Pular para o conteúdo
Significado Bíblico
Dicionário bíblicogregointermediária

Juízo

o que significa juízo final na bíblia em grego

A palavra no original

κρίσις (κρίμα)

krisis (krima) · Strong G2920 (krisis) / G2917 (krima)

Processo de julgar, decidir uma causa (krisis), e a sentença ou veredito que resulta desse processo (krima).

Tudo isto ao mesmo tempo

  • processo de julgar, exame judicial de uma causa (krisis)
  • veredito, sentença ou decisão pronunciada (krima)
  • separação, discernimento entre o certo e o errado
  • condenação (sentido predominante de krima no uso paulino)
  • o dia do juízo escatológico (hēmera kriseōs)

Resposta curta

Krisis (κρίσις, Strong G2920) vem do verbo grego krinō, "separar, decidir", e designa o ato de julgar: o processo pelo qual uma causa é examinada até a decisão. No Novo Testamento a palavra está ligada ao juízo de Deus, na expressão "dia da krisis" (; ; ) e no processo escatológico diante do qual toda vida humana será avaliada, como em e 5:29.

Ao lado dela está krima (κρίμα, Strong G2917), o resultado desse processo: o veredito ou a sentença pronunciada, não o julgamento em si. Paulo usa krima para a condenação que alguém atrai sobre si (; ), enquanto krisis nomeia o processo mais amplo, o tribunal e o dia de julgar. Léxicos como Vine's e BDAG registram essa distinção: krisis é o julgar, krima é o resultado já julgado.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Trajetória do texto

No Evangelho de João, Jesus afirma que o Pai "a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o krisis" () e que lhe deu autoridade para exercer krisis porque é o Filho do Homem () - uma alusão à figura de . Em , Paulo anuncia aos atenienses que Deus "estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um homem que designou". A trajetória bíblica do juízo divino, que no Antigo Testamento pertence a Deus como juiz de toda a terra, converge no Novo Testamento sobre a figura de Cristo, a quem é confiado o krisis final (ver também ; ; ).

Respaldo no Novo Testamento: ;

Em palavras simples

Na Bíblia grega, "juízo" pode traduzir duas palavras próximas. Krisis é o processo de julgar - o exame de uma causa até chegar a uma decisão, usado para falar do "dia do juízo" final. Krima é o resultado desse processo: a sentença ou o veredito que sai dele, geralmente usado no Novo Testamento para falar de condenação. É a diferença entre o julgamento como acontecimento e a sentença como seu resultado.

De onde vem a palavra

O grupo de palavras por trás de "juízo" no Novo Testamento nasce do verbo krinō, que no grego clássico significava primeiro "separar, distinguir, escolher" e só depois passou a significar "decidir, julgar". A ideia de fundo é a de discernir entre coisas, separando o certo do errado, o culpado do inocente. Dessa raiz nascem vários substantivos usados nas Escrituras: kritēs (o juiz), kritērion (o tribunal, o lugar ou critério do julgamento, como em ) e os dois termos centrais deste verbete, krisis e krima.

Krisis (κρίσις) aparece cerca de 47 vezes no Novo Testamento e designa o ato ou processo de julgar. Os evangelhos a usam para o julgamento divino que virá sobre cidades e pessoas (; 12:36) e, de forma marcante, para o "dia do juízo" (hēmera kriseōs, ; ; 3:7). No Evangelho de João, krisis também nomeia uma separação que já acontece agora, diante da luz que veio ao mundo (; 12:31). resume a ideia: depois da morte vem a krisis.

Krima (κρίμα) aparece cerca de 27 vezes e, em vez do processo, designa o resultado dele: a decisão, sentença ou veredito. Na Septuaginta, krima costuma traduzir o hebraico mishpat quando o sentido é o de um julgamento já proferido. No Novo Testamento, Paulo usa krima sobretudo para a sentença de condenação que o pecado atrai (; 3:8; 13:2), e Tiago adverte que os mestres receberão krima mais rigoroso (). A palavra pode, tecnicamente, indicar um veredito favorável, mas na prática do uso neotestamentário inclina-se quase sempre para o sentido de condenação.

Assim, quando a Bíblia fala do "juízo final", o grego por trás normalmente é krisis - o grande processo, o dia, o tribunal - enquanto krima nomeia a sentença específica que cada um recebe dentro desse processo.

Aprofundamento

A diferença entre krisis e krima não é uma curiosidade filológica sem consequência: ela ajuda a entender como o Novo Testamento fala do juízo de Deus em dois planos que se completam. Krisis é o macroevento - a atividade judicial, o tribunal reunido, o "dia" (hēmera kriseōs) em que a humanidade comparece; krima é o microevento - a sentença específica lida sobre cada causa dentro daquele tribunal. É a diferença entre dizer "o julgamento está em curso" e dizer "a sentença foi esta".

Essa distinção aparece com nitidez em , onde Paulo contrapõe krima (a sentença de condenação, vinda de um só pecado) a dikaiōma (o dom que resulta em justificação) - mostrando que krima, no vocabulário paulino, tende a carregar o peso da condenação, mesmo quando a palavra em si é neutra quanto ao resultado. Essa distinção morfológica é típica da formação de substantivos em grego: sufixos em -sis costumam formar nomes de ação ou processo, enquanto sufixos em -ma formam nomes que designam o resultado de uma ação - um padrão refletido nas próprias definições de krisis e krima em léxicos como o de Vine's e o BDAG.

O grupo krinō já carregava, antes do Novo Testamento, um pano de fundo veterotestamentário: a Septuaginta usa krisis com frequência para traduzir o hebraico mishpat, "julgamento, causa, direito". Um exemplo citado por comentaristas ao tratarem do quarto Cântico do Servo é , onde a Septuaginta traz "em sua humilhação, sua krisis foi tirada" - texto que reproduz quase literalmente na boca do etíope que lê o profeta. Essa ponte entre os Testamentos mostra que o vocabulário grego do juízo não nasce isolado: ele herda a ideia hebraica de um Deus que julga com justiça as causas dos homens.

O artigo de Friedrich Büchsel sobre o grupo krinō no Theological Dictionary of the New Testament (TDNT) situa essas palavras dentro do vocabulário jurídico grego comum, usado em tribunais civis, e nota como os autores do Novo Testamento o transportam para descrever a ação judicial de Deus - não como metáfora vaga, mas como categoria forense real: há um tribunal (kritērion), um juiz (kritēs, título aplicado a Deus e a Cristo), um processo (krisis) e uma sentença (krima).

Vale notar que "Juízo Final", como título de doutrina, é uma síntese teológica posterior; nenhum texto grego do Novo Testamento usa essa expressão exata. O que existe são frases como "aquele dia" () e "o dia da krisis", das quais a tradição cristã extraiu a doutrina de um julgamento derradeiro e público de toda a humanidade, distinto de julgamentos parciais que a Escritura também menciona ao longo da história.

O que costumam dizer errado3 afirmações
  • Dizem que:Krisis significa apenas condenação, é sempre negativo.

    Krisis é a palavra mais neutra do par: designa o processo de julgar, que pode terminar em absolvição ou condenação. É krima - e principalmente o uso que Paulo faz dela - que carrega, no Novo Testamento, a tendência ao sentido de sentença condenatória.

  • Dizem que:Krisis e krima são apenas sinônimos, sem nenhuma diferença de sentido.

    Embora relacionadas e às vezes próximas em uso, léxicos como os de Vine's e BDAG registram a distinção semântica: krisis aponta para o processo de julgar, krima para o resultado, a sentença já proferida.

  • Dizem que:'Juízo Final' é uma expressão que aparece literalmente no grego do Novo Testamento.

    O termo é uma síntese teológica posterior. O grego usa expressões como 'o dia da krisis' ou 'aquele dia' - 'Juízo Final' como título fixo de doutrina não corresponde a uma única palavra ou frase bíblica.

Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Tradição Católica

    Distingue um juízo particular, que ocorre no momento da morte de cada pessoa, de um Juízo Final público e universal ao fim dos tempos, quando os corpos ressuscitados comparecem diante de Cristo e a sentença particular é confirmada abertamente.

  • Tradição Protestante Reformada e Evangélica

    Enfatiza um único juízo final e público, descrito principalmente a partir de e , sem um estágio intermediário de purificação; a condição de cada pessoa após a morte já está selada, e o dia da krisis apenas manifesta publicamente o que já era verdade.

  • Ortodoxia Oriental

    Mantém o mistério do juízo final como ensino central, associado à ressurreição geral, e preserva na piedade popular e litúrgica reflexões sobre um exame da alma logo após a morte, sem transformar isso em dogma definido do mesmo modo que a doutrina católica do juízo particular.

  • Adventismo do Sétimo Dia

    Ensina um 'juízo investigativo', que teria começado em 1844, como fase celestial de exame dos casos dos crentes antes do retorno visível de Cristo, precedendo e preparando o juízo final executado sobre toda a humanidade.

O que fazer com isso

Entender krisis e krima ajuda a ler com mais precisão os textos sobre o juízo: um versículo pode estar descrevendo o processo (krisis) - o exame, o critério, o tribunal - e outro, a sentença específica (krima) que dele resulta. Essa distinção evita leituras apressadas que tratam toda menção de "juízo" como sinônimo automático de condenação, e convida a observar o contexto de cada palavra antes de tirar conclusões sobre o destino de alguém.

Passagens relacionadas17

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas4 obras
  • W. E. Vine. Vine's Expository Dictionary of Old and New Testament Words, 1940.
  • Walter Bauer, Frederick W. Danker, William F. Arndt, F. Wilbur Gingrich. A Greek-English Lexicon of the New Testament (BDAG), 2000.
  • Gerhard Kittel (ed.), artigo de Friedrich Büchsel. Theological Dictionary of the New Testament (TDNT), verbete krino, 1965.
  • Joseph Henry Thayer. A Greek-English Lexicon of the New Testament, 1886.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre krisis e krima?

Krisis é o processo de julgar - o exame de uma causa, o tribunal, o dia do juízo. Krima é o resultado desse processo, a sentença ou veredito que sai dele. Um nomeia a atividade, o outro, o produto dela.

Krima significa sempre condenação?

Tecnicamente krima é neutro quanto ao resultado - pode ser um veredito favorável ou desfavorável. Mas no uso do Novo Testamento, sobretudo em Paulo, a palavra aparece quase sempre associada à sentença de condenação.

De onde vem a expressão 'juízo final'?

Não é uma tradução literal de um termo grego único. Ela resume frases bíblicas como 'o dia da krisis' (hēmera kriseōs) e 'aquele dia', que os teólogos reuniram na doutrina de um julgamento público e derradeiro no fim dos tempos.

Krisis aparece só em contextos de condenação?

Não. Krisis é o termo mais neutro dos dois - designa o processo de julgar, que pode resultar em absolvição ou condenação. Em João, por exemplo, a palavra também descreve a separação que já ocorre agora, diante da luz de Cristo.

Palavras próximas

Temas

Publicado em 27/08/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • κρίσις (κρίμα) (krisis (krima)) em grego, Strong G2920 (krisis) / G2917 (krima)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 3 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

Uma explicação nova por semana

Sem devocional, sem corrente e sem promoção. Só o verbete da semana, com o contexto que normalmente fica de fora. Todo e-mail leva um link para sair, e sair é imediato.

Esta palavra nas passagens explicadas

Profecia1 Tessalonicenses 5:1-3

Como ladrão de noite: o dia do Senhor em 1 Tessalonicenses 5:1-3

Paulo já havia ensinado pessoalmente aos tessalonicenses sobre os "tempos e as estações" do fim, por isso não precisa repetir datas: "vós mesmos bem sabeis que o dia do Senhor virá como um ladrão de noite" (v. 2). A imagem do ladrão não descreve o caráter de Deus, e sim a imprevisibilidade do momento — ninguém marca hora com um ladrão.

Ler explicação →
Questões de tradução2 Tessalonicenses 2:1-2

A carta forjada e o boato de que o dia do Senhor já havia chegado

Em 2 Tessalonicenses 2:1-2, Paulo pede aos cristãos de Tessalônica que não se deixem abalar por um boato que corria na igreja: a ideia de que "o dia de Cristo" já havia chegado. O verbo grego por trás de "estivesse perto" indica algo já presente, não apenas próximo, o que explica o desespero causado pelo boato. Paulo lista três possíveis origens da confusão: uma suposta palavra profética, um ensino oral mal-entendido, ou uma carta forjada em seu nome.

Ler explicação →
Teologia densaHebreus 9:27-28

Morrer uma vez, e depois o juízo

Hebreus 9:27-28 costuma circular sozinho, como frase genérica sobre a certeza da morte e do juízo. No texto original, porém, ela é metade de uma comparação: assim como está ordenado aos seres humanos morrerem uma vez, e depois disso, o juízo, assim também Cristo se ofereceu uma vez para tirar os pecados de muitos. O autor argumenta sobre o Dia da Expiação: ao contrário dos sacerdotes que repetiam sacrifícios todo ano, Cristo se ofereceu uma única vez, de forma definitiva.

Ler explicação →