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Significado Bíblico
Dicionário bíblicohebraicointermediária

Midrash (Investigação, Interpretação)

O que significa midrash?

A palavra no original

מִדְרָשׁ

midrash (midrāš)

Busca ou investigação; escrito ou estudo que resulta de investigar um texto.

Tudo isto ao mesmo tempo

  • buscar e consultar a Deus
  • investigar e examinar um assunto
  • escrito ou relato usado como fonte
  • estudo da Torá
  • interpretação rabínica das Escrituras

Resposta curta

Midrash (מִדְרָשׁ) é um substantivo hebraico derivado do verbo darash, "buscar, investigar, consultar". Na Bíblia hebraica aparece apenas duas vezes, em e 24:27, onde designa escritos que o cronista cita como fonte: o "midrash do profeta Ido" e o "midrash do livro dos reis". Nos dois casos o sentido mais provável é o de um relato ou estudo escrito, e não ainda o gênero literário que o termo viria a nomear.

Depois do período bíblico, midrash passou a designar a interpretação rabínica das Escrituras, dividida em midrash halákico, voltado à conduta e à lei, e midrash hagádico, voltado à narrativa, à ética e à teologia. O termo ajuda a ler a Bíblia, mas não pertence ao vocabulário do Novo Testamento, e comparar Mateus ou Paulo com ele exige cautela.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Ligação indireta

O termo midrash não aparece no Novo Testamento, e nenhum texto bíblico o aplica a Jesus. A ligação é indireta e está no gesto: em e 24:44-45, Jesus ressuscitado percorre Moisés, os Profetas e os Salmos e mostra aos discípulos o que neles se refere a ele, abrindo-lhes o entendimento para as Escrituras. É um ato de interpretação das Escrituras, ao qual os autores do Novo Testamento voltam quando leem a história de Israel à luz de Cristo. Isso não equivale a dizer que Jesus praticava o midrash rabínico, que é um gênero posterior; o que o texto afirma é que, para os primeiros cristãos, ler as Escrituras é ler o que elas dizem sobre Cristo.

Respaldo no Novo Testamento: ;

Em palavras simples

Midrash vem de um verbo hebraico que quer dizer "buscar" ou "investigar". Na Bíblia a palavra aparece só duas vezes, em 2 Crônicas, para falar de escritos antigos que o autor consultou. Mais tarde, os rabinos judeus chamaram de midrash o jeito de estudar as Escrituras fazendo perguntas ao texto, explicando detalhes e contando histórias para ensinar. Alguns métodos parecidos aparecem no Novo Testamento, mas não é correto dizer que Jesus ou Paulo escreviam midrash no sentido rabínico posterior.

De onde vem a palavra

A raiz hebraica darash (דָּרַשׁ) tem dois campos de uso na Bíblia. O primeiro é religioso: "buscar" ou "consultar" a Deus, num santuário ou por meio de um profeta, como em e . O segundo é investigativo: examinar um assunto com cuidado, como no processo judicial de , em que se manda "inquirir" os fatos. junta os dois campos numa frase célebre: Esdras "dispôs o coração para buscar a lei do Senhor, para cumpri-la e para ensinar". Buscar a Torá já é aí um ato de estudo, ligado à prática e ao ensino, e é desse movimento que nasce o substantivo.

O substantivo midrash, porém, é raro. Aparece só em , onde se diz que o restante dos atos do rei Abias está escrito no "midrash do profeta Ido", e em , que remete ao "midrash do livro dos reis" para a história de Joás. O cronista usa essas obras como fontes, e nada indica que fossem comentários no sentido rabínico. As traduções em português variam entre "comentário", "história" e "tratado", justamente porque o contexto não permite definir o gênero com precisão. Nenhuma dessas obras sobreviveu, e a Bíblia não descreve o conteúdo delas.

Fora do cânon, o termo ganha o sentido de estudo e de lugar de estudo. O texto hebraico de Ben Sira 51:23 fala de uma "casa de instrução" (beit midrash), e a Regra da Comunidade de Qumran, em 1QS 8, chama de midrash o estudo da Torá praticado pela comunidade. No judaísmo rabínico, a partir do século II d.C., midrash passa a nomear tanto a atividade de interpretar as Escrituras quanto as coleções que registram essas interpretações. É essa segunda vida do termo, bem posterior ao texto bíblico, que a maioria das pessoas tem em mente quando fala em midrash.

Aprofundamento

A tradição rabínica distingue dois grandes tipos de midrash. O midrash halákico (de halakhá, "andar, conduta") extrai do texto bíblico normas práticas: o que é permitido no sábado, como cumprir uma lei sobre sacrifícios, como aplicar um mandamento a um caso novo. As coleções mais antigas desse tipo, como a Mekhilta (sobre Êxodo), o Sifra (sobre Levítico) e o Sifré (sobre Números e Deuteronômio), foram compiladas por mestres chamados tanaítas, por volta dos séculos II e III d.C. O midrash hagádico (de haggadá, "narrativa") trabalha o lado não legal do texto: preenche lacunas de histórias, imagina diálogos, resolve tensões entre versículos e extrai lições éticas e teológicas. Obras como Gênesis Rabá e Levítico Rabá pertencem a essa linha e são bem mais tardias, em geral do século V em diante.

Os rabinos atribuíam a Hilel, mestre do fim do século I a.C., sete regras de interpretação (middot), como o qal vahomer (do menor para o maior: se vale num caso leve, vale com mais razão num grave) e a gezerá shavá (aproximar dois textos que partilham uma palavra rara). A lista aparece em fontes rabínicas posteriores, e a atribuição a Hilel é discutida pelos historiadores. Ainda assim, o tipo de raciocínio que as regras descrevem circulava no mundo judeu e helenístico do primeiro século.

É aqui que a comparação com o Novo Testamento ganha interesse e exige cuidado. Há argumentos do tipo qal vahomer em e em . Paulo lê a palavra "descendência" no singular em , trata Agar e Sara como alegoria em (o verbo que ele usa é allegoroumena) e aplica aos obreiros em . constrói um argumento sobre Melquisedeque a partir do silêncio de a respeito de seu começo e de seu fim. São técnicas parecidas com as que os rabinos sistematizariam depois, mas isso não faz desses textos "midrash" no sentido estrito, porque as coleções rabínicas são posteriores ao Novo Testamento e o judaísmo anterior a 70 d.C. era diverso.

Estudiosos como David Instone-Brewer mostram que a exegese judaica antes de 70 já usava regras reconhecíveis, de forma mais enxuta do que a dos rabinos posteriores. Outros, como Richard Longenecker, lembram que os autores do Novo Testamento também partem de convicções próprias, sobretudo a de que Jesus é o centro das Escrituras. O uso criterioso do termo exige separar três coisas: o substantivo bíblico (raro e de sentido incerto), a técnica interpretativa (comum a vários grupos judeus) e o gênero rabínico (posterior).

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:A Bíblia hebraica já usa a palavra midrash para o gênero de interpretação rabínica.

    O substantivo aparece só duas vezes, em e 24:27, para escritos que o cronista usa como fonte. O sentido de interpretação rabínica das Escrituras surge séculos depois, em fontes do período rabínico.

  • Dizem que:Mateus e Paulo escreviam midrash, do mesmo tipo que as coleções rabínicas.

    Há técnicas comparáveis, como o argumento do menor para o maior e a leitura alegórica, mas as coleções midráshicas são posteriores ao Novo Testamento. O judaísmo anterior a 70 d.C. era diverso, e chamar esses textos de midrash sem ressalva é anacronismo.

Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Judaísmo rabínico

    Vê o midrash como a continuação legítima da revelação: o texto bíblico é inesgotável e cada geração, ao investigá-lo, descobre sentidos que já estavam nele, sempre sob a autoridade dos mestres e sem substituir a Torá escrita.

  • Cristianismo patrístico e medieval

    Pratica uma interpretação espiritual e tipológica das Escrituras, que tem afinidades de técnica com o midrash judaico, mas centra todos os sentidos em Cristo e na Igreja.

  • Protestantismo histórico-gramatical

    Prefere o sentido pretendido pelo autor no seu contexto, vê com reserva as leituras que acrescentam sentidos ao texto e usa o midrash como informação histórica sobre como os judeus liam, não como modelo de método.

O que fazer com isso

Ao ler uma passagem bíblica, vale perguntar o que o texto diz e, separadamente, o que uma tradição de leitura acrescentou a ele. O midrash mostra que comunidades inteiras se dedicaram a interrogar o texto com seriedade, mas também que explicações antigas não têm o mesmo estatuto do versículo explicado. Estudar com humildade é aceitar que a pergunta sobre o que um texto quer dizer tem uma longa história e continua aberta a quem a faz com cuidado.

Passagens relacionadas8

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas6 obras
  • Strack, H. L.; Stemberger, G.. Introduction to the Talmud and Midrash, 1996.
  • Instone-Brewer, D.. Techniques and Assumptions in Jewish Exegesis before 70 CE, 1992.
  • Longenecker, R. N.. Biblical Exegesis in the Apostolic Period, 1975.
  • Fishbane, M.. Biblical Interpretation in Ancient Israel, 1985.
  • Brown, F.; Driver, S.; Briggs, C.. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1907.
  • Koehler, L.; Baumgartner, W.. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Midrash é a mesma coisa que Talmude?

Não. Midrash é interpretação ligada versículo a versículo ao texto bíblico. O Talmude é a obra que reúne a Mishná e o comentário dos mestres seguintes, e trata de assuntos jurídicos e religiosos em formato de debate. Os dois pertencem à literatura rabínica, mas são gêneros diferentes.

Onde a palavra midrash aparece na Bíblia?

Apenas em e 24:27, onde se refere a escritos de onde o cronista tirou informações sobre os reis Abias e Joás. Esses escritos não chegaram até nós.

Qual a diferença entre midrash halákico e hagádico?

O halákico extrai do texto normas de conduta e de lei, como o que se pode fazer no sábado. O hagádico trabalha o lado narrativo, ético e teológico, preenchendo lacunas das histórias e explicando tensões entre versículos.

Jesus e Paulo usavam o método do midrash?

Usavam técnicas de argumentação comuns no judaísmo do seu tempo, como o raciocínio do menor para o maior. Mas as coleções de midrash são posteriores, e por isso é mais exato dizer que existem pontos de contato do que afirmar que eles escreviam midrash.

Palavras próximas

Temas

  • No hebraico
  • #midrash
  • #darash
  • #interpretacao-biblica
  • #halaca
  • #hagada
  • #judaismo-rabinico

Publicado em 09/10/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • מִדְרָשׁ (midrash (midrāš)) em hebraico
  • 6 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 3 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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