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Significado Bíblico
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Shavuot (Festa das Semanas)

O que significa Shavuot na Bíblia?

A palavra no original

שָׁבֻעוֹת

shavuot (singular: shavua) · Strong H7620

"Semanas", plural de shavua ("semana"), do hebraico שָׁבוּעַ.

Tudo isto ao mesmo tempo

  • semana (período de sete dias)
  • festa agrícola de colheita do trigo e das primícias
  • unidade profética de tempo (semanas de anos, em Daniel)
  • ideia de compromisso solene ligada à raiz 'sete/jurar'

Resposta curta

Shavuot (שָׁבֻעוֹת) é o plural hebraico de shavua, 'semana' — termo que vem da mesma raiz de sheva, 'sete', e está ligado ao verbo shava, 'jurar', porque no antigo Oriente Próximo um juramento costumava ser selado com sete objetos ou sete repetições. No Antigo Testamento a palavra nomeia a Festa das Semanas (; ), celebrada sete semanas — cinquenta dias — depois da oferta da primeira gavela na Páscoa, encerrando a colheita do trigo com uma oferta de primícias diante do Senhor.

O nome grego dessa mesma festa, usado no Novo Testamento, é Pentecostes, 'quinquagésimo dia', cenário de . A tradição judaica posterior também passou a associar Shavuot à entrega da lei no Sinai, ainda que o relato do Êxodo não faça essa ligação de forma explícita pelo nome da festa.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Tipologia

Shavuot era, na Torá, a festa das primícias da colheita do trigo — o primeiro pão novo trazido diante do Senhor como garantia de que a colheita inteira viria a seguir (; ). O Novo Testamento retoma essa imagem de 'primícias' para descrever a ressurreição de Cristo () e o dom do Espírito Santo (). É notável, dentro desse padrão, que o próprio derramamento do Espírito em aconteça precisamente no dia de Shavuot/Pentecostes: a festa das primícias da colheita agrícola torna-se o cenário das primícias de uma nova comunidade reunida pelo Espírito. A conexão é de tipologia agrícola e calendário — respaldada pela linguagem de 'primícias' que o próprio Novo Testamento usa — e não uma alegação de que a palavra hebraica shavuot, por si, profetize esse evento.

Respaldo no Novo Testamento: ; ;

Em palavras simples

Shavuot é uma palavra hebraica que significa 'semanas'. Na Bíblia, é o nome da Festa das Semanas, celebrada sete semanas depois da Páscoa, quando o povo agradecia pela colheita do trigo. Em grego essa mesma festa se chama Pentecostes, palavra que também aparece no Novo Testamento, em , quando o Espírito Santo desceu sobre os discípulos em Jerusalém, durante essa celebração judaica.

De onde vem a palavra

Shavuot vem da raiz hebraica שבע, presente tanto em sheva ('sete') quanto em shava ('jurar'). Segundo o léxico de Brown-Driver-Briggs e o dicionário de Strong, shavua (singular de shavuot) é literalmente 'algo sevenado', isto é, um período fechado em sete unidades — daí seu duplo uso para 'semana' de dias (, a semana de núpcias de Jacó) e, em , para 'semanas' de anos. A ligação entre 'sete' e 'jurar' é notada por comentaristas como Keil e Delitzsch a propósito de Berseba, 'poço do juramento/dos sete', onde um pacto foi selado com sete cordeiras ().

Como nome de festa, Shavuot aparece em , e 16:16, e . A instituição está detalhada em e : contam-se sete semanas completas a partir da apresentação da gavela de cevada na Páscoa, e no quinquagésimo dia se oferecem dois pães levedados feitos da nova farinha de trigo, além de sacrifícios. Por isso a festa também é chamada 'dia das primícias' () e, mais tarde em grego, Pentecoste, 'quinquagésimo'.

A Torá liga Shavuot à agricultura e à gratidão pela colheita, não menciona nela a entrega da lei no Sinai. Essa associação — hoje central na prática judaica, quando se lê o livro de Rute e se recorda o dom da Torá — desenvolveu-se na literatura rabínica posterior, a partir do cálculo de que Israel chegou ao Sinai por volta da mesma época do ano (). É uma tradição interpretativa antiga e respeitável, mas não uma afirmação do próprio texto do Pentateuco.

No Novo Testamento, é essa festa judaica já em curso — Pentecostes, a versão grega de Shavuot — que serve de cenário para o derramamento do Espírito Santo em , quando peregrinos de várias nações estavam reunidos em Jerusalém para a celebração.

Aprofundamento

A morfologia de shavuot merece atenção. O substantivo singular é שָׁבוּעַ (shavua), classificado por Strong sob o número H7620, descrito como particípio passivo denominativo da raiz H7650 (shava, 'jurar') a partir do numeral H7651 (sheva, 'sete') — literalmente algo 'sevenado'. O plural feminino שָׁבֻעוֹת (shavuot) é a forma usada para nomear a festa; já em aparece um plural masculino distinto, שָׁבֻעִים (shavuim), aplicado a 'setenta semanas' de anos — mostrando que a mesma raiz gera duas formas plurais conforme o contexto gramatical e o período histórico do texto.

O campo semântico da palavra cobre, portanto, três usos bíblicos: (1) 'semana' comum de sete dias, como no acordo entre Labão e Jacó (); (2) o nome próprio da festa agrícola de colheita do trigo, sete semanas após a Páscoa (; ; ; ; ); e (3) uma unidade simbólica de tempo profético em Daniel, onde 'semanas de anos' estruturam uma contagem escatológica. HALOT (Koehler-Baumgartner) e BDB registram esses três empregos sob a mesma raiz, o que confirma que não há, no hebraico, palavras separadas para 'semana literal' e 'Festa das Semanas' — é a mesma palavra em contextos diferentes.

A Festa das Semanas integra, com a Páscoa e os Tabernáculos, as três festas de peregrinação () em que todo homem israelita deveria comparecer ao santuário. Diferentemente da Páscoa, sua data não é fixada por um dia do calendário lunar, mas por contagem — daí o nome: conta-se literalmente 'sete semanas completas' () a partir da gavela movida. Essa contagem é, ela mesma, um pequeno ato de obediência ligado ao significado da palavra: Israel marca o tempo em unidades de sete, o número que no hebraico bíblico já carrega, por sua raiz, a ideia de compromisso solene.

Quando o texto grego do Novo Testamento chama a mesma data de Pentecoste (pentekoste, 'quinquagésimo'), não está cunhando um conceito novo, mas traduzindo o resultado da contagem hebraica para o sistema numérico grego — cinquenta dias, e não sete semanas. As duas palavras, shavuot e pentekoste, descrevem o mesmo ponto do calendário agrícola e litúrgico de Israel a partir de duas línguas e duas lógicas de contagem — uma por semanas, outra pelo total de dias —, o que explica por que os leitores do Novo Testamento encontram em uma festa judaica já plenamente estabelecida havia séculos, e não uma instituição cristã inaugurada naquele exato dia.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:A Bíblia hebraica chama explicitamente a entrega da Lei no Sinai de 'Shavuot'.

    O relato de não usa esse nome para o episódio do Sinai. A associação entre Shavuot e o dom da Torá é uma tradição da literatura rabínica posterior, construída por cálculo cronológico a partir de , e não uma afirmação do texto do Pentateuco no momento em que a festa é instituída ().

  • Dizem que:Pentecostes, no livro de Atos, é uma festa cristã nova, sem ligação com o Antigo Testamento.

    Pentecostes é simplesmente o nome grego de Shavuot, a festa judaica das semanas já praticada havia séculos (; ). Em , os discípulos estavam reunidos numa peregrinação judaica já existente, não numa celebração inaugurada pelo cristianismo.

Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Pentecostal/carismática

    Vê em um padrão que continua se repetindo na vida da igreja: o 'batismo no Espírito' associado a Shavuot/Pentecostes é uma experiência renovável, não um evento único e fechado no passado.

  • Reformada/covenantal

    Entende o derramamento do Espírito em Shavuot/Pentecostes como um evento histórico único e irrepetível, que inaugura definitivamente a era da igreja e cumpre a promessa de , sem necessidade de repetição individual como sinal normativo.

  • Católica/ortodoxa

    Celebra liturgicamente Pentecostes como o 'nascimento da Igreja', lendo a continuidade entre a festa judaica das primícias e a efusão do Espírito como parte do ciclo litúrgico que vai da Páscoa a Pentecostes.

  • Dispensacionalista

    Preserva o significado próprio de Shavuot dentro do calendário e do plano de Deus para Israel, distinguindo-o do cumprimento na igreja em e aguardando uma restauração futura e mais plena do povo judeu ligada às festas do calendário levítico.

O que fazer com isso

Entender shavuot como 'as semanas contadas' ajuda a ler dentro do calendário judaico real, não como um evento isolado: os discípulos estavam reunidos numa festa de colheita e gratidão que Israel já celebrava havia séculos. Reconhecer essa continuidade evita ler o Pentecostes cristão como uma ruptura com o Antigo Testamento e ajuda a perceber como o Novo Testamento se apoia deliberadamente no calendário e no vocabulário judaicos para anunciar algo novo.

Passagens relacionadas9

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas4 obras
  • Brown, Francis; Driver, S. R.; Briggs, Charles A.. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament, 1906.
  • Strong, James. The Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
  • Koehler, Ludwig; Baumgartner, Walter. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.
  • Keil, C. F.; Delitzsch, F.. Commentary on the Old Testament, vol. 1: The Pentateuch, 1866.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Shavuot é a mesma coisa que Pentecostes?

Sim. Shavuot é o nome hebraico ('semanas') e Pentecostes é o nome grego ('quinquagésimo dia') da mesma festa, celebrada cinquenta dias depois da Páscoa. São duas línguas descrevendo a mesma data do calendário bíblico.

Por que a festa se chama 'Semanas'?

Porque sua data era calculada contando-se sete semanas completas a partir da oferta da primeira gavela de cevada na Páscoa (), e não por um dia fixo do calendário lunar como as outras festas.

A Bíblia liga Shavuot à entrega da Lei no Sinai?

O texto do Pentateuco não faz essa ligação pelo nome no momento em que institui a festa. Essa associação, hoje forte na tradição judaica, desenvolveu-se depois, na literatura rabínica, por cálculo da data em que Israel chegou ao Sinai.

Onde a palavra Shavuot aparece na Bíblia hebraica?

Como nome da festa, em , e 16:16, e . A mesma raiz, no sentido comum de 'semana', também aparece em e, numa forma plural diferente, em .

Palavras próximas

Temas

  • No hebraico
  • #shavuot
  • #festa-das-semanas
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  • #antigo-testamento
  • #festas-biblicas

Publicado em 05/09/2026

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O que foi conferido

  • שָׁבֻעוֹת (shavuot (singular: shavua)) em hebraico, Strong H7620
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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