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Significado Bíblico
Dicionário bíblicogregointermediária

Concupiscência

o que significa concupiscência na bíblia

A palavra no original

ἐπιθυμία

epithymia · Strong G1939

desejo intenso, vontade forte dirigida a algo

Tudo isto ao mesmo tempo

  • desejo
  • cobiça
  • anseio
  • paixão
  • apetite

Resposta curta

Concupiscência é o arcaísmo mais pesado da tradução de Almeida, e quase sempre é lido como sinônimo de desejo sexual. O grego não autoriza isso.

A palavra é ἐπιθυμία (epithymia), formada de ἐπί (sobre) e θυμός (impulso, ânimo): desejo intenso, vontade forte dirigida a alguma coisa. Ela é neutra em si mesma, e o Novo Testamento a usa inclusive em sentido bom — em , Jesus diz ter desejado ardentemente comer a páscoa com os discípulos, e o verbo é da mesma raiz. O que qualifica o desejo é o objeto, não a palavra.

Onde a palavra aparece

Como isso aponta para Jesus

Contraste

Tiago descreve o desejo que concebe e gera morte. O Novo Testamento apresenta Jesus como aquele que foi tentado em tudo à nossa semelhança e sem pecado — não porque não tenha sentido atração alguma, mas porque a sequência descrita por Tiago não se completou nele.

Respaldo no Novo Testamento:

Em palavras simples

Concupiscência é uma palavra antiga que traduz o grego para "desejo forte". Ela não significa só desejo sexual: cobre qualquer vontade intensa, inclusive por dinheiro, posse ou status. O que torna o desejo mau é aquilo que se deseja, e não a palavra em si.

De onde vem a palavra

é o texto onde a palavra faz mais trabalho. A imagem é de caça e de gestação ao mesmo tempo: cada um é tentado quando atraído e seduzido pela própria epithymia; depois, o desejo concebe e dá à luz o pecado; e o pecado, consumado, gera a morte.

Duas coisas nessa sequência costumam passar despercebidas. A primeira é que Tiago está deslocando a culpa: ele escreve isso logo depois de negar que Deus tente alguém. A origem da tentação não é externa nem divina — é o próprio desejo. A segunda é que o texto descreve etapas. Desejo não é pecado ainda; ele concebe, e o que nasce é que se chama pecado. A distinção é fina e foi objeto de séculos de discussão.

O leque de uso confirma a neutralidade do termo. Paulo o emprega para dizer que deseja partir e estar com Cristo, em , usando o verbo cognato. Em ele aparece três vezes numa lista negativa — a concupiscência da carne, a dos olhos e a soberba da vida. Em está no centro do contraste entre carne e Espírito.

O português complicou a coisa. "Concupiscência" veio do latim concupiscentia, que traduzia epithymia na Vulgata, e no uso corrente foi estreitando até significar quase só apetite sexual. Traduções modernas dizem "desejo", "cobiça" ou "paixão" — mais claras, mas cada uma inclinando para um lado do leque.

Aprofundamento

A discussão teológica em torno da palavra é antiga e vale ser apresentada com honestidade, porque as tradições divergem em um ponto específico.

A questão é se o desejo desordenado, antes de qualquer consentimento, já é pecado. A leitura católica clássica distingue a concupiscência — a inclinação desordenada que permanece depois do batismo — do pecado propriamente dito, que exige consentimento da vontade. A leitura reformada, sobretudo a partir da controvérsia com Roma, tende a afirmar que a inclinação em si já é pecaminosa, ainda que não seja imputada da mesma forma que o ato.

Os dois lados citam , e cada um enfatiza uma parte da sequência: quem distingue aponta que o desejo "concebe" e só então gera o pecado, o que sugere que ele ainda não é o pecado; quem não distingue aponta que o desejo já é descrito como aquilo que atrai e seduz, e que trata o próprio cobiçar como transgressão.

Um dado linguístico ajuda a não radicalizar nenhum dos lados: como epithymia é neutra, nenhuma das duas posições pode ser resolvida no dicionário. A palavra sozinha não decide se o desejo é culpável. O que decide é a teologia que se traz para o texto, e é mais honesto dizer isso do que fingir que o grego arbitra a questão.

Para a leitura comum, porém, o ponto prático é anterior a essa disputa e mais simples: quem lê "concupiscência" e entende apenas sexo perde a maior parte das ocorrências. A lista de inclui os olhos e a soberba da vida — ou seja, ambição, aquisição e status. O termo cobre a vontade humana inteira quando ela se volta para o que não deve.

O que costumam dizer errado2 afirmações
  • Dizem que:Concupiscência é o termo bíblico para desejo sexual.

    A palavra grega é usada para qualquer desejo intenso, inclusive bom: em o verbo cognato descreve o desejo de Jesus de comer a páscoa. A lista de inclui os olhos e a soberba da vida, que tratam de aquisição e status.

  • Dizem que:Sentir desejo já é pecado, segundo Tiago 1.

    O texto descreve etapas: o desejo atrai, depois concebe, e o que nasce é que se chama pecado. Se desejo e pecado fossem a mesma coisa, a sequência seria redundante. As tradições divergem sobre a culpabilidade da inclinação, e este verbete registra as duas.

Como diferentes tradições cristãs leem2 leituras

Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.

  • Católica

    Distingue a concupiscência remanescente após o batismo do pecado atual, que exige consentimento da vontade. A inclinação é consequência do pecado e inclina a ele, sem ser ela mesma pecado imputável.

  • Reformada

    Entende que a inclinação desordenada já tem natureza pecaminosa, apoiando-se em , onde o próprio cobiçar é tratado como transgressão da lei.

O que fazer com isso

Ao encontrar "concupiscência" num texto de Almeida, substitua mentalmente por "desejo intenso" e verifique o que o contexto diz sobre o objeto desse desejo. Na maior parte das vezes o assunto será posse, poder ou reconhecimento — e não o que a palavra sugere ao ouvido moderno.

Passagens relacionadas5

Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.

Fontes consultadas2 obras
  • Joseph Henry Thayer. A Greek-English Lexicon of the New Testament, 1889.
  • James Strong. Strong's Exhaustive Concordance of the Bible, 1890.

Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.

Perguntas frequentes

Por que Almeida usa uma palavra tão difícil?

Porque ela vinha do latim concupiscentia da Vulgata, e no português da época era vocabulário corrente. O estreitamento de sentido para o campo sexual aconteceu depois, no uso comum da língua.

Qual tradução moderna é melhor?

Depende do texto. "Desejo" é a mais neutra e a mais próxima do grego; "cobiça" serve bem onde o objeto é posse; "paixão" acentua a intensidade. Nenhuma carrega o leque inteiro sozinha.

Então desejar não tem nada de errado?

O desejo em si é neutro no vocabulário do Novo Testamento, e aparece em sentido bom. O que os textos condenam é o desejo dirigido ao que não se deve, e a sequência em que ele deixa de ser impulso e vira ação.

Palavras próximas

Temas

  • #concupiscencia
  • #epithymia
  • #tiago
  • #desejo
  • #tentacao

Publicado em 18/08/2026

Construído sobre fontes em domínio público, listadas acima. Como produzimos. Encontrou um erro? Escreva para a redação.

O que foi conferido

  • ἐπιθυμία (epithymia) em grego, Strong G1939
  • 2 obras citadas, com autor e ano
  • 2 afirmações populares checadas e refutadas
  • 2 tradições cristãs apresentadas lado a lado
  • Editor responsável: Julio Andolfo
  • Revisão teológica por pessoa nomeada — ainda não feita. Enquanto não for, dizemos isso aqui em vez de assinar um nome.

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