Bdélio (Bedolach)
O que significa bdélio na Bíblia?
A palavra no original
בְּדֹלַח
bedolach (bᵊdōlaḥ) · Strong H916
Substância preciosa de aspecto característico, identificada ora como goma aromática, ora como gema ou cristal.
Tudo isto ao mesmo tempo
- substância preciosa de identificação debatida
- goma-resina aromática
- gema ou cristal translúcido
- riqueza natural de Havilá
- termo de comparação para o aspecto do maná
Resposta curta
Bdélio é o nome em português de uma substância preciosa que a Bíblia menciona apenas duas vezes, e cuja identidade exata continua em debate. A palavra hebraica é bedolach (בְּדֹלַח, Strong H916). Em ela descreve a terra de Havilá, onde o ouro é bom e há bdélio e pedra de ônix. Em serve de comparação visual para o maná, cujo aspecto era como o do bdélio. Duas leituras disputam o sentido: uma goma aromática, resina de árvores do gênero Commiphora, conhecida de autores antigos como Plínio, ou uma gema, talvez pérola ou cristal, como entenderam a tradução grega e parte dos comentaristas judeus. Os léxicos modernos tendem à resina, mas o hebraico, sozinho, não decide.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
Ligação indiretaO bedolach não tem, em si, sentido cristológico: aparece só como riqueza da terra de Havilá e como termo de comparação para o aspecto do maná. A ligação com Cristo, quando existe, passa pelo maná. Em Jesus retoma o episódio do maná no deserto e se apresenta como o verdadeiro pão do céu. Essa relação é com o maná, e não com o bdélio, e o Novo Testamento não menciona a palavra. Registrar essa distância evita atribuir ao bdélio um simbolismo que o texto não afirma.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Bdélio é o nome que as Bíblias em português dão à palavra hebraica bedolach, que aparece só duas vezes. Em ela cita uma riqueza da terra de Havilá, junto do ouro e do ônix. Em diz que o maná tinha aparência de bdélio. Ninguém sabe ao certo o que era. Os dicionários modernos acham mais provável uma goma perfumada de árvore; a tradução grega antiga entendeu uma pedra preciosa, como cristal. O texto bíblico não decide a questão, e por isso o mais honesto é dizer que há debate.
De onde vem a palavra
As duas passagens que citam o bedolach são curtas e não o definem. Em , a narrativa do jardim descreve um rio que se divide em quatro braços. O primeiro, o Pisom, contorna a terra de Havilá, e o texto acrescenta que o ouro daquela terra é bom e que ali existem o bedolach e a pedra de ônix (even shoham). O bedolach aparece, portanto, numa lista de riquezas naturais, ao lado de um metal e de uma pedra, sem que o texto diga se ele é mineral, vegetal ou produto do mar. O narrador também não localiza Havilá com precisão geográfica; e 10:29 mencionam personagens e povos com esse nome, e a identificação do lugar continua discutida.
A segunda passagem é . Em meio às queixas do povo no deserto, o narrador explica o aspecto do maná: era como semente de coentro, e a sua aparência era como a aparência do bedolach. Aqui o bdélio não é descrito, mas usado como termo de comparação, o que pressupõe que o leitor original soubesse como ele era. Isso reforça a ideia de que se tratava de algo conhecido e visualmente distintivo, sem dizer se pelo cheiro, pela cor ou pelo brilho. completa o quadro dizendo que o maná era branco, como o coentro, e de sabor semelhante ao do bolo de mel.
Fora da Bíblia, a palavra grega bdellion e o latim bdellium designam uma goma-resina aromática, de cor pálida e translúcida, extraída de árvores do gênero Commiphora, parentes das que dão a mirra. Autores antigos como Plínio, o Velho, em sua História Natural, e Dioscórides a descrevem como produto de comércio, vindo da Arábia, da Índia e da Báctria. É essa descrição que sustenta a leitura da maioria dos dicionários modernos. Mas os textos bíblicos, por si sós, não fornecem as características que permitiriam fechar a questão, e por isso a palavra permanece entre as de identificação incerta.
Aprofundamento
A palavra hebraica בְּדֹלַח (bedolach, Strong H916) ocorre só duas vezes no Antigo Testamento, em e . Com tão poucos exemplos, a identificação depende de comparações externas. Os léxicos clássicos, como o de Brown, Driver e Briggs e o de Koehler e Baumgartner, registram a possibilidade de uma goma aromática e citam um paralelo acadiano, budulhu, que apontaria para uma substância desse tipo. Trata-se de proposta de comparação, e não de dado confirmado: a etimologia hebraica da palavra é incerta e os próprios dicionários o reconhecem.
As traduções antigas já divergiam. A tradução grega do Antigo Testamento, a Septuaginta, verteu a palavra em por anthrax, um nome grego de pedra preciosa de cor vermelha, e em por krystallos, cristal. Ou seja, os tradutores judeus de Alexandria entenderam uma gema, e não uma resina. A Vulgata, de Jerônimo, preferiu transliterar a palavra como bdellium em ambos os casos, e é dessa transliteração que o português herdou bdélio. Várias traduções modernas seguem a linha da resina; outras trazem nota de rodapé admitindo pérola ou pedra.
O contexto de favorece a leitura de pedra, porque o bedolach aparece junto com o ouro e o ônix, uma lista de coisas valiosas extraídas da terra. O contexto de favorece a leitura de resina, porque a comparação com o maná e com a semente de coentro sugere um grão pequeno, de cor clara e aspecto característico, como as lágrimas de goma. Nenhum desses indícios é conclusivo. Quem defende a pedra precisa explicar a comparação do maná com uma gema; quem defende a resina precisa explicar por que uma goma entraria numa lista de riquezas ao lado de ouro e ônix, embora isso seja possível, já que as resinas aromáticas tinham alto valor de troca.
Um ponto que gera mal-entendido é associar o bdélio ao culto. Nenhuma das duas passagens o liga ao incenso ou ao tabernáculo, e ele não consta da lista de ingredientes de . Se o bdélio é goma aromática, trata-se de uma goma que a Bíblia menciona como riqueza natural e como termo de comparação, não como material de ritual. Por isso, quem pesquisa o assunto deve desconfiar de afirmações categóricas, venham de onde vierem, e verificar o que cada autor realmente demonstra. A conclusão honesta é que o bdélio é uma substância valiosa, clara e de aspecto marcante, cuja natureza exata a Escritura não especifica.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:Bdélio é, com certeza, uma resina perfumada usada no culto do tabernáculo.
A identificação como goma aromática é a hipótese mais comum nos dicionários, mas não é certeza: a Septuaginta entendeu uma pedra preciosa. Além disso, nenhuma das duas passagens liga o bedolach ao culto, e ele não está na lista de ingredientes do incenso sagrado em .
Dizem que:A palavra bdélio vem do grego e por isso não é hebraica.
O português recebeu bdélio pelo latim bdellium, que vem do grego bdellion, e a origem última do termo grego provavelmente é semítica. O vocábulo bíblico, porém, é o hebraico bedolach, de e .
Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Lexicografia crítica moderna
Prefere entender o bedolach como goma-resina aromática, apoiada no uso grego e latino de bdellion e bdellium, no paralelo acadiano budulhu e na comparação com a aparência de pequenas lágrimas de resina em , mas reconhece que a etimologia hebraica é incerta.
Septuaginta e tradição grega
Traduz por anthrax, pedra preciosa, em e por krystallos, cristal, em , entendendo o bedolach como gema ou como material brilhante e transparente.
Comentaristas judeus medievais
Tendem a entender o bedolach como pedra preciosa ou cristal, em linha com a tradição grega, lendo a comparação com o maná como referência à sua cor clara e ao brilho.
Vulgata e tradição latina
Transliteram a palavra como bdellium, preservando o termo sem decidir entre resina e gema, e legando ao português o vocábulo bdélio.
O que fazer com isso
O bdélio ensina a ler com humildade os pontos em que o texto bíblico usa palavras que o tempo tornou opacas. Nem tudo o que a tradução escreve com segurança é seguro no original, e saber disso protege tanto de afirmações exageradas quanto de desconfiança do texto. Quando a Escritura silencia, o mais honesto é registrar as hipóteses sem transformar nenhuma delas em doutrina.
Passagens relacionadas5
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Fontes consultadas5 obras
- Brown, F.; Driver, S.; Briggs, C.. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1907.
- Koehler, L.; Baumgartner, W.. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.
- Plínio, o Velho. História Natural, livro 12, 77.
- Wenham, G. J.. Genesis 1-15 (Word Biblical Commentary), 1987.
- Milgrom, J.. Numbers (JPS Torah Commentary), 1990.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
O que é bdélio, afinal?
Ninguém sabe com certeza. A hipótese mais comum nos dicionários é uma goma-resina aromática pálida, de árvores do gênero Commiphora. A tradução grega antiga, porém, entendeu uma pedra preciosa ou cristal, e o texto hebraico, por si só, não decide.
Onde o bdélio aparece na Bíblia?
Em apenas dois lugares: , na descrição da terra de Havilá, junto com o ouro e o ônix, e , onde o aspecto do maná é comparado ao do bdélio.
Por que o maná é comparado ao bdélio?
O texto não explica. A comparação diz respeito à aparência, provavelmente cor, forma ou brilho, e pressupõe que o leitor antigo conhecia bem o aspecto do bedolach. Hoje, sem identificação segura da substância, a comparação perde parte de sua precisão.
O bdélio é uma pedra ou uma resina?
A Bíblia não diz. Em o contexto de lista de riquezas sugere pedra; em a comparação com sementes sugere pequenos grãos de resina. Os dois argumentos têm peso, e por isso a identificação segue discutida.
Palavras próximas
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