Pular para o conteúdo
Significado Bíblico
Dicionário bíblicogregointermediária

Hades

O que significa Hades na Bíblia?

A palavra no original

ᾅδης

hadēs · Strong G86

Mundo ou domínio dos mortos; o estado ou lugar dos que morreram, antes do juízo final.

Tudo isto ao mesmo tempo

  • mundo/reino dos mortos em geral
  • equivalente grego do hebraico Sheol
  • poder ou domínio da morte a ser vencido
  • estado intermediário antes do juízo final

Resposta curta

Hades (ᾅδης) é a palavra grega usada nos Evangelhos, em Atos e no Apocalipse para o mundo dos mortos — o destino comum depois da morte física, antes do juízo final. A Septuaginta adotou esse termo, já corrente no grego, para verter o hebraico Sheol, e o Novo Testamento herdou esse vocabulário. Por isso Hades não equivale ao inferno de fogo eterno (Geena): é o domínio geral da morte, não o castigo definitivo dos ímpios.

No Novo Testamento a palavra ocorre dez vezes, quase sempre associada a um poder que será derrotado. Jesus promete que as portas do Hades não prevalecerão contra a igreja; o Apocalipse o retrata como um cativeiro ao lado da Morte, lançado no lago de fogo. Em , Pedro cita o Salmo 16: Cristo não foi abandonado ao Hades — o cenário direto da ressurreição.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Cumprimento direto

A citação de é o ponto em que a própria palavra ᾅδης liga o Antigo e o Novo Testamento em torno de Cristo. Pedro toma o Salmo 16:8-11, em sua forma grega da Septuaginta — texto atribuído a Davi, que fala de não ser abandonado ao Hades nem ver corrupção — e declara que essa promessa não podia se referir a Davi, que morreu e permaneceu sepultado, mas se cumpriu literalmente em Jesus: seu corpo não se decompôs e sua alma não ficou retida no domínio dos mortos, porque ele ressuscitou ao terceiro dia. O mesmo termo reaparece no Apocalipse, onde o Cristo ressurreto declara possuir "as chaves da morte e do Hades" (1:18) — a autoridade sobre o próprio domínio de onde saiu vivo. A trajetória da palavra, do Sheol hebraico ao Hades grego, converge assim numa afirmação concreta sobre a ressurreição de Jesus, não numa alegoria.

Respaldo no Novo Testamento: ;

Em palavras simples

Hades é a palavra grega que a Bíblia usa para o mundo dos mortos, o lugar para onde qualquer pessoa vai depois de morrer, enquanto espera o julgamento final. Não é o mesmo que inferno de fogo eterno — esse é outro termo, Geena. A palavra aparece dez vezes no Novo Testamento, quase sempre como algo que Deus vai vencer: Jesus fala das "portas do Hades" e o Apocalipse mostra Hades sendo finalmente destruído junto com a morte.

De onde vem a palavra

Hades era, no grego usado fora da Bíblia, tanto o nome do deus grego do submundo quanto o nome do próprio submundo — a morada geral dos mortos na mitologia. Quando os judeus de língua grega traduziram o Antigo Testamento hebraico para o grego, produzindo a Septuaginta (LXX) entre os séculos III e I a.C., precisaram de uma palavra para verter Sheol (שְׁאוֹל), o termo hebraico para a sepultura ou o mundo dos mortos. Escolheram Hades, um vocábulo já disponível na língua, e o encheram do sentido hebraico: não um submundo governado por uma divindade pagã, mas o destino comum — bons e maus — de quem morre, sob o senhorio do Deus de Israel. Essa escolha de tradução aparece mais de sessenta vezes na LXX.

Os escritores do Novo Testamento, formados nessa tradição de tradução, usaram Hades do mesmo modo: como equivalente grego de Sheol, não como referência direta à mitologia grega que originalmente cercava a palavra. A palavra ocorre em contextos variados — o julgamento anunciado sobre Cafarnaum (; ), a promessa feita à igreja (), a parábola do rico e Lázaro (), a pregação de Pedro em Pentecostes () e quatro vezes no Apocalipse (1:18; 6:8; 20:13-14), sempre ligada de algum modo ao tema da morte que será, por fim, derrotada.

É importante distinguir Hades de dois outros termos que o português muitas vezes traduz igualmente por "inferno". Geena (γέεννα), que vem do vale de Hinom em Jerusalém, é o termo que Jesus usa para o castigo final e definitivo dos ímpios — um sentido que Hades, no uso bíblico, não carrega. Tártaro (ταρταρόω) aparece uma única vez, em , especificamente para o lugar de prisão dos anjos caídos. Traduções antigas como a King James, ao verter tanto Hades quanto Geena por "hell", ajudaram a apagar essa distinção que o grego original preserva com cuidado.

Aprofundamento

A forma grega é ᾅδης (hadēs), Strong G86, substantivo masculino da terceira declinação. A etimologia mais citada — presente em Thayer's Greek Lexicon e repetida por Vine's Expository Dictionary — deriva a palavra do alfa privativo (a-, "sem" ou "não") somado a ἰδεῖν (idein, "ver"), resultando em algo como "o lugar invisível" ou "o não-visto". Léxicos modernos como o LSJ (Liddell-Scott-Jones) e o BDAG notam que essa é a explicação tradicional, mas também registram a possibilidade de a palavra estar ligada ao nome próprio do deus Hades (também chamado Aïdes ou Plutão) na religião grega, com a etimologia exata do nome divino permanecendo incerta mesmo entre helenistas. Nenhuma das duas hipóteses afeta o uso bíblico da palavra, que é determinado pelo hebraico Sheol que ela traduz na Septuaginta, não pela mitologia.

No Novo Testamento grego, ᾅδης ocorre exatamente dez vezes, uma frequência baixa que contrasta com a carga teológica que o termo recebeu na tradição posterior. Em nenhuma dessas ocorrências a palavra descreve um lugar de tormento eterno e definitivo — esse é o campo de Geena. Hades aparece como o estado ou lugar comum dos mortos (, na parábola do rico e Lázaro), como uma força quase pessoal que se opõe à igreja e será vencida (), e, no Apocalipse, como algo emparelhado e quase personificado junto com a Morte (θάνατος): "Morte e Hades" cavalgam juntos (), entregam seus mortos para o juízo (20:13) e são por fim lançados no lago de fogo (20:14) — numa imagem que descreve o próprio fim da morte, não sua continuação eterna.

A ocorrência teologicamente mais carregada está em e 31, onde Pedro cita a Septuaginta do Salmo 16:10 ("não deixarás minha alma no Hades") e a aplica à ressurreição de Jesus: o corpo de Cristo não sofreu decomposição, e sua alma — ou seja, ele mesmo — não permaneceu retido no domínio da morte. Aqui a palavra grega faz um trabalho exegético preciso: ela é o termo técnico que liga a profecia hebraica antiga ao evento cristão específico. Discussões teológicas sobre o "estado intermediário" — o que acontece com quem morre entre a morte física e a ressurreição final — usam Hades como peça central dessas dez ocorrências, mas o próprio termo, isoladamente, descreve apenas o fato geral da morte, deixando os detalhes desse estado para outras passagens e para a reflexão doutrinária de cada tradição cristã.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Hades é só outro nome para o inferno de fogo eterno, sinônimo de Geena.

    No uso bíblico as palavras cobrem coisas diferentes: Hades é o domínio geral da morte, mencionado como algo que será vencido e destruído (), enquanto Geena é o termo que Jesus usa para o castigo final dos ímpios. Traduzir as duas por 'inferno' em português apaga uma distinção que o grego do Novo Testamento preserva.

  • Dizem que:Usar a palavra grega Hades significa que a Bíblia endossa a mitologia grega sobre o submundo.

    Os tradutores da Septuaginta e os escritores do Novo Testamento aproveitaram uma palavra já existente no grego comum como recipiente para o conceito hebraico de Sheol, do mesmo modo que qualquer tradução usa vocabulário disponível na língua de chegada; o conteúdo teológico vem do hebraico, não da mitologia.

Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Catolicismo e ortodoxia oriental

    Entre a morte e a ressurreição, Cristo desceu ao Hades/Sheol para proclamar sua vitória e libertar os justos do Antigo Testamento que ali aguardavam — o artigo do Credo dos Apóstolos 'desceu aos infernos', apoiado em textos como e 4:6.

  • Protestantismo reformado e evangélico tradicional

    Hades designa o estado consciente dos mortos antes da ressurreição final, dividido, segundo , entre um lugar de conforto e um de tormento; a 'descida' de Cristo é entendida principalmente como sua real experiência da morte, não como um resgate ativo de almas retidas.

  • Tradições condicionalistas (parte do adventismo e de outros grupos)

    Hades corresponde a um estado de inconsciência ou 'sono' dos mortos, sem experiência sensorial, até a ressurreição; passagens como a de são lidas como parábola, não como descrição literal da geografia da morte.

  • Leitura evangélica dispensacionalista

    Hades é o compartimento temporário dos mortos ainda não julgados, distinto do lago de fogo (Geena) que só recebe seus ocupantes definitivamente após o juízo do grande trono branco em .

O que fazer com isso

Reconhecer que Hades e Geena são palavras diferentes ajuda a ler o Novo Testamento com mais precisão, sem misturar textos que falam do destino geral dos mortos com textos que falam do juízo final. Isso evita tanto o exagero de tratar toda menção a Hades como descrição literal de tormento quanto o oposto, o de esvaziar as advertências bíblicas sobre juízo. A distinção também ilumina por que a ressurreição de Cristo é descrita como vitória sobre o Hades.

Passagens relacionadas5

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas5 obras
  • Joseph Henry Thayer. Thayer's Greek-English Lexicon of the New Testament, 1889.
  • W. E. Vine. Vine's Expository Dictionary of New Testament Words, 1940.
  • Walter Bauer, Frederick W. Danker (BDAG). A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature, 2000.
  • Liddell, Scott, Jones. A Greek-English Lexicon (LSJ), 1940.
  • James Strong. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Hades e inferno são a mesma coisa na Bíblia?

Não exatamente. Hades, no Novo Testamento grego, designa o domínio geral dos mortos, enquanto o que o português costuma chamar de 'inferno' de fogo eterno corresponde a outra palavra grega, Geena. As traduções que usam 'inferno' para as duas acabam misturando conceitos que o texto original distingue.

De onde vem a palavra Hades?

É uma palavra grega comum, ligada ao nome do deus grego do submundo. Os tradutores da Septuaginta a adotaram para verter o hebraico Sheol, e o Novo Testamento seguiu esse mesmo uso, esvaziado do conteúdo mitológico e preenchido pelo sentido hebraico.

Quantas vezes a palavra Hades aparece no Novo Testamento?

Dez vezes, em Mateus, Lucas, Atos e Apocalipse. É uma palavra de baixa frequência, o que contrasta com o peso que muitas vezes recebe em discussões populares sobre o além.

Jesus foi para o Hades depois de morrer?

e 31 dizem que Cristo não foi abandonado ao Hades, aplicando o Salmo 16 à sua ressurreição. O que exatamente aconteceu entre a morte e a ressurreição de Jesus é discutido de formas diferentes pelas tradições cristãs, especialmente a partir de .

Palavras próximas

Temas

  • #hades
  • #grego-biblico
  • #sheol
  • #mundo-dos-mortos
  • #geena
  • #estado-intermediario
  • #septuaginta

Publicado em 01/09/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • ᾅδης (hadēs) em grego, Strong G86
  • 5 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

Uma explicação nova por semana

Sem devocional, sem corrente e sem promoção. Só o verbete da semana, com o contexto que normalmente fica de fora. Todo e-mail leva um link para sair, e sair é imediato.

Esta palavra nas passagens explicadas

Números simbólicosApocalipse 6:8

Quem são os quatro cavaleiros do Apocalipse?

Três dos quatro são identificados pelo próprio texto ou pelo que carregam: o segundo tira a paz da terra e recebe uma grande espada; o terceiro traz uma balança e uma tabela de preços de fome; o quarto é nomeado — "seu nome era Morte".

Ler explicação →

Maneja bem a palavra da verdade

Em 2 Timóteo 2:15, Paulo pede que Timóteo se apresente diante de Deus como alguém aprovado, um trabalhador que não tem do que se envergonhar. A expressão "usa bem" a palavra da verdade vem do grego orthotomeo, que significa literalmente cortar reto — a imagem de quem abre um caminho reto ou corta um material com precisão, um trabalho feito com cuidado, sem atalhos.

Ler explicação →