Olíbano (Levonah)
O que significa olíbano na Bíblia?
A palavra no original
לְבוֹנָה
levonah (lᵊvônâ) · Strong H3828
Resina aromática de coloração clara (olíbano), queimada sobre brasas e acrescentada a ofertas de cereal e ao incenso sagrado.
Tudo isto ao mesmo tempo
- resina aromática do gênero Boswellia
- ingrediente do incenso sagrado do santuário
- porção queimada na oferta de cereal
- mercadoria importada de Sabá
- perfume nos poemas do Cântico dos Cânticos
Resposta curta
Olíbano é a resina aromática, esbranquiçada ou amarelada, extraída da casca de árvores do gênero Boswellia e queimada como incenso em cerimônias religiosas. Na Bíblia hebraica a palavra correspondente é levonah (לְבוֹנָה, Strong H3828), que nomeia essa substância concreta, e não o ato de incensar em geral. Muitas traduções escrevem apenas incenso e escondem do leitor o ingrediente usado. A levonah entra na receita do incenso sagrado de , acompanha as ofertas de cereais de , é posta sobre os pães da presença em e chega a Israel como mercadoria cara vinda de Sabá (; ). O Novo Testamento a conhece em grego como libanos, um dos presentes dos magos a Jesus ().
Onde a palavra aparece
Como isso aponta para Jesus
Trajetória do textoNo Antigo Testamento a levonah é sempre material do culto: perfuma o incenso do santuário, acompanha a oferta de cereal e cobre o pão da presença. No Novo Testamento a mesma substância reaparece em , quando os magos trazem a Jesus ouro, olíbano e mirra, em eco da cena de , na qual as nações trazem ouro e levonah a Sião. retoma a imagem de fumaça de incenso subindo com as orações dos santos, embora ali o grego use thymiama e não libanos. A ligação é temática: o texto bíblico não declara que a levonah seja tipo de Cristo; apenas mostra o presente aos pés do menino como continuidade da esperança profética.
Respaldo no Novo Testamento: ;
Em palavras simples
Olíbano é uma resina de cheiro forte, tirada da casca de certas árvores da Arábia, que se queima como incenso. O nome hebraico é levonah. Ela aparece na receita do incenso sagrado do tabernáculo, nas ofertas de cereais e sobre os pães da presença. Como não nascia em Israel, vinha de longe e custava caro. Por isso Isaías e Jeremias a citam como mercadoria de Sabá. No Novo Testamento, o olíbano é um dos presentes dos magos a Jesus. Muitas Bíblias dizem apenas incenso, e o leitor não percebe a substância.
De onde vem a palavra
O olíbano é a seiva endurecida de árvores que crescem em regiões áridas do sul da Arábia e do chifre da África. O coletor fazia cortes na casca; a resina escorria em gotas leitosas, que secavam em lágrimas duras e eram recolhidas e vendidas. Queimada sobre brasas, soltava uma fumaça densa e perfumada. Como a planta não crescia em Israel, a levonah era importada por rotas de caravanas, e por isso aparece associada a Sabá, no sul da Arábia: imagina caravanas trazendo ouro e levonah, e faz Deus perguntar de que lhe serve o incenso que vem de Sabá quando o povo vive em injustiça.
No culto, a levonah tinha lugares precisos. Em ela é um dos quatro componentes do incenso sagrado, junto com o estacte, o ônix aromático e o gálbano, em partes iguais, temperados com sal e declarados santos. O texto proíbe fazer essa mistura para uso comum (). Em , quem trazia uma oferta de cereal levava farinha fina, azeite e levonah; o sacerdote queimava no altar uma porção como memorial, com todo o olíbano. Em a levonah pura era colocada sobre as duas fileiras do pão da presença. Havia também exclusões notáveis: a oferta de cereal do pobre que trazia sacrifício pelo pecado não levava azeite nem levonah (), e o mesmo vale para a oferta de ciúmes de .
O mundo poético de Israel também conhecia o perfume. O Cântico dos Cânticos fala de uma subida do deserto perfumada de mirra e de levonah (3:6), de uma colina do incenso (4:6) e de árvores de levonah no jardim da amada (4:14). Depois do exílio, registra que um aposento do templo, reservado a esse material, foi cedido a um adversário, e lembra levitas encarregados de zelar por ele. A palavra pertence, portanto, à vida material do templo, e não apenas à linguagem simbólica.
Aprofundamento
A palavra hebraica לְבוֹנָה (levonah, Strong H3828) designa a resina do olíbano. A raiz geralmente apontada pelos léxicos é l-v-n, ligada à ideia de branco, o que combinaria com a cor leitosa da resina e com o nome do Líbano, de montes brancos. A relação é proposta com frequência, mas não é demonstrada, e os dicionários a tratam com cautela. O vocábulo grego libanos, que aparece em e em , parece derivar do mesmo termo semítico, e o latim e o português guardam essa herança no próprio nome olíbano.
O ponto de confusão mais comum é o vocabulário das traduções. O hebraico distingue levonah, a substância, de ketoret, o incenso como mistura queimada e como ato de fazer subir fumaça, de raiz diferente. Muitas versões em português traduzem as duas por incenso. Em , a levonah é apenas um dos quatro ingredientes do ketoret, e ler os dois termos como sinônimos apaga essa diferença. A mirra, vizinha frequente do olíbano nos textos e nos presentes dos magos, é outra resina, de outra árvore. Isso importa para quem compara versões: a escolha de incenso ou olíbano muda o quanto o leitor percebe que o texto nomeia um produto, com origem, preço e rota de comércio, e não uma ideia vaga de perfume religioso.
A identificação botânica mais aceita liga a levonah bíblica às árvores do gênero Boswellia, como a Boswellia sacra do sul da Arábia, e Plínio, o Velho, descreve em sua História Natural o comércio dessa resina a partir da Arábia feliz. Essa identificação é apoiada pelo contexto de Sabá em Isaías e Jeremias, mas o texto bíblico não descreve a planta; ele só fala do produto. Quanto ao simbolismo, é preciso ser honesto: Levítico explica que a porção queimada é um memorial (azkarah), mas não diz por que a levonah foi escolhida nem o que ela significa. As leituras de que ela representa oração, pureza ou aceitação são interpretações posteriores, algumas bem antigas, e não afirmações do texto.
O uso profético mostra outra faceta. Em e em a levonah aparece como valor caro oferecido sem a justiça que o acompanharia, e Deus a recusa quando o culto se separa da vida. Já em a mesma mercadoria vem como tributo honroso das nações a Sião. A substância é a mesma; o que muda é o contexto moral em que se oferece. Esse contraste, mais que o perfume, é o que os profetas querem que o leitor perceba.
O que costumam dizer errado2 afirmações
Dizem que:Olíbano e incenso são exatamente a mesma coisa na Bíblia.
O hebraico usa duas palavras: levonah, a resina do olíbano, e ketoret, o incenso como mistura queimada. Em a levonah é apenas um dos quatro ingredientes do ketoret. Muitas traduções usam incenso para as duas, o que apaga a diferença.
Dizem que:Olíbano e mirra são a mesma resina com dois nomes.
São resinas de árvores diferentes e têm nomes hebraicos distintos: levonah e mor. Aparecem lado a lado em Cântico dos e em justamente porque não são o mesmo produto.
Como diferentes tradições cristãs leem3 leituras
Cristãos comprometidos com a Bíblia divergem aqui. As leituras abaixo estão descritas como seus próprios defensores as descreveriam — este site não escolhe por você.
Judaica rabínica
Inclui a levonah entre as especiarias do incenso do templo e discute com detalhe a composição e as medidas da mistura, como na baraita registrada em Keritot 6a do Talmude, ao mesmo tempo em que mantém a regra de que o incenso sagrado não se faz para uso comum.
Patrística e católica
Lê o olíbano de como presente que reconhece a divindade de Jesus, ao lado do ouro, que reconhece a realeza, e da mirra, que antecipa a morte, leitura já encontrada em Orígenes, no Contra Celso.
Protestante e evangélica
Vê em uma cena histórica que ecoa e Salmo 72:10-15, sem atribuir sentido fixo a cada presente, e destaca a advertência profética de que oferta cara não substitui justiça.
O que fazer com isso
Reconhecer que levonah é uma resina específica, e não uma palavra genérica para fumaça de culto, ajuda a ler os textos de oferta com mais precisão. A Bíblia fala de coisas concretas, trazidas de longe e de custo alto, e os profetas lembram que o valor de uma oferta não substitui a justiça de quem a traz. Vale ler cada passagem pelo que diz, sem acrescentar simbolismos que o texto não declara.
Passagens relacionadas7
Toque numa referência para ler o texto sem sair da página.
Fontes consultadas5 obras
- Brown, F.; Driver, S.; Briggs, C.. A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (BDB), 1907.
- Koehler, L.; Baumgartner, W.. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), 1994.
- Milgrom, J.. Leviticus 1-16 (Anchor Bible), 1991.
- Plínio, o Velho. História Natural, livro 12, 77.
- Orígenes. Contra Celso, livro 1.
Obras em domínio público. A bibliografia completa e o método estão em Fontes e bibliografia.
Perguntas frequentes
O que é olíbano?
É a resina seca de árvores do gênero Boswellia, que cresce sobretudo no sul da Arábia e na Somália. Queimada sobre brasas, solta uma fumaça aromática. É o ingrediente a que o hebraico bíblico chama levonah e que muitas traduções chamam apenas de incenso.
Qual é a diferença entre levonah e ketoret?
Levonah é a resina, a substância. Qetoret é o incenso preparado e queimado, uma mistura. Em a levonah é um dos ingredientes da mistura sagrada.
Por que a oferta pelo pecado do pobre não levava olíbano?
determina que essa oferta de farinha seja trazida sem azeite e sem levonah. O texto dá o fato, mas não explica a razão. As explicações que ligam a ausência do perfume à gravidade do pecado são interpretações posteriores.
O olíbano dado a Jesus tem significado especial?
apenas lista os presentes e não os interpreta. A leitura de que o olíbano indica divindade vem da tradição cristã antiga, como em Orígenes, e é uma leitura teológica, não uma explicação dada pelo evangelista.
Palavras próximas
Temas
- No hebraico
- #olibano
- #levonah
- #incenso
- #resina
- #oferta-de-cereal
- #tabernaculo