Judas Barsabás
Quem foi Judas Barsabás, o profeta enviado a Antioquia?
Ficha do personagem
Cerca de 49 d.C.; Jerusalém e Antioquia
Aparece em
Relações
- companheiro de missão de Silas
- enviado com Paulo
- enviado com Barnabé
- não confundir com Judas Iscariotes
- não confundir com Judas, irmão de Jesus
Resposta curta
Judas, chamado Barsabás, foi um dos líderes da igreja de Jerusalém por volta do ano 49 d.C., descrito em Atos como um dos “homens notáveis entre os irmãos”. Depois do concílio em que se decidiu que os convertidos vindos dos gentios não precisavam ser circuncidados, a igreja o escolheu, junto com Silas, para acompanhar Paulo e Barnabé até Antioquia, levando uma carta e confirmando de viva voz o seu conteúdo. Atos o chama de profeta: em Antioquia, ele e Silas exortaram e fortaleceram os irmãos com muitas palavras, e depois foram despedidos em paz. Ele não deve ser confundido com Judas Iscariotes, o traidor, nem com o apóstolo Judas, filho de Tiago. O Novo Testamento fala dele apenas nesses poucos versículos, e o que vem depois não é registrado.
Onde ele aparece
Como isso aponta para Jesus
Ligação indiretaO episódio não trata de Cristo diretamente, mas da forma como a mensagem sobre ele chega aos não judeus. A decisão de Jerusalém parte da convicção expressa por Pedro em : judeus e gentios são salvos “pela graça do Senhor Jesus”. A carta levada por Judas Barsabás e Silas aplica esse princípio à vida da igreja. O texto não faz de Judas uma figura de Cristo, e o verbete não procura tipologia onde ela não existe.
Respaldo no Novo Testamento:
Em palavras simples
Judas Barsabás foi um líder respeitado da igreja de Jerusalém no tempo dos apóstolos. Quando a igreja decidiu que os não judeus que criam em Jesus não precisavam seguir toda a Lei de Moisés, ele foi enviado com Silas a Antioquia para entregar a carta com essa decisão e explicá-la em voz alta. Atos o chama de profeta e diz que ele animou e fortaleceu os irmãos. Ele não é o mesmo Judas que traiu Jesus, e a Bíblia não conta o que aconteceu com ele depois.
O mundo dele
Judas Barsabás aparece só no capítulo 15 de Atos, mas num dos momentos mais delicados da primeira geração cristã. Em Antioquia da Síria, onde havia muitos convertidos não judeus, alguns que vinham da Judeia ensinavam que, sem a circuncisão segundo Moisés, ninguém podia ser salvo (). Paulo e Barnabé discordaram, e a igreja de Antioquia os enviou a Jerusalém para tratar do assunto com os apóstolos e os presbíteros. Esse encontro, chamado de concílio de Jerusalém e datado por volta de 49 d.C., terminou com uma proposta de Tiago, aceita pela assembleia: os gentios que se voltavam a Deus não seriam sobrecarregados com toda a Lei de Moisés, mas deveriam abster-se de coisas contaminadas por ídolos, da imoralidade sexual, da carne de animais sufocados e do sangue ().
Decidido o conteúdo, faltava comunicá-lo. Em vez de confiar a notícia apenas a Paulo e Barnabé, que eram parte interessada, a igreja de Jerusalém escolheu dois homens do seu próprio meio: Judas, chamado Barsabás, e Silas, descritos como “homens notáveis entre os irmãos” (). A escolha tinha uma lógica prática, porque a carta chegaria acompanhada de testemunhas de Jerusalém, capazes de responder perguntas e de mostrar que o texto não era invenção dos antioquenos. Para comunidades que ainda se perguntavam se os gentios podiam participar plenamente da fé, uma voz vinda de Jerusalém tinha peso especial.
O sobrenome Barsabás é de origem aramaica e seu sentido é debatido; sugeriu-se “filho do sábado” ou “filho de Sabá”, sem consenso. O mesmo sobrenome aparece em José Barsabás, candidato ao lugar de Judas Iscariotes em . O texto não diz que os dois fossem parentes, e qualquer parentesco é conjectura. O nome Judas, forma grega de Judá, era muito comum no século I, o que explica os sobrenomes: há Judas Iscariotes, Judas filho de Tiago (um dos Doze) e Judas, irmão de Jesus ().
A história
O texto de diz que “pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros, com toda a igreja” escolher homens para enviar a Antioquia. A carta que levavam, citada nos versículos 23 a 29, é dirigida aos irmãos dentre os gentios em Antioquia, na Síria e na Cilícia, e se distancia dos que haviam perturbado os ouvintes sem ordem de Jerusalém (15:24). O versículo 27 explica a função dos dois emissários: eles anunciariam “de viva voz as mesmas coisas”. A missão tinha duas partes, entregar um documento e interpretá-lo oralmente.
Em Antioquia, a igreja foi reunida e a carta foi lida (15:30-31). A reação registrada é de alegria pelo encorajamento. O versículo 32 acrescenta o dado que define Judas: sendo ele mesmo profeta, tal como Silas, exortou os irmãos com muitas palavras e os fortaleceu. Atos não detalha o que significava ser profeta naquela comunidade. O contexto sugere uma função de ensino e exortação mais do que de predição, embora o texto não exclua a segunda. Em , profetas vindos de Jerusalém, entre eles Ágabo, já haviam descido a Antioquia, o que mostra que esse trânsito entre as duas igrejas era conhecido.
O versículo 33 diz que, passado algum tempo, os dois foram despedidos em paz pelos irmãos, para voltarem àqueles que os tinham enviado. O versículo 34, que afirma que a Silas pareceu bem ficar ali, falta em manuscritos antigos e aparece em testemunhas posteriores; as edições críticas costumam omiti-lo ou colocá-lo em nota. Muitos estudiosos o tomam como acréscimo para explicar por que Silas está em Antioquia no versículo 40, quando Paulo o escolhe como companheiro. Se for assim, Judas voltou a Jerusalém, e é aí que ele sai do relato. Não há outra menção a ele no Novo Testamento, nem informação segura sobre seu destino.
Dois cuidados de leitura ajudam. O primeiro é a identificação: Judas Barsabás não é Judas Iscariotes, cuja morte é narrada em ; não é o apóstolo Judas, filho de Tiago; e não há base no texto para identificá-lo com Judas, irmão de Jesus, a quem a tradição atribui a carta de Judas. O segundo é o modo como a decisão chegou a Antioquia: por uma delegação, com carta e voz, o que mostra um modelo de comunicação entre comunidades que respeita a autoridade de Jerusalém sem dispensar o diálogo. A própria carta diz que “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (15:28), atribuindo a decisão ao Espírito sem anular o processo humano de debate.
O que costumam dizer errado3
Dizem que:Judas Barsabás é o mesmo Judas que traiu Jesus.
Judas Iscariotes morreu antes da escolha de Matias, e o relato está em e . Judas Barsabás aparece em , anos depois, como líder respeitado de Jerusalém. São homens distintos que apenas compartilham um nome muito comum.
Dizem que:Judas Barsabás era um dos Doze apóstolos.
As listas dos Doze (; ) incluem Judas filho de Tiago, mas não Judas Barsabás. o apresenta como um dos “homens notáveis entre os irmãos”, e em 15:32 como profeta, não como apóstolo.
Dizem que:Judas Barsabás e José Barsabás eram irmãos.
O texto só mostra que os dois levavam o mesmo sobrenome ( e 15:22). Não afirma parentesco, e o sentido de Barsabás é debatido, de modo que a ideia de irmandade é conjectura.
Como diferentes tradições cristãs leem3
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Católica
Vê no episódio um modelo de decisão colegiada com autoridade apostólica: o concílio de Jerusalém decide e envia delegados com uma carta, como expressão da comunhão entre as igrejas locais. A presença de Judas e Silas garante que a decisão chegue a Antioquia com o peso de Jerusalém.
Ortodoxa
Destaca a fórmula “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” () como fundamento da conciliaridade da Igreja, em que a decisão nasce da assembleia reunida e do Espírito, e os mensageiros a transmitem à comunidade que os recebe.
Protestante
Lê a carta como confirmação de que a salvação é pela graça, sem as obras da Lei. Os protestantes divergem sobre as quatro abstenções: alguns as entendem como concessão pastoral para a convivência entre judeus e gentios, outros como exigências morais e cultuais de valor permanente.
O que fazer com isso
O episódio de Judas Barsabás lembra que uma decisão difícil precisa de quem a leve com cuidado até as pessoas que serão afetadas por ela. Atos não mostra Judas reabrindo o debate, mas lendo a carta e animando os ouvintes. É um modelo de serviço discreto, em que o mensageiro não disputa o crédito da mensagem nem a usa para ganhar espaço, e procura que ela chegue inteira e seja bem recebida.
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Fontes consultadas4
- F. F. Bruce. The Book of the Acts (New International Commentary on the New Testament), 1988.
- Joseph A. Fitzmyer. The Acts of the Apostles (Anchor Bible 31), 1998.
- Craig S. Keener. Acts: An Exegetical Commentary, vol. 3, 2014.
- Bruce M. Metzger. A Textual Commentary on the Greek New Testament, 2ª ed., 1994.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
Quem foi Judas Barsabás na Bíblia?
Foi um líder da igreja de Jerusalém, chamado profeta em , que foi enviado com Silas a Antioquia para entregar a carta do concílio. É mencionado apenas em .
Judas Barsabás era apóstolo?
O texto não o chama de apóstolo. o descreve como homem notável entre os irmãos e como profeta. Ele não consta das listas dos Doze.
Qual foi a missão de Judas Barsabás e Silas?
Levar a Antioquia a carta com a decisão do concílio e confirmar de viva voz o seu conteúdo (). Em Antioquia, também exortaram e fortaleceram os irmãos.
O que aconteceu com Judas Barsabás depois de Antioquia?
O Novo Testamento não diz. Segundo , ele foi despedido em paz para voltar a Jerusalém. O versículo 34, que diria que Silas ficou, falta em manuscritos antigos, e Judas não é mais citado.