָהchabburah
"Vergão, ferida por açoite". Marca deixada por golpe — o que dá à imagem a concretude que ela tem.
O que fazer com isso
A promessa que o versículo faz sem ambiguidade é sobre substituição: o castigo que produz paz estava sobre ele.
A leitura pastoral cuidadosa importa aqui mais do que em quase qualquer outro texto, porque a versão que promete cura garantida produz dano real. Quem não é curado passa a carregar duas coisas — a doença e a suspeita de que não creu o suficiente.
O Novo Testamento não faz isso com ninguém. Paulo pede três vezes que o espinho seja retirado, não é atendido, e recebe outra resposta.
O que fica de pé, nas três leituras, é que a doença não é indiferente a Deus e não é a palavra final. descreve alguém que carregou dores humanas, e promete um lugar sem elas.
Passagens relacionadas6
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Fontes consultadas3 obras
- Matthew Henry. Commentary on the Whole Bible, 1710.
- Adam Clarke. Commentary on the Bible, 1810.
- Albert Barnes. Notes on the Bible, 1834.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Cristãos devem orar por cura?
manda chamar os presbíteros e orar sobre o enfermo, e o Novo Testamento registra muitas curas. A prática é bíblica; o que o texto não faz é garantir o resultado nem culpar quem não é curado.
Por que Paulo não foi curado?
registra que ele pediu três vezes e recebeu outra resposta: "a minha graça te basta". É o caso que qualquer leitura da cura na expiação precisa acomodar.
As duas citações do Novo Testamento se contradizem?
Não — elas citam versículos diferentes do mesmo poema, com ênfases diferentes. Mateus cita o 4, sobre enfermidades; Pedro cita o 5, sobre pecado. O poema abrange os dois campos.
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