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Significado Bíblico
Dicionário bíblicohebraicointermediária

Belial (Sem Valor, Perversidade)

O que significa Belial na Bíblia?

A palavra no original

בְּלִיַּעַל

beliyya'al · Strong H1100

Sem valor ou sem proveito (etimologia incerta); depois, nome de um poder maligno.

Tudo isto ao mesmo tempo

  • inutilidade e perversidade
  • pessoas sem valor moral
  • homens que rompem a aliança
  • personificação do mal (Qumran)
  • oposição a Cristo (2 Coríntios 6:15)

Resposta curta

Belial (בְּלִיַּעַל, beliyya'al) é uma palavra hebraica que, no Antigo Testamento, descreve a perversidade e a inutilidade: "filhos de Belial" são homens vis, sem valor moral, como os filhos de Eli () ou Nabal (). A etimologia é incerta, mas a hipótese mais comum a explica como "sem proveito" (beli, "sem", mais ya'al, "ser útil"). Nos textos judaicos do período do Segundo Templo, como os de Qumran, Belial passou a nome de um poder maligno, chefe das forças das trevas. Esse uso aparece em , onde Paulo contrapõe Cristo e Belial (na forma grega Beliar).

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Contraste

Em , Paulo pergunta: "Que harmonia há entre Cristo e Beliar?". Belial é a figura da perversidade, do que é sem valor e oposto a Deus, e Cristo é o seu contraste direto. O versículo não trabalha com o termo hebraico do Antigo Testamento nem com tipologia, mas com um nome que a tradição judaica já associava ao mal, e que Paulo coloca em oposição a Cristo para pedir aos coríntios que não se juntem a práticas incompatíveis com a sua fé.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Belial é uma palavra hebraica que, no Antigo Testamento, quer dizer algo como "sem valor" ou "perverso". "Filhos de Belial" eram pessoas más, como os filhos do sacerdote Eli. Aos poucos, em textos judaicos posteriores, como os de Qumran, Belial virou o nome de um poder maligno. Paulo usa esse nome em para contrapor Cristo ao mal. A origem exata da palavra é incerta, e Belial não era um deus pagão.

De onde vem a palavra

No Antigo Testamento, beliyya'al ocorre pouco mais de vinte e cinco vezes e quase sempre depende de outra palavra: "filhos de Belial" (benê beliyya'al), "homem de Belial" (ish beliyya'al) ou "filha de Belial". Na maior parte dos casos o termo funciona como adjetivo moral para pessoas, e não como nome de um ser sobrenatural. Algumas traduções o mantêm como "Belial", enquanto outras o vertem por "perversos", "vis" ou "homens de nada".

Os textos mostram o espectro do uso. Em (14 no texto hebraico), "homens de Belial" são os que induzem uma cidade à idolatria. Em , os homens de Gibeá que agridem o levita são chamados de "filhos de Belial". Em , os filhos do sacerdote Eli, que desrespeitavam as ofertas, são "filhos de Belial, que não conheciam ao Senhor". Em , Abigail pede que Davi não dê atenção a "esse homem de Belial", Nabal, cujo nome significa "tolo" e cuja natureza combina com o seu nome. Em , dois "filhos de Belial" prestam falso testemunho contra Nabote.

Outros textos ampliam o campo. descreve o "homem de Belial" como o perverso que anda com boca falsa; , como o homem que cava o mal; e usa a palavra de modo geral para quem é indigno. Em Salmo 18:4 (), "torrentes de Belial" aparecem em paralelo com "laços da morte" e "cordas do Sheol", o que levou alguns a ver ali um sentido mais próximo de "ruína" ou "abismo". Em (2:1 no hebraico), a palavra qualifica o inimigo derrotado que não voltará a passar por Judá.

Por isso, o primeiro sentido do termo é moral: pessoas sem valor, perversas, que rompem as normas da aliança. A passagem para um nome próprio ocorre mais tarde, fora do cânon hebraico, e é nesse caminho que o Novo Testamento a recolhe.

Aprofundamento

A etimologia da palavra é incerta, e os léxicos tratam as propostas como hipóteses. A mais difundida divide-a em beli, "sem, não", e ya'al, "ser útil, ter proveito", resultando em "sem utilidade", "inútil" ou "sem valor". Uma segunda sugestão liga o segundo elemento a 'alah, "subir", dando algo como "aquele que não sobe", em referência ao Sheol e à ruína. Uma tradição rabínica, registrada no Talmude (Sanhedrin 111b), lê beli ol, "sem jugo", ou seja, os que lançam fora o jugo do céu. A leitura moral combina com o uso mais antigo, mas nenhuma das explicações é de aceitação universal. Os léxicos clássicos, como Brown-Driver-Briggs e Koehler-Baumgartner, registram o termo como abstrato, "inutilidade, perversidade", usado em genitivo para pessoas.

A Septuaginta, na maioria dos casos, não transliterou o termo, e o traduziu por palavras como paranomos ("transgressor da lei") e loimos ("pestilento"), o que indica que os tradutores gregos o entendiam como adjetivo moral. A mudança para nome próprio de um poder maligno ocorre na literatura do judaísmo do Segundo Templo. Nos manuscritos de Qumran, Belial é o chefe das forças das trevas e adversário dos "filhos da luz": o Rolo da Guerra (1QM) descreve uma batalha escatológica entre os filhos da luz e os de Belial, e a Regra da Comunidade (1QS) fala do "lote de Belial". Fora de Qumran, os Testamentos dos Doze Patriarcas e a Ascensão de Isaías usam a forma Beliar para um poder maligno. Esse desenvolvimento mostra uma tendência da época de personificar a ideia de maldade, em conexão com figuras como Satanás e Mastema. A Bíblia hebraica não faz essa personificação de forma clara.

O Novo Testamento traz o termo uma única vez, em , na pergunta retórica: "Que harmonia há entre Cristo e Beliar?". Nos manuscritos gregos a forma é Beliar (Βελιάρ), com a troca de l por r. O contexto (6:14-7:1) opõe luz e trevas, justiça e iniquidade, templo de Deus e ídolos, e o uso de Belial funciona como nome de uma força oposta a Cristo, normalmente identificada com Satanás. Isso não significa que o hebraico original dos textos mais antigos já falasse de um demônio chamado Belial, e sim que Paulo utiliza uma designação consolidada no judaísmo do seu tempo. Convém, por fim, descartar associações populares sem apoio nas fontes, como a de que Belial seria um deus cananeu ou um demônio específico do Antigo Testamento: nenhum texto bíblico ou extrabíblico antigo conhecido o confirma.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Belial é o nome de um demônio ou de um deus pagão que aparece no Antigo Testamento.

    No Antigo Testamento, beliyya'al é uma palavra de caráter moral, usada em expressões como "filhos de Belial", e não nome de um ser sobrenatural. O uso como nome de um poder maligno surge depois, no judaísmo do Segundo Templo, e não há prova de que fosse um deus cananeu.

  • Dizem que:A origem da palavra Belial é conhecida com certeza.

    As propostas (beli + ya'al, beli + 'alah, beli + ol) são hipóteses de léxicos e de tradições antigas. Não há consenso, e os estudiosos reconhecem a incerteza.

Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Cristã tradicional (católica e protestante)

    Lê como Belial/Beliar sendo outro nome de Satanás, e entende o uso do Antigo Testamento como a base moral dessa designação: a perversidade que se opõe a Deus.

  • Judaísmo do Segundo Templo (Qumran)

    Apresenta Belial como chefe das forças das trevas, comandante dos "filhos de Belial" na guerra escatológica, e o personifica como adversário dos filhos da luz.

  • Rabínica

    Interpreta Belial moralmente, como beli ol ("sem jugo"), aplicado a quem rejeita o jugo do céu, sem personificação demoníaca central.

  • Crítica histórica contemporânea

    Descreve um processo em que um termo abstrato (inutilidade, perversidade) é gradualmente personificado, em paralelo com Satanás e Mastema, até se tornar nome próprio na literatura intertestamentária.

O que fazer com isso

A palavra mostra como um termo moral pode se tornar nome de uma força: o que começa como descrição de conduta, "sem valor", acaba personificando o mal que se opõe a Cristo. Para o leitor, a lição é cuidado com rótulos: o texto bíblico descreve pessoas concretas, com nomes e atos, e convida a discernir o que fere a aliança, sem facilitar a demonização de quem apenas discorda.

Passagens relacionadas7

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas5 obras
  • Brown, F.; Driver, S.; Briggs, C.. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1907.
  • Koehler, L.; Baumgartner, W.. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.
  • van der Toorn, K.; Becking, B.; van der Horst, P. W. (orgs.). Dictionary of Deities and Demons in the Bible (verbete Belial), 1995.
  • Yadin, Y.. The Scroll of the War of the Sons of Light Against the Sons of Darkness, 1962.
  • Strong, J.. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O que significam "filhos de Belial"?

No Antigo Testamento, a expressão descreve pessoas perversas e sem valor moral, como os filhos de Eli () e os homens de Gibeá (). Não indica descendentes de um demônio, e sim um caráter.

Belial é outro nome de Satanás?

No uso de , sim: Belial (Beliar) é lido como designação de um poder maligno oposto a Cristo. No Antigo Testamento, porém, a palavra não é nome próprio de um ser sobrenatural.

Qual a origem da palavra Belial?

É incerta. A hipótese mais comum a divide em beli (sem) e ya'al (ser útil), "sem proveito". Outras ligam a 'alah (subir) ou a ol (jugo). Os léxicos tratam as propostas como hipóteses.

O que os manuscritos de Qumran dizem sobre Belial?

Nos textos de Qumran, como o Rolo da Guerra, Belial é o chefe das forças das trevas, adversário dos filhos da luz. Essa personificação mostra o uso do termo no judaísmo do Segundo Templo, antes e durante o tempo de Paulo.

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Publicado em 09/10/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • בְּלִיַּעַל (beliyya'al) em hebraico, Strong H1100
  • 5 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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