Apollymi (Perecer, Destruir)
O que significa apollymi (perecer) em João 3:16?
A palavra no original
ἀπόλλυμι
apollymi · Strong G622
Destruir, matar ou arruinar (voz ativa); perecer ou perder-se (voz média e passiva); perder algo.
Tudo isto ao mesmo tempo
- destruição e ruína
- morte e perecimento
- perda de objeto ou pessoa
- extravio e reencontro
- contraste com salvação e vida
Resposta curta
Apollymi (ἀπόλλυμι) é um verbo grego de sentido amplo: na voz ativa quer dizer destruir, matar ou arruinar; na voz média e passiva, perecer ou perder-se; e, em certos contextos, simplesmente perder algo. Ocorre dezenas de vezes no Novo Testamento e é a palavra traduzida por "pereça" em , por "perdida" na parábola da ovelha de e por "destruir" em . Como o mesmo verbo cobre ideias tão diferentes, o significado exato depende de quem age, de quem sofre a ação e do contraste que o autor monta. Em o contraste é com a vida eterna; em , com o ser encontrado. Entender essa amplitude evita tanto ler o termo com um sentido único e fixo quanto ignorar a seriedade que ele carrega.
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
Cumprimento diretoNos textos em que apollymi aparece, Jesus é quem vem ao encontro do que está perdido: resume sua missão como buscar e salvar o que se havia perdido, e diz que o Filho foi enviado para que o mundo seja salvo por ele. acrescenta que as ovelhas que o seguem não perecerão, e mostra Jesus guardando aqueles que lhe foram confiados. O verbo, que em si descreve perda e ruína, torna-se o pano de fundo contra o qual o Novo Testamento apresenta a obra de Cristo.
Respaldo no Novo Testamento: ;
Em palavras simples
Apollymi é um verbo grego que pode significar destruir, perder ou perecer, dependendo da frase. Em , quem crê não "perece", e o contraste é com a vida eterna. Em , a mesma palavra descreve a ovelha que se perdeu e foi encontrada de volta. Em , fala de Deus poder destruir. Por isso, para entender o que a palavra quer dizer em cada versículo, é preciso olhar para a cena em que ela aparece, e não apenas para a tradução escolhida.
De onde vem a palavra
O verbo ἀπόλλυμι é formado pela preposição apó, que reforça a ideia de separação ou completude, somada a um verbo de raiz ligada a "destruir"; os léxicos o descrevem como uma forma intensificada. No grego clássico e helenístico, ele já cobria um campo largo: arruinar um inimigo, perder um bem, morrer, desaparecer. O Novo Testamento herda essa amplitude e a usa em situações muito diferentes.
Na voz ativa, o sujeito destrói ou mata alguém. É assim que Herodes quer "destruir" o menino (), que os fariseus planejam eliminar Jesus () e que Jesus fala de quem pode "destruir" alma e corpo na geena (). Na voz média ou passiva, o sujeito é quem sofre a perda: os discípulos na tempestade clamam "perecemos" (), o odre de vinho "se perde" (), o salário do trabalhador generoso "não se perderá" ().
Há ainda o sentido de "perder" um objeto ou ser perdido, característico de . A ovelha que se desgarrou, a moeda que caiu e o filho que partiu são todos descritos com o mesmo verbo (), e nos três casos a história termina com o reencontro e a festa. resume a missão de Jesus como buscar e salvar "o que se havia perdido".
João usa o verbo em passagens centrais. Em , quem crê "não pereça, mas tenha a vida eterna"; em , Jesus diz que suas ovelhas "jamais perecerão"; em e 17:12 o verbo aparece quando se fala de não perder nenhum dos que o Pai deu ao Filho. Paulo contrapõe "os que perecem" a "os que se salvam" em e , e Pedro afirma que Deus não quer que "ninguém pereça" (). Em todos esses textos o verbo tem a salvação como contraste direto, e é esse contraste, mais do que a raiz da palavra, que orienta a leitura.
Aprofundamento
Os léxicos de referência, como o BDAG, distinguem pelo menos dois grandes blocos de uso. No primeiro, o verbo é transitivo: destruir, arruinar, matar, e também, em alguns contextos, perder algo. No segundo, na voz média ou passiva, ele indica o sujeito que é destruído, morre ou se perde. A distinção importa porque "pereça" em está na voz média, e a tradução portuguesa tradicional capta isso bem: não é Deus quem destrói ali, é o destino de quem não crê que está em jogo.
Uma observação filológica útil é que o nome do anjo do abismo em , Apollyon, é a forma participial ativa do mesmo verbo, "o destruidor". O substantivo aparentado apóleia, "perdição", aparece em ("o caminho largo que conduz à perdição") e em , onde Judas é chamado "o filho da perdição". Esses vínculos mostram um campo de sentido coerente, mas não resolvem sozinhos a pergunta teológica sobre a natureza do destino descrito.
É nessa pergunta que as leituras se dividem. O verbo, por si, não diz se o resultado é um processo, um estado ou um fim definitivo. Em , por exemplo, o ouro é descrito como algo "perecível" (apollymenou), e nem por isso desaparece: é refinado pelo fogo. Em , o "perdido" é recuperável. Em , o par "destruir" e "matar" se opõe a quem apenas mata o corpo. Cada contexto fornece um contraste diferente, e extrapolar um deles para todos os outros é o erro metodológico mais comum.
Há também o uso metafórico de "perder" em e 16:25, onde quem perde (apolesei) a própria vida por causa de Jesus a encontra. Ali o verbo descreve uma renúncia voluntária que resulta em ganho, o oposto de um fim. O mesmo verbo, no mesmo evangelho, pode designar a ruína final e a entrega que gera vida; só o contexto decide.
Por fim, convém lembrar que traduzir apollymi por "perecer" ou por "perder-se" já é uma escolha interpretativa. "Perecer" sugere morte e fim; "perder-se" sugere extravio e possível reencontro. As traduções portuguesas variam conforme o texto, e uma leitura honesta reconhece que o grego, sozinho, admite ambas as direções, ainda que o contraste com "vida eterna" em deixe claro que se trata de algo grave. Quem estuda o termo faz bem em registrar essa margem de incerteza em vez de escondê-la, e em comparar sempre ao menos três ou quatro passagens antes de concluir.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:Apollymi sempre significa aniquilação total e definitiva.
O verbo tem um campo amplo. Em descreve a ovelha, a moeda e o filho que foram perdidos e depois encontrados, e em designa a vida entregue que resulta em ganho. O sentido de ruína final precisa vir do contexto, não da palavra isolada.
Dizem que:Apollymi sempre significa apenas "perder-se", sem nenhuma ideia de destruição.
Na voz ativa o verbo é frequentemente "destruir" ou "matar", como em , e . Reduzi-lo a "extraviar-se" ignora esses usos.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Tradicional (tormento consciente eterno)
Entende "perecer" e "destruir" como ruína definitiva que não encerra a existência consciente, lendo o verbo à luz de textos como e .
Condicionalista / aniquilacionista
Lê "perecer" e "destruir" em sentido literal, como o fim da existência dos que rejeitam a vida oferecida, por contraste com a vida eterna de ; defendida por autores como Edward Fudge e, com cautela, John Stott.
Universalismo esperançoso
Destaca o uso de e 19:10, em que o "perdido" é buscado e encontrado, e questiona se a perda descrita pelo verbo precisa ser permanente; é posição minoritária e debatida.
O que fazer com isso
Ler apollymi com atenção protege contra dois atalhos: usar o termo como ameaça pronta ou esvaziá-lo de seriedade. Antes de tirar conclusões de um versículo isolado, vale perguntar quem age, quem sofre a ação e qual é o contraste do texto. A parábola da ovelha mostra o cuidado de quem procura o que se perdeu; mostra o que está em jogo. As duas coisas cabem juntas e pedem uma leitura humilde.
Passagens relacionadas6
Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.
Fontes consultadas5 obras
- Bauer, W.; Danker, F.W.; Arndt, W.F.; Gingrich, F.W.. A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature (BDAG), 2000.
- Louw, J.P.; Nida, E.A.. Greek-English Lexicon of the New Testament Based on Semantic Domains, 1988.
- Kittel, G.; Friedrich, G. (orgs.). Theological Dictionary of the New Testament, 1964.
- Fudge, E.W.. The Fire That Consumes, 1982.
- Peterson, R.A.. Hell on Trial: The Case for Eternal Punishment, 1995.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Apollymi em João 3:16 significa "morrer"?
O verbo está na voz média e é traduzido por "pereça" ou "se perca". Ele pode indicar morte, ruína ou perda, e o contraste com a vida eterna mostra que algo grave está em jogo. O versículo, porém, não detalha a natureza do destino descrito.
Por que Lucas 15 usa o mesmo verbo para ovelha, moeda e filho?
Porque em grego ele cobre o sentido de "perder" ou "estar perdido". Nas três parábolas o perdido é procurado e encontrado, e o final é de alegria; o verbo aqui descreve extravio, não destruição.
Apollyon, em Apocalipse 9:11, tem relação com apollymi?
Sim. Apollyon é a forma participial ativa do mesmo verbo, "o destruidor". O texto o apresenta como o anjo do abismo e dá também seu nome hebraico, Abaddon.
Palavras próximas
Temas
- No grego
- #apollymi
- #perecer
- #destruir
- #perder
- #joao-3-16
- #lucas-15