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Significado Bíblico
Dicionário bíblicogregointermediária

Geena

O que significa Geena na Bíblia

A palavra no original

γέεννα

geenna · Strong G1067

Transliteração grega do hebraico "Vale de Hinom", nome de um desfiladeiro perto de Jerusalém usado no Novo Testamento para o castigo final.

Tudo isto ao mesmo tempo

  • castigo escatológico final
  • juízo de Deus sobre o pecado
  • lugar de fogo que não se apaga
  • destino dos condenados após a morte

Resposta curta

Geena (γέεννα, geenna) é a palavra grega que os evangelhos usam para o castigo final, doze vezes no Novo Testamento — quase sempre na boca do próprio Jesus. O termo é a transliteração grega do hebraico Gê Hinnom, "Vale de Hinom", um desfiladeiro a sudoeste de Jerusalém que o Antigo Testamento associa a sacrifícios de crianças a Moloque e que Jeremias renomeou "Vale da Matança" por causa do juízo que ali cairia.

Jesus toma esse nome carregado de história e o usa como figura para o destino dos que rejeitam a Deus, distinguindo-o do hades, palavra grega mais neutra para a morada geral dos mortos. Geena aparece sempre em contexto de advertência, nunca de especulação sobre detalhes do além.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Trajetória do texto

Geena carrega em si uma trajetória: começa como um vale real ligado à idolatria e ao derramamento de sangue infantil em Judá, passa pela denúncia de Jeremias, que o rebatiza "Vale da Matança" e prediz juízo sobre ele, e chega a Jesus, que toma esse nome carregado de história para descrever o juízo final. É significativo que seja o próprio Jesus quem mais usa o termo nos evangelhos, e que o faça afirmando ter autoridade sobre esse destino: em .28 ele adverte para temer "aquele que pode fazer perecer tanto a alma como o corpo na geena", colocando-se, junto ao Pai, como quem julga. A trajetória do termo — de um lugar de pecado histórico a uma imagem do juízo escatológico — converge, portanto, na figura de Cristo como o juiz final anunciado também em .31-46, ainda que esse texto não use a palavra geena.

Respaldo no Novo Testamento: .28; 25.31-46

Em palavras simples

Geena é a palavra grega usada por Jesus nos evangelhos para falar do castigo final. Ela vem do nome hebraico de um vale real perto de Jerusalém, o Vale de Hinom, onde no Antigo Testamento aconteciam sacrifícios de crianças e que o profeta Jeremias chamou de "Vale da Matança". Jesus pega esse lugar carregado de peso histórico e o transforma em imagem do julgamento. É diferente de hades, outra palavra grega, mais neutra, para o mundo dos mortos em geral.

De onde vem a palavra

O Vale de Hinom (em hebraico, Gê Hinnom ou, em forma mais longa, Gê Ben-Hinnom, "vale do filho de Hinom") é um lugar geográfico real, um desfiladeiro que corre ao sul e a sudoeste da antiga Jerusalém, separando a cidade do monte conhecido como "colina do mau conselho". O nome "Hinom" provavelmente identifica uma pessoa ou clã dono do terreno em tempos antigos; léxicos como o BDB e o HALOT registram a etimologia de "Hinom" como incerta, sem ligação clara com nenhuma raiz hebraica comum.

O Antigo Testamento liga esse vale a um dos episódios mais sombrios da história de Judá: ali reis como Acaz e Manassés fizeram seus filhos "passar pelo fogo" em culto a Moloque (.3; .6; .3; 33.6). O profeta Jeremias denuncia esse mesmo local, chamado de Tofete, dentro do Vale de Ben-Hinom (.31-32; 19.1-6; 32.35), e anuncia que ele será rebatizado "Vale da Matança", porque ali os corpos dos julgados por Deus se amontoariam. O rei Josias, em sua reforma religiosa, contaminou deliberadamente o lugar para impedir que voltasse a ser usado em cultos pagãos (.10).

É esse nome — Gê Hinnom, hebraico e depois aramaico — que os evangelhos gregos transliteram como γέεννα (geenna). O termo não existia em grego clássico fora do uso bíblico e judaico; é uma palavra emprestada, sem tradução, mantendo o peso da geografia e da história de julgamento associadas ao vale. Jesus a usa doze vezes nos evangelhos sinóticos (nunca no evangelho de João), sempre em discursos de advertência moral, e Tiago a usa uma vez em sentido figurado, para a língua "inflamada pelo inferno" (.6).

Uma crença comum é que, no tempo de Jesus, o Vale de Hinom já era o lixão de Jerusalém, com fogo ardendo sem cessar. Mas nenhuma fonte do primeiro século — nem Josefo, nem os evangelhos, nem a literatura rabínica mais antiga — descreve o vale assim. A referência mais antiga a um fogo perpétuo de lixo ali vem de comentaristas judeus medievais, como Davi Kimchi, no século XIII: uma reconstrução tardia, não um dado histórico do tempo de Cristo.

Aprofundamento

No grego do Novo Testamento, γέεννα (geenna) funciona como um nome próprio transliterado, não como um substantivo comum grego com raiz e campo semântico próprios dentro da língua helênica. Seu significado depende inteiramente da história hebraica por trás dele: Gê Hinnom, "vale de Hinom", um topônimo que o Antigo Testamento já usa com peso simbólico antes de qualquer discussão sobre a vida após a morte. Léxicos como o BDAG registram geenna como termo técnico judaico-cristão para o lugar de castigo escatológico, distinto de outras palavras gregas para o mundo dos mortos.

O contraste mais importante do vocabulário é com hades (ᾅδης). Hades traduz o hebraico Sheol na Septuaginta e designa, de modo bastante neutro, a morada geral dos mortos, justos e injustos, à espera do juízo — é o termo usado, por exemplo, em .23 e em .14, onde a morte e o hades são lançados no lago de fogo. Geena, ao contrário, é usada nos evangelhos especificamente para o destino final dos condenados, quase sempre acompanhada de imagens de fogo que não se apaga (.43-48) e de perda tanto do corpo quanto da alma (.28). O Novo Testamento também usa uma terceira palavra, tártaro (ταρταρόω, verbo, em .4), termo emprestado da mitologia grega, aplicado especificamente aos anjos caídos — o que mostra que os escritores do Novo Testamento distinguiam com cuidado esses vocabulários, em vez de tratá-los como sinônimos intercambiáveis.

A ocorrência de geenna está concentrada em Mateus (5.22, 29, 30; 10.28; 18.9; 23.15, 33), com paralelos em Marcos (9.43, 45, 47) e uma ocorrência em Lucas (12.5); .6 é a única aparição fora dos evangelhos e dos lábios de Jesus. O padrão retórico é constante: geena aparece em advertências sobre pecado, hipocrisia religiosa ou o valor da vida diante de Deus, nunca em passagens de descrição sistemática do além. .15 e 23.33, por exemplo, usam o termo dentro de uma denúncia direta aos escribas e fariseus, ligando geena à recusa em reconhecer a mensagem de Jesus, não a um ensino abstrato sobre cosmologia.

Comentaristas como Keil e Delitzsch, ao tratar as passagens de Jeremias sobre o Vale de Ben-Hinom, notam que o próprio texto profético já usa o vale como imagem de juízo coletivo antes de qualquer aplicação individual e escatológica — a "geena" de Jesus herda essa função de imagem de julgamento, mas a desloca do juízo histórico sobre Judá para o juízo final sobre cada pessoa. O artigo de referência de Joachim Jeremias no Theological Dictionary of the New Testament (TDNT) sustenta essa mesma linha: o vale real fornece a imagem, mas o conteúdo teológico do termo nos evangelhos já é claramente escatológico e pessoal, não apenas uma metáfora geográfica reciclada.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:O Vale de Hinom era, no tempo de Jesus, um lixão em chamas contínuas fora de Jerusalém, e Jesus estava apenas descrevendo essa cena visível.

    Nenhuma fonte do primeiro século — nem Flávio Josefo, nem os evangelhos, nem os textos rabínicos mais antigos — descreve o vale dessa forma. Como observa o estudo de Lloyd Bailey na Journal of Biblical Literature (1986), a referência mais antiga a um fogo perpétuo de lixo ali vem de comentaristas judeus medievais, séculos depois de Jesus; a ideia popular projeta no primeiro século um detalhe que só aparece na Idade Média.

  • Dizem que:Geena e hades são apenas sinônimos, duas palavras gregas para a mesma coisa.

    O Novo Testamento os usa de forma distinta: hades traduz o Sheol hebraico e designa, de modo mais neutro, a morada geral dos mortos; geena aparece especificamente nos ensinos de Jesus sobre o castigo final. Tratá-los como intercambiáveis apaga uma distinção que os próprios escritores do Novo Testamento mantêm.

Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Catolicismo e ortodoxia oriental (visão tradicional majoritária)

    Geena designa um estado ou lugar de separação definitiva e consciente de Deus para os que morrem impenitentes, cuja duração é eterna, consistente com a linguagem de "fogo que não se apaga" e castigo eterno em passagens como .46.

  • Tradições evangélicas e adventistas condicionalistas (aniquilacionismo)

    Geena descreve a destruição final e completa da pessoa, corpo e alma (com base em .28), não um tormento consciente sem fim; a "morte segunda" é entendida como cessação de existência, e não como sofrimento eterno.

  • Correntes universalistas dentro da tradição cristã (presentes já em alguns padres da Igreja, como Orígenes)

    As advertências sobre geena são reais e sérias, mas o juízo que ela descreve tem finalidade restauradora dentro do plano de Deus, de modo que, ao final, nenhuma criatura permanece definitivamente perdida.

  • Leituras preteristas dentro do protestantismo

    Boa parte dos avisos de Jesus sobre geena, especialmente em , estariam dirigidos primariamente ao juízo histórico sobre Jerusalém e sua liderança religiosa no século I, cumprido na destruição do ano 70, sem excluir uma aplicação escatológica mais ampla do termo.

O que fazer com isso

Entender geena como um nome de lugar carregado de história muda o peso das advertências de Jesus: ele não inventa uma imagem abstrata de tormento, mas recorre a um vale conhecido de seus ouvintes, ligado na memória de Israel a idolatria e julgamento. Isso ajuda o leitor a perceber que essas palavras de Jesus fazem parte de um discurso moral sério, dirigido à forma como se vive agora, e não um exercício de curiosidade sobre o além.

Passagens relacionadas5

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas5 obras
  • W. Bauer, F. W. Danker, W. F. Arndt e F. W. Gingrich. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 2000.
  • Joachim Jeremias, em Gerhard Kittel (ed.). Theological Dictionary of the New Testament (TDNT), verbete geenna, 1964.
  • W. E. Vine. Vine's Expository Dictionary of New Testament Words, 1940.
  • C. F. Keil e F. Delitzsch. Commentary on the Old Testament (comentário a Jeremias e 2 Reis), 1866.
  • Lloyd R. Bailey. "Gehenna: The Topography of Hell", Journal of Biblical Literature 85, 1986.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Geena e inferno são a mesma coisa?

Geena é a palavra grega específica que os evangelhos usam para o castigo final, e boa parte das traduções em português a verte como "inferno". Mas o português "inferno", em traduções mais antigas, também é usado para hades, palavra grega diferente e mais neutra para a morada geral dos mortos. Por isso vale olhar qual palavra grega está por trás do "inferno" em cada versículo.

O Vale de Hinom existe de verdade?

Sim. É um vale real, hoje identificado com o Wadi er-Rababi, que corre ao sul e a sudoeste da Jerusalém antiga. O Antigo Testamento o associa a sacrifícios de crianças a Moloque, sobretudo nos reinados de Acaz e Manassés, e Jeremias profetizou juízo sobre ele.

É verdade que o Vale de Hinom era o lixão de Jerusalém no tempo de Jesus?

Essa é uma tradição popular, mas não há fonte do primeiro século que a confirme. A referência mais antiga conhecida a um fogo permanente de lixo no vale aparece só em comentaristas judeus medievais, como Davi Kimchi, no século XIII, bem depois do tempo de Jesus.

Por que Jesus usa geena e não hades?

Os dois termos cobrem ideias diferentes no vocabulário do Novo Testamento. Hades é usado de forma mais neutra para o destino geral dos mortos; geena aparece especificamente nas advertências de Jesus sobre o juízo final e a perda definitiva diante de Deus.

Palavras próximas

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Publicado em 01/09/2026

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O que foi conferido

  • γέεννα (geenna) em grego, Strong G1067
  • 5 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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