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Significado Bíblico
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Targum (Tradução e Paráfrase Aramaica)

O que é um Targum?

A palavra no original

תַּרְגּוּם

targum (targûm)

Tradução ou interpretação, em especial a versão aramaica das Escrituras hebraicas lida na sinagoga.

Tudo isto ao mesmo tempo

  • tradução para o aramaico
  • paráfrase e interpretação
  • leitura pública da Torá
  • intérprete de sinagoga (meturgeman)
  • circunlocução reverente para Deus (Memra)

Resposta curta

Targum (תַּרְגּוּם) é o nome dado às traduções e paráfrases aramaicas das Escrituras hebraicas, lidas nas sinagogas e estudadas por séculos no judaísmo. A palavra deriva do verbo aramaico targem, "traduzir, interpretar", que aparece na Bíblia apenas em , a respeito de uma carta "traduzida" para o aramaico. O substantivo targum, portanto, não está no texto bíblico: é um termo posterior, que designa uma literatura.

Os principais targuns são o de Onkelos (Pentateuco), o de Jônatas (Profetas) e o Neofiti (versão palestina do Pentateuco). Eles ajudam a ler a Bíblia por três motivos: mostram como judeus de língua aramaica entendiam o texto, preservam vocabulário do ambiente em que Jesus viveu e testemunham leituras messiânicas antigas. A datação de cada targum, porém, é incerta e pede cautela.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

O Targum não é citado no Novo Testamento, e nenhum evangelista o menciona. A ligação com Cristo é indireta e está na língua: o aramaico era a língua falada em casa e na rua pelos judeus da Galileia e da Judeia, e os evangelhos guardam palavras aramaicas de Jesus, como talitha cumi e o clamor da cruz tirado do Salmo 22:1. Os targuns ajudam a conhecer esse mundo de fala e de leitura das Escrituras. As ideias que se costuma ligar a eles, como a Memra e o Messias de , são interessantes como pano de fundo, mas sua relação com o Novo Testamento é discutida e não deve ser tratada como dependência direta.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Targum é uma tradução da Bíblia hebraica para o aramaico, a língua que muitos judeus falavam no dia a dia depois do exílio na Babilônia. Em vez de traduzir palavra por palavra, os targuns costumam explicar o texto enquanto o traduzem. A palavra não aparece na Bíblia, mas o verbo de onde vem aparece em . Esses textos ajudam a entender como os judeus liam as Escrituras, mas muitos foram postos por escrito séculos depois de Jesus.

De onde vem a palavra

O aramaico era a língua de administração do império persa e, depois do exílio, passou a ser falado por boa parte dos judeus da Judeia, da Galileia e da Babilônia. A própria Bíblia hebraica guarda trechos em aramaico: a 6:18 e 7:12-26, a 7:28, e duas palavras em . Nesse contexto, ouvir a Torá em hebraico já não bastava para que todos a entendessem.

É aí que entra . Esdras lê o livro da lei diante do povo, e o versículo 8 diz que os levitas liam "claramente" (meforash), "dando o sentido", para que o povo entendesse a leitura. A tradição judaica posterior, no Talmude (Megilá 3a), viu nesse "claramente" a origem da tradução aramaica. Os estudiosos discutem se o texto fala de tradução, de explicação em hebraico ou de leitura por partes. O que se pode dizer com segurança é que a necessidade de explicar a Escritura a um público que entendia pouco hebraico é antiga.

A Mishná (Megilá 4:4) já pressupõe o costume sinagogal: o leitor lia o texto hebraico e um intérprete, o meturgeman, vertia o trecho em aramaico. Fontes rabínicas registram regras para isso. A tradução não devia ser lida de um rolo diante do povo, para que ninguém a confundisse com o texto sagrado, e certos relatos constrangedores não eram traduzidos. Esse hábito explica por que os targuns têm caráter tão livre: a tradução era também explicação, quase um sermão.

Os manuscritos de Qumran mostram que traduções aramaicas escritas existiam antes do século I d.C. Foram achados fragmentos de um targum de Levítico (4Q156) e um targum de Jó (11Q10). Os targuns que chegaram completos até nós, no entanto, pertencem a uma fase posterior, e é preciso separar a prática antiga de traduzir oralmente do texto fixado por escrito séculos depois.

Aprofundamento

Alguns targuns merecem ser conhecidos pelo nome. O Targum Onkelos, sobre o Pentateuco, é o mais literal e tornou-se o targum oficial das comunidades judaicas da Babilônia. O Talmude o liga a um prosélito chamado Onkelos, nome que alguns estudiosos suspeitam ser uma confusão com Áquila, o tradutor grego. Sua forma final vem da Babilônia, provavelmente entre os séculos III e V, embora a base seja mais antiga e de origem palestina. O Targum Jônatas, sobre os Profetas anteriores e posteriores, é atribuído pelo Talmude a Jônatas ben Uziel, discípulo de Hilel. A atribuição é tradicional e não pode ser verificada. O Targum Neofiti 1, versão palestina do Pentateuco, foi identificado em 1949 na Biblioteca do Vaticano pelo estudioso espanhol Alejandro Díez Macho. Ele defendeu uma datação antiga, mas outros, como Joseph Fitzmyer e Stephen Kaufman, a consideram bem posterior. Existe ainda o Targum Pseudo-Jônatas, nome equivocado dado a uma versão do Pentateuco com muito material tardio, além de targuns dos Escritos, como Salmos, Jó e Ester.

Um traço célebre é o uso da expressão Memra ("Palavra") do Senhor. Onde o hebraico diz que Deus age diretamente, o targum muitas vezes diz que a Memra do Senhor o fez, por reverência e para evitar falar de Deus em termos humanos. Alguns viram nisso a origem do Logos de . A maioria dos especialistas hoje vê na Memra uma forma respeitosa de falar, sem a ideia de uma pessoa distinta, e procura o fundo do prólogo de João sobretudo em , nos textos de sabedoria e no judaísmo helenístico. A relação existe como pano de fundo, mas não como dependência demonstrada.

Outro ponto de interesse são as leituras messiânicas. O Targum Jônatas de diz "meu servo, o Messias", e o Onkelos de fala do tempo em que "vier o Messias". Em , porém, o targum aplica boa parte dos sofrimentos ao povo ou aos inimigos de Israel, o que mostra que a leitura messiânica antiga não coincide com a leitura cristã. Além disso, como a datação final é tardia, não se pode simplesmente afirmar que essas interpretações eram correntes no tempo de Jesus. Quem usa os targuns como prova do que o judaísmo do primeiro século pensava exagera; quem os ignora perde evidência valiosa de vocabulário aramaico e de modos de ler.

Para o Novo Testamento, o valor mais seguro está na língua. Palavras como talitha cumi (), eloí eloí lemá sabactâni (), abba () e maranatá () mostram o aramaico do ambiente, e o vocabulário dos targuns ajuda a entender expressões desse mundo, como "filho do homem" e "reino de Deus".

O que costumam dizer errado3 afirmações
  • Dizem que:O Targum Onkelos foi escrito no tempo de Jesus e mostra como ele lia a Bíblia.

    A forma final do Onkelos vem da Babilônia, provavelmente dos séculos III a V d.C. Ele pode conservar tradições mais antigas, mas não há como afirmar que o texto atual circulava no primeiro século.

  • Dizem que:A Memra dos targuns explica o Logos de João 1 e prova que o evangelista copiou uma ideia judaica.

    A Memra é, na maioria das leituras, uma forma reverente de falar de Deus, e não uma pessoa distinta. O prólogo de João tem como fundo mais evidente e a tradição de sabedoria. Ligar os dois é possível como paralelo, mas dependência não está demonstrada.

  • Dizem que:O targum é uma tradução literal do hebraico para o aramaico.

    Alguns, como o Onkelos, são relativamente próximos do texto, mas outros, como o Pseudo-Jônatas e os targuns palestinos, acrescentam explicações, histórias e interpretações. Muitos são paráfrases, e por isso funcionam como comentários.

Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Judaísmo rabínico

    Considera o targum parte do ensino da sinagoga, ligado à leitura pública da Torá desde Esdras, e atribui a Moisés e aos profetas a origem da prática de explicar o texto ao povo em língua compreensível.

  • Estudos críticos modernos

    Vê o targum como resultado de séculos de prática oral e de edição escrita, com camadas de datas diferentes, e pede que cada tradição seja datada com cuidado antes de usada para o judaísmo do primeiro século.

  • Exegese cristã do Novo Testamento

    Usa os targuns como pano de fundo para vocabulário aramaico e ideias judaicas da época, como a Memra e o Messias, com a ressalva de que a data tardia de muitos textos limita as conclusões.

O que fazer com isso

Os targuns lembram que traduzir é sempre interpretar. Quem lê a Bíblia em português recebe, junto com o texto, decisões de tradutores sobre palavras difíceis, e vale comparar versões para perceber onde essas decisões pesam. O targum também mostra que a Escritura foi explicada ao povo na língua dele desde cedo: a exigência de entender o que se lê não é invenção moderna, mas acompanha a leitura pública da Bíblia desde .

Passagens relacionadas8

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas6 obras
  • McNamara, M.. Targum and Testament: Aramaic Paraphrases of the Hebrew Bible, 1972.
  • Sperber, A.. The Bible in Aramaic, 1959.
  • Strack, H. L.; Stemberger, G.. Introduction to the Talmud and Midrash, 1996.
  • Alexander, P. S.. Jewish Aramaic Translations of Hebrew Scriptures, em Mikra (ed. M. J. Mulder), 1988.
  • Fitzmyer, J. A.. A Wandering Aramean: Collected Aramaic Essays, 1979.
  • Koehler, L.; Baumgartner, W.. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O que quer dizer a palavra targum?

Vem do verbo aramaico targem, que significa traduzir ou interpretar. Na Bíblia, o verbo aparece em . O substantivo targum designa, depois, as traduções aramaicas das Escrituras hebraicas.

Jesus conheceu algum targum?

Os evangelhos não dizem. É provável que Jesus tenha ouvido a leitura da Escritura seguida de explicação em aramaico nas sinagogas, mas os targuns que temos foram postos por escrito mais tarde, e não se pode afirmar que ele conhecesse esses textos.

Qual a diferença entre o Targum Onkelos e o Neofiti?

Ambos traduzem o Pentateuco. O Onkelos é mais literal e vem da tradição babilônica. O Neofiti é uma versão palestina, mais livre e com mais acréscimos. O Neofiti foi identificado em 1949 na Biblioteca do Vaticano, e sua data é discutida.

O Targum é parte da Bíblia?

Não. É uma obra judaica posterior, que serve de fonte para estudar como o texto bíblico era entendido e traduzido. A Bíblia já contém trechos em aramaico, em Esdras, Daniel e Jeremias, mas o targum é outra literatura.

Palavras próximas

Temas

  • #targum
  • #aramaico
  • #traducao-biblica
  • #onkelos
  • #neofiti
  • #memra
  • #neemias-8

Publicado em 09/10/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • תַּרְגּוּם (targum (targûm)) em aramaico
  • 6 obras citadas, com autor e ano
  • 3 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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