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Significado Bíblico
Dicionário bíblicogregoavançada

Pleroma (Plenitude)

O que significa Pleroma na Bíblia?

A palavra no original

πλήρωμα

plērōma · Strong G4138

Aquilo que enche ou completa; plenitude, conteúdo, número completo ou cumprimento.

Tudo isto ao mesmo tempo

  • plenitude e completude
  • conteúdo e aquilo que preenche
  • cumprimento
  • plenitude do tempo
  • plenitude de Deus em Cristo

Resposta curta

Pleroma (πλήρωμα) é a palavra grega para “plenitude”, “aquilo que preenche” ou “aquilo que completa”. Vem do verbo plēroō, “encher, completar, cumprir”. O Novo Testamento a usa em vários sentidos: a plenitude de graça em , a plenitude da divindade em Cristo em e 2:9, a igreja como plenitude daquele que a tudo enche em , a plenitude do tempo em e o cumprimento da lei pelo amor em .

Um único termo carrega, portanto, sentidos diferentes conforme o contexto. A tradução “plenitude” é correta, mas pode esconder essas nuances: ora a palavra indica conteúdo, ora número completo, ora cumprimento. Saber qual sentido está em jogo ajuda a ler cada versículo sem juntar tudo numa única ideia.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Cumprimento direto

Pleroma é palavra central da cristologia do Novo Testamento. e 2:9 afirmam que nele habita toda a plenitude de Deus, e diz que dela todos recebem. mostra a vinda do Filho como o momento em que o tempo chegou à sua plenitude, em cumprimento da promessa. Aqui o cumprimento é declarado pelo próprio texto: não se trata de uma palavra do Antigo Testamento relida depois, mas de um termo que Paulo e João empregam para dizer o que Cristo é e o que sua vinda realiza.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Pleroma é a palavra grega para “plenitude”, aquilo que enche ou completa algo. No Novo Testamento ela pode significar coisas diferentes: tudo o que há na terra, o número completo de pessoas, o cumprimento da lei pelo amor, o tempo certo em que Deus enviou seu Filho. Em Colossenses, Paulo diz que em Cristo habita toda a plenitude de Deus. A palavra também foi usada mais tarde em ensinos gnósticos com outro significado, que não é o do Novo Testamento.

De onde vem a palavra

Pleroma é uma palavra comum do grego, formada com a terminação -ma, que costuma indicar o resultado ou o conteúdo de uma ação. Como o verbo plēroō significa tanto “encher” quanto “completar” e “cumprir”, o substantivo cobre um campo largo. Na Septuaginta ele aparece, por exemplo, no Salmo 24:1, “do Senhor é a terra e a sua plenitude”, versículo que Paulo cita em para falar de tudo o que a terra contém.

Fora das cartas de Paulo, os Evangelhos usam a palavra em sentido bem concreto. Em e 8:20, ela descreve os cestos cheios de pedaços de pão que sobram. Em e , é o “remendo” de pano novo posto em roupa velha, aquilo que preenche o rasgo. Já usa a palavra num sentido teológico: “da sua plenitude todos nós recebemos, e graça sobre graça”. A frase vem logo depois de 1:14, em que o Verbo feito carne é “cheio de graça e de verdade”.

Nas cartas, Paulo usa pleroma em contextos muito distintos. Em , fala da “plenitude” dos judeus (11:12) e dos gentios (11:25), numa discussão sobre o futuro de Israel. Em , diz que o amor é o “cumprimento” da lei. Em e , a palavra marca o momento certo da história da salvação, a “plenitude do tempo” em que Deus envia o Filho. Em Colossenses e Efésios, a atenção se desloca para a pessoa de Cristo e para a igreja.

Em , “aprouve a Deus que nele residisse toda a plenitude”, e em 2:9, “nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”. A carta é escrita a uma comunidade pressionada por uma “filosofia” (2:8) que oferecia práticas e intermediários espirituais. A resposta de Paulo é afirmar que em Cristo já está tudo o que se precisa.

Aprofundamento

O substantivo πλήρωμα (plērōma, Strong G4138) ocorre dezessete vezes no Novo Testamento. A gramática explica parte da dificuldade: nomes em -ma podem indicar tanto “o que enche” (conteúdo ou agente) quanto “o que é preenchido” (resultado), de modo que o sentido depende do contexto. Os léxicos como o BDAG distinguem usos como conteúdo (), número completo (), cumprimento (), plenitude de tempo () e a plenitude relacionada a Deus e a Cristo (; 2:9).

Na Septuaginta, pleroma traduz com frequência o hebraico melo’ (מְלוֹא), “aquilo que enche”, o que ajuda a entender o uso de Salmo 24:1. Em , a expressão “graça sobre graça” traduz charin anti charitos, literalmente “graça em lugar de graça”, que alguns entendem como graça que se renova sem cessar e outros como graça nova no lugar da anterior. O verbo “receber” mostra que a plenitude ali é dada, não conquistada.

O caso mais debatido é , em que a igreja é “a plenitude daquele que a tudo enche em todos”. O particípio final (plēroumenou) pode ser lido como voz média (“aquele que enche”) ou passiva (“aquele que é preenchido”), e “plenitude” pode ser conteúdo ou complemento. Daí surgem três leituras: a igreja é preenchida por Cristo; a igreja é o lugar em que a plenitude de Cristo se manifesta; ou a igreja “completa” Cristo, como o corpo completa a cabeça. Comentaristas como Andrew Lincoln e Peter O'Brien discutem essas opções, e o texto não decide sozinho.

Em Colossenses, o foco é Cristo. Em 2:9, Paulo escreve theotētos (“divindade”), e não theiotētos (“qualidade divina”, como em ). A escolha de palavra afirma que a própria deidade habita em Cristo, e não apenas um reflexo dela. O versículo seguinte acrescenta que os fiéis “estão completos nele” (2:10, peplērōmenoi, mesmo radical), e pede que sejam “cheios de toda a plenitude de Deus”: o que está em Cristo é compartilhado com os seus.

Pleroma também é termo de sistemas gnósticos do século II. Nos ensinos valentinianos relatados por Irineu, o “pleroma” é o reino divino de seres chamados eons, em oposição ao “kenoma”, o vazio. Alguns estudiosos já viram em Colossenses e Efésios uma resposta a essa ideia; a visão mais cautelosa hoje é que Paulo usa um termo corrente em sentido próprio, anterior aos sistemas gnósticos. O contraste é claro: no Novo Testamento a plenitude não se divide em vários seres, mas está em Cristo, e o amor, não o conhecimento secreto, é o seu cumprimento ().

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Pleroma é um conceito gnóstico que Paulo tomou emprestado.

    A palavra é grego comum, presente na Septuaginta e nos Evangelhos. O pleroma dos sistemas gnósticos (um reino de eons) é descrito por autores do século II, e o uso de Paulo é diferente, pois concentra a plenitude em Cristo.

  • Dizem que:Onde aparece a palavra “plenitude” o texto fala sempre da plenitude de Deus.

    Pleroma pode significar o conteúdo da terra (), o remendo de um tecido (), o número completo () ou o cumprimento da lei (). Cada texto determina o sentido.

Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Católica e ortodoxa

    Lê como a igreja sendo plenificada por Cristo, o lugar em que se manifesta a presença dele, e vê na expressão a base da ideia de corpo e cabeça.

  • Reformada e evangélica

    Entende que a plenitude está toda em Cristo () e que a igreja a recebe, sem nada acrescentar, sendo o espaço em que a plenitude de Cristo é exibida.

  • Crítica histórica

    Discute se Colossenses responde a uma filosofia sincrética de intermediários espirituais, e se o uso do termo se relaciona com especulações que depois alimentaram o pleroma gnóstico, sem equiparar os dois usos.

O que fazer com isso

Pleroma ensina a perguntar qual plenitude o texto tem em mente antes de tirar conclusões. Em Colossenses, a pergunta é onde buscar o que falta; em , o que significa cumprir a lei. Em , o que significa o tempo certo. Ler cada caso no seu contexto protege a palavra de ser usada como slogan vago, e lembra que a plenitude descrita não é fruto de esforço, mas de dádiva.

Passagens relacionadas8

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas6 obras
  • Bauer, W.; Danker, F. W.. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 2000.
  • Lincoln, Andrew T.. Ephesians (Word Biblical Commentary), 1990.
  • O'Brien, Peter T.. Colossians, Philemon (Word Biblical Commentary), 1982.
  • Lightfoot, J. B.. Saint Paul's Epistles to the Colossians and to Philemon, 1875.
  • O'Brien, Peter T.. The Letter to the Ephesians (Pillar New Testament Commentary), 1999.
  • Irineu de Lyon. Contra as Heresias (Adversus Haereses).

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre pleroma e plenitude?

Pleroma é a palavra grega, e plenitude é a tradução usual. Mas o grego cobre sentidos como conteúdo, número completo, cumprimento e tempo oportuno, que “plenitude” nem sempre deixa claros.

O que Paulo quer dizer em Colossenses 2:9?

Que toda a plenitude da divindade habita em Cristo “corporalmente”, ou seja, na sua pessoa real. A palavra theotes sugere a própria deidade, e não apenas uma qualidade divina.

O que é a “plenitude do tempo” de Gálatas 4:4?

É o momento escolhido por Deus para enviar seu Filho. O texto não explica por que aquele momento, e a ideia de cumprimento da promessa é a que o contexto da carta sugere.

Pleroma tem relação com o gnosticismo?

A palavra foi usada em sistemas gnósticos do século II para o reino dos eons, mas o uso do Novo Testamento é anterior e diferente: a plenitude está em Cristo, e não em vários seres.

Palavras próximas

Temas

  • No grego
  • #pleroma
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  • #joao-1
  • #gnosticismo

Publicado em 10/10/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • πλήρωμα (plērōma) em grego, Strong G4138
  • 6 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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