Yom Teruá (Festa das Trombetas)
o que significa Yom Teruá na Bíblia
A palavra no original
יוֹם תְּרוּעָה
Yom Teru'ah (yôm tərûʻâh) · Strong H8643
Dia do toque de trombeta, ou dia do brado/grito ritual
Tudo isto ao mesmo tempo
- grito ou brado de guerra
- toque de alarme com trombeta ou shofar
- grito de júbilo e aclamação
- brado de aclamação a um rei entronizado
Resposta curta
Yom Teruá (יוֹם תְּרוּעָה) é a expressão hebraica que a Bíblia usa em para nomear a festa do primeiro dia do sétimo mês do calendário bíblico, literalmente "dia de teruá" — dia de toque de trombeta, ou dia de grito ritual. O mesmo dia é descrito em com outra formulação, zikron teruá, "memorial de toque de trombeta", instituindo um sábado marcado pelo som do shofar.
A palavra central, teruá (Strong's H8643), vem da raiz hebraica rua, "gritar, dar um brado", e cobre o grito de guerra ou de júbilo tanto quanto o toque de trombeta. Por isso aparece em contextos de batalha, aclamação real e culto. Essa festa deu origem ao Rosh Hashaná judaico e emprestou aos profetas o vocabulário do alarme usado para falar de juízo e reunião do povo.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
Trajetória do textoA linguagem de teruá — o brado, o toque de alarme que convoca e anuncia — atravessa a Escritura como sinal do agir de Deus: convoca o acampamento para marchar (), anuncia a vitória em Jericó (), aclama a entronização de um rei () e, nos profetas, marca a chegada iminente do Dia do Senhor (; , que ordena tocar o shofar em Sião diante desse dia). O Novo Testamento retoma essa mesma imagem do toque de trombeta associado a um dia decisivo para descrever a volta de Cristo e a reunião final do seu povo: "ao som da última trombeta [...] os mortos ressuscitarão" () e o Senhor descerá "com a trombeta de Deus" (), reunindo os eleitos "com grande som de trombeta" (). Algumas tradições cristãs, sobretudo de leitura dispensacionalista e messiânica, veem em Yom Teruá um padrão profético para esse evento; outras leem apenas a continuidade de um tema bíblico mais amplo, sem vincular a festa a uma data futura específica — mas o fio que liga o brado convocador do Antigo Testamento à trombeta final do Novo é reconhecido amplamente.
Respaldo no Novo Testamento: ; ;
Em palavras simples
Yom Teruá significa, em hebraico, algo como "dia do toque de trombeta" ou "dia do grito". É o nome bíblico da festa comemorada no início do sétimo mês do calendário judaico, marcada pelo som do shofar, o chifre de carneiro usado como instrumento sagrado. Hoje essa data corresponde ao Rosh Hashaná, o ano novo judaico. Na Bíblia, a palavra por trás do nome, teruá, também descreve gritos de guerra, de alegria e de aclamação — não apenas sons de instrumento.
De onde vem a palavra
A expressão "Yom Teruá" ocorre, com essas duas palavras exatas, em , no meio das instruções sobre as ofertas de cada festa do calendário sacerdotal: "no sétimo mês, no primeiro dia do mês, tereis santa convocação [...] será para vós dia de teruá" (yom teruah). O mesmo dia já havia sido instituído em , mas ali o texto hebraico usa outra combinação de palavras, zikron teruah, "memorial de teruá" ou "lembrança de toque de trombeta" — a mesma raiz, aplicada de outro modo. As duas passagens descrevem o mesmo dia sagrado: o primeiro do sétimo mês (Tisri no calendário judaico posterior), um sábado de descanso completo, sem trabalho servil, marcado pelo som do shofar e por sacrifícios especiais.
O substantivo teruá (תְּרוּעָה) vem da raiz verbal rua (רוע), "gritar, fazer barulho, dar um brado", segundo léxicos como o BDB (Brown-Driver-Briggs) e o HALOT. Esse verbo e seu substantivo aparecem dezenas de vezes no Antigo Testamento em sentidos que vão do grito de guerra (, no cerco de Jericó) ao grito de alegria em uma procissão religiosa (, quando Davi traz a arca a Jerusalém), passando pelo sinal de trombeta para o exército levantar acampamento () e pela aclamação de um rei entronizado (). O sétimo mês tinha peso simbólico especial no calendário israelita — nele também caíam o Dia da Expiação e a Festa dos Tabernáculos —, e abrir esse mês com um dia inteiro dedicado ao som de alarme e de convocação preparava o povo para os dias solenes seguintes.
Com o tempo, essa data se consolidou na tradição judaica pós-bíblica como Rosh Hashaná, "cabeça do ano", associada ao início do ano civil e ao Yom HaDin, "dia do julgamento" — um desenvolvimento que a Mishná (Rosh Hashaná 1:1-2) já registra, mas que não está explícito nesses termos no texto da Torá. Entender teruá em seu campo semântico mais amplo — som de alarme, grito e trombeta reunidos numa só palavra — ajuda a perceber por que os profetas recorrem a esse vocabulário quando anunciam julgamento e reunião do povo.
Aprofundamento
A raiz hebraica por trás de Yom Teruá é רוע (rua, Strong's H7321), que os léxicos padrão (BDB, HALOT) definem como "gritar, romper em som alto, dar um brado" — seja um brado de guerra, seja um brado de júbilo. Dela deriva o substantivo feminino teruá (תְּרוּעָה, H8643), cujo campo semântico a Concordância de Strong resume como "clamor, aclamação de alegria ou grito de guerra; especialmente o clangor de trombetas, como em um alarme". A tradução da Septuaginta para grego, salpigx ou sēmasia em diferentes ocorrências, já mostra que os tradutores judeus de língua grega entendiam a palavra ora como som de trombeta, ora como grito humano.
Um detalhe filológico que vale notar: o rótulo "Yom Teruá" como tal aparece de forma exata em , mas — o texto mais citado sobre a instituição da festa — usa a formulação zikron teruah, "memorial de teruá", sem o substantivo yom ("dia") diretamente ligado a teruah nessa passagem. Comentaristas como Jacob Milgrom (Leviticus 23-27, Anchor Bible) e Gordon Wenham (The Book of Leviticus, NICOT) tratam as duas formulações como referências ao mesmo dia sagrado, mas a diferença de redação é real e mostra que "Yom Teruá" é, mais precisamente, o nome que a tradição posterior consolidou a partir de , e não uma citação literal única repetida em todo o Pentateuco.
O texto bíblico não especifica que tipo de toque de shofar deveria ser executado nesse dia, nem descreve um padrão fixo de notas. A distinção rabínica clássica entre os toques tekiá (nota longa e contínua), shevarim (notas quebradas) e teruá (série de notas curtas e entrecortadas) — hoje familiar em qualquer sinagoga no Rosh Hashaná — é uma sistematização da Mishná (Rosh Hashaná 4:9) e da tradição oral judaica, não uma instrução explícita da Torá. Isso não torna a prática ilegítima, mas ajuda a distinguir o que o texto hebraico afirma do que a interpretação litúrgica posterior desenvolveu.
Vale notar também que teruá não é sinônimo de shofar (o chifre de carneiro, H7782) nem de chatzotzerah (as trombetas de prata forjadas por Moisés, , H2689). Shofar e chatzotzerah nomeiam os instrumentos; teruá nomeia o tipo de som — um brado, um sinal entrecortado — que esses instrumentos, ou a própria voz humana, podiam produzir. Essa distinção é confirmada pelo uso de teruá em contextos sem qualquer instrumento, como o grito de guerra do povo diante de Jericó () ou a aclamação com que Israel recebe a chegada da arca ao acampamento ().
O que costumam dizer errado3 afirmações
Dizem que:A Bíblia chama esse dia de "Rosh Hashaná" (ano novo).
O texto hebraico de e não usa essa expressão nem chama o dia de início de ano; "Rosh Hashaná" é um título consolidado pela tradição judaica pós-bíblica, registrado já na Mishná.
Dizem que:Teruá significa apenas "som de trombeta".
Segundo BDB e HALOT, teruá é antes um tipo de som — um brado ou toque entrecortado — que pode vir de trombeta, shofar ou da própria voz humana, como no grito de guerra em ou na aclamação de .
Dizem que:A sequência de toques tekiá-shevarim-teruá do shofar está descrita na Torá.
Essa sequência específica é uma sistematização da Mishná (Rosh Hashaná 4:9) e da tradição oral judaica; o texto da Torá não detalha um padrão fixo de notas para o dia de teruá.
Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Dispensacionalista / evangélica messiânica
Vê em Yom Teruá um tipo profético do arrebatamento e da segunda vinda de Cristo, associando o toque de trombeta da festa ao "toque da última trombeta" de e .
Reformada / teologia da aliança
Entende as festas mosaicas, incluindo esta, como parte da lei cerimonial de Israel, cumprida e superada em Cristo (), sem necessidade de aplicá-las a um calendário profético futuro específico.
Católica e ortodoxa
Lê a festa como parte do calendário litúrgico histórico de Israel, cujo tema geral de convocação e juízo aponta, de modo amplo, para a vinda gloriosa de Cristo e o juízo final, sem vincular esse cumprimento a uma data do calendário judaico.
Movimento das raízes hebraicas
Mantém a observância anual de Yom Teruá como prática cristã legítima, lendo o toque de shofar como lembrete recorrente do chamado ao arrependimento e da esperança viva na volta de Cristo.
O que fazer com isso
Reconhecer que teruá designa um tipo de som — brado, alarme, aclamação — e não apenas "trombeta", ajuda o leitor a perceber por que a mesma palavra aparece tanto em relatos de guerra quanto em cânticos de louvor. Essa amplitude de sentido enriquece a leitura de textos proféticos que usam a linguagem do toque de alarme para falar de juízo e de reunião, e evita simplificações ao ler sobre a origem bíblica das festas de Israel.
Passagens relacionadas7
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Fontes consultadas5 obras
- Francis Brown, S. R. Driver e Charles Briggs. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1906.
- Ludwig Koehler e Walter Baumgartner. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.
- James Strong. The Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
- Jacob Milgrom. Leviticus 23-27 (Anchor Bible), 2001.
- Gordon J. Wenham. The Book of Leviticus (NICOT), 1979.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Yom Teruá é o mesmo que Rosh Hashaná?
É a mesma data no calendário — o primeiro dia do sétimo mês bíblico —, mas os nomes vêm de épocas diferentes. "Yom Teruá" é o nome que a própria Torá usa (); "Rosh Hashaná", "cabeça do ano", é um título que a tradição judaica posterior passou a aplicar a esse dia.
A Bíblia chama esse dia de Ano Novo?
Não com essas palavras. O texto da Torá não usa a expressão "ano novo" para essa data; ela é chamada de dia de teruá () ou memorial de teruá (). A ideia de ano novo civil associada a essa data é um desenvolvimento da tradição judaica pós-bíblica.
Qual a diferença entre teruá e shofar?
Shofar é o instrumento — o chifre de carneiro. Teruá é o tipo de som: um brado, um toque entrecortado de alarme ou aclamação, que pode vir do shofar, de outra trombeta ou até da voz humana, como no grito de guerra em Jericó.
Existe alguma ligação entre Yom Teruá e a volta de Cristo?
O Novo Testamento usa a mesma imagem geral de toque de trombeta anunciando um dia decisivo (; ) que os profetas já associavam ao Dia do Senhor. Algumas tradições cristãs leem Yom Teruá como um tipo profético desse evento; outras veem apenas uma continuidade temática, sem uma ligação calendárica específica.
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