Mesites (Mediador)
O que significa Mesites na Bíblia?
A palavra no original
μεσίτης
mesitēs · Strong G3316
Aquele que está no meio entre duas partes: mediador, árbitro, garantidor de um acordo.
Tudo isto ao mesmo tempo
- mediação entre Deus e os homens
- aliança e pacto
- arbitragem e garantia jurídica
- entrega da lei
- sacerdócio de Cristo
Resposta curta
Mesites (μεσίτης) é a palavra grega para "mediador", alguém que se coloca no meio entre duas partes. Vem de mesos, "meio", e aparece seis vezes no Novo Testamento: Timóteo 2:5, :15 e 12:24. Em , a carta afirma que há "um só mediador entre Deus e os homens", o homem Cristo Jesus. Em Hebreus, Cristo é mediador de uma aliança melhor e de uma nova aliança. O termo tem forte sabor jurídico, ligado a quem arbitra ou garante um acordo. Já é um dos versículos mais obscuros do Novo Testamento, e as interpretações propostas são numerosas. Entender mesites ajuda a compreender como a Bíblia descreve a relação entre Deus e as pessoas por meio de Cristo.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
Cumprimento diretoO Novo Testamento aplica mesites diretamente a Jesus em e em três passagens de Hebreus. Ali, a mediação de Cristo cumpre o papel que figuras como Moisés e o sacerdócio levítico exerciam de modo parcial e provisório: ele une as duas partes, Deus e os homens, porque é ao mesmo tempo Deus e homem, e inaugura a nova aliança com a sua morte. O paralelo com , onde Jó lamenta a falta de um árbitro, costuma ser lembrado por leitores cristãos, embora o Novo Testamento não faça essa ligação de forma explícita.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Mesites é a palavra grega para "mediador", alguém que fica no meio entre duas partes e ajuda a resolver ou garantir um acordo. Aparece seis vezes no Novo Testamento. Em , Paulo diz que há "um só mediador entre Deus e os homens", Jesus. Em Hebreus, Cristo é mediador de uma aliança melhor, ligada à sua morte. Já em , a palavra é usada para falar da lei, e o versículo é tão difícil que os estudiosos não chegaram a acordo sobre o seu sentido.
De onde vem a palavra
No mundo grego, mesites designava a pessoa que ficava no meio de duas partes em conflito ou em negociação: o árbitro, o intermediário de um contrato, o conciliador. A palavra deriva de mesos, "meio", e tem uso documentado em papiros e inscrições para contextos comerciais e jurídicos, onde o mediador podia também atuar como fiador de que o acordo seria cumprido. É esse pano de fundo que se costuma invocar para explicar o uso do termo no Novo Testamento.
Na Bíblia hebraica não há uma palavra única que corresponda exatamente a mesites, embora a ideia de intermediário esteja presente em figuras como Moisés, que levou ao povo a palavra de Deus no Sinai, e em sacerdotes que apresentavam ao Senhor as ofertas do povo. A Septuaginta usa mesites em , onde Jó lamenta que não exista um árbitro que ponha a mão sobre os dois. Esse uso mostra que a palavra já era empregada em contextos de disputa entre Deus e o ser humano. Em escritos judaicos posteriores, como a Assunção de Moisés, Moisés é chamado de mediador da aliança.
No Novo Testamento, o termo é raro, mas ocupa lugares estratégicos. diz que a lei foi dada "por meio de anjos, pela mão de um mediador", em geral entendido como Moisés. Em , a afirmação de que há um só Deus e um só mediador aparece dentro de um pedido de oração por todos os homens. Nos capítulos 8, 9 e 12 de Hebreus, Cristo é apresentado como mediador de uma aliança superior, e o argumento se apoia na comparação com o sacerdócio e o culto do antigo pacto. Há ainda outra palavra relacionada em , engyos, que significa "fiador" e não é o mesmo termo, embora o assunto seja parecido.
É útil notar que a palavra não aparece nos evangelhos nem nas cartas aos Romanos, Coríntios ou Efésios, e que cada uma de suas seis ocorrências está ligada à ideia de aliança ou de lei. O vocabulário da mediação, portanto, está concentrado em poucos textos, o que exige cuidado para não atribuir a mesites mais do que cada passagem de fato afirma.
Aprofundamento
Em , o apóstolo escreve que "há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus, que a si mesmo se deu em resgate por todos". O contexto é uma exortação à oração universal, e o mediador aqui é identificado pela sua humanidade e pelo seu sacrifício. O adjetivo "um só" é enfático, e a frase constrói um paralelo entre a unicidade de Deus e a unicidade do mediador. Isso fundamenta a convicção, comum em várias tradições cristãs, de que o acesso a Deus passa por Cristo.
Em Hebreus, o argumento é diferente e mais detalhado. diz que Jesus obteve um ministério superior, sendo "mediador de uma melhor aliança, estabelecida sobre melhores promessas". acrescenta que ele é mediador da nova aliança, "para que, intervindo a morte para remissão das transgressões, os chamados recebam a promessa da herança eterna". liga o mediador ao "sangue da aspersão". Em cada caso, a mediação de Cristo está associada a uma aliança (diathēkē) e a uma morte que a inaugura, o que é consistente com a conotação jurídica da palavra: o mediador responde pela validade de um acordo.
O caso mais difícil é . Paulo escreve que a lei foi ordenada por anjos "na mão de um mediador" e acrescenta: "Ora, o mediador não é de um só, mas Deus é um só". A frase é famosa por sua dificuldade. Comentaristas registram um número muito grande de interpretações, e alguns falam de centenas. Uma leitura frequente sustenta que um mediador pressupõe duas partes, ao passo que a promessa a Abraão foi dada diretamente por Deus, sem intermediário, o que a tornaria superior à lei. Outras leituras veem na frase uma referência à pluralidade de anjos envolvidos na entrega da lei, ou à reciprocidade de obrigações no pacto do Sinai. Não há consenso, e honestidade exegética pede que se diga isso.
Quanto à identidade do mediador em , a maior parte dos intérpretes vê Moisés, mas há quem proponha Cristo, com base em uma leitura do contexto. A leitura de Moisés tem apoio na tradição judaica que o chamava de mediador e na construção do texto, que fala de uma mediação na entrega da lei no Sinai.
Um esclarecimento útil: o grego mesites não carrega, por si só, a ideia de superioridade ou de intercessão contínua. Ele descreve a função de estar entre duas partes. É o contexto de cada passagem que define o que a mediação faz: garantir uma aliança, entregar uma lei, abrir acesso a Deus. A distinção entre mediar e interceder (como em e , onde se usa outro vocabulário) merece atenção, já que os dois conceitos se relacionam, mas não são sinônimos.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:Mesites aparece em muitas passagens do Novo Testamento sobre a obra de Cristo.
A palavra ocorre apenas seis vezes: Timóteo 2:5, :15 e 12:24. A ideia de mediação aparece em outros textos, mas com outras palavras, como intercessão ou sacerdócio.
Dizem que:Gálatas 3:20 é um versículo simples que ensina claramente que Cristo é o mediador da lei.
é um dos versículos mais debatidos do Novo Testamento, com um número muito grande de leituras propostas. Em geral o mediador de é entendido como Moisés, e não como Cristo.
Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Protestante / evangélica
Entende como afirmação da mediação exclusiva de Cristo (solus Christus), excluindo outros mediadores entre Deus e os homens, como santos ou sacerdotes.
Católica
Afirma que Cristo é o único mediador em sentido pleno, mas sustenta que outros podem participar dessa mediação de forma subordinada, como a Virgem Maria e a Igreja, segundo o Catecismo (n. 970), sem acrescentar nada à mediação de Cristo.
Ortodoxa
Reconhece Cristo como único mediador e Salvador, e entende a intercessão dos santos como oração em comunhão com ele, não como uma mediação independente.
Judaica (Segundo Templo)
Escritos como a Assunção de Moisés chamam Moisés de mediador da aliança, o que ajuda a entender o uso da palavra em , embora a tradição judaica não identifique Jesus como mediador.
O que fazer com isso
Mesites lembra que a Bíblia trata a relação entre Deus e as pessoas como algo que exige uma ponte, e não como uma conquista humana. Ao ler e –9, vale notar que a ênfase recai sobre quem faz a ponte e o que ele fez, e não sobre a performance de quem atravessa. Isso convida à confiança, sem pretender resolver todas as dúvidas de interpretação.
Passagens relacionadas7
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Fontes consultadas6 obras
- Bauer, W.; Danker, F.W.; Arndt, W.F.; Gingrich, F.W.. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 2000.
- Oepke, A.. mesites, in Theological Dictionary of the New Testament, vol. 4 (Kittel, G.; Friedrich, G., eds.), 1967.
- Longenecker, R.N.. Galatians (Word Biblical Commentary), 1990.
- Lane, W.L.. Hebrews 1-8 (Word Biblical Commentary), 1991.
- Igreja Católica. Catecismo da Igreja Católica, n. 970.
- Strong, J.. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
O que significa mesites em português?
Significa "mediador", aquele que está no meio entre duas partes. No grego antigo, também podia indicar árbitro ou garantidor de um acordo, o que dá à palavra um tom jurídico.
Quantas vezes a palavra aparece no Novo Testamento?
Seis vezes: e 3:20, , :15 e 12:24.
Quem é o mediador de Gálatas 3:19?
A maioria dos intérpretes entende que é Moisés, que mediou a entrega da lei no Sinai. Há quem proponha outras leituras, e continua sendo um versículo difícil.
Mediador e intercessor são a mesma coisa?
Os conceitos se relacionam, mas não são sinônimos. Mesites descreve a função de estar entre duas partes e garantir a aliança. A intercessão de Cristo (; ) usa outro vocabulário.
Palavras próximas
Temas
- No grego
- Templo e sacerdócio
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