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Significado Bíblico
Personagens obscurosintermediária
Ilustração da categoria Personagens obscuros

Por que Jesus chamou um cobrador de impostos como Mateus para segui-lo?

Por que Jesus escolheu Mateus, um cobrador de impostos malvisto, para ser discípulo, e o que ele quis dizer ao falar de médico e doentes?

E Jesus, ao passar dali, viu um homem sentado na coletoria de impostos, chamado Mateus; e disse-lhe: Segue-me. Então este se levantou e o seguiu. E aconteceu que, enquanto Jesus estava reclinado à mesa na casa de Mateus, eis que muitos publicanos e pecadores vieram e se reclinaram à mesa juntamente com Jesus e seus discípulos. E quando os fariseus viram isto, perguntaram aos seus discípulos: Por que o vosso Mestre come com publicanos e pecadores? Porém Jesus ouviu, e respondeu-lhes: Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os que estão doentes. Mas ide aprender o que significa: ‘Quero misericórdia, e não sacrifício’. Oseías 6:6 Porque eu não vim chamar os justos, mas sim, os pecadores, ao arrependimento.

· Bíblia Livre (Textus Receptus)

Resposta curta

Em , Jesus vê um homem chamado Mateus sentado na coletoria, diz 'Segue-me', e ele se levanta e o segue. Em seguida, muitos cobradores de impostos e pecadores jantam com Jesus e os discípulos, o que provoca a crítica dos fariseus. Jesus responde com três frases: os sãos não precisam de médico, mas os doentes; é preciso aprender o que significa 'misericórdia quero, e não sacrifício'; e ele não veio chamar justos, mas pecadores. O texto mostra que Jesus aceitava por perto pessoas que a sociedade religiosa rejeitava, não por aprovar o que faziam, mas porque sua missão era curar, e a cura começa com o reconhecimento da necessidade. A cena mostra ainda que o chamado muda a vida concreta de Mateus, que deixa a coletoria.

Como isso aponta para Jesus

Trajetória do texto

Jesus se apresenta como o médico dos que reconhecem a necessidade e diz que veio chamar pecadores. Lucas resume sua missão ao dizer que o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido. O encontro com Mateus é um exemplo concreto dessa missão.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Mateus trabalhava cobrando impostos, e as pessoas o desprezavam. Jesus passou, disse 'Segue-me', e Mateus deixou o trabalho e foi atrás dele. Depois, houve um jantar com muita gente malvista, e os fariseus criticaram. Jesus respondeu que quem precisa de médico são os doentes, não os saudáveis, e que veio chamar quem sabe que precisa de ajuda. Ele valoriza a misericórdia mais do que as aparências.

Contexto histórico

O cenário é Cafarnaum, cidade da Galileia às margens do mar de Tiberíades, que chama de 'sua própria cidade', isto é, a base do ministério de Jesus. A cidade ficava numa rota comercial importante, e por isso havia ali uma coletoria, posto de cobrança de tributos sobre mercadorias em trânsito. Os cobradores de impostos desse tipo eram provavelmente funcionários ou arrendatários a serviço de Herodes Antipas, que governava a Galileia, e não os grandes arrecadadores romanos. Eram vistos com desprezo por razões políticas e religiosas. Colaboravam com o poder estrangeiro, tinham a fama de cobrar mais do que o devido e conviviam com gentios e objetos impuros por causa do trabalho. No Novo Testamento, a expressão 'publicanos e pecadores' resume essa má reputação (; ). João Batista adverte os cobradores a não exigirem mais do que o estipulado (), e Zaqueu confessa ter extorquido (). descreve a cena com economia. Jesus 'passando adiante', vê o homem sentado na coletoria, diz duas palavras e ele se levanta e o segue. e contam o mesmo episódio e chamam o homem de Levi (Marcos acrescenta 'filho de Alfeu'). Lucas diz que ele 'deixou tudo' e fez um grande banquete em sua casa. A maioria dos intérpretes entende que Levi e Mateus são a mesma pessoa, com dois nomes, mas o texto não afirma isso expressamente. O jantar que segue o chamado é o centro da disputa. Sentar-se à mesa significava compartilhar intimidade e aceitação, e os fariseus, que observavam regras de pureza ao comer, perguntam aos discípulos, e não a Jesus, por que o Mestre come com pessoas como essas. Jesus ouve e responde pessoalmente. mostra que a crítica não vem em forma de pergunta direta ao Mestre, mas de comentário aos discípulos, o que sugere certa cautela dos críticos. Também vale lembrar que, diferentemente dos fariseus, que se separavam dos considerados impuros, Jesus não se afasta, e a mesa se torna o lugar em que o chamado acontece. O jantar, portanto, é a continuação da mesma frase que começou na coletoria: 'Segue-me'. Quem seguia Jesus passava a comer com quem ele comia.

Aprofundamento

A primeira pergunta é por que Jesus escolheu alguém assim. O texto não dá uma razão psicológica nem fala de mérito de Mateus. Mostra apenas a iniciativa de Jesus e a resposta imediata. Isso combina com o que ele diz depois: não veio chamar justos, mas pecadores. O chamado, portanto, não premia uma qualidade anterior, mas cria uma nova relação. Vale notar que o evangelista conta isso de si mesmo em tom discreto, sem justificativas nem autoelogio, e que a lista de mantém a marca da antiga profissão. O custo é concreto: um cobrador de impostos tinha uma fonte de renda estável, e deixar a coletoria significava abrir mão dela. Lucas diz que ele deixou tudo (). A segunda pergunta é o que Jesus quis dizer sobre o médico. A imagem era um provérbio conhecido: quem tem saúde não procura o médico. Jesus não afirma que os fariseus sejam realmente sãos, nem que os pecadores gostem de seu estado. A frase explica sua conduta: se sua missão é curar, é natural que esteja onde há enfermos. Alguns leitores percebem aí uma ironia sobre os que se julgam justos, mas o texto não a torna explícita. Em seguida, Jesus manda os fariseus 'aprenderem' o que significa 'misericórdia quero, e não sacrifício', citando . Mandar alguém 'ir aprender' um texto era uma forma de repreensão usada em debates da época, pois pressupunha que o interlocutor já devia conhecê-lo. O versículo de Oseias não rejeita o culto; coloca a lealdade e a compaixão antes dos rituais. Mateus repete a citação em 12:7, em outra controvérsia. Por fim, a frase 'não vim chamar justos, mas pecadores' (v. 13) é muitas vezes mal lida. Jesus não diz que há pessoas que não precisam dele, mas que seu chamado alcança primeiro os que reconhecem a necessidade. A tradição cristã também lembrou que o chamado de Mateus resultou em um evangelho, o primeiro do cânon, em que, segundo a tradição, o próprio ex-cobrador conta o episódio. A identificação de Mateus com Levi é considerada provável pela maioria, e os que a contestam observam que Levi não consta na lista dos Doze em Marcos e Lucas. Seja como for, a lista de chama o apóstolo de 'Mateus, o publicano', e o evangelista não esconde a profissão de sua vida anterior. Isso reforça que o relato não tenta suavizar o passado, mas coloca a graça no centro. Quem lê o evangelho de Mateus vê esse homem de números e registros tornar-se o autor de um texto cheio de citações do Antigo Testamento, o que mostra a mudança que o chamado provocou.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Jesus jantou com pecadores porque aprovava o que eles faziam.

    Jesus diz que veio chamar pecadores 'ao arrependimento' (a ideia aparece em , paralelo do episódio) e compara sua missão à de um médico. Estar presente não é endossar; é buscar quem precisa de cura.

  • Dizem que:Mateus e Levi eram necessariamente pessoas diferentes.

    Os três evangelhos contam a mesma cena, em que Marcos e Lucas dizem 'Levi' e Mateus diz 'Mateus'. A maioria dos estudiosos entende que se trata do mesmo homem com dois nomes, embora o texto não o declare de forma explícita.

Como diferentes tradições cristãs leem2 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Leitura da misericórdia

    Jesus coloca a compaixão acima da pureza ritual, como em . Seu ministério se dirige aos que o sistema religioso excluía. É a leitura mais comum em comentários como os de Craig Keener e R. T. France.

  • Leitura social e política

    Estudos como o de John Donahue sobre 'cobradores de impostos e pecadores' destacam a dimensão social: os publicanos eram rejeitados como colaboradores. O chamado de Mateus também seria uma crítica às fronteiras sociais da época.

No original2 termos
  • τελώνηςtelonesG5057

    'Cobrador de impostos' ou 'publicano', quem recolhia tributos ou taxas de comércio. Termo de forte desprezo social no Novo Testamento.

  • ἔλεοςeleosG1656

    'Misericórdia' ou 'compaixão'. É a palavra grega que Mateus usa ao citar , onde o hebraico é chesed, 'amor leal'.

O que fazer com isso

A passagem lembra que o chamado de Jesus alcança pessoas que ninguém esperaria, e que ninguém é velho demais, desonesto demais ou desacreditado demais para ser alcançado. Também desafia quem vive com facilidade em círculos religiosos a rever sua relação com os que estão do lado de fora: a misericórdia vem antes do julgamento, e a mesa de Jesus é maior do que costumamos imaginar. Quem se acha são demais pode ser o que mais precisa de médico.

Passagens relacionadas5

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas4 obras
  • R. T. France. The Gospel of Matthew (New International Commentary on the New Testament), 2007.
  • Craig S. Keener. A Commentary on the Gospel of Matthew, 1999.
  • D. A. Carson. Matthew, em The Expositor's Bible Commentary, 1984.
  • John R. Donahue. Tax Collectors and Sinners: An Attempt at Identification (Catholic Biblical Quarterly 33), 1971.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Mateus e Levi são a mesma pessoa?

A maioria dos estudiosos pensa que sim, pois Marcos e Lucas contam a mesma cena e chamam o homem de Levi. O texto não afirma isso expressamente, mas o chama de 'o publicano', o que reforça a ideia.

Por que os cobradores de impostos eram tão mal vistos?

Colaboravam com o poder estrangeiro, eram acusados de cobrar mais do que o devido e conviviam com gentios, o que gerava impureza ritual. A expressão 'publicanos e pecadores' resume esse estigma.

Temas

  • #mateus
  • #cobrador-de-impostos
  • #publicano
  • #chamado
  • #pecadores
  • #misericordia
  • #cafarnaum

Publicado em 11/11/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • Citação conferida contra o texto de Bíblia Livre (Textus Receptus)
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 2 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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