Hypostasis (Substância, Fundamento)
O que significa Hypostasis na Bíblia?
A palavra no original
ὑπόστασις
hypostasis · Strong G5287
Aquilo que está posto por baixo: fundamento, base, realidade que sustenta.
Tudo isto ao mesmo tempo
- fundamento e base
- realidade e subsistência
- confiança e segurança
- firmeza na fé
- ser essencial de Deus
Resposta curta
Hypostasis (ὑπόστασις) é um substantivo grego formado por hypo, "debaixo", e a raiz de histēmi, "colocar de pé". Em sentido básico, designa aquilo que está posto por baixo: um fundamento, uma base, aquilo que dá consistência real a algo. No Novo Testamento aparece cinco vezes e é traduzida de maneiras bem diferentes: "substância", "certeza", "firmeza", "confiança", "expressão exata do ser". A passagem mais conhecida é , onde a fé é chamada hypostasis das coisas esperadas, e a escolha de tradução afeta diretamente a definição bíblica de fé. usa a palavra para o ser de Deus, e a usa no sentido de segurança ou confiança. O sentido exato em cada texto depende do contexto, e os estudiosos continuam discutindo.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
Cumprimento diretoEm , o Filho é descrito como "a expressão exata" da hypostasis de Deus, isto é, como quem reproduz fielmente o ser divino, no mesmo texto em que se afirma que ele sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder. É a base cristológica do argumento da carta: se o Filho expressa fielmente o ser de Deus, então a revelação nele é mais completa que a dos profetas. Em , Jesus aparece como "autor e consumador da fé", e a carta vê nele o ponto de apoio da esperança descrita no capítulo 11.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Hypostasis é uma palavra grega que significa, literalmente, "o que está por baixo": uma base, um fundamento. Aparece só cinco vezes no Novo Testamento. A mais famosa é , onde a fé é ligada às coisas esperadas. Por isso algumas Bíblias traduzem por "certeza", outras por "firme confiança" e outras por "substância". Em , a mesma palavra fala do ser de Deus, e o Filho é chamado de "expressão exata" dele. Os estudiosos ainda discutem qual é o melhor sentido em cada texto.
De onde vem a palavra
A palavra hypostasis ocorre apenas cinco vezes no Novo Testamento: , , Coríntios 9:4 e . Três delas estão na carta aos Hebreus, um texto escrito em grego muito elaborado, dirigido a cristãos que enfrentavam pressão e cansaço e eram tentados a recuar. Nesse ambiente, falar de algo que "sustenta" a existência e a perseverança era um assunto prático, não apenas filosófico.
No grego comum, o substantivo vinha de um verbo que significa "pôr-se debaixo" ou "ficar por baixo", e podia designar o sedimento no fundo de um líquido, o fundamento de uma construção, a realidade concreta de uma coisa em oposição à aparência, ou ainda a base de uma garantia. Em textos do mundo helenístico, a palavra também aparece em documentos de propriedade, e o dicionário de Moulton e Milligan, a partir de papiros, chamou atenção para esse uso. A leitura de que diria "a fé é o título de propriedade das coisas esperadas" nasceu daí, mas é uma proposta debatida, não um consenso.
Na Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento, hypostasis traduz vários termos hebraicos com sentidos próximos de "firmeza", "esperança", "lugar de apoio" ou "substância", e em alguns textos aparece em contexto de confiança diante do perigo. Isso mostra que o vocabulário já circulava entre leitores judeus de língua grega, que é justamente o público provável de Hebreus.
Depois do período do Novo Testamento, a palavra ganhou peso teológico. No quarto século, os pais capadócios distinguiram ousia (essência) de hypostasis (subsistência individual), e passaram a falar de uma essência e três hipóstases na Trindade. Antes disso, em Niceia (325), os dois termos ainda eram tratados como sinônimos. Essa história posterior não decide o sentido dos textos bíblicos, mas explica por que "hipóstase" é hoje uma palavra tão carregada para leitores de teologia. Convém separar, então, o uso do Novo Testamento do uso dos concílios, para não ler um no outro.
Aprofundamento
O texto mais discutido é : "Ora, a fé é hypostasis das coisas esperadas, elenchos das coisas que não se veem". As traduções divergem bastante. A Vulgata latina traduziu hypostasis por substantia, e o português "substância" vem dessa linha. Muitas versões modernas preferem "certeza" ou "firme confiança", lendo a palavra em sentido subjetivo, como uma atitude do crente. Outras defendem um sentido objetivo: a fé dá às coisas esperadas uma realidade já presente, como um fundamento sobre o qual se constrói. Os comentaristas se dividem, e as duas leituras têm apoio gramatical.
Os argumentos a favor do sentido subjetivo ("confiança", "segurança") apontam para os outros usos paulinos e hebraicos. Em e 11:17, Paulo emprega a palavra com o sentido de "confiança" ou "segurança" na hora de se gloriar, e em ela aparece em "a firmeza do princípio", que os crentes devem reter até o fim. O paralelo com elenchos, "prova" ou "convicção", na segunda metade do versículo, também favorece um sentido de convicção interior.
Os argumentos a favor do sentido objetivo ("realidade", "base") observam que o capítulo 11 inteiro mostra a fé produzindo ações concretas, e que a esperança descrita não é apenas um estado de ânimo. Nessa leitura, a fé "faz subsistir" o que ainda não se vê. Comentaristas como William Lane e Paul Ellingworth discutem as duas opções e reconhecem que o grego comporta ambas, sem forçar uma decisão definitiva.
O outro texto de peso é , em que o Filho é "o resplendor da glória e a expressão exata do seu ser" (charaktēr tēs hypostaseōs autou). Aqui hypostasis designa o ser ou a realidade essencial de Deus, e charaktēr indica a marca gravada, como a impressão de um selo. A passagem afirma que o Filho reproduz fielmente o que Deus é. Foi esse versículo que mais tarde alimentou discussões sobre a relação entre o Pai e o Filho.
Um cuidado importante: não se deve ler em o sentido técnico de "pessoa" que a palavra recebeu no quarto século. O autor não usa a palavra para dizer "três pessoas em um só Deus", e sim para dizer que o Filho expressa fielmente o ser de Deus. Da mesma forma, a ideia católica e ortodoxa de "união hipostática" (duas naturezas em uma só pessoa em Cristo), definida em Calcedônia em 451, é um desenvolvimento posterior que usa o vocabulário bíblico com sentido ampliado.
Em resumo, o mesmo substantivo cobre um campo que vai de "base" a "ser real" e "confiança". O sentido correto em cada ocorrência é decidido pelo contexto, e a incerteza em é real.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:Hebreus 11:1 define a fé como "substância", e essa é a única tradução possível.
"Substância" vem da Vulgata (substantia), mas o grego hypostasis também é usado nos sentidos de "confiança", "segurança" e "firmeza" em :17 e . Os comentaristas debatem se em o sentido é objetivo ou subjetivo, e as duas opções são defendidas por estudiosos sérios.
Dizem que:Em Hebreus 1:3, hypostasis já significa "pessoa", no sentido da Trindade.
O sentido técnico de "pessoa" se firmou no quarto século, com os pais capadócios. Antes, e inclusive em Niceia, hypostasis e ousia eram quase sinônimos. Em a palavra indica o ser ou a realidade de Deus, e não uma doutrina trinitária formulada.
Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Católica (tradição tomista)
Tomás de Aquino, na Suma Teológica, lê a hypostasis de como o início da vida eterna na mente, de modo que a fé antecipa, em germe, aquilo que se espera. A palavra é entendida como uma realidade que já começa a existir no crente.
Reformada
Calvino prefere ler o termo como "firme certeza", próxima de confiança e persuasão. A fé é, nessa chave, um conhecimento firme da bondade de Deus, apoiado na promessa.
Ortodoxa
Lê a hypostasis de dentro da tradição dos pais gregos, em que o Filho é imagem exata do Pai e a palavra recebe depois o sentido de subsistência pessoal na doutrina trinitária.
Crítica filológica moderna
Parte dos léxicos propõe sentido objetivo ("realidade", "garantia") com base em papiros; outros estudiosos defendem o sentido subjetivo ("confiança"). A proposta de "título de propriedade" é discutida e não é aceita por todos.
O que fazer com isso
Hypostasis lembra que a fé, no vocabulário de Hebreus, não é um sentimento vago nem uma forma de torcer pelo que se quer. Seja entendida como base ou como confiança, ela tem a ver com algo firme sobre o que se pode apoiar. Ao ler , vale perguntar o que de fato sustenta a esperança, sem transformar uma tradução específica em fórmula pronta.
Passagens relacionadas7
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Fontes consultadas6 obras
- Bauer, W.; Danker, F.W.; Arndt, W.F.; Gingrich, F.W.. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 2000.
- Moulton, J.H.; Milligan, G.. The Vocabulary of the Greek Testament, 1930.
- Lane, W.L.. Hebrews 9-13 (Word Biblical Commentary), 1991.
- Ellingworth, P.. The Epistle to the Hebrews (New International Greek Testament Commentary), 1993.
- Tomás de Aquino. Suma Teológica, II-II, q. 4, a. 1.
- Calvino, J.. Comentário à Epístola aos Hebreus.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Hypostasis significa "fé"?
Não. Fé, em grego, é pistis. Hypostasis é a palavra que usa para dizer algo sobre a fé, ligando-a às coisas esperadas. O sentido pode ser "base", "realidade" ou "confiança", conforme a leitura.
Por que as Bíblias traduzem Hebreus 11:1 de formas tão diferentes?
Porque hypostasis tem mais de um sentido no grego antigo. Algumas versões seguem a Vulgata ("substância"), outras optam por "certeza" ou "firme confiança". Todas são tentativas legítimas de verter uma palavra ambígua.
Quantas vezes a palavra aparece no Novo Testamento?
Cinco vezes: :14, 11:1 e e 11:17. Em cada uma, o contexto indica um matiz diferente do sentido básico de "o que está por baixo".
Hypostasis em Hebreus 1:3 fala da Trindade?
Não diretamente. O texto diz que o Filho é a expressão exata do ser de Deus. Os debates trinitários posteriores usaram a palavra com sentido técnico, mas esse sentido ainda não estava formado no Novo Testamento.