Pantokrator (Todo-Poderoso)
O que significa Pantokrator na Bíblia?
A palavra no original
παντοκράτωρ
pantokratōr (pantokrátōr) · Strong G3841
Aquele que governa ou detém poder sobre tudo, título de Deus traduzido por Todo-Poderoso.
Tudo isto ao mesmo tempo
- título de Deus
- soberania e governo sobre a criação
- poder e sustentação de todas as coisas
- tradução grega de Tsevaot e Shaddai
- louvor no Apocalipse
Resposta curta
Pantokrator (παντοκράτωρ) é um título grego de Deus formado por pas ("tudo") e a raiz de kratos/krateō ("poder, domínio, sustentar"), e por isso pode ser lido como "aquele que governa tudo" ou "aquele que tem poder sobre tudo". No Novo Testamento aparece dez vezes: uma em e nove no Apocalipse (1:8; 4:8; 11:17; 15:3; 16:7; 16:14; 19:6; 19:15; 21:22). A Septuaginta usa o termo para verter títulos hebraicos como Tsevaot ("exércitos") e Shaddai. A tradução "Todo-Poderoso" sugere força irresistível, enquanto o grego destaca com mais naturalidade o governo de Deus sobre todas as coisas. As duas ideias não se excluem, e a diferença de ênfase é o que torna a palavra interessante de estudar.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
Ligação indiretaO Novo Testamento não aplica o título pantokratōr diretamente a Jesus: em e 21:22 ele pertence a Deus (o Senhor Deus Todo-Poderoso), embora em 21:22 o Cordeiro seja nomeado ao lado dele como templo da cidade. Há, contudo, uma aproximação indireta. Em Jesus assume o título "Alfa e Ômega", o mesmo que acompanha o Todo-Poderoso em 1:8, e diz que em Cristo "tudo subsiste". A leitura posterior de Cristo como Pantocrator, na iconografia e na teologia, se apoia nesses indícios, mas não numa aplicação textual direta.
Respaldo no Novo Testamento: ; 22:13
Em palavras simples
Pantokrator é um título grego de Deus que junta duas ideias: "tudo" e "poder, domínio". Costuma ser traduzido por "Todo-Poderoso", mas pode significar também "aquele que governa tudo". Aparece dez vezes no Novo Testamento, quase todas no Apocalipse, nos hinos que celebram Deus como rei sobre a história. A tradução grega do Antigo Testamento, a Septuaginta, usou essa palavra para títulos hebraicos como "Senhor dos Exércitos" (Tsevaot) e Shaddai. A palavra "Todo-Poderoso" sugere força, e o grego destaca mais o governo de Deus sobre tudo.
De onde vem a palavra
Pantokrator é uma palavra pouco documentada fora da tradição bíblica, e seu uso se firmou sobretudo na Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento feita por judeus de fala grega. Ali ela serve de equivalente para dois títulos hebraicos de Deus. Um é Tsevaot ("exércitos"), na expressão "Senhor dos Exércitos", que a Septuaginta traduz muitas vezes por "Senhor Pantokrator", em livros como Jeremias, Zacarias e Malaquias. O outro é Shaddai, vertido por Pantokrator em boa parte de Jó. Não é uma correspondência regular, porque os tradutores também mantiveram Tsevaot em transliteração em alguns livros, e a escolha varia de livro para livro. O título também ocorre em escritos judaicos de língua grega, como Judite e 2 Macabeus, o que indica que era conhecido muito antes do Novo Testamento.
No Novo Testamento, a única ocorrência fora do Apocalipse é , em que Paulo combina promessas do Antigo Testamento, incluindo a de , e fecha com "diz o Senhor Todo-Poderoso". O texto contribui pouco para a discussão do sentido da palavra, mas mostra que ela já era um título de Deus conhecido nas comunidades gregas.
O grande uso está no Apocalipse. Em 1:8, Deus diz: "Eu sou o Alfa e o Ômega... o que é, o que era e o que há de vir, o Todo-Poderoso". Em 4:8, os seres viventes cantam "Santo, santo, santo, Senhor Deus, o Todo-Poderoso". Em 11:17 e 16:7, o título aparece em hinos de gratidão e justiça; em 15:3, no cântico de Moisés e do Cordeiro; em 19:6, no brado de uma grande multidão: "o Senhor nosso Deus, o Todo-Poderoso, reina". Em 19:15 fala-se da "ira do Deus Todo-Poderoso", e em 21:22 o Senhor Deus Todo-Poderoso e o Cordeiro são o templo da nova Jerusalém. Em todos esses lugares o título aparece em contexto de reinado e de louvor, e não de abstração filosófica.
Aprofundamento
A formação da palavra é transparente: pas ("todo") mais -kratōr, de krateō, verbo que significa tanto "dominar, governar" quanto "segurar firme, sustentar" (BDAG). Daí vêm duas leituras possíveis: "aquele que governa tudo" (sentido ativo, de domínio) e "aquele que mantém tudo" ou "tudo pode" (sentido de poder). Os léxicos reconhecem as duas e não é fácil decidir entre elas pela etimologia isolada. O que se pode dizer é que o uso bíblico, no Apocalipse e na Septuaginta, aparece em contextos de governo e de soberania sobre os povos e a história.
A tradução portuguesa "Todo-Poderoso" segue a tradição latina omnipotens, "que pode tudo", que moldou muito da teologia ocidental. Essa tradição pensa em onipotência como capacidade, e discute o que significa "poder tudo" (por exemplo, se inclui o logicamente impossível). O grego pantokratōr, no entanto, aponta antes para quem tem tudo sob seu domínio, e não para uma definição abstrata de poder. Essa distinção ajuda a entender por que os cristãos de língua grega, ao formular o Credo, escreveram "Creio em um só Deus, Pai Todo-Poderoso (pantokratora)", e por que a iconografia ortodoxa chama de Cristo Pantocrator a imagem do Cristo entronizado, soberano sobre o mundo.
É prudente notar que o Novo Testamento não aplica diretamente o título a Jesus: em e 21:22, quem o recebe é Deus (o Senhor Deus). A leitura de Cristo como Pantokrator é posterior e tem apoio indireto em passagens como ("nele tudo subsiste") e , onde Jesus assume o título "Alfa e Ômega", que em 1:8 acompanha o Pantokrator.
Há também uma discussão sobre quem fala em . Alguns comentaristas notam que o versículo pode ser lido como palavra de Deus ou, em parte, como eco de Cristo, já que 1:17 e 22:13 também atribuem a Jesus títulos de começo e fim. A leitura mais comum, porém, mantém Deus como falante, porque o texto o chama de "o Senhor Deus" e usa o título que 4:8 repete.
Outra cautela diz respeito ao Antigo Testamento. Quem busca o equivalente hebraico direto de pantokrator encontrará mais de um (Tsevaot e Shaddai), e cada um tem sua própria história. A etimologia de Shaddai é debatida entre os estudiosos, que propõem relações com "montanha", "seio" ou "destruidor", sem consenso, e o sentido de Tsevaot (exércitos de Israel, hostes celestes ou ambos) também é discutido. O grego, ao unificar tudo sob um título, deu ao leitor uma síntese, mas apagou essas nuances.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:Pantokrator é a tradução grega de um único nome hebraico, Shaddai.
A Septuaginta usa pantokratōr para mais de um título hebraico, em especial Tsevaot ("exércitos") e Shaddai, e nem sempre de modo regular. O grego unifica títulos que, no hebraico, tinham histórias próprias.
Dizem que:"Todo-Poderoso" é a única tradução possível e quer dizer força bruta.
A palavra grega pode ser lida como "aquele que governa tudo" (domínio) ou "aquele que tudo pode" (poder). No Apocalipse, o título aparece em contexto de reinado e louvor, e o português "Todo-Poderoso" vem da tradição latina omnipotens, não do grego em si.
Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Reformada
Lê o título como afirmação da soberania de Deus sobre toda a criação e a história, em linha com a ênfase da confissão de Westminster no governo providencial de Deus sobre todas as coisas.
Católica (tomista)
Entende a onipotência como capacidade de fazer tudo o que é possível em si mesmo, isto é, o que não envolve contradição, e traduz pantokratōr por omnipotens, em continuidade com o Credo latino.
Ortodoxa
Enfatiza o sentido de "aquele que mantém e contém tudo", expresso na imagem de Cristo Pantocrator, reinando sobre o mundo e sustentando-o.
Teologia do processo
Questiona uma leitura de onipotência como poder coercitivo e prefere falar de um Deus que age por persuasão; é posição minoritária e debatida, defendida por pensadores como Whitehead e Hartshorne.
O que fazer com isso
Pantokrator convida a ler os nomes de Deus com atenção às palavras de origem. Em lugar de ouvir "Todo-Poderoso" apenas como força, o grego sugere governo: Deus como aquele que mantém a história e o mundo sob seu cuidado. No Apocalipse, esse título aparece sobretudo em hinos de comunidades que sofrem, o que sugere que ele é dito como consolo e esperança, mais do que como ameaça ou abstração.
Passagens relacionadas6
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Fontes consultadas5 obras
- Bauer, W.; Danker, F.W.; Arndt, W.F.; Gingrich, F.W.. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 2000.
- Kittel, G.; Friedrich, G. (eds.). Theological Dictionary of the New Testament, 1964.
- Hatch, E.; Redpath, H.A.. A Concordance to the Septuagint, 1897.
- Aune, D.E.. Revelation 1-5 (Word Biblical Commentary), 1997.
- Beale, G.K.. The Book of Revelation (NIGTC), 1999.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Quantas vezes Pantokrator aparece no Novo Testamento?
Dez vezes: e nove vezes no Apocalipse (1:8; 4:8; 11:17; 15:3; 16:7; 16:14; 19:6; 19:15; 21:22).
Pantokrator quer dizer "o que tudo pode"?
Pode ser lido assim, mas o grego aponta para uma raiz (krateō) que significa também governar e sustentar. Por isso muitos estudiosos preferem "aquele que governa tudo", embora o português "Todo-Poderoso" seja a tradução habitual.
Pantokrator é o mesmo que Tsevaot ou Shaddai?
A Septuaginta usa o termo para traduzir os dois, entre outros casos, mas eles são títulos hebraicos distintos, com histórias e sentidos próprios. A correspondência não é regular.
Jesus é chamado de Pantokrator no Novo Testamento?
Não diretamente. O título é dado a Deus em 2 Coríntios e no Apocalipse. A imagem de Cristo Pantocrator vem da tradição posterior, com apoio indireto em textos como e .
Palavras próximas
Temas
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