Astarote (Deusa Cananeia)
Quem era Astarote na Bíblia?
A palavra no original
עַשְׁתָּרוֹת
‘ashtarot (‘aštārôt)
Plural de ‘ashtoret, nome da deusa cananeia Astarte; imagens e culto dessa deusa.
Tudo isto ao mesmo tempo
- deusa cananeia e fenícia (Astarte)
- imagens e culto da deusa
- divindade da guerra e da fertilidade
- par de Baal na apostasia de Israel
- nome de lugar em Basã
Resposta curta
Astarote (עַשְׁתָּרוֹת, ‘ashtarot) é o plural hebraico de ‘ashtoret, nome da deusa cananeia Astarte, e é usado na Bíblia para falar de imagens e do culto dessa deusa, em geral ao lado de Baal (; ). Astarte era uma divindade ligada à guerra e à fertilidade, adorada em cidades fenícias como Sidom e conhecida em textos de Ugarit. Em , Salomão a segue como "deusa dos sidônios".
É preciso distinguir Astarte de Aserá, outra deusa cananeia que também aparece na Bíblia, e de Istar, a deusa mesopotâmica aparentada com ela. Fora das alusões bíblicas, sabemos pouco sobre o culto de Astarte em Canaã, e boa parte do que se afirma sobre ele é reconstrução, não dado seguro.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
ContrasteAstarote não aponta para Cristo e não há tipologia a extrair dela. A relação com o Novo Testamento é de contraste: Paulo lembra aos tessalonicenses que eles se converteram dos ídolos a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro e esperar seu Filho (). Os textos sobre Astarote descrevem a tentação de Israel de servir divindades da fertilidade e da guerra, e o Novo Testamento responde afirmando um só Deus e um só Senhor. O texto bíblico é silencioso sobre uma ligação direta entre Astarte e o evangelho.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Astarote é o nome plural que a Bíblia usa para a deusa cananeia Astarte e suas imagens. Ela era uma das divindades adoradas pelos povos vizinhos de Israel, principalmente na região da Fenícia. A Bíblia fala dela quando relata que os israelitas se desviaram do Senhor para servir a Baal e Astarote, e quando conta que Salomão a seguiu. Sabemos pouco sobre como era o culto dela, e muitas afirmações populares sobre o assunto não têm base sólida.
De onde vem a palavra
A Bíblia hebraica fala de Astarote em dois grupos de textos. O primeiro é o dos livros de Juízes e 1 Samuel, onde Astarote costuma vir ao lado de Baal como símbolo da infidelidade de Israel. Em , o povo abandona o Senhor para servir a Baal e a Astarote; em aparecem de novo, entre os deuses de vários povos vizinhos. Em , Samuel diz ao povo que tire de si os deuses estrangeiros e Astarote, e os israelitas o fazem. Em , o povo confessa o pecado de ter servido a Baal e a Astarote.
O segundo grupo é o do tempo dos reis. Em e 11:33, Salomão, já velho, segue "Astorete, deusa dos sidônios", e constrói um lugar alto para ela ( diz que Josias o profanou séculos depois). Aqui a palavra aparece no singular, e a Bíblia a identifica claramente com Sidom, cidade fenícia.
Um detalhe curioso está em : depois da morte de Saul, os filisteus colocam as armas dele no templo de Astarote e prendem seu corpo ao muro de Bete-Seã. O paralelo em diz que foi no "templo de seus deuses". O episódio mostra a deusa associada a um troféu de guerra, o que combina com a imagem de Astarte como divindade guerreira, conhecida de outras fontes. Há também lugares com o nome Astarote, como a cidade de Ogue, rei de Basã (; ).
A vocalização do singular, ‘ashtoret, é considerada por muitos estudiosos uma deformação intencional: os massoretas teriam dado ao nome da deusa as vogais de bosheth, "vergonha", para sinalizar desprezo, como se fez com outros nomes de deuses. O nome original seria algo como ‘Ashtart. Isso mostra que o texto hebraico, na sua transmissão, já carrega um juízo sobre o culto.
Aprofundamento
Astarte é uma divindade conhecida por fontes fora da Bíblia. Nos textos de Ugarit, cidade síria destruída por volta de 1200 a.C., aparece uma deusa ‘Athtart, em geral ao lado de Anat, em papéis ligados à guerra e à caça, em textos fragmentários que não descrevem seu culto em detalhes. Inscrições fenícias, como a do sarcófago do rei Eshmunazar II de Sidom (século V a.C.), falam de templos dedicados a Astarte. Na Mesopotâmia, a deusa Istar, ligada ao amor, à guerra e ao planeta Vênus, é uma divindade aparentada, de raiz semítica comum, mas com mitos e culto próprios. O nome é compartilhado por uma família de deusas, e não por uma só figura uniforme em todos os lugares e tempos.
Nos textos bíblicos, Astarote faz parte de uma expressão que reúne os deuses cananeus, "os baalins e as astarotes". Mas é preciso distinguir Astarte de Aserá. Aserá (Athirat em Ugarit) é outra deusa, ali esposa do deus El, e a palavra hebraica ashera designa também um poste ou árvore sagrada de madeira, associado ao culto. Os textos bíblicos às vezes alternam entre as duas (compare e 2:13), e os tradutores gregos usaram palavras diferentes, mas a distinção nem sempre é clara para o leitor moderno. Para os estudiosos, tratar as duas como a mesma deusa é um erro de método.
A pergunta sobre quanto se sabe do culto é decisiva. Escavações em Israel e Judá encontraram numerosas estatuetas femininas de argila, as chamadas estatuetas de pilar (pillar figurines), que alguns identificam com Astarte ou Aserá e outros veem como figuras de proteção doméstica; a interpretação está longe de resolvida. Também se afirma que o culto de Astarte envolvia prostituição sagrada, mas Stephanie Budin (2008) argumentou que essa ideia vem de leituras tardias de Heródoto e de autores clássicos, e não de evidência direta sobre Canaã. Quanto a e 44:17-19, a "rainha do céu" pode ser Astarte ou Istar, mas a identificação é debatida.
Em resumo: a Bíblia afirma que Israel se desviou para Astarote, e as fontes extrabíblicas confirmam que Astarte era uma deusa real e importante no mundo fenício. O que se discute é o tamanho do culto em Israel e o conteúdo dos rituais, onde a documentação é pobre e as reconstruções são muitas vezes mais confiantes do que as provas. Convém, por isso, tratar com reserva tanto as caricaturas que fazem de Astarote apenas um símbolo de depravação quanto as reconstruções que lhe atribuem um culto detalhado que nenhuma fonte descreve.
O que costumam dizer errado3 afirmações
Dizem que:Astarote e Aserá são dois nomes da mesma deusa.
São figuras distintas. Em Ugarit, Athirat (Aserá) é esposa do deus El e Athtart (Astarte) aparece com Anat. Na Bíblia, ashera designa também um poste ou árvore sagrada. Os textos às vezes se aproximam, mas a distinção deve ser mantida.
Dizem que:O culto de Astarote envolvia prostituição sagrada em Canaã.
A ideia vem em grande parte de relatos tardios de autores gregos, como Heródoto, e foi criticada por estudiosos como Stephanie Budin. Nenhum texto de Ugarit ou da Bíblia descreve com clareza esse tipo de rito em honra de Astarte.
Dizem que:Sabemos em detalhes como era o culto de Astarote em Israel.
A Bíblia só alude ao culto para condená-lo, e as fontes de Ugarit e da Fenícia são fragmentárias. A forma dos rituais, o papel das estatuetas e a extensão do culto em Israel são temas discutidos, sem consenso.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Tradição judaica e cristã clássica
Lê as menções a Astarote como exemplo do desvio de Israel para a idolatria dos povos vizinhos, e os profetas e os historiadores como testemunhas de que o culto a divindades cananeias foi uma ameaça constante à fidelidade ao Senhor.
Historiografia crítica da religião de Israel
Entende o culto a Astarte e a Aserá como parte de uma religião popular mais ampla em Israel e Judá, ao lado do culto ao Senhor, e vê nos textos bíblicos o resultado de uma luta posterior para definir a ortodoxia.
Arqueologia e filologia do Oriente Próximo
Reconstrói a deusa a partir de textos de Ugarit, inscrições fenícias e achados materiais, e insiste na distinção entre Astarte, Aserá e Istar, sem presumir que o culto bíblico seja idêntico ao de outras regiões.
O que fazer com isso
Os textos sobre Astarote lembram que a Bíblia fala das religiões vizinhas a partir do seu próprio ponto de vista, e não como um relato neutro. Por isso, vale ler com paciência o que arqueólogos e filólogos reconstroem, sem tomar conjecturas por fatos. Entender quem foi Astarte e por que Israel era tentado a seguir seu culto ajuda a ler Juízes e Reis com mais precisão e com menos caricaturas dos povos que ali aparecem.
Passagens relacionadas8
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Fontes consultadas6 obras
- Day, J.. Yahweh and the Gods and Goddesses of Canaan, 2000.
- Smith, M. S.. The Early History of God, 1990.
- Dever, W. G.. Did God Have a Wife? Archaeology and Folk Religion in Ancient Israel, 2005.
- Hadley, J. M.. The Cult of Asherah in Ancient Israel and Judah, 2000.
- Budin, S. L.. The Myth of Sacred Prostitution in Antiquity, 2008.
- Brown, F.; Driver, S.; Briggs, C.. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1907.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Quem era Astarote na Bíblia?
Astarote é o plural hebraico do nome da deusa Astarte, divindade cananeia e fenícia ligada à guerra e à fertilidade. A Bíblia a menciona quando fala dos israelitas que serviram a Baal e Astarote, e quando conta que Salomão a seguiu.
Astarote é a mesma coisa que Aserá?
Não. São deusas distintas nas fontes de Ugarit, embora os textos bíblicos às vezes as aproximem. Aserá é também o nome de um poste ou árvore sagrada de madeira. É importante não misturar as duas.
Por que Astarote aparece no plural?
O plural pode designar várias imagens ou manifestações da deusa, ou funcionar como um termo geral para deusas cananeias, como baalim funciona para os baais. Em aparece o singular, ashtoret.
O que sabemos do culto de Astarte?
Pouco. Textos de Ugarit e inscrições fenícias confirmam a deusa e templos em sua honra, mas não descrevem os rituais. Muito do que se diz sobre o culto, como a prostituição sagrada, é reconstrução disputada.
Palavras próximas
Temas
- No hebraico
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