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Significado Bíblico
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Rasha (Ímpio)

o que significa rasha na bíblia

A palavra no original

רָשָׁע

rasha' (rāšāʿ) · Strong H7563

Culpado, condenado; aquele que está errado diante de Deus ou da lei — traduzido como "ímpio" ou "perverso".

Tudo isto ao mesmo tempo

  • ímpio, contrário à vontade de Deus
  • culpado, réu perdedor numa causa judicial
  • perverso, que pratica violência ou injustiça
  • condenado, sentenciado em juízo
  • inquieto, sem paz (sentido figurado sugerido por alguns léxicos)

Resposta curta

A palavra hebraica רָשָׁע (rasha), listada em Strong's como H7563, é o termo mais recorrente do Antigo Testamento para descrever quem se opõe à vontade de Deus — geralmente traduzida como "ímpio", "perverso" ou "culpado". Ela funciona como o contrário direto de tsaddiq ("justo"), formando um par que estrutura boa parte da literatura sapiencial, sobretudo Salmos e Provérbios, onde os "dois caminhos" organizam quase todo o ensino moral.

Mas rasha carrega também um sentido jurídico preciso: designa a parte que perde uma causa, o réu declarado culpado diante de um tribunal (). Esse pano de fundo forense ajuda a explicar por que, em , Paulo escolhe justamente a linguagem de "justificar o ímpio" para descrever a obra de Cristo — uma inversão do veredito esperado.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Contraste

Rasha descreve, no Antigo Testamento, a parte condenada diante do tribunal — o oposto exato do tsaddiq, que é declarado justo. Essa oposição forense parecia definitiva: chama de abominável justamente o juiz que inverte os papéis e declara justo o culpado. É precisamente essa inversão "abominável" que Paulo anuncia como o coração do evangelho em , ao descrever Deus como aquele "que justifica o ímpio" (dikaiounta ton asebē) com base na fé, não nas obras. O Novo Testamento não nega a categoria de rasha nem suaviza a culpa que ela descreve — reconhece que todos, sem Cristo, estão nessa posição (, "éramos ainda pecadores... ímpios"). O que muda é o veredito: em Cristo, o lugar do rasha na sentença é assumido pelo próprio juiz, para que o culpado seja declarado justo sem que a justiça do tribunal seja violada.

Respaldo no Novo Testamento: ;

Em palavras simples

Rasha é a palavra hebraica para "ímpio" ou "mau", usada na Bíblia para falar de quem vive contra os caminhos de Deus. Ela aparece bastante nos Salmos e em Provérbios, sempre em contraste com o "justo". Além do sentido moral, a palavra também era usada nos tribunais para indicar quem tinha perdido uma causa — o culpado. Por isso, quando o Novo Testamento fala que Deus "justifica o ímpio", está usando essa mesma ideia de um julgamento em que o culpado é declarado inocente.

De onde vem a palavra

רָשָׁע (rasha) é um dos termos mais frequentes do Antigo Testamento para nomear quem se opõe a Deus, e sua importância está menos numa ocorrência isolada do que na estrutura que ele ajuda a construir. A literatura sapiencial hebraica — sobretudo Salmos e Provérbios — organiza boa parte do seu ensino em torno de "dois caminhos": o do tsaddiq (justo) e o do rasha (ímpio). O Salmo 1 abre todo o saltério com esse contraste: o caminho de quem medita na lei do Senhor, "como árvore plantada junto a ribeiros", contra o caminho dos ímpios, que "são como a moinha que o vento espalha" e "não subsistirão no juízo" (Salmo 1:1, 4-6). Provérbios repete o padrão dezenas de vezes, comparando a casa, a fala, os negócios e o destino do justo e do ímpio em quase todos os capítulos centrais do livro.

O termo também tem lugar no relato narrativo e na lei. Em , Abraão intercede por Sodoma perguntando se Deus destruiria "o justo com o ímpio", usando o par tsaddiq/rasha num dos primeiros diálogos morais explícitos da Bíblia. Em , o próprio Faraó admite, diante das pragas, "eu pequei... eu e o meu povo somos rashaim [ímpios]" — mostrando que a palavra não é reservada a israelitas nem a um grupo étnico específico. Na legislação, emprega rasha no contexto de um processo judicial concreto, o que ancora o sentido moral do termo numa prática jurídica real de Israel.

Os profetas usam a palavra para lamentar a prosperidade aparente dos ímpios () e para afirmar que Deus não tem prazer na morte do rasha, mas quer que ele se converta e viva () — um uso que evita transformar o termo numa categoria fixa e sem saída, e o mantém ligado à possibilidade de mudança de rumo. Esse conjunto de usos — sapiencial, narrativo, legal e profético — mostra que rasha nunca é apenas um rótulo passageiro: é uma categoria central para a forma como o Antigo Testamento descreve o desvio humano da vontade de Deus e sua contrapartida no juízo divino.

Aprofundamento

A raiz hebraica רשע (r-sh-') aparece na Bíblia em várias formas: o verbo רָשַׁע (rasha', H7561, "ser/agir de modo ímpio", e na forma causativa hifil "condenar, declarar culpado"), os substantivos abstratos רֶשַׁע (resha, H7562) e רִשְׁעָה (rish'ah, H7564, "impiedade, maldade") e o adjetivo substantivado רָשָׁע (rasha, H7563), que é a forma tratada aqui — "o ímpio", "o culpado", "aquele que está errado". Léxicos padrão como BDB (Brown-Driver-Briggs) e HALOT (Koehler-Baumgartner) classificam o núcleo do termo em dois campos que quase sempre andam juntos no texto: um campo ético-religioso (viver em desacordo com a vontade de Deus, opor-se ativamente ao que é reto) e um campo jurídico-forense (ser a parte perdedora, o réu culpado numa disputa levada a juízo).

Esse segundo campo é decisivo para entender o uso bíblico. Em , a lei instrui os juízes a "justificar o justo (tsaddiq) e condenar o ímpio (hirshi'u et harasha)" — um par de verbos forenses que descreve exatamente o veredito de um tribunal, não apenas um julgamento moral abstrato. O mesmo par aparece em : "o que justifica o ímpio e o que condena o justo, ambos são abomináveis ao Senhor". Rasha, portanto, não é primeiro uma categoria de caráter e só depois uma sentença judicial — as duas coisas nascem juntas no hebraico: ser rasha é estar do lado errado diante de um juiz, seja um tribunal humano, seja o próprio Deus.

Alguns comentaristas, entre eles Keil e Delitzsch em seu comentário sobre os Salmos, e o Theological Wordbook of the Old Testament (TWOT), notam ainda uma possível ligação com a ideia de instabilidade ou agitação — apoiada no paralelo de , onde "os ímpios são como o mar agitado, que não pode sossegar" e conclui "não há paz para os ímpios". Essa leitura, se correta, sugeriria que o hebraico enxerga o rasha não como alguém firme em sua maldade, mas como alguém sem repouso interior — uma vida sem o shalom que só o caminho reto oferece. É uma sugestão filológica plausível, mas não unânime entre os léxicos, e por isso deve ser tomada como hipótese, não certeza.

No uso bíblico corrente, rasha cobre desde o criminoso violento (Salmo 37, sobre os que tramam contra o justo) até o litigante que simplesmente perde uma causa (, o "hebreu que fazia mal ao seu próximo"), passando pelo uso mais recorrente: o tipo humano que os sábios de Provérbios descrevem como o oposto do justo em quase todas as áreas da vida — fala, negócios, família, relação com Deus.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Rasha é reservada aos grandes tiranos e criminosos da história, nunca a pessoas comuns.

    O termo é usado tanto para figuras extremas quanto para o litigante comum de uma disputa () e para qualquer pessoa, israelita inclusive, que escolhe viver contra a sabedoria de Deus, como mostram Provérbios e os Salmos ao descrever um tipo humano recorrente, não apenas vilões excepcionais.

  • Dizem que:Rasha é sinônimo simples de 'pecador ocasional', qualquer um que erra às vezes.

    O hebraico distingue esse sentido de outros termos, como chata (errar o alvo). Rasha descreve antes uma orientação de vida ou um veredito judicial — estar do lado errado de um juízo — do que um deslize pontual.

Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Reformada

    Enfatiza que ser rasha é o estado natural de todo ser humano fora de Cristo, resultado da queda, e que a justificação do ímpio em é obra soberana da graça, sem qualquer mérito prévio do que se converte.

  • Wesleyana-Arminiana

    Concorda que rasha descreve a condição pecaminosa universal, mas insiste que a Escritura sempre trata essa condição como responsável e reversível pela resposta humana à graça que capacita (como sugere o apelo de para o ímpio se converter e viver).

  • Católica

    Lê o par tsaddiq/rasha à luz da noção de pecado como ruptura real que precisa ser curada, não apenas declarada diferente; a justificação envolve tanto o veredito divino quanto uma transformação interior operada pela graça.

  • Ortodoxa

    Tende a evitar a ênfase estritamente forense e lê rasha mais em termos existenciais — um afastamento da comunhão com Deus (a verdadeira fonte de vida) do que primariamente como um veredito jurídico a ser revertido por decreto.

O que fazer com isso

Entender rasha ajuda a ler os Salmos e Provérbios com mais precisão: o "caminho dos ímpios" que se perde (Salmo 1) não é uma etiqueta para os outros, mas a descrição de qualquer vida orientada contra a sabedoria de Deus. A palavra também ilumina a linguagem de Paulo: falar em "justificar o ímpio" () retoma deliberadamente um termo de tribunal do Antigo Testamento, mostrando a novidade do evangelho diante da lógica normal da lei.

Passagens relacionadas9

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas5 obras
  • Francis Brown, S.R. Driver, Charles A. Briggs. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1906.
  • Ludwig Koehler, Walter Baumgartner. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 2000.
  • James Strong. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.
  • R. Laird Harris, Gleason L. Archer Jr., Bruce K. Waltke (eds.). Theological Wordbook of the Old Testament (TWOT), 1980.
  • C. F. Keil, F. Delitzsch. Commentary on the Old Testament: Psalms, 1871.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

O que significa a palavra rasha na Bíblia?

Rasha é a palavra hebraica geralmente traduzida como "ímpio" ou "culpado". Ela descreve alguém que vive contra a vontade de Deus e, num sentido mais técnico, a parte que perde uma causa num tribunal. É o oposto direto de tsaddiq, o "justo".

Rasha é o mesmo que pecador?

Não exatamente. O hebraico tem palavras específicas para "pecar" no sentido de errar um ato isolado (como chata, "errar o alvo"). Rasha descreve mais uma condição ou veredito — alguém identificado como estando do lado errado diante de Deus ou da lei — do que um único deslize.

Onde a palavra rasha aparece mais na Bíblia?

Ela é especialmente comum nos Salmos e em Provérbios, onde forma um par constante com tsaddiq ("justo") para descrever dois caminhos de vida opostos. Também aparece em textos legais, como , e em relatos como e .

Rasha tem relação com o Novo Testamento?

Sim, indiretamente. usa a mesma lógica jurídica ao dizer que Deus "justifica o ímpio" pela fé — um eco direto da linguagem forense do Antigo Testamento em que tsaddiq e rasha são vereditos de um tribunal, não apenas rótulos morais.

Palavras próximas

Temas

Publicado em 09/09/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • רָשָׁע (rasha' (rāšāʿ)) em hebraico, Strong H7563
  • 5 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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