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Significado Bíblico
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Tentação

O que significa tentação na Bíblia, em grego?

A palavra no original

πειρασμός

peirasmós · Strong G3986

Teste, prova ou tentação — a experiência de ser posto à prova, seja para revelar o caráter, seja para induzir ao pecado.

Tudo isto ao mesmo tempo

  • provação (teste que revela ou fortalece o caráter)
  • tentação (incitação a pecar)
  • aflição ou prova externa (sofrimento, perseguição)
  • tentativa/experimento (sentido secular mais raro)

Resposta curta

Peirasmós (πειρασμός) é a palavra grega por trás da maior parte do vocabulário neotestamentário de tentação e provação. Vem do verbo peirázo, "pôr à prova", de peira, "tentativa". A raiz não tem carga moral própria: significa submeter algo a um teste. Por isso a mesma palavra é traduzida ora por tentação, a incitação a pecar, ora por provação, um teste de fé imposto por circunstâncias difíceis. O contexto decide qual sentido está em jogo em cada ocorrência.

Essa dupla face aparece no Pai-Nosso, quando Jesus ensina a orar para não ser conduzido a peirasmós (), e reaparece em Tiago, que pede alegria diante de peirasmoí variados (), mas nega que Deus gere peirasmós no sentido de induzir ao pecado (). A palavra nomeia a prova; fortalecer ou derrubar depende da origem e da resposta do coração.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Tipologia

A ligação de peirasmós com Cristo passa pela tipologia do deserto. Israel foi testado (nasah, traduzido por peirázo na Septuaginta) no deserto por quarenta anos e falhou repetidamente, inclusive "tentando" o próprio Deus (; Salmo 95:8-9). Mateus e Lucas narram que Jesus, logo após seu batismo, foi conduzido ao deserto para ser peirasthênai ("tentado/provado") pelo diabo por quarenta dias (; ), e responde a cada provação citando Deuteronômio, o mesmo livro que interpreta o teste de Israel no deserto. Onde Israel murmurou e sucumbiu, Jesus permanece fiel — um recapitular do mesmo tipo de prova com resultado oposto. torna esse paralelo explícito ao afirmar que Jesus foi "provado (peirázo) em tudo, segundo a nossa semelhança, mas sem pecado", e por isso pode compreender e socorrer os que atravessam peirasmós ().

Respaldo no Novo Testamento: ; ; ;

Em palavras simples

Peirasmós é a palavra grega que a Bíblia usa tanto para "tentação" quanto para "provação". Ela vem de um verbo que significa "testar" ou "pôr à prova", sem carga moral própria: o mesmo teste pode revelar a força de alguém ou virar uma armadilha para o pecado. É por isso que a mesma palavra aparece no pedido "não nos deixes cair em tentação" e também em textos que falam de suportar provações com alegria. Quem decide o sentido é o contexto, não a palavra em si.

De onde vem a palavra

No grego do Novo Testamento, peirasmós ocorre cerca de vinte e uma vezes, quase sempre em cartas e evangelhos escritos em contextos de perseguição, dificuldade moral ou ambas ao mesmo tempo. O substantivo deriva do verbo peirázo ("testar, experimentar, tentar"), presente já na literatura grega clássica com o sentido neutro de "fazer uma tentativa" ou "verificar por experiência". Na Septuaginta, peirázo traduz regularmente o hebraico nasah, o verbo usado para o teste de Abraão em e para a murmuração de Israel no deserto, quando o povo "tentou" a Deus em Massá (; Salmo 95:9). Esse pano de fundo veterotestamentário já carrega a mesma ambivalência: nasah pode descrever Deus provando o coração humano ou o ser humano pondo Deus à prova de forma rebelde.

No Novo Testamento essa herança se desdobra em dois polos de uso. De um lado, peirasmós designa a provação externa, o sofrimento ou a dificuldade que testa a fé, como em Pedro 1:6 e , onde Paulo afirma que Deus não permitirá peirasmós além do que se pode suportar. De outro, designa a tentação interna, a atração para pecar, como no pedido do Pai-Nosso () e no aviso de Jesus aos discípulos em Getsêmani, "vigiai e orai, para que não entreis em peirasmós" (; ; ). é o texto que mais explicitamente lida com essa tensão: afirma que Deus não pode ser tentado pelo mal e não tenta ninguém a pecar, atribuindo a tentação-sedução à própria concupiscência (epithymía) de cada pessoa, mesmo usando o verbo peirázo para descrever tanto a ação divina de provar quanto a atração humana ao pecado. Léxicos como o BDAG e o Vine's Expository Dictionary registram exatamente essas duas famílias de sentido sob a mesma entrada, e comentaristas do grego neotestamentário historicamente evitam decidir a tradução pela etimologia, preferindo o contexto imediato de cada ocorrência.

Aprofundamento

A dificuldade de traduzir peirasmós para o português nasce de uma escolha que o grego bíblico não exige: separar "teste que vem de fora" de "tentação que vem de dentro". Peirázo, o verbo-base, carrega originalmente a ideia de "experimentar algo para ver seu valor ou sua resistência" — o mesmo campo semântico de examinar um metal no fogo ou pôr uma corda à prova de peso. Esse sentido de exame está por trás de textos como , em que Paulo garante que nenhum peirasmós humano ultrapassa o que é comum aos homens, e Deus proverá, junto com a prova, uma saída. Aqui a palavra funciona quase como sinônimo de dokimázo ("aprovar depois de examinar"), outro termo do mesmo campo de provas e exames que o Novo Testamento usa de forma próxima, embora não idêntica.

O outro polo, o da tentação moral, aparece com mais força nos evangelhos e em Tiago. No Pai-Nosso, "não nos deixes cair em peirasmós" () tem sido lido de formas diferentes ao longo da história da igreja: como pedido de proteção contra a sedução ao pecado, como pedido para ser poupado de provações escatológicas severas, ou, na tradição que motivou a revisão do Pai-Nosso aprovada pelo Vaticano em anos recentes para uso litúrgico em algumas línguas, como esclarecimento de que Deus não conduz ativamente ninguém à queda. é o texto que a exegese mais cita para resolver essa tensão dentro do próprio Novo Testamento: o autor distingue explicitamente entre um Deus que não tenta ninguém para o mal e a atração interna de "cada um", gerada pela própria concupiscência, que dá à luz o pecado. Comentaristas como os que seguem a linha de Vine's notam que o mesmo verbo peirázo é usado nos dois sentidos dentro do próprio parágrafo de Tiago, o que reforça que a diferença está no sujeito e na intenção da prova, não em duas palavras distintas.

Vale notar que peirasmós nunca é, em si, sinônimo de pecado: ser posto à prova, mesmo sob forte atração ao mal, não é falha moral. lembra que Jesus foi provado (peirázo) em tudo, à semelhança dos seres humanos, sem pecado — a experiência do teste é comum à condição humana, mas ceder a ela é que constitui a transgressão. É essa distinção entre ser testado e sucumbir que os léxicos padrão, como o BDAG, sublinham ao tratar peirasmós como um substantivo de sentido dependente do contexto, e não uma palavra moralmente carregada por definição.

O que costumam dizer errado3 afirmações
  • Dizem que:Peirasmós significa só 'tentação para pecar', nunca outra coisa.

    O mesmo substantivo é usado em Pedro 1:6 e para provações, aflições e testes de fé sem qualquer conotação de sedução ao pecado; o sentido depende do contexto, não da palavra isolada.

  • Dizem que:'Não nos deixes cair em tentação' significa que Deus tenta as pessoas e o crente pede para que ele pare.

    O próprio Novo Testamento nega essa leitura em , afirmando que Deus não tenta ninguém para o mal; a maioria das leituras entende o pedido como súplica por preservação diante da provação, não uma acusação a Deus.

  • Dizem que:Jesus não pode ter sido genuinamente tentado, porque ele é Deus.

    usa o mesmo verbo peirázo para afirmar explicitamente que Jesus foi provado em tudo à nossa semelhança; os evangelhos descrevem a experiência no deserto como uma prova real, não encenada.

Como diferentes tradições cristãs leem4 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Católica

    Traduções litúrgicas aprovadas por Roma a partir de 2019 (primeiro em italiano, depois em outras línguas) passaram a verter como algo próximo de 'não nos abandones à tentação', para deixar claro que Deus não induz ativamente ao pecado, embora permita a prova.

  • Ortodoxa

    Mantém tradicionalmente a fórmula 'não nos deixes entrar em tentação', lendo o pedido como súplica por proteção diante da fraqueza humana frente ao mal, sem reabrir a questão de quem 'causa' o peirasmós.

  • Protestante/Reformada

    Enfatiza como chave hermenêutica: Deus soberanamente permite e até ordena provações (peirasmós no sentido de teste), mas nunca é o autor moral da tentação ao pecado, que nasce da concupiscência humana.

  • Evangélica/Batista

    Tende a manter a tradução tradicional 'tentação' no Pai-Nosso, mas ensina, apoiada em , que todo peirasmós vem acompanhado de uma via de escape provida por Deus.

O que fazer com isso

Saber que peirasmós cobre tanto "prova" quanto "tentação" ajuda a ler certos textos bíblicos sem a tensão de escolher entre dois sentidos opostos. Uma dificuldade da vida pode ser, ao mesmo tempo, um teste que revela o que já existe no coração e uma ocasião real de queda — a palavra grega não separa essas duas possibilidades, e talvez por isso a Escritura trate discernimento e vigilância como respostas mais adequadas do que rótulos fixos para cada experiência difícil.

Passagens relacionadas6

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Fontes consultadas4 obras
  • Walter Bauer, Frederick W. Danker (BDAG). A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature, 2000.
  • W. E. Vine. Vine's Expository Dictionary of Old and New Testament Words, 1940.
  • Gerhard Kittel (ed.). Theological Dictionary of the New Testament (TDNT), verbete peirázo/peirasmós, 1968.
  • Francis Brown, S. R. Driver, Charles Briggs (BDB). A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament, verbete nasah, 1906.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Peirasmós é a mesma palavra em Mateus 6:13 e em Tiago 1:2?

Sim, é exatamente o mesmo substantivo grego, peirasmós, apenas em números gramaticais diferentes (singular no Pai-Nosso, plural em Tiago). A diferença de sentido — tentação ao pecado versus provação de fé — vem do contexto de cada passagem, não de palavras diferentes no original.

Por que algumas traduções recentes mudaram o Pai-Nosso de 'não nos deixes cair em tentação' para 'não nos abandones à tentação'?

A mudança, adotada em traduções litúrgicas católicas aprovadas a partir de 2019, busca deixar mais claro que Deus não conduz ativamente ninguém ao pecado, ideia que também afirma. O grego original, porém, permite as duas formulações em português.

Qual é a diferença entre peirasmós e o verbo peirázo?

Peirázo é o verbo, 'testar, experimentar, tentar'; peirasmós é o substantivo derivado, 'o teste, a tentação, a provação'. Ambos aparecem nos mesmos contextos ambíguos do Novo Testamento, incluindo dentro do mesmo parágrafo, como em .

A tentação em si já é pecado?

Não, segundo o Novo Testamento. afirma que Jesus foi provado (peirázo) em tudo sem pecado, o que separa a experiência de ser tentado ou testado da ação de ceder a ela.

Palavras próximas

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Publicado em 27/08/2026

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O que foi conferido

  • πειρασμός (peirasmós) em grego, Strong G3986
  • 4 obras citadas, com autor e ano
  • 3 afirmações populares checadas e refutadas
  • 4 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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